Seja o que for que se venha a passar depois de 13 de agosto, tenho uma profunda confiança no povo cubano. Lá, o melhor o melhor do mundo são as crianças. Ou tem dúvidas?«...esta não é uma reforma a mais da Constituição cubana, mas trata-se – tal como advertiu um dos membros da Comissão de Reforma Constitucional, Homero Acosta – de formular “uma nova Constituição com alcance superior”, não uma mera reforma parcial da Constituição de 1976.(...) Para começar, Cuba passará a ser um “Estado socialista de direito”, um conceito novo no constitucionalismo cubano e ausente nas experiências do socialismo real. A propriedade socialista de todo o povo seguirá sendo o núcleo do sistema económico e político, mas se dará status constitucional ao reconhecimento da propriedade privada já existente no país. O mesmo acontecerá com o investimento estrangeiro. O modo com que se regularão estes dois elementos, assim como outros temas colaterais como a concentração da propriedade e a repartição da riqueza, o trabalho por conta própria, etc., ficará para desenvolvimentos normativos posteriores, pois a Constituição é concebida como uma norma de mínimos.(...) Em que medida estas mudanças simbólicas e substanciais são uma concessão dos princípios socialistas que podem derivar em um cenário pós-revolucionário ou, pelo contrário, são uma mera adaptação léxica às transformações que já vem acontecendo na sociedade cubana há vários anos mas estão encaminhadas a preservar a vigência da Revolução, é uma questão sujeita a debate. De qualquer forma, convém não esquecer que se trata de um debate aberto que se dá também no seio da sociedade cubana. (...) E, se há dúvidas sobre a reforma constitucional ser uma ruptura com a revolução, esta será respondida a partir de 13 de agosto, aniversário de nascimento do comandante em chefe da revolução, Fidel Castro.»Arantxa Tirado, in Portal Vermelho, 24/07/2018
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24 julho, 2018
«Cuba passará a ser um “Estado socialista de direito”»
23 julho, 2018
Centeno continuará a agradar a Bruxelas, a menos que...
Na foto, de 2016, Centeno com o então presidente do Eurogrupo, de um lado, e com o ministro das Finanças belga do outro. Estão sorridentes. Eles entendiam-se. Nessa oportunidade, os ministros das Finanças da zona euro iam discutir, em Bruxelas, o plano orçamental português para 2016. O debate sobre o documento iria ser feito à luz da opinião da Comissão Europeia, que na semana anterior aprovara o documento após intensas negociações com o Governo.
Foi assim, com o mesmo procedimento, que Centeno viu Buxelas aprovar os orçamentos de 2017 e 2018. O ministro, entretanto já presidente do Eurogrupo, aparecerá numa outra foto, porventura com os mesmos e com o mesmo sorriso, contente, a obter igual aprovação. Centeno já fez passar uma tonelada de recados. E será assim como até aqui foi, a menos que algo aconteça e se dê a inversão.
Qual inversão? Olhem os quadros abaixo, e discorram. E se por acaso precisarem de ajuda, não hesitem, consultem quem se dá ao trabalho de contrariar Centeno. Dou apenas um cheirinho:
«Enquanto nos últimos 10 anos a despesa com pessoal na administração pública decresce 5 mil milhões de euros, a despesa com juros e encargos da dívida cresce 3 mil milhões. Esse crescimento da despesa com encargos e juros da dívida encontra explicação no assalto especulativo à dívida pública desde 2009 e a sua origem não está numa política de investimento em serviços públicos ou de valorização dos trabalhadores, mas sim nos problemas do sistema financeiro e no envolvimento do Estado em negócios privados através das inúmeras Parcerias Público-Privadas, SWAP e outros que resultam em rendas devidas.»
