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22 fevereiro, 2012

Carinhos...


Tocou, repenicada, a campainha da porta sem outra razão que não fosse a do carteiro, a confirmar se estaria ou não alguém em casa para recepcionar a encomenda. Cumprido o procedimento, apalpei o objecto envelopado naquele papel pardacento, coberto de selos não habituais, oriundos do outro lado do Atlântico. E do tacto se fez luz: era um livro. Voltei o pequeno embrulho para consultar o remetente e sorri da satisfeita curiosidade. Que me manda ela aqui? Abri. Nem acreditava. Para mim vinha remetido o meu próprio livro. Nem sequer sabia que o tinha comprado(*)...  E agora? Mo devolvia? Será que tinha defeito, estaria algo errado? Sacudi-o na procura de algum bilhete, uma mensagem que desse explicação. Nada. Mas de pronto reparei que, em letra bem redonda, diria desenhada, vinha na primeira página, a branca da guarda, uma extensa dedicatória. Extensa, mas não de todo  estranha. Aquelas palavras me eram familiares, no estilo e na forma carinhosa. Surpreendido, isso sim, estava. Passei à página seguinte, que também estava anotada. Ainda mais escrita: nas margens, no alto do cabeçalho e no pé de página. Sem ainda me deter a ler, verifiquei, apressadamente, todas as páginas. Todas anotadas. Fui lendo de forma salteada e depois, voltei ao principio,  para o ler ao correr do seu escrever. Ora comentava se sim ou não concordava , ora falava directamente com os personagens com se intrometesse no escrito ou dele fizesse parte. Ao Meu Contrário e à Minha Alma, acompanhava-lhes os humores alegrando-se com suas alegrias, sofrendo com suas dores. Ela fizera com o meu livro o que há muito fazíamos na blogosfera: Trocar palavras enlaçadas pela ternura que só as palavras sabem ter, mesmo sem se conhecerem quem as escreve. É bom ser lido assim. Não sei se algum autor guardará carinho parecido. Obrigado Gisa, foi um gesto lindo.
(*) O livro foi comprado no Sitio do Livro 

29 janeiro, 2012

Homilias dominicais (citando Saramago) - 68

HOMILIA DE HOJE

"Todos nós somos escritores. Uns escrevem, outros não"

---------------------------------------------------------José Saramago
Não é intrusão nem devassa deste espaço, que sempre foi dedicado a divulgar Saramago, colocar aqui um outro autor e a apresentação do seu primeiro livro. É que foi dito que o arrojo de este se fazer à escrita foi inspirado por essa figura de escritor e de Homem. Sentir-se o "jovem" autor um escritor que escreve, a ele o deve. Mas deve-o também a muitos, muitos amigos que apareceram e a muitos, muitos outros, cuja ausência só o foi por lhes não ver o corpo. O autor sentiu, a cada momento, que também eles estavam presentes e lhe sorriam, confiantes.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Rogério Pereira 
E FOI ASSIM 


Numa sala, pejada de amigos, vizinhos, camaradas, ex-colegas e familiares, 
aconteceu o que Saramago inspirou. Mais de 100 pessoas ouviram e aplaudiram...


Joaquim Boiça, presidente da ESPAÇO E MEMÓRIA-Associação Cultural de Oeiras
 (a editora), abriu a sessão introduzindo os oradores... 


O coronel Barão da Cunha deu do livro o destaque que julgou ele dever merecer, 
quer na narrativa quer nos personagens, situando-o como singular no 
panorama da vasta produção literária sobre a guerra colonial.


Informal, irónico e poético o abraço, de um amigo, Eufrázio Filipe (Mar Arável)
Suas palavras se dividiram entre a emoção causada pelo escrito, o que o livrara da farda
 e o momento em que conheceu o... conversa avinagrada. 


Um momento onde a escrita e a voz de Jorge Castro  (Sete Mares) se juntaram. 
Não leu, disse, como só ele o sabe fazer.
 Foram ouvidas passagens, que fizeram sentir ao autor que valeu a pena escrever...


A expressão da emoção do autor, no momento de agradecer.


Seguiu-se o continuar de dedicatórias e autógrafos  
(que tinham também acontecido no inicio). 
A assinatura, trémula, se fosse colocada sobre um cheque, o banco o devolveria.


