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26 setembro, 2018

Universitários hoje! Outros jovens, outros tempos, outras escolas... I


Não há muito escrevia haver mil maneiras de a memória vir ter connosco. Até pelo correio. E discorria que há "séculos" atrás tinha acontecido ter recebido uma carta com um flyer a convidar-me. Lembrava que, depois de um largo interregno, ter recebido outra carta-convite ao qual não compareci. Como tantas vezes, fui então um não-ausente... ao fim ao cabo tinham-se passado 40 anos e temia, então, a confirmação de que ninguém encontra nos jovens de hoje a juventude passada...

Fugi então há confirmação. Ontem não consegui. A propósito da falta de espaços, casas, quartos, residências universitárias os estudantes manifestam-se na rua, e nisso não há diferença dos tempos idos... Contudo, se por um lado reconheço o direito, por outro lado não me parece que tenham regressado à velha tradição de procurarem solução coletiva, como há 40 anos se procurava. Se os pais estão hoje lisos, nesse tempo não era grande a fartura. Só que nesse tempo os estudantes procuravam soluções colectivas e assumiam-se como LyS.O.S . Mesmo havendo fortes razões para o protesto.


continua

20 agosto, 2018

Explicação para a fiabilidade de uma relacção

Cinquenta e dois? Ah, pois!

«...faço profundas reflexões em torno das atracções entre almas. Nos meus laboratórios das almas e da física tenho pesquisado e encontrado o mesmo tipo de resultado: Almas de sinal diferente é que se atraem. Um, sem muito procurar, encontra no outro coisas de espantar. A surpresa e o pequeno segredo revelado são de mútuo agrado. O que uma alma não faz, faz a outra e vice-versa. Completam-se. A atracção é permanente e a relação duradoira, pela vida fora. Discutem, discutem, discutem. Quase sempre não há acordo mas aceitam-se um ao outro (respeitam-se, sendo o respeito uma regra básica e exterior à própria física das almas)»
Escrito em Abril de 2011 e repetido, não há muito, neste espaço

25 julho, 2018

Gil Vicente, sempre actual

Todo o Mundo                                                             Ninguém
«Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:
Ninguém: Que andas tu aí buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
                         delas não posso achar,
                         porém ando porfiando
                         
                         por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
                         e meu tempo todo inteiro
                         sempre é buscar dinheiro
                         e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
               e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:
             Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
              e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
               que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos acude:
              escreve logo aí, a fundo,
              que busca honra Todo o Mundo
              e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
                         tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse
               em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado
              Todo o Mundo ser louvado,
              e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
               a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito garrida:
              Todo o Mundo busca a vida
              e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
                         sem mo Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar
               quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
              que Todo o Mundo quer paraíso
              e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
                         e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo
               sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
              não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
              E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
              não te fique no tinteiro:
              Todo o Mundo é lisonjeiro,
              e Ninguém desenganado.»
do "Auto da Lusitânia"
Gil Vivente 

01 julho, 2018

Portugal precisa de mais crianças!


Portugal precisa de mais crianças! Para Portugal ter mais crianças é preciso que os jovens casais tenham confiança e vontade de ter mais crianças! Para que os jovens casais tenham confiança e vontade de ter mais crianças é preciso dar condições aos jovens casais para que possam dar colo às crianças.

Passei praticamente todo dia no batizado da Carolina. Festa linda, com crianças por todo o lado. Escrevi assim num livrinho de dedicatórias que os pais da Carolina fizeram circular entre os convidados:
Foi muito bonito o teu batizado e dele guardarei duas recordações. A primeira, será o teu sorriso. A segunda, os colos que ias percorrendo entre muitos teus amigos presentes que te adoram. Fica o meu desejo: que no futuro, não te falte nem o sorriso, nem o colo.
Escrevi, certo que meu desejo será cumprido. Os pais da pequenina Carolina têm emprego estável, de trabalho não precário cumprem horários estáveis. Essas garantias fizeram com que desejassem ter (mais) essa filha...

Quem ousar falar em dar incentivos à natalidade, terá que começar  por falar em como assegurar esse colo, e depois, terá de falar de cresces, escolas e... pavilhões, para todos. Mais pavilhões gimnodesportivos? Sim, são precisos! Bem dimensionados, cuidados e onde se assegure emprego digno a quem treine crianças. Caso contrário, como  proporcionar ao Diogo aquela escola de vida

E, falando de netos, chegou ontem mesmo este vídeo da Maria, que continua, depois da sua primeira medalha, a ser muito aplaudida: 


A minha neta Maria representou, num sarau na Figueira da Foz, o Clube Náutico de Abrantes...