| Anos | Educação | Saúde | Serviços culturais, recreativos e religiosos |
|---|---|---|---|
| 2006 | 7 263,4 | 8 989,4 | 417,8 |
| 2007 | 7 232,1 | 9 129,3 | 397,8 |
| 2008 | 7 348,6 | 9 383.7 | 409,3 |
| 2009 | 8 507,4 | 9 632,6 | 397,6 |
| 2010 | 8 559,2 | 9 776,5 | 381,9 |
| 2011 | 7 878,5 | 9 171,7 | 318,6 |
| 2012 | 6 622,4 | 10 403,5 | 593,8 |
| 2013 | 7 108,4 | 8 588,8 | 197,1 |
| 2014 | 6 945,0 | 8 332,1 | 121,7 |
| 2015 | (R) 6 755,8 | (R) 8 518,4 | (R) 115,9 |
| 2016 | 7 177,4 | 8 811,5 | 131,2 |
| Anos | Despesas com o Pessoal | Juros e outros encargos | Subsídios |
|---|---|---|---|
| 2006 | 13 296,5 | 4 397,4 | 664,7 |
| 2007 | 13 639,2 | 4 719,9 | 656,0 |
| 2008 | 13 915,1 | 4 886,5 | 1 145,7 |
| 2009 | 11 484,3 | 5 006,7 | 785,4 |
| 2010 | 11 383,3 | 4 971,7 | 698,8 |
| 2011 | 10 293,5 | 6 039,2 | 601,6 |
| 2012 | 8 438,3 | 6 874,0 | 247,2 |
| 2013 | 9 234,9 | 6 842,6 | 406,1 |
| 2014 | 9 335,9 | 6 986,8 | 204,7 |
| 2015 | 9 090,0 | 7 096,0 | 119,1 |
| 2016 | 9 371,5 | 7 379,9 | 118,3 |
05 julho, 2018
Todos os dias podem dar azo a um dia histórico, nem que seja por más razões
«Estão em causa limites que vigoram em Portugal desde 10 de Maio de 1919 (Decreto n.º 5616) e que foram aprovados pela Convenção n.º 1 da Organização Internacional de Trabalho, de 29/10/1919.
O direito do trabalho nasceu no final do século XIX para mitigar a desigualdade entre empregadores e trabalhadores, protegendo estes, em especial, os jovens e as mulheres.
Em Portugal, a Constituição da República Portuguesa garante, nos artigos 53.º e 59.º, a segurança no emprego e o direito dos trabalhadores à organização do trabalho em condições dignificantes.
Assim sendo, impõe-se que as anunciadas alterações legislativas respeitem estes princípios fundamentais, contribuindo para a crescente humanização do trabalho.»
ler tudo no "Antreus"
«O Parlamento vai amanhã discutir o novo acordo laboral, fechado na comissão permanente da concertação social.... e ainda
E, como os governos nunca quiseram clarificar a questão, vai gerar-se - de novo - aquela confusão que interessa à direita: deslocar o poder legislativo do Parlamento para o entregar a um fórum em que a correlação de forças lhe é favorável. Algo que se assemelha bastante a um neo-corporativismo, mas que mais não é do que a governamentalização do poder legislativo. E os deputados deixam.»
ler tudo no "Ladrões de Bicicletas"
«Contra o acordo laboral do Governo PS, lutar pelos direitos e o aumento dos salários, valorizar os trabalhadores».Este deve ser um momento de resposta à opção assumida pelo Executivo e pela UGT de privilegiar o acordo com os patrões, que resultou numa proposta que a principal central sindical nacional considera ser «contrária aos interesses dos trabalhadores e ao desenvolvimento do País, porque acentua desequilíbrios na repartição da riqueza, põe em causa a segurança no emprego, perpetua a precariedade, ataca a contratação colectiva e reduz direitos e rendimentos dos trabalhadores»
ler tudo em "Abril, Abril"
01 julho, 2018
Portugal precisa de mais crianças!
Portugal precisa de mais crianças! Para Portugal ter mais crianças é preciso que os jovens casais tenham confiança e vontade de ter mais crianças! Para que os jovens casais tenham confiança e vontade de ter mais crianças é preciso dar condições aos jovens casais para que possam dar colo às crianças.
Passei praticamente todo dia no batizado da Carolina. Festa linda, com crianças por todo o lado. Escrevi assim num livrinho de dedicatórias que os pais da Carolina fizeram circular entre os convidados:
Foi muito bonito o teu batizado e dele guardarei duas recordações. A primeira, será o teu sorriso. A segunda, os colos que ias percorrendo entre muitos teus amigos presentes que te adoram. Fica o meu desejo: que no futuro, não te falte nem o sorriso, nem o colo.
Escrevi, certo que meu desejo será cumprido. Os pais da pequenina Carolina têm emprego estável, de trabalho não precário cumprem horários estáveis. Essas garantias fizeram com que desejassem ter (mais) essa filha...