Na plateia dos afectos assinalaram presença os netos (o Diogo, a Maria e a Marta) 
mas também as filhas (a Andreia, a Maria João e a Sandra). O autor ficou feliz.

28 janeiro, 2012

Intermezzo... entre trabalhos de mares e o que farei amanhã.


Tão belo quanto estes acordes, foi o trabalho dos mares (eram sete os mares e mais um, este, um mar arável). 
A sala? Estava cheia de sorrisos, uns surpreendentes, e de outros até ausentes. 
Falarei disso depois... Estou ouvindo estes acordes de uma nova amiga. Estou de ressaca, curtindo...

27 janeiro, 2012

Há pouco mais de um ano...

Era assim a imagem do outro blogue, onde ia publicando páginas do meu livro 
Fechei-o. Quando o queria abrir, não consegui. O que eu perdi...

Em Novembro de 2010 iniciei o livro que vai ser apresentado amanhã. O texto que hoje publico integrava o prefácio provisório. O nome ainda estava em dúvida e hoje é conhecido. O projecto, esse mantém-se em aberto e ainda não decidi o que vou de seguida fazer. Fica a promessa: vou continuar a escrever.
"(...)As viagens sobre as quais vou escrever, estão no mapa. São viagens impostas e não escolhidas de entre a oferta turística para destinos de veraneio ou de cultura. São viagens impostas por desígnios que outros consideraram sem me ouvir, replicando-se, assim, a viagem que conduziu à minha própria existência (“eu nem se quer fui ouvido no acto de que nasci”). Não farei reclamações por ter sido introduzido por esses caminhos pois, como parece ter ficado claro, encaro normal no meu passado que me tenham condicionado horizontes. Outra coisa é a forma de navegar. Aí sim, tenho responsabilidades. Sobre como o fiz, o que fiz e o que deixei de fazer. Significa então a minha aceitação por imposições externas na direcção que deve seguir um homem? Sou contrário ao princípio de que cada um deve poder escolher o seu caminho? Claro que não. Mas escrever sobre isso seria escrever sobre a utopia. Não sei se o farei ou se guardarei para outro dia…"

25 janeiro, 2012

Entre o sonho e o pesadelo, a fala do guerreiro negro...

























A fotografia, que julgava perdida, apareceu.
É referida no livro e nela, agora,
inscrevi a passagem onde, "Entre o sonho 
e o pesadelo", o guerreiro me fala.


in "Almas que não foram fardadas"/pág. 186


(ver)

28 setembro, 2011

O livro que estou a escrever está muito atrasado...

O Diogo não me larga. Eu não largo o Diogo. O sol me põe mole. O dia-a-dia tem pressão que não alivia. E os amigos me requerem.  As palavras e as páginas não me saem. Tenho que pôr mão nisto: vou ter que ser mais disciplinado e, entre outras coisas, estar menos aqui e menos a passear para comentar. Tem de ser... Vou ligar à editora, a comunicar que o rascunho do meu livro vai ter entrega adiada... Sobre nova data? Por enquanto, não digo nada.
PELAS RAZÕES DITAS VIREI AQUI DE VEZ EM QUANDO.- VÁ ESPREITADO

26 setembro, 2011

Pai à distância, sonhando com Maria Montessori...

...uma minha carta (pequenina parte), escrita em 26 de Junho de 1971.
Depois de a escrever, acho que sonhei com Maria Montessori (*)

