04 outubro, 2026

O DIA MUNDIAL DA SUSTENTABILIDADE PASSA AO LADO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - I


Sim, no passado dia 25 de Setembro, como a imagem mostra, foi celebrado o "Dia Mundial da Sustentabilidade". Para já é uma data que deveria ser mais falada. Para além das celebrações registadas, os temas deveriam estar em permanência na nossa agenda. Na nossa e na de todas as instituições, a começar pelas escolas. Não por acaso, dei pela realização de uma iniciativa em que o semanário Expresso era o promotor. Dela se dava a emissão em direto na sua página no Facebook, de duas sessões uma de manhã, outra de tarde. De facto, não foi por acaso. É que essa data chegou a estar nos objetivos relacionados com a minha escrita. Era a 25 de Setembro que eu fixara a meta para o lançamento do meu livro, um conto ilustrado, que tem por tema as alterações climáticas. Tal expectativa veio a ser traída, mas não trago agora a cena angústias paralelas com estas, que resolvi hoje trazer. Cada coisa em seu lugar... Neste primeiro texto vou-me centrar no problema da água (ver aqui colocando o cursor no tempo 1h10min). Em data próxima pegarei no tema da "Construção".

O problema da água 

Coube ao Vice-presidente do Município de Oeiras, na qualidade de Presidente do SIMAS (Oeiras e Amadora), o desenvolvimento do tema e já, publicamente, o saudei pelos alertas deixados, nomeadamente:
  •  O desmesurado desperdício de água nos sistemas de abastecimento público, onde a média ronda os 27% mas há situações em as perdas de água atingem os 35%. Aqui, salientado que em Oeiras este desperdício se situa em 18%;
  •  O recurso à captação de água nos lençois freáticos através de furos, usando água que é de todos e não investem em recolhas e tratamento de água das bacias hidrográficas.
Na sua intervenção, Francisco Rocha Gonçalves, desenvolveu outros pontos igualmente pertinentes que poderiam até fazer daquela região, Oeiras e Amadora, que serve 340 mil habitantes, um case-study de boa gestão. Contudo, atendendo ao tema, muito ficou de fora... e do muito que ficou de fora não posso deixar de assinalar os impactos resultantes dos efeitos do uso da Inteligência Artificial. 

As ameaças da Inteligência Artificial

Com efeito e de acordo com relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), o crescimento acelerado desta tecnologia traz impactos profundos aos recursos naturais. O funcionamento contínuo dos servidores gera muito calor. Para resfriar as máquinas, os centros de dados utilizam bilhões de litros de água doce, o que pode criar escassez e competir com o abastecimento humano local. Mas é a CNU – Central de Notícias UNINTER que ilustra bem as consequências do aumento da utilização da IA em dispositivos que são muito poderosos e eficientes. Esses dispositivos, como smartphones e laptops, estão consumindo cada vez mais energia, principalmente com o uso mais assíduo.

A questão é que a IA está sendo usada frequentemente para automatizar tarefas, normalmente repetitivas, que antes eram realizadas por humanos. O que se deve destacar é que isso até pode levar a uma redução do uso de energia pontualmente, entretanto, pode levar a um aumento do uso de energia em outros lugares. Os impactos negativos da IA na poluição ambiental levam a uma série de riscos como a redução da qualidade do ar e da água com o aumento das emissões de gases de efeito estufa e a poluição do ar.

Além disso, o aumento da emissão de gases de efeito estufa pode vir a acelerar as mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos como tempestades, inundações e secas, que têm se demonstrado com mais constância nos últimos tempos.

Se estas notas vão muito para além das questões da água? Sim vão! Mas a sustentabilidade, ciência da esperança, só se conseguirá pela procura de equilíbrios entre a diversidade de fatores que a colocam em risco.

8 comentários:

  1. Vou concentrar-me apenas na IA per se.
    Reconheço as vantagens inegáveis do seu uso e as suas desvantagens que me levavam, especificamente, para o risco de causar uma estagnação das competências cognitivas dos mais jovens, a partilha de informações nem sempre exatas, o aumento do desemprego e, em particular, o perigo quanto à nossa privacidade e segurança.
    Esta tua crónica – muito bem escrita, como aliás já é hábito - fez-me pensar seriamente no seu impacto ambiental negativo, que assume proporções gigantescas e perigosas.
    Depois de ler esta tua publicação, fiz uma pequena pesquisa sobre consumo de água e encontrei dados muito alarmantes. Exemplo:
    “Pegadas Hídricas Massivas: Até 2030, projeta-se que os centros de dados orientados por IA consumam 9,3 mil milhões de metros cúbicos de água por ano. Esta quantidade de água é suficiente para satisfazer as necessidades básicas anuais de água doméstica de toda a população da África Subsariana.”