Quem ousar falar em dar incentivos à natalidade, terá que começar por falar em como assegurar esse colo, e depois, terá de falar de cresces, escolas e... pavilhões, para todos. Mais pavilhões gimnodesportivos? Sim, são precisos! Bem dimensionados, cuidados e onde se assegure emprego digno a quem treine crianças. Caso contrário, como proporcionar ao Diogo aquela escola de vida?
E, falando de netos, chegou ontem mesmo este vídeo da Maria, que continua, depois da sua primeira medalha, a ser muito aplaudida:
A minha neta Maria representou, num sarau na Figueira da Foz, o Clube Náutico de Abrantes...
25 junho, 2018
Antes manipulava-se a realidade, hoje a realidade é escondida, o que vai dar no mesmo.
As contas públicas portuguesas evoluíram de forma positiva em 2017. O
défice orçamental, sem ter em conta o valor da injecção de capital do
Estado na Caixa Geral de Depósitos, foi o mais reduzido da histórica
democrática portuguesa, ao atingir os 0,92% do PIB.
No que diz respeito à dívida pública, a evolução também foi positiva, já que o valor do peso no PIB baixou para 125,7%, o que compara com recordes acima de 130% do PIB em anos anteriores.

Ultimamente tem acontecido terem sido repetidas, e repetidas, e repetidas, até à exaustão tais estatísticas. Antes manipulava-se a realidade, hoje a realidade é escondida, o que vai dar no mesmo. Em ambas as situações o efeito é o mesmo, passa-se a imagem de que tudo vai bem e até aqueles a que a vida não corre de feição, que vão empobrecendo, ficam com a dúvida de que as coisas estarão muito melhor para os outros todos e só à sua volta é que piora.
Eugénio Rosa desfaz tal ideia:
«Entre 2004 e 2017, o custo hora do trabalho aumentou em Portugal 2,8€ (entre 2015/2 0 17, subiu 40 cêntimos segundo o Eurostat ) , enquanto a média na U.E. foi de 7€ .
Este menor crescimento do custo do trabalho em Portugal determinou que, entre 2004 e 2017, quando se compara o do nosso país com a média da U.E., o custo hora de trabalho em Portugal tenha diminuído de 57,1 % para apenas 52,6 % da média da U.E. Em relação aos países da Zona Euro, diminuiu de 49,1% para 46,5%.
Portanto, a remuneração dos trabalhadores portugueses no lugar de se aproximar da média da U.E. está-se a afastar. Em Portugal a sobre-exploração aumentou. E agravar-se-á ainda mais com o acordo UGT/Patrões/governo , como se provou no nosso estudo anterior .
24 junho, 2018
São João, com martelinhos de importação
______________Martelinhos, "made in" China*
Tiram-nos tudo, ó São João
Que fazer desta má sina?
Festejos são ilusão
Com martelinhos vindos da China
Com martelinhos vindos da China
Vem ó santo em meu socorro
Inverte esta má sina
Devolve meu alho-porro
Devolve meu alho-porro
Evita tanta importação
Contribui para nosso aforro
Ó meu rico São João
Rogerito
* Em 2011 a fábrica portuguesa (a "Estrela Paraíso), que criou o "martelinho", passou a produção de meio milhão de unidades para cerca de 200 mil. A concorrência da China condenou a empresa que acabaria por encerrar no ano seguinte, como o vídeo documenta:
08 junho, 2018
A dramática redução da natalidade e uma mão cheia de razões para explicar porque anda arredada a cegonha de tantos jovens casais
Nos últimos tempos, e ainda agora, o tema da redução dramática da natalidade tem andado pelas páginas dos jornais sem que por lá ande, como devia, a reflexão sobre as causas. Proponho-me a isso, mesmo que não creia que as cegonhas sejam uma espécie em extinção, razão que basta para encontrar outras razões, que não essa.
Aqui vai uma mão cheia de razões:
31 maio, 2018
Christine Lagarde, O GÉNIO
Christine Lagarde: “Os que mais sofrerão com uma guerra comercial serão os pobres”. Dar esta estirada numa cimeira do ‘G7 Finance’ é mesmo genial. Claro que o tal grupo (que manda nisto tudo) não se pronunciou ainda sobre outras ameaças que pairam sobre... os ricos. Itália, Espanha e a Alemanha estão em turbulência, confrontando-se com esta e com outras "guerras".