118– “Pai à distância, sonhando com Maria Montessori” – As cartas para casa, as minhas e a de outros certamente, evitavam falar de qualquer acontecimento operacional. Nas cartas, a guerra pura e simplesmente não existia apesar de a sentirmos crescer. Para evitar qualquer deslize, as cartas deixaram até de referirem o dia-a-dia, mesmo nos dias em que os cheiros do planalto do Bié nos tomavam os sentidos e o sossego fosse promessa de paraísos. Eu e o Alma Atenta, passávamos nas cartas a falar, não de nós, mas daqueles a quem nossas cartas se dirigiam. Ele escrevia sobre a mulher e o filho, eu falava da mulher à minha mulher e das minhas filhas também a ela. Maridos e pais à distância, fazíamos por estar perto escrevendo como se estivéssemos logo ali, conversando. Não sabia do que Alma Atenta falava a não ser quando comentava comigo as respostas que ia tendo ao que ia escrevendo. Eu, no que escrevia, ia interrogando e adivinhando a resposta de como ia ela no emprego e elas na escola. A carta que depois vinha confirmava umas vezes e outras não o que pensara ao escrever. Sobre minhas filhas, repetia-me e dissertava longamente sobre as vantagens do ensino pré-primário e também dos riscos de um ensino desfasado do desenvolvimento da criança, daquele ensino que passa o tempo enchendo as suas cabecitas com conhecimentos antecipados e saberes fora da capacidade da experiência e uso, com o sacrifício do ensino das artes, do treino dos sentidos, do gosto pelos sons, pelas formas e pelos tons. Fazia frases sofisticadas e pretensiosas, umas bem construídas outras até ridículas, sobre tudo o me ocorria serem bons ou maus saberes e sobre pedagogias recomendáveis para nossas filhas. Nesse dia, depois de escrever, peguei num livro que tinha comprado já com ideia de o ler e comentar numa oportuna carta. Li-o de uma só rajada e, sem interromper os pensamentos que me suscitou, reiniciei outra carta. Seguiria no mesmo correio daquela outra que acabara de fechar? Minha Alma me aconselhou escrever e mandá-las separadas e espaçadas, podia nos dias seguintes me faltar o que dizer. E assim resolvi fazer. Escrevi “As nossas filhas… Sabes que a minha maneira de as amar, assim à distancia, se consubstancia no fervor e entusiasmo que agora ponho na leitura de um livro (que achado!) chamado “A Criança”, de Maria Montessori? (Eu e os livros, não é amor?)” e explicava-lhe a obra da autora, do seu método de ensino(*) dirigido a crianças da pré-primária, do seu sentido social e da criação de escolas – “Casas de crianças” – que institucionalizaram o seu uso referindo os países do Mundo onde tal aconteceu. E citava-lhe a frase transcrita: “O homem degeneraria sem a criança que o ajuda a renovar-se”. Não fechei a carta, prevenindo o poder acrescentar-lhe mais alguma coisa. Deitei-me e o Alma Atenta ainda escrevia. Com os olhos no teto, Minha Alma ia-me dizendo sem quebrar o silêncio “Vês?, não tens que te preocupar, tuas filhas farão de ti um homem novo”. Sorri e acho que foi sorrindo que adormeci. Nessa noite terei sonhado com Maria Montessori e as suas “Casas de Crianças”…
Página, ainda não numerada, do livro que estou a escrever
"Almas que não foram fardadas"

20 agosto, 2011

20 de Agosto de 1970

107 – “será a selectividade da memória a forma do corpo assegurar a sobrevivência da alma?” – Diz-se que a memória é selectiva e que guarda apenas emoções desde que elas não abalem a mente da gente. A mente, a minha, não é mais do que o Meu Contrário e ele não se sente hoje minimamente abalado. Segredo? Não se lembra de nada, nem dos primeiros beijos de chegada, nem o sentir dos corpos, nem o risos nem os sorrisos, nem os dizeres. Não se lembra. A Minha Alma, essa, também não. E julgo que o faz para se auto-proteger e, desse modo, proteger-me a mim próprio. Os esquecimentos da alma ocorrem quase sempre por instinto de sobrevivência, por necessidade fisiológica e, nalguns casos, pela própria incapacidade das almas guardarem sentimentos em confuso turbilhão. Assim, este episódio, que durou mais de um mês mas é centrado em vinte e quatro horas passadas, não o escrevo à custa das memórias mas dos factos, e dos indícios indiscutíveis, que provam que eles aconteceram. O primeiro facto é a própria data, 20 de Agosto de 1970, quarto aniversário do meu casamento festejado nas férias, interregno da minha comissão militar (não da guerra, que continuava e havia de lá estar ao regressar). Segundo facto, as fotos mostram-me uma alegria (antes e logo de seguida a esse dia), que não podia ser inventada, nem por mim, nem por minhas filhas, nem por ela, minha mulher. Há sorrisos, gestos e expressões que não mascaram o sentir dos corações. Terceiro facto, o dia foi passado a dois como testemunham as cartas, posteriormente trocadas, comentando o dia. Inventando um pouco sobre essas férias, diria que elas aconteceram sob a pressão do medo do regresso a Angola e da longa separação que se ia seguir... Longe da vista, longe da afeição?