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    1. Obrigado
      por todo o teu comentário
      e
      quanto ao exemplo dado
      ele devia ser mais divulgado
      (nas escolas, por exemplo)

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  2. Na minha opinião para se estar o mais perto da realidade possível não podemos ouvir apenas os cientistas escolhidos para apresentar os seus estudos e argumentos nos órgãos de difusão massiva, é preciso ouvir também os argumentos dos cientistas que não concordam com a antropogenia das alterações climáticas.

    É preciso ter em conta por exemplo que a teoria do aquecimento global de Al Gore surgiu numa altura em que os USA "perceberam" que a China os iria ultrapassar economicamente.

    Abraço quentinho…
    ou fresquinho.

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    1. Não é preciso ser cientista
      Nem é preciso entender o que eles dirão...
      Basta saber a velocidade com que acontece o degelo
      Basta saber que água potável é um recurso cada vez mais escasso
      Basta saber que a seca aperta
      Basta saber que cada vez há menos sol na eira e menos chuva no nabal
      (ou quando acontecem é fora da data da monda ou do plantio)

      Abraço outonal

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  3. Compreendo o ponto de vista do HORIZONTE‼️
    A ideia de que a ciência deve assentar no debate aberto, no escrutínio mútuo e na audição de diferentes perspectivas é, na sua essência, a base do próprio método científico. É natural querer ouvir todas as partes para formar uma opinião informada.
    Na ciência, nenhuma ideia é sagrada ou imune ao escrutínio. Quando diferentes perspetivas são colocadas à prova através de dados empíricos e análises críticas, o conhecimento fortalece-se. É precisamente este processo coletivo e aberto de tentativa e erro que permite separar as hipóteses válidas daquelas que não resistem aos factos. Ouvir todas as partes — desde que tragam argumentos fundamentados e evidências — não é apenas uma escolha democrática, é uma necessidade metodológica para chegarmos mais perto da verdade.

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    1. A questão que me preocupa nem é essa... a questão preocupante está no primeiro comentário quando do Canadá me vem a notícia, depois de ler esta minha publicação e ter feito uma pequena pesquisa sobre consumo de água tendo encontrado dados muito alarmantes. Estes:
      “Pegadas Hídricas Massivas: Até 2030, projeta-se que os centros de dados orientados por IA consumam 9,3 mil milhões de metros cúbicos de água por ano. Esta quantidade de água é suficiente para satisfazer as necessidades básicas anuais de água doméstica de toda a população da África Subsariana.”

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  4. Quanto á IA o que percebo é o seguinte, não existe ainda uma inteligência artificial, podemos chegar lá mas ainda não estamos nesse ponto.
    O que existe podemos porventura chamar de supercomputação ou hipercomputação, seriam melhores designações.
    Então porque este alarmismo de extermínio da espécie humana?
    Porque empresas que valem milhares de milhões de dólares veem pedir a intervenção do governo para as regular?
    Não levanta sobrolhos que os defensores do liberalismo económico venham pedir a intervenção do governo?
    Alegadamente a capacidade destas empresas gerarem rendimentos em relação aos investimentos já realizados está muito aquém do previsto inicialmente e as previsões de investimento para atingir o objetivo da IA requer uns adicionais 500 mil milhões, assim o que alegadamente se procura com a regulamentação do governo é criar as condições de monopólio para que os investimentos estejam garantidos eliminando a competição, esta é a parte que eles gostam da intervenção do estado.

    Quanto aos impactos da IA no tecido produtivo e no tecido social poderá ser mais gravoso ou menos gravoso dependendo da ideologia dos governos em funções, não podemos evitar os avanços tecnológicos mas podemos evitar o empobrecimento das classes trabalhadoras, a concentração de riqueza daí proveniente e a salvaguarda dos recursos naturais.
    A eletricidade foi uma tecnologia disruptiva do tecido social e produtivo, assim como o automóvel, assim como a internet.

    A questão é sempre a mesma, eles comem tudo e não deixam nada.
    Como diriam os Radio Macau- "Não há nada de novo debaixo do sol."

    Abraço hipercomputacional

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    1. Dentro de uma perspectiva, que até subscrevo, tens razão. Mas... há dados objectivos de impactos concretos. Por acaso entraste no link que coloquei no texto? Aposto que não! Mas ele aqui está
      https://www.unep.org/pt-br/noticias-e-reportagens/reportagem/ia-gera-um-problema-ambiental-veja-o-que-o-mundo-pode-fazer

      Abraço minicomputacional

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