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28 agosto, 2018

"Quinta das Palmeiras" ou a ironia de manter o nome II


Em tempos, escreveu a Maria João um poema sobre o(s) anacronismo(s). Eu citei-o no meu espaço e falei do bicho devastador  em resposta ao comentário da Olívia .
Dizia ela, a Olívia: Ficou bem pior sem as palmeiras. A doença do escaravelho ou a incúria das autarquias? Ou uma coisa e outra... 
Resposta minha: Em Oeiras, Olívia, há centenas de cientistas Por cá, a menos de 500 metros o Instituto Gulbenkian de Ciência, o Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB)e o INIAVE, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, se apostassem nisto, "era uma palhinha"... Adeus escaravelho resistente... Adeus Rhynchophorus ferrugineus... Adeus Picudo Rojo... Assim, adeus Palmeiras.
 Depois de anteriores lamentos (ou poéticos protestos)... 

DUAS DÉCIMAS ÀS MINHAS/NOSSAS PALMEIRAS
Copas viçosas, erguidas
Quais cascatas verdejantes,
São hoje tristes gigantes,
Sem copas, palmas caídas,
Agonizando despidas,
Meros troncos vacilantes
Lembrando os tempos distantes
Em que, abrigando outras vidas,
Alegravam avenidas
Dando sombra aos caminhantes.


E, afinal... havendo cura,
Não sendo um caso perdido,
Porque haverão decidido
Dar-lhes sentença tão dura?
Sua morte prematura,
Será crime a ser punido,
Pois não faz qualquer sentido,
Nem vai trazer-nos fartura
E que imensa desventura
Ver-se um bairro assim... despido!


Maria João Brito de Sousa – 20.12.2014
a Poeta voltou ontem à carga com outro veemente lamento (ou poético protesto)
AS QUATRO TORRES DA ALAMEDA

Adeus, minha alameda sem palmeiras
Onde tanto edifício vi nascer...
Adeus, adeus, que o tempo é de beber
As ondas do meu Tejo sem fronteiras.

Assombrando o meu prédio, sobranceiras,
Erguem-se quatro torres. Que fazer
Se desde a prima-pedra as vi crescer
Até se me tornarem companheiras?

Adeus, pedras pisadas, repisadas,
E mais que desgastadas por meus pés.