Foto, com a Teresa e nossas filhas, João e Sandra - Agosto de 1970
NOTA: Este texto faz parte do livro que estou a escrever

19 agosto, 2011

"Caminhos do Meu Navegar" passou a ter acesso privado e até o estacionamento é proibido...


Pois é. Algum dia tinha que ser. Ainda sem data de publicação, o livro passou a ser escrito no recato do word, sem mirones. O que mais dói à Minha Alma é não ter os comentários carinhosos de quem, pacientemente, me ia lá ler. Serão recompensados por isso. Mais tarde direi como... De vez em quando, neste local, mostrarei uma página ou outra...

11 agosto, 2011

Contra a ociosidade, a mãe de todos os vícios...


(...) "Ali, nada fazia mais do que ocupar o corpo para distrair Minha Alma, arrumando e voltando a arrumar coisas que não tinha chegado a desarrumar. Caiando o posto de socorros, pintando móveis, pintando janelas e portas, para uns tempos depois voltar a caiar e pintar, mudando tons e cores para sentir, também, que alguma coisa mudava e era diferente naquele quase inútil ambiente. Era como se mudando as coisas as pudesse achar atraentes. Naquele dia, a acção da UNITA e os comentários à volta desse acontecimento foram o alento para a escrita. A carta seguiu ..."



(Pode aqui ler mais mais um episódio do livro que estou a escrever)

Na foto: Eu entretendo Minha Alma ( Angola-Nharea, Abril de 1970)

02 agosto, 2011

Lá no outro lado, fora da ânsia destes dias... vivendo outras - 2

Porqui tu, com esperto nus cabeça, bebe cigarro?”. A princípio, a estranha expressão levou-me a corrigir o que entendi ser confusão do seu mau português, sem atender à censura implícita na pergunta. “Não se diz bebe cigarro. Bebe, é beber bebida e cigarro é de fumar, não de beber” disse reforçando o que tinha dito acompanhando com os gestos de beber e de fumar, pois estava fazendo ambas as coisas. “Tu fazes os dois ao meismo tempo e eu dizer eras misturadas”.
(...)No dia seguinte o “Meia-Cuca” apareceu acompanhado de outro miúdo, mais pequeno e com ar assustado. Com o seu, sempre igual, interrogou-me se me importaria que ele ficasse por ali, adiantando ser aquele mais sossegado que ele próprio, e que até podia ajudar (...)


Para ler tudo, vá ao outro lado



Meia Cuca e seu amigo - Foto tirada e revelado por mim

01 agosto, 2011

Lá no outro lado, fora da ânsia destes dias... vivendo outras - 1



O “Meia-Cuca” veio buscar o que lhe era devido pelos recados, tantos, que me fizera nesse dia. Ele não fazia nunca o preço. Eu também não. Dava-lhe os trocos que tinha à mão e ele não regateava, talvez até por mal saber o valor do dinheiro. Acho que prezava mais os valores do trabalho remunerado e da sua digna ocupação de "recadista" - como gostava de ser tratado - na esperança de, quando crescer, talvez passar a haver condições para exigir o real valor do trabalho


Para ler tudo, vá ao outro lado

18 julho, 2011

Em 1970, em Lisboa, mal se conhecia fruta... da boa


"Disse-me, como antes tinha dito, os nomes dos frutos: “Esta tem papaia, aquela abacate, aquelas qui tu tá vendo nu ali, tem muntas manga”. “E a que dá o mamão?”, perguntei por me faltar ver essa, enquanto os odores se misturavam com o cheiro da terra “Essa tá mais nu longe. Custa mais dinheiro”, disse o Meia-Cuca com ar quase severo e que entendi ser seu sinal de não estar para ir mais longe do que tínhamos ido. “É igual a esta que tu ver aqui” e apontou-me a da papaia."