Quando chegar a altura, o "génio" pronunciar-se-á sobre elas.
O "Maceta" é que a topa!
27 maio, 2018
A propósito da liberdade de decidir
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| imagem tirada daqui |
«- o “já não quero viver”
terá de ser conjugado
única e exclusivamente na primeira pessoa,
quando o sofrimento for considerado,
sob o ponto de vista científico, irreversível.
(Felizmente, hoje, a medicina já sabe identificar
tais estados, sem margem de erro.)»
Assim, cumprido o requisito, passará a haver a reclamada liberdade de opção... E essa será a única opção, pois identificado o estado bastará uma endovenosa adquirida na farmácia de serviço, uma declaração do próprio e outras determinadas exigências processuais, sem excluir o acto médico.
Para a alternativa, só 2% dos doentes que precisam é que terão a "liberdade de escolher" os cuidados paliativos. Estes requerem uma estrutura qualificada, exigem pessoal diverso especializado e, na maior parte dos casos, exigem disponibilidade de uma cama hospitalar... e isso é um esforço elevado para o SNS.
É oportuno lembrar que Manuela Ferreira Leite, num assumo de clara referência aos custos, disse como se fosse um desabafo que entendia que os doentes com mais de 70 anos que necessitem de tratamentos de hemodiálise os devem pagar. “Tem sempre direito se pagar”, disse.
Suponho que a falência da função renal é irreversível e se trata com custos na ordem dos 2000 euros por mês e por doente... basta que o paciente "decida" e... pimba.
24 maio, 2018
"Ó malta, aguentem lá o SNS e depois falemos da eutanásia"
“Quando chegar o final da minha vida, quero poder decidir não sofrer mais”, diz uma data de gente com voz veemente.
Para muitos é um um apelo sentido, para outros será bandeira e procura de protagonismo. Penso (quase) o mesmo, mas não foi isso que respondi hoje quando ao almoço a minha-mais-nova me perguntou porque é que o meu partido discorda e não aprova. Respondi-lhe que primeiro seria, porque é mesmo prioritário, responder ao apelo do António Arnout e investir na rede de cuidados continuados, pois é aí que começa a redução do sofrimento.
Sem se darem condições para a redução da dor, as famílias carecidas serão emocionalmente pressionadas para desejarem a morte dos seus idosos. E os riscos disso resultam de ameaças (que não são veladas) para se reduzirem as despesas com o Serviço Nacional de Saúde. Moscovici o disse.
É mais barato proporcionar a morte assistida, do que aumentar a despesa para se proporcionar qualidade de vida. Insiste ela, "mas se são pessoas condenadas, em estado terminal e em desespero..." Respondi-lhe que um estado terminal pode ser protelado. E dei-lhe por exemplo o caso do seu avô (meu pai) que a entrada num programa de hemodiálise lhe prolongou a vida por mais 5 anos, até que um pé diabético lhe antecipou o destino. Quem garante que hoje os cortes já ocorridos em Abril de 2017 não venham voltar a acontecer, onde este tratamento realizado por 12 mil pessoas com doença renal grave ronda os 230 milhões de euros? São 12 mil condenados, será mais económico antecipar-lhes a morte? Certamente!
Sem se darem condições para a redução da dor, as famílias carecidas serão emocionalmente pressionadas para desejarem a morte dos seus idosos. E os riscos disso resultam de ameaças (que não são veladas) para se reduzirem as despesas com o Serviço Nacional de Saúde. Moscovici o disse.
É mais barato proporcionar a morte assistida, do que aumentar a despesa para se proporcionar qualidade de vida. Insiste ela, "mas se são pessoas condenadas, em estado terminal e em desespero..." Respondi-lhe que um estado terminal pode ser protelado. E dei-lhe por exemplo o caso do seu avô (meu pai) que a entrada num programa de hemodiálise lhe prolongou a vida por mais 5 anos, até que um pé diabético lhe antecipou o destino. Quem garante que hoje os cortes já ocorridos em Abril de 2017 não venham voltar a acontecer, onde este tratamento realizado por 12 mil pessoas com doença renal grave ronda os 230 milhões de euros? São 12 mil condenados, será mais económico antecipar-lhes a morte? Certamente!