30 junho, 2018

10 junho, 2018

10 de Junho (Camões, hoje, não aceitaria o discurso de Marcelo)


«(...) Haverá ainda quem diga que esse homem cantou a expansão imperial, apesar de tudo, as conquistas imperiais do Oriente, e está portanto fora do nosso tempo e do nosso espaço históricos, e a sua epopeia ofende a consciência das Ásias e das Áfricas. Mas ele cantou a expansão portuguesa, na medida em que considerava que esta expansão era ou deveria ser a civilização ocidental levada a toda a parte, no que tinha de moralmente digno e de socialmente responsável. Ao escolher para assunto central da sua epopeia a viagem de Vasco da Gama, ele sabia perfeitamente que escolhia um momento decisivo da história universal; o encontro, para todo o sempre, para bem e para mal, da Europa com a Ásia, passando-se pela África. Momento decisivo dessa história do mundo, como eminentes historiadores insuspeitos de simpatias portuguesas ou imperialistas o têm proclamado e reconhecido. E, na verdade, esse encontro (e esse Império que, no tempo de Camões, com todos os erros e crimes, não era os impérios coloniais inventados pela Europa do século XIX, nem socio-moralmente inferior à desordem política existente então, como hoje, em toda a parte) simboliza aquilo mesmo que, mais tarde, nos nossos dias, veio a verificar-se. Porque as ideias de independência política e de justiça social pelas quais lutaram e ainda lutam os povos da Ásia e da África, e às quais se renderam os povos das Américas ao separar-se da velha Europa, não são as tradições tribais originárias por respeitáveis que sejam: são aquelas mesmas ideias que, geradas na Europa, da Europa se difundiram, tal como as naus do Gama partiram de Lisboa para uma das mais gloriosas viagens de todos os tempos. Isso Camões cantou: e vendo-o no seu tempo, e na visão do mundo que ele teve, sabemos que devemos relê-lo atentamente para saber, que ele, tão orgulhosamente português, entenderia todas as independências, se fosse em vida nosso contemporâneo como ele o é na obra que nos legou, para glória máxima de uma língua falada e escrita ou recordada em todos os continentes. O orgulho de ser-se alguma coisa, o inabalável sentimento de independência e de liberdade, disso ele falou, e sentiu como ninguém. É disso um mestre.» 
Discurso de Jorge de Sena, 10 de junho de 1977
 — o primeiro depois da “Revolução de Abril”.
Jorge de Sena fez, então, um discurso memorável. Por isso eu, como se fosse romagem, o revisito anualmente. Fiz isso há pouco e encontrei a explicação do porquê de nos discursos do Presidente  o nome de Camões ter estado praticamente ausente. Falar de Camões, seria inevitável falar do que Jorge de Sena falou. E isso, poderia ser mal entendido por Bruxelas... Sim Bruxelas não iria gostar que Marcelo viesse falar daquilo em que Camões era mestre.
Mas, fica-me uma certeza, Camões, hoje, não aceitaria o discurso de Marcelo. E ele sabe-o.

03 junho, 2018

Um conto ao Domingo - XVI ("O BILHETE" - Em duas partes)