(leia aqui, quando conheci o que hoje é banal ver)

16 junho, 2011

Retomando um trabalho interrompido... que me é muito querido

Interrompi, há cerca de quatro meses (como o tempo passa...) o livro que resolvi escrever. Interrompi sem que houvesse qualquer razão especial. Ou melhor, por várias razões tais como: um trabalho deste tipo precisa de maturação, o caminho da obra carecia de reflexão, o dia-a-dia solicitou-me e obrigou-me à dispersão, os amigos que foram chegando foram-me tomando tempo, etc, etc. Acontece que fui instigado a continuar e a editora, com a qual já me comprometi, espera-me lá por volta de Setembro com obra feita...
É essa a razão, ontem adiantada, pela qual vou estar menos por aqui e com menos tempo também para vos visitar. Procurarei ter presença diária mas menos interventiva. Espero que me compreendam e... me leiam, aqui e também no
Foto relativa ao Capitulo II - Por Terras do Norte de Angola

04 fevereiro, 2011

4 de Fevereiro de 1970, lembrando outra data

Dez da noite e o moto-gerador foi desligado. Na messe aprontaram-se os dois petromax mas apenas um funcionou pois a “camisa” de um deles danificou-se irremediavelmente. Nada perturbados pela reduzida iluminação, a mesa da “lerpa” continuou a jogatana sem qualquer interrupção ou outros lamentos que não fossem as queixas pelo azar com o jogo distribuído pela “banca”. Noutro lado, mais iluminado, o grupo de leitura fazia o que sempre fizera naqueles serões na retaguarda da luta. Lia. Eu, por meu lado, entretinha-me com distracções menos frequentes como seja acompanhar borboletas e abelhões esvoaçando à volta da luz como se a pretendessem devorar oferendo-nos em troca a escuridão. Tinha como costume o copo de uísque na mão e dentro, mais uma vez a simular gelo, a bala de G 3. O tilintar do metal no vidro sugeria-me maior frescura na bebida e assim estava. O furriel Alma Atenta levantou-se de repelão como que sacudido por uma decisão. Pegou no velho rádio de pilhas a um canto e ligou-o no posto já sintonizado mas com muitos ruídos e interferências. Pacientemente procurou melhorar a sintonia o que conseguiu. Música congolesa. Mil tentativas tinham sido já ensaiadas, mil vezes sem sucesso de apanhar outros postos que não fossem emissoras do Congo ou da Tanzânia. “Desliga essa porcaria” reclamou o furriel Alma Redonda, enxofrado pelo mau jogo que lhe tinha calhado. “Desculpa pá, mas hoje tenho de ouvir os gajos”...
Continue a ler aqui

25 janeiro, 2011

Dois actos, datas distintas e um futuro mais uma vez adiado...

Lá, onde estava, nenhuma noticia chegava.
Aqui, as noticias que chegaram
lembram as que o vento me calou
(e porque o que hoje acontece é
determinado pelo que se passou,

-------------------------------------------------Vídeo tirado ao donatien alphonse françois

10 janeiro, 2011

"Poema frouxo" / "Canto belo"

"... quem lia parou de ler, como se os olhos fossem ouvidos e fosse necessário olhar para ouvir aquela melodia a tocar. “Because” ia harmoniosamente tomando conta de todos os ambientes. Eu pensei: “Poema frouxo”. “Canto belo” atalhou Minha Alma. E assim ficámos todos ouvindo até chegar “Imagine”, prolongando-nos a nostalgia de imaginar impossiveis...

-----------------"Because, The Beatles

18 dezembro, 2010

O livro que estou a escrever?... Vá lá ver!


Um livro escrito
para dar testemunho que a guerra
pode trazer a consciência
não só da nossa humanidade
mas também
da inevitabilidade
histórica da libertação
dos povos

(para ler o que estou a escrever)
--
"A violência que presidiu a instauração do mundo colonial e provocou incansavelmente a destruição das formas sociais autóctones demoliu sem restrição os sistemas de referência da economia, as formas de aparência, de indumentária, será reivindicada e assumida pelo colonizado, no momento em que, decidindo ser a história em atos, a massa colonizada investir as cidades proibidas. Explodir o mundo colonial é então uma imagem de ação muito clara, muito compreensível, que pode ser retomada pelos indivíduos que constituem o povo colonizado.” – Frantz Fanon in "Condenados da Terra"/1961