Apelo às tais 60 personalidades "Ó malta, aguentem lá o SNS e depois falemos da eutanásia!" e já agora, fixemos uma data (ou um momento) para tal conversa. Isto é, quando o acesso a cuidados continuados e paliativos for decente. Dos últimos dados disponíveis, numa análise
por tipo de internamento, identificou-se que o baixo
acesso atinge desde 81% da população, no caso dos cuidados paliativos, até 95% no
caso dos cuidados de
convalescença.
Enquanto eu vou dar uma olhadela ao "Testamento Vital" deixo-vos com o vídeo...
19 maio, 2018
Isto hoje ocorreu-me. Porquê? Sei lá! (...mas na verdade até sei)
Há quem tenha um bom emprego
Há quem tenha uma carreira
Há quem passe a vida toda
Sentado na mesma cadeira
13 abril, 2018
Centeno canta bem, mas pela pauta errada
Canta bem Centeno e Bruxelas encanta-se. Os portugueses, muitos deles, nem fazem a mínima ideia que a pauta é a pauta errada. Tivesse Centeno a pauta certa e lhe ouviríamos, com a mesma voz grave e aquele mesmo sorriso de menino, falar de como o deficit podia dar uma grande volta ("Sem juros, Estado teria superávite de quase 3% do PIB").
Se por um lado a pauta é a errada, também não pode ser certa a canção que canta.
E se Centeno enquadrasse as metas do défice pela redução da desigualdade na repartição da riqueza?
«... Almeida Garrett escreveu em Viagens na Minha Terra: "Aos economistas políticos, aos moralistas pergunto se já calcularam o número de indivíduos que é preciso condenar à miséria (...) para produzir um rico."
Por mais que o recusem, a questão está na crescente desigualdade da repartição da riqueza criada entre capital e trabalho. Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que, em média, as remunerações do trabalho representam metade do valor da produção em Portugal. Em sectores como o petrolífero, o valor acrescentado bruto (em linguagem menos económica mas mais entendível, a riqueza criada) por hora de trabalho é de 198,4 euros, enquanto o valor da remuneração por hora de trabalho é de 40,1 euros, o que significa que o trabalhador em oito horas de trabalho por dia trabalha para pagar o seu salário em 1,6 horas, sendo as restantes 6,4 horas trabalho não pago, logo mais-valia da Galp. Ou se se olhar para o sector energético, em que a EDP e a REN acumulam lucros obscenos, a remuneração por hora de trabalho é de apenas 9,2% do valor produzido, o que significa que ao fim de 44 minutos o trabalhador tem o seu salário retribuído, dando mais de sete horas do seu trabalho em regime não pago.
Os que se opõem ao aumento real dos salários, agitam o espantalho da competitividade em defesa de uma economia assente em baixos salários ou persistem numa legislação laboral afeiçoada aos interesses de exploração do trabalho melhor fariam se, em vez de lamuriosas palavras, guardassem recato perante as desigualdades e a pobreza. Continuar a falar de pobreza à margem da exploração, ou seja, da apropriação da mais-valia produzida pelo trabalhador, é um exercício de cegueira política que só servirá aos que reproduzindo o empobrecimento vão subindo uns lugares na lista dos mais ricos da revista Forbes.»
Jorge Cordeiro, in "A pobreza não cai do céu"
16 março, 2018
Vitor Bento, eu, Jesus Cristo e o mais que adiante poderá ver escrito
"O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…"
Fernando Pessoa
Há coisas que não enjeito e uma delas é comparar-me com os maiores. Tal como refere o poeta, Cristo nada sabia de finanças, eu também nada sei, e não constando que ele tivesse biblioteca, não posso afirmar que eu a tenha... mas cá vou fazendo as leituras possíveis... e quando entendo, reajo.
Reagindo ao hoje escrito pelo Bento, percebo que ele, douto em finanças e certamente possuidor de imensos livros, regressa agora à tristemente célebre estirada do viver-se acima das nossas possibilidades considerando, escreve ele, "a endémica e secular tendência na nossa sociedade para gastar mais do
que produz, sobreendividando-se e descurando a criação de riqueza,
reproduzindo ciclos de crescimento com dívida, crise e resgate, que
desembocam em dependência externa e/ou regimes autoritários." e o extenso artigo termina com esta frase lapidar, como se inventasse a roda, "querer assentar o crescimento na procura interna é como acumular lenha à volta da casa."