Parte I (Escrito pelo AC)
Júlio olhava pela janela. Em frente, na pastelaria, algumas pessoas tomavam a bica ao balcão a olhar para o relógio. Na esplanada, indiferente à pressa geral, um casalinho gozava os raios de sol de um Verão tardio, enquanto deitava uns grãos de trigo a meia dúzia de pombos. Mais à direita, no jardim, viam-se alguns velhos, de sorriso apagado, a olhar para nenhures, como se as pessoas que por ali passavam, qual enxame de abelhas apressadas, nada lhes dissesse. Andavam quase todos na casa dos setenta e muitos, oitenta, e já pouco mais faziam que olhar para o escoar do tempo.
Às vezes Júlio abeirava-se deles e, com a sua presença, o pulsar do grupo alterava-se. Contava uma história engraçada de outros tempos, dizia duas ou três larachas, e o efeito era garantido: os sorrisos voltavam, por momentos, a introduzir-se naquela solidão mortiça. Joana, a filha, fora visitá-lo um dia destes à hora do almoço, cinco minutos roubados ao seu correrio diário, antes de ir aquecer a comida, feita na véspera, que ela e o marido iriam engolir num ápice. Perguntou-lhe como é que se sentia, se tinha tomado os medicamentos, se precisava de alguma coisa. Depois, a propósito de nada, começou a falar do Sousa, amigo de sempre do pai, que estava há uns tempos no lar.
- Sabe com quem estive? Com a Dora, a filha do seu amigo Sousa. Está a viver no lar, e parece que o tratam lá muito bem.
Nem ele sabia outra coisa! Há dias, em conversa de banco de jardim, o João Pires falara-lhe do destino do Sousa. A notícia tocara-o e, sem dizer nada a ninguém, fora visitar o seu velho amigo ao lar. Quando o viu, arrependeu-se logo de lá ter ido. Estava sentado na varanda, sozinho, alheado de tudo o que o rodeava. Ainda lhe puxou pelo sorriso com uma ou outra graçola, mas o Sousa, que noutros tempos distribuía entusiasmo a rodos, mostrava-se indiferente a tudo. Parecia que apenas aguardava que chegasse a sua hora.
Joana estava, nitidamente, pouco à vontade a aflorar o assunto, e tentou dissimulá-lo com a intenção de lavar a pouca loiça do pequeno-almoço. Nem reparara que o pai já a tinha lavado, deixando-a apenas a escorrer no lava-loiças. Disse-lhe, então, que estava preocupada com ele, que não gostava de o ver sozinho. E se lhe acontecesse alguma coisa, quem o socorria? Gostaria muito de o levar para o andar onde vivia, mas as três assoalhadas já eram acanhadas para ela, o marido e os filhos. Na semana passada fora tirar umas informações da Casa de Repouso do Pinheiro, e gostara do que tinha apurado. Era um lugar onde tratavam as pessoas com toda a dignidade, o sítio ideal para ele. Júlio não disse nada, apenas balbuciou um "está bem" quando a filha, à saída, o lembrou do almoço de domingo em casa dela. A conversa de Joana, no fundo, não o surpreendia, pois sabia que ela não tinha condições para o receber. Ela e o marido matavam-se a trabalhar, com um horário cada vez mais exigente, e o que recebiam mal dava para pagarem a prestação da casa. Houve uma altura em que pensou que talvez lhe arranjassem um cantito na sala para dormir, mas era ele a iludir-se com a possibilidade de acompanhar o crescimento dos netos, de os sentar nos joelhos enquanto os maravilhava com as aventuras do João Pequeno, história que o seu avô lhe contara vezes sem conta na sua meninice. Mas os tempos tinham mudado. Ao que sabia, os pequenos passavam o dia fechados no infantário, no meio de dezenas de outros reclusos, e só lhes concediam uma precária quando os pais os iam buscar no fim do trabalho. Mas pouco aproveitavam do seu quinhão de liberdade. Quando chegavam a casa, os pais colocavam-nos em frente da televisão enquanto faziam o jantar. Depois comiam e, passado pouco tempo, toca a deitar, que amanhã é preciso levantar cedo. E, no dia seguinte, num imutável ritual, lá iam todos para o mesmo ramerrame. Tinha pena deles, mas que poderia fazer? Raio de tempos, estes!
Depois da filha sair, Júlio ficou mergulhado num turbilhão de pensamentos inconsequentes. As suas palavras, embora não o apanhassem desprevenido, tocaram-no como nunca pensara. Começou a dar voltas à casa, tentando ordenar ideias, mas a sensação de aperto não saía do seu peito.
Foi então que tomou uma decisão. Ainda pegou numas roupas para colocar na mala que guardava no roupeiro, mas abandonou a ideia. Dirigiu-se para a cómoda e, com todo o cuidado, retirou um estojo do fundo de uma das gavetas. Abriu-o, delicadamente, e olhou para o colar que em tempos tinha comprado para Maria, a sua mulher, pequeno luxo a que se permitira para presentear a companheira de muitas vicissitudes e alegrias. Mas ela morrera, em penoso sofrimento, uns dias antes do aniversário, vítima de um cancro de mama tardiamente diagnosticado, e o colar para ali ficara guardado como uma relíquia.
Tomou banho, perfumou-se e vestiu o seu melhor fato. Depois, delicadamente, pegou no estojo, guardou-o no bolso interior do casaco e saiu de casa.
Desceu a avenida muito direito e compenetrado, como se estivesse a escolher os movimentos certos para não engelhar o fato. Mas, ao chegar junto da estação ferroviária, algo o fez vacilar. Parou, por instantes, e ensaiou um olhar para trás. Mas foi coisa de poucos segundos. Recompôs-se rapidamente e, de forma resoluta, abeirou-se da bilheteira:
- Um bilhete para longe, para muito longe!
Quando entrou na carruagem e descortinou o seu lugar, tirou o casaco e, com movimentos tranquilos, de quem sabe o que faz, sentou-se. Enquanto o ajeitava, cuidadosamente, sobre as pernas, a sua mão, num gesto quase inconsciente, procurou o contacto do estojo, como se da mais preciosa coisa se tratasse. Maria aguardava-o, não queria fazê-la esperar mais. 
Parte II (Escrito aqui, por mim, em forma de epílogo)
Contrariamente ao que esperava, a marcha da viagem durava. Comboio lento, pensava. Júlio olhou em volta procurando olhares de cumplicidade à sua muda reclamação, pois gostaria de a sua decisão ser assegurada com outra marcha.
Nenhum rosto, e eram muitos, partilhava a sua inquietação. No banco da frente um idoso macilento dizia a outro, um pouco mais novo:
- Leste isto? Não sei se decidimos bem! 
E estendeu-lhe um papel que o outro leu atentamente e como resposta, o mais novo, encolheu os ombros, exclamando:
- Deixei de acreditar nos políticos!
Dobrou o papel em quatro e preparava-se para o devolver...
- Posso ver?
Interpelou Júlio, num impulso. O idoso mais novo entregou-lhe o papel que Júlio, pousando o estojo, recebeu para, depois de o desdobrar, também o ler atentamente.
Quando acabou, Júlio pegou no estojo, levantou-se e percorreu a curta distância que o separava da porta da carruagem. E no momento em que a marcha ainda mais abrandava saltou da composição, e rumou ainda indeciso se iria direito a casa ou se antes passaria pelo infantário para beijar os netos...