Respondo, conforme posso:
Sobre o endividamento, recorro mais uma vez a Marx -"Os donos do capital
incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens
caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro
endividamento, até que sua dívida se torne insuportável."
Sobre o crescimento, recorro a leituras, que nunca dispenso - "A
inversão do actual rumo é justa e é possível. Mas colide com as
imposições da União Europeia para quem Portugal está condenado a ser
destino dos excedentes das grandes potências, e confronta-se também com
os interesses do grande capital. Veja-se o papel dos grupos monopolistas
da grande distribuição no esmagamento dos preços à produção ou na
importação de mercadorias estrangeiras, o papel da banca privada na
falta de financiamento às PME, o papel que o domínio monopolista sobre a
energia, as comunicações ou os transportes teve no estrangulamento das
potencialidades produtivas do País.
A
defesa da produção nacional é uma questão estratégica para o presente e
para o futuro. A valorização da da indústria, da agricultura e das
pescas reclama uma política substancialmente diferente. Garantir a
soberania alimentar, a soberania energética, a produção de bens e
equipamentos de elevado valor acrescentado que diminuam as importações
de mercadorias e potenciem e diversifiquem as nossas exportações requer
uma outra política e um governo capaz de a concretizar. A batalha pela
produção nacional, aí está, para ser travada pelos trabalhadores e pelo
povo português.
05 março, 2018
Manu Chao é meu irmão!
![]() |
| printscreen duma página pouco usada |
Não é a primeira vez que o "Sustentabilidade é Acção" me perturba a agenda obrigando-me a alterar o tema.
Queria escrever sobre sei lá o quê e vem ela, a Manuela, com aquela luta contra os transgénicos e em defesa das "Sementes da Liberdade", que são coisas sobre as quais a nossa Assembleia já se pronunciou... em debates (e votações) para_lamentares.
Ganhou-me para a causa, se não por outra razão,
porque Manu Chao é meu irmão
28 fevereiro, 2018
Cai chuva e a água é pública
20 fevereiro, 2018
Autoeuropa: enquanto por cá se malha nas organizações de quem lá trabalha...
Por cá,
"Nas últimas semanas acentuaram-se os ataques aos trabalhadores da Autoeuropa e às suas organizações representativas, configurando já uma das maiores campanhas de manipulação política e de ingerência externa num conflito laboral de empresa, desenvolvidas desde o 25 de Abril de 1974.
Políticos de direita, representantes patronais, comentadores de várias matizes e pseudo-sindicalistas atropelam-se na comunicação social dominante para ver quem vai mais longe no ataque aos trabalhadores e às suas organizações, colocando-se abertamente ao lado da multinacional alemã, na tentativa de impor um horário de trabalho que vai ao encontro da velha ambição do capital de voltar a considerar todos os dias da semana como dias normais de trabalho.Cúmulo da hipocrisia, utilizam a táctica do «agarra que é ladrão»".
Por lá,
"Após uma série de greves de 24 horas e várias rondas de negociações tensas, o sindicato alemão chegou a um acordo com o patronato que consagra um aumento salarial de 4,3% e a possibilidade de redução da semana laboral de 35 para 28 horas, em prol da conciliação familiar.(...) O acordo colectivo foi assinado na madrugada de terça-feira (6 de Fevereiro), em Estugarda, entre o IG Metall e uma associação patronal do Sudoeste da Alemanha, a Südwestmetall, abrangendo cerca de 900 mil trabalhadores dos sectores automóvel, metalomecânico, metalúrgico e eléctrico da região de Baden-Württemberg, onde estão sediadas algumas das mais importantes empresas alemãs."
02 fevereiro, 2018
ALEMANHA - Produção parada nas fábricas da BMW, Mercedes e Airbus.
Segundo a imprensa bem informada, decorreu ontem um plenário de trabalhadores da Autoeuropa, onde ficou
decidido que os colaboradores da empresa, de origem alemã, não vão entrar
em greve – face à evidência de que há evoluções positivas nas
negociações com a administração. A informação é oriunda de alguns dos
trabalhadores que estiveram presentes no plenário que não confirmaram que tais evoluções se devam a um telefonema de Angela Merkel para a Administração...