01 junho, 2018

Dia Mundial da Criança

 

Tenho, de entre muitas frases-feitas, uma máxima que de vez em quando repito: "se todos os dias são dias de qualquer coisa, façamos qualquer coisa todos os dias". Hoje foi o caso e não me limitei a fazer uma só. Das várias, dei por mim a pensar nas famílias que, como a minha, conseguem algum equilíbrio e, em contraponto, não deixei de pensar nas famílias desestruturadas e no que sofrem as crianças, nesses casos, tantas vezes entregues a si próprias.


Enquanto eu penso, outros vão fazendo e assinalam o dia com iniciativas. De entre esses, destaco a iniciativa dos deputados do meu Partido, hoje, na Assembleia. Aplaudo!

Não quero fechar o dia sem introduzir este filmezinho, sobre um direito das crianças a terem um amigo para a vida inteira... até como forma de fugir à sua institucionalização.

E façam o favor de sorrir...

24 maio, 2018

"Ó malta, aguentem lá o SNS e depois falemos da eutanásia"


“Quando chegar o final da minha vida, quero poder decidir não sofrer mais”, diz uma data de gente com voz veemente.

Para muitos é um um apelo sentido, para outros será bandeira e procura de protagonismo. Penso (quase) o mesmo, mas não foi isso que respondi hoje quando ao almoço a minha-mais-nova me perguntou porque é que o meu partido discorda e não aprova. Respondi-lhe que primeiro seria, porque é mesmo prioritário, responder ao apelo do António Arnout e investir na rede de cuidados continuados, pois é aí que começa a redução do sofrimento.

Sem se darem condições para a redução da dor, as famílias carecidas serão emocionalmente pressionadas para desejarem a morte dos seus idosos. E os riscos disso resultam de ameaças (que não são veladas) para se reduzirem as despesas com o Serviço Nacional de Saúde. Moscovici o disse.

É mais barato proporcionar a morte assistida, do que aumentar a despesa para se proporcionar qualidade de vida. Insiste ela, "mas se são pessoas condenadas, em estado terminal e em desespero..." Respondi-lhe que um estado terminal pode ser protelado. E dei-lhe por exemplo o caso do seu avô (meu pai) que a entrada num programa de hemodiálise lhe prolongou a vida por mais 5 anos, até que um pé diabético lhe antecipou o destino. Quem garante que hoje os cortes já ocorridos em Abril de 2017 não venham voltar a acontecer, onde este tratamento realizado por 12 mil pessoas com doença renal grave ronda os 230 milhões de euros? São 12 mil condenados, será mais económico antecipar-lhes a morte? Certamente!

Apelo às tais 60 personalidades "Ó malta, aguentem lá o SNS e depois falemos da eutanásia!" e já agora, fixemos uma data (ou um momento) para tal conversa. Isto é, quando o acesso a cuidados continuados e paliativos for decente. Dos últimos dados disponíveis,  numa análise por tipo de internamento, identificou-se que o baixo acesso atinge desde 81% da população, no caso dos cuidados paliativos, até 95% no caso dos cuidados de convalescença. 

Enquanto eu vou dar uma olhadela ao "Testamento Vital" deixo-vos com o vídeo...

29 abril, 2018

Um conto ao Domingo - XIII (O Gato)


O gato chamava-se Gato, não por falta de imaginação ou falta de madrinhas (o Gato foi, além do "dono da casa", o primeiro macho da família). O gato chamava-se Gato porque alguém, ninguém se lembra quem, o chamara "anda cá, gato" e o Gato, de pronto, respondeu com um "miau" ternurento ao chamamento. 