Contudo, este meu "Conversa" está em condições de poder informar que o sindicato metalúrgico alemão IG Metall convocou greves de 24 horas afetando 260 empresas e quase 3 milhões de trabalhadores alemães, numa ação sem precedentes desde 2003.
Segundo outras fontes, também aqui citadas, Merkel já advertiu os sindicalistas: se continuarem a reivindicar, transferimos as fábricas para Palmela.
31 janeiro, 2018
A Autoeuropa irá acabar, tudo na vida acaba... até os carros. Que venham então os drones.
![]() |
| Trabalhadores da Autoeuropa resolvendo problemas da fábrica... (foto daqui) |
Há gente, muita e diversa gente, aqui em Portugal e d´aquém e d´além-mar, que diz que os portugueses são os maiores... desde que não sejam sindicalizados. Porque isto de se inscreverem em sindicatos os torna, irresponsáveis, calões, suicidas, parvos. E exemplificam com a Autoeuropa.
Dizem, nos mais diferentes estilos, desde os mais primários aos que se julgam evoluídos, que quando a Autoeuropa, pata-tá, pata-ti, sair daqui é que vai ser... e depois, uns citam o DN, outros o Público ou o Expresso, outros a imprensa especializada em economia, aquela toda que a propósito de outra notícia é denunciada como manipuladora, por terem colunistas que fazem o frete para assegurarem a avença, e que a precariedade nas redações grassa, etc, etc. como se essa realidade não fosse transversal a todas as notícias...
Como sabem, há muito que leio a imprensa com pinças, não que receie contágio mas porque não se mexe em matéria em elevado estado de degradação, à mão.
E sobre a Autoeuropa decidi ir fazer outras leituras: os boletins internos da empresa. Li uns quantos, de 2007, de 2010 e um ou outro mais recente de 2017 e cheguei a uma conclusão: com trabalhadores daqueles (destes) os alemães não vão embora, e não é o elevado investimento nos processos de fabrico que os inibe... é outra coisa. Outra coisa que a VW não consegue na Índia ou na África do Sul... nem certamente em Marrocos.
Querem se dar ao trabalho de seguir o mesmo caminho que eu segui? Então cliquem na chave de entrada: KVP Cascata. Força, não custa nada.
27 janeiro, 2018
DAVOS, onde os avisos soam como ameaças...
Entre o ar alucinado de um e outro escolho o dela, mais pela ameaça velada colocada do que por qualquer outro motivo. Lagarde avisa, mas seus avisos soam como ameaças e faz apetecer-me voltar a usar aquele vernáculo em tempos usado.
Diz o FMI, pelos seus lábios, que “Esta retoma económica é cíclica. Não se sintam satisfeitos”e acrescenta, programática, que “a complacência é um erro” e que “na ausência de reformas contínuas" virá aí aquilo que um outro dia já veio.
Hesito, entre voltar a citar Saramago (Davos, 2009) e repetir o poema de Gonçalo M. Tavares.
Sem esquecer o outro, opto por este:A Grande Inteligência é Sobreviver
A grande Inteligência é sobreviver.
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.
Gonçalo M. Tavares
24 janeiro, 2018
A AUTOEUROPA e a forma como a RTP deturpa a luta
O Jornal da Tarde de ontem, dia 23, faz um curto resumo do que, segundo a redação, se terá passado no debate do programa da Fátima. Quem assistiu a uma coisa (o debate) e a outra (o jornal) não pode deixar de se espantar com a habilidade cirúrgica com que se opera a manipulação. Quem só viu o Jornal da Tarde, fica (corre o risco de ficar) com três impressões: a primeira é que o focus da luta da Comissão de Trabalhadores teria sido colocado em correr com o antigo dirigente e que lá dentro, aquela malta anda toda à porrada e que as questões de trabalho são aspeto secundário; a segunda, é que os mais de 5000 trabalhadores da empresa, são instrumentos estúpidos de uma força política em desespero de perda de influência eleitoral, lhes determina as decisões e os passos ; terceira, e esta com a força da convicção de um ilustre causídico, é que a administração da Autoeuropa, porque tem a Lei do Trabalho do seu lado, acabará por chegar ao "entendimento"...
A peça é de merda, mas lá que funciona, funciona.
Relembrando como eu comentei o Prós e Contras e aquilo que o Jornal da Tarde deu a ver (após o 26º minuto) pergunto: estamos a falar da mesma coisa?
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