Lembram-se do Gato não pelas cortinas caídas, reposteiros arranhados, ou jarras partidas em resultado daquele seu exercício de se passear, lento e dengoso, sobre as prateleiras do móvel da sala onde se expunha (e até hoje continua exposto) um autêntico acervo da memória que o "dono da casa" fazia (e faz) questão em olhar diariamente. Lembram-se do Gato porque ele era a referência da sua própria humanidade: "Se a inteligência tivesse escala, bem podíamos ser  mais humanos..." Lembram-se do Gato, pela sua habilidade em lidar com aquilo que julgava (sim ele tinha esse juízo) ser o temperamento daquela família e de cada um, isoladamente. Com a diplomacia, doçura e afectividade à medida.

Entre o "dono da casa" e o Gato havia um pacto: ele sancionava a liberdade ao Gato de ocupar todos os espaços, o Gato retribuía-lhe não ocupando o espaço que entendia ser cativo do "dono da casa". A liberdade usava-a repartindo todos os regaços e colos, mas na hora do sono ia ter com a dona para aos seus pés dormir, na hora do comer era à dona que ia pedir. Ás vezes miava, mas a comunicação preferida era a de uma agitação contida.
O Gato era um exibicionista, um verdadeiro artista. Bastava que a família estivesse reunida e sem lhe prestar atenção, ele não perdoava a distração e lá vinha aquela correria doida e o salto felino, trepando a parede ao fundo. Ele não se inibia de públicos gestos obscenos com a inesperada namorada, um peluche já com bastante uso, animal indistinto que todos jurariam ser um urso e que o "dono da casa" trouxera de Hannover, como prenda em retribuição de uma ausência...

Um dia, na janela soalheira que escolhera para seu pouso de todas as manhãs, aconteceu. Um pombo atrevido sobrevoou-lhe o sono e o Gato, num gesto mal reflectido de resposta à provocação, quis ripostar e lá foi... pelo ar. A queda, todos a supunham mortal. O "dono da casa" desceu a escada, três lances em corrida, degraus saltados a quatro e quatro na ânsia de acudir ao Gato. Já na rua, agarrou-o a custo pois o Gato declarava o susto com as garras e com o desespero. O "dono", mesmo arranhado, ia conferindo se estavam todas as sete vidas. Estavam. 
Nessa noite, o Gato dormitou um pouco no colo do seu salvador, até adormecer, como costumava fazer, ao colo da Maria João. Da segunda vez que caiu daquele terceiro andar, nada há que contar: a experiência fez com que tudo parecesse normal.

Epílogo

Perto de um ano depois da João ter saído de casa para ocupar o pequeno apartamento da Cruz Quebrada, ligou chorosa. O Gato desaparecera. O Gato desaparecera sem deixar rasto em todos os lugares onde o procurara, em todas as portas em que batera. O "dono da casa" esboçou um sorriso triste e pensou "A densa mata do Vale do Jamor é um apelo a qualquer felino, que se danem os ratos e que se satisfaça o Gato com verdadeiras fêmeas, mais atraentes que um usado peluche..."
Mesmo na incerteza desse destino, dava-lhe descanso pensar que fora esse o que tinha tido...

(Reeditado, original publicado em Novembro de 2013)

22 abril, 2018

Um conto ao Domingo - XII ("A Maior Flor do Mundo")

Ilustração de  Sílvia Mota Lopes Costa
Era uma vez uma menina pequenina, bonita, que já fora ladina e que agora vivia muito triste e já mal brincava.

Nada a entretinha e nada a fazia sorrir, a ela que sempre andara a saltar e a rir. E era muito esperta, muito atenta, a tudo o que se passava à volta dela. E quando parecia que não se passava nada, ela levantava uma pedra. E era vê-la contente e divertida com tanta vida. Eram  minhocas, formigas, bichos de conta sem conta a fazerem-na divertida. Mas depois, não, nada a animava.

Atenta como era, a menina sofria com as coisas más que ouvia e que toda a gente contava. Conhecia poucos lugares, apenas conhecia o seu quintal e a rua ao fundo, mas já sabia todas as tristezas do mundo.

Era essa a tristeza da menina.
Um dia, estava a menina como sempre estava, sentada e sem alegria, quando um pássaro, sem sequer lhe pedir licença, veio pousar-lhe no alto da sua cabeça. A menina sorriu, e cumprimentou:
"Bom dia senhor pássaro!"
O pássaro viu quebrado o encanto que a natureza lhe tinha dado de não permitir falar e respondeu, ainda admirado de o poder fazer:
"Bom dia linda menina, posso saber a razão do teu sofrer?"
E a menina de pronto lhe contou que do mundo só conhecia gente má e a tanta maldade que era feita. O passarinho deixou a cabeça da menina e esvoaçou, suspenso no ar como um beija-flor, olhando a menina de frente falou com entusiasmo e calor:
"Mas sabes? no mundo há boa gente. Há meninos bons, com gestos belos".
E de seguida contou como é que um menino salvou uma flor que estava condenava  à morte, contou tim tim por tim tim como a salvara de tal sorte e como a flor salva, para se tornar exemplo das coisas belas que os humanos fazem, se tornou a maior flor do mundo. À medida que o passarinho contava o rosto da menina se iluminava:

"E eu posso conhecer esse menino e essa flor?"
"Sim, como tu não tens asas eu pouso em cima da tua cabeça e te indico o caminho", disse o passarinho. E lá foram, a menina e o passarinho pousado na sua cabeça e indicando o caminho para conhecer o outro menino que salvou a flor, a maior flor do mundo. 

Depois de saber e de ver, a menina nunca mais entristeceu e todos os dias o passarinho lhe veio cantar ao beiral, baixinho, como que a lembrar que há gestos que salvam vidas, nem que sejam as de uma flor. 

E foram muitas as outras coisas que a menina viu. 
Veja também aqui e sorria, como ela sorriu

DEDICATÓRIA: Porque se trata (mais uma vez) de uma reposição, volto a dedico este pequeno conto a quem o ilustra e nem sabe porque desenha uma menina com um pássaro na cabeça

11 fevereiro, 2018

Um conto ao Domingo - II ("as memórias de um marujo")

A imagem terá quase tantos anos quanto aqueles que eu somo. É esbatida a imagem, mas não a memória que guardo daquele velho. E só não lhes conto detalhes dele enquanto novo, pois não seria natural a um neto lembrá-lo enquanto tal. 

Joaquim Bento Guerreiro, era só conhecido por Ti Joaquim Bento, por ele mal usar o último apelido, quase sempre omitido por razões que nunca referia e que nem os que lhe eram próximos inquiriam pois tinham a ver com uma infância sofrida. O Ti, diminutivo muito em uso por ali, lhe era acrescentado pela vizinhança e não deixava de traduzir um respeitoso e carinhoso trato, como se o tivessem adotado como membro da pouco numerosa prole que habitava aquele lugar, entre a Moita do Ribatejo e o Chão Duro.

Homem de francas e calorosas falas não as usava nem na taberna nem em um outro lugar, dos poucos que por ali havia, para dar dois dedos de conversa, pois o tempo era por ele contado para cuidar daquilo que ele julgava ser onde o tempo devia ser gasto. Já assim não era com a sua mulher, a Mariana, que por vezes para ir comprar um litro de sal distraia-se em cavaqueira chegando a perder a manhã inteira, incapaz que era de dar justificação ou desculpa para romper uma qualquer conversa, desde que não fosse coscuvilheira.

Joaquim Bento levantava-se muito cedo, primeiro para tratar da lareira. Fazia-o com cuidado esmero, não lhe faltando a lenha pois que a poda nem sempre a fazia bem feita e sempre lhe sobrava madeira. E era podas de videira, romãzeira, figueira e de outras árvores de fruto à mistura com as podas do olival, abrangendo  todas as árvores da quinta, num bem estudado mix para obter o odor desejado, em equilíbrio com o ponto de ignição, para que todos os toros ardessem por igual. 

Fogo pegado, ajeitava a cafeteira e na água fervente juntava-lhe duas ou três colheres de café, e depois de levantada a fervura, depositava uma pequena brasa para que a borra depressa decantasse. 

Joaquim Bento e Mariana
O aroma da lenha somado ao do café funcionava como um despertador para Mariana e ambos, após o pequeno matinal repasto, saiam para as lides da quinta, ela para tratar da criação, ele para os afazeres agrícolas com exceção da vaca que ele tinha por sua conta, na missão de levar-lhe a palha. "Vai lá tu, Joaquim, ela gosta mais de ti" disse-lhe Mariana, um dia, apontando o estábulo improvisado e já a caminho da pequena pocilga para tratar da porca, e depois dos gansos, e depois das galinhas, e depois aos pombos e só no fim os coelhos, quando ele trouxesse a erva que chegasse.

Todos os animais da quinta tinham nome, mas só me lembro do dado ao cão, o "Naice" (assim escrito, conforme dito) e receio trocar os dos outros todos. Coisa imperdoável seria trocar o nome dado à porca por aquele que fora dado à vaca...  

Aquela quinta** dava tudo pois Joaquim Bento e Mariana assim o garantiam. Desde cereais a frutos, toda a espécie de hortícolas e tubérculos, vinho e até azeite. Tudo trabalhado a braço e a estrume, pois os animais além de boa carne, com exceção de um ou outro caso*, também garantiam o adubo orgânico que bastasse...

Esta rotina, só era alterada nas férias, quando a quinta era invadida pela alargada família e Ti Joaquim Bento e Mariana, se por um lado tinham redobrada ajuda, por outro eram chamados a outras tarefas. Ele era solicitado a contar histórias***, ela a embalar sorrisos.

Numa dessas férias, o meu tio Maurício, impressionado pelo que vira deixou a promessa de aligeirar o esforço de meu avô no levantar a pulso dezenas de baldes do poço, na tarefa empenhada na rega do pomar.  "Não pode ser, num homem daquela idade".

Promessa feita, promessa cumprida. E sem que já ninguém se lembrasse que a tinha feito, meses depois, meu tio trouxe uma bomba de água, provida de um pequeno moto-compressor e em segredo montou-o no poço. Chamou-o para lhe dar a surpresa e ele foi. 

Olhou a aparelhagem, muito sério. Meu tio, julgando que o seu ar seria porque se intimidara em lidar com a tecnologia, avançou com um "não custa nada!" e explicou tim-tim-por-tim como se fazia:
"Aqui, liga o motor. Depois ferra a bomba, assim. E de seguida puxa este botão para cima". E repetiu  tudo o que dissera, pondo a bomba a bombear. E bem  depressa se enchia o tanque de rega.
- "Está a ver?"
- "Estou, mas não posso usar isso!"
Surpreendido, questionou com um desiludido por quê. A resposta surgiu pronta.
- "Sabes que levo meia-manhã a fazer tudo isso que esse zingarelho faz em minutos? Que faria nesse entretempo? E depois enquanto o faço, a braço-a-braço, recordo quando era grumete e baldeava o convés, com um balde que é tão parecido com este. Quando o elevo agora parece que volto a sentir a brisa do mar a desalinhar-me os cabelos. Este esforço que faço agora ajuda-me a fazer perdurar tal memória. Se isso se for, vou eu atrás!" 

Meu tio e todos nós mal tínhamos presente que Joaquim Bento fora marujo e nem nos passava pela mente que era com memórias de mar que ele tão bem cultivava a terra.
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* "Este Natal não há peru"
** "Escolas da minha vida: a quintinha dos meus avós"
*** "A Flauta (aquela que agora me faz tanta falta)"


 

 

27 janeiro, 2018

AUCHSWITZ-BIRKENAU: Eu lembro um filme, que ainda não sei se acaba bem...

(reeditado)
A memória é selectiva, até mesmo a dos povos. Registo, apreensivo, que nunca como este ano foi tão elevado o número dos que recordam o holocausto. Temo que seja por medo. Medo que a história se repita. Eu comungo dos receios e, pelo sim pelo não, recordo cenas da libertação. Lembro um filme, que ainda hoje não sei se vai acabar bem...

Crianças, Auschwitz-Birkenau, Polónia, 27 de janeiro de 1945 (imagem da net)
Mais de 230 militares soviéticos morreram para libertar o campo de concentração...

01 janeiro, 2018

A minha mensagem de Ano Novo


Caros vizinhos, camaradas e amigos
Queridos familiares meus
e de todos os outros
dos mais próximos aos desconhecidos

Hoje é dia de mensagem

Hoje é dia de mensagem de Ano Novo
É dia de lembrar que Mudar o Mundo
Não Custa Muito
A questão é o tempo que isso leva

Então a questão também é
leve o tempo que levar
mais leva
se você não começar já a mudar

Mude você um pouco
e verá que o Mundo será outro

Assim, desejo-lhes um Bom Ano
Bom Ano e não Um Ano Feliz
Pois já dizia alguém*
não gostar de falar de felicidade,
mas sim de harmonia:
viver em harmonia com a nossa própria consciência,
com o nosso meio envolvente,
com a pessoa de quem se gosta,
com os amigos.
A harmonia é compatível com a indignação e a luta;
a felicidade não, a felicidade é egoísta
Ah! e não esqueça
Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas
(uma das frases batidas minhas preferidas)
Rogério Pereira

* Alguém, vejam quem
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26 dezembro, 2017

Um debate vivo, em ambiente natalício (como documenta o vídeo)


Às tantas, estávamos os quatro reunidos. Já nenhum se lembra como começou a conversa. Talvez pela água, passando pela seca que nunca mais acaba e esta ser um recurso escasso. É ouro! Se é raro, que se penalize o desperdício, se carregue no preço. Cuidado, há 10 milhões e ninguém sabe a quantos o salário mal chega para pagar as alcavalas associadas ao preço da água. Há quem se sirva nos fontanários e mal abra a torneira.
Tendo chegado a acordo nesse ponto, passou-se a falar da justiça e dos que a ela vão escapando, das redes de compadrio, dos boys, dos escritórios de advogados bem representados nas bancadas dos deputados, da maçonaria. E como as palavras são como as cerejas, depressa caímos na apreciação à Democracia, de como Hitler foi inicialmente apoiado e depois derrotado, e como a noite era nossa, debatemos noite fora, tirando eu a mesma (ali inconfessada) conclusão: MUDAR O MUNDO NÃO CUSTA MUITO, LEVA É TEMPO!

O jantar? Ah, pois! Foi assim!

25 dezembro, 2017

Natal... a minha árvore nunca foi igual


Todos os anos faço um postal de Natal. Nunca igual. Em 2010 era pequenino, para logo dar um salto em 2011. Surpreendidos, os amigos, foram então muitos os que fizeram questão de vir ter comigo. 


Mas cedo se começou a inverter o movimento. E se este ano foram mais que em 2014, percebo que passam céleres, e dão prioridade às redes sociais... 

 

Temo que logo o jantar sofra do mesmo mal...



15 dezembro, 2017

Bansky, a parede e eu


Era eu ainda só pai de duas filhas (a minha mai-nova não era ainda nascida) quando para o quarto do fundo a Teresa comprou, fez bainha e pendurou um cortinado bonito. Tinha umas árvores e um burrinho. Encantado, dispus-me a fazer o que ainda nunca tinha feito, um desenho. Depois pintei-o. E a parede do fundo ficou a condizer.

Hoje a parede está lá, minhas filhas, as três, estão crescidas. Netos? Já os conhecem. A parede do fundo continua lá, lisa. Um dia destes armo-me em Bansky, desenho-lhe uma daquelas coisas que ele desenha para a escola. E por baixo, deixo em letras garrafais, citando o autor:
Não se esqueçam, é sempre mais fácil obter o perdão do que a autorização.

07 dezembro, 2017

Refeições escolares: "Que no ano letivo de 2018/19 não possam ser renovados os contratos de concessão em que a ação de fiscalização tenha identificado falta de qualidade"*

*Proposta do PCP que o PS rejeitou 

Com os ingredientes da imagem acima faria a minha Maria uma boa refeição.
As escolas, no geral, até parece que não. Mostra-o o programa "Linha da Frente".
Pena que o programa, em vez de um "chefe de cozinha" despropositado, não tenha colhido imagens do Parlamento onde o PS votou contra as propostas do BE e do PCP por elas assentarem num pressuposto que o PS considerou errado: o pressuposto de que todos os problemas ficariam resolvidos se os refeitórios e cantinas fossem todas geridas directamente pelas escolas. No programa da RTP  o diretor da Escola de Ponte de Sor desmente o argumento do PS e dá testemunho em reforço das cantinas geridas pela escola...
E quanto a qualidade, ponham o Diogo e a Maria como controladores e vão ver se a coisa não resulta! Resulta, e a baixo custo...

04 dezembro, 2017

Clube Futsal de Oeiras, um marco no associativismo desportivo - II


Depois da primeira vez que fui, fiquei fã e voltei. Julgam que foi para ver o Diogo fazer fintas, dribles vistosos, cortes oportunos, corridas de estilo, centros a preceito e remates com jeito? Nem pensem*... aliás, perdi um belo golo que o Diogo marcou... fui lá para confirmar o que já tinha percebido, daquela vez.. ao ter lá ido.


*A avó, depois de ler isto veio dar-me uma reprimenda por eu não ter deixado um carinho,.. como se este post não fosse, todo ele, eivado de ternura

19 novembro, 2017

Clube Futsal de Oeiras, um marco no associativismo desportivo


Entrei no bar, e logo rostos sorridentes me receberam. Antes de qualquer cumprimento, surgiu o pedido e o café, de pronto, me foi servido. Falámos pouco ali, pois na verdade, não havia um só dia que não nos encontrássemos. Vizinhos de há muito, só não os esperava (todos eles) ali, no bar do Clube de Futsal de Oeiras, onde meu neto Diogo passou há pouco a frequentar a escolinha.

Foi uma visita curta (teve a duração dos jogos) mas deu para perceber que o associativismo ali, bem perto de mim, bem cobria a (lamentável) lacuna deixada pelo desporto escolar.
O clube que conta com mais de 220 atletas, tem gente jovem a dirigi-lo e um ambiente...
Fica o vídeo, de um avô-principiante-amador (o próximo sairá melhor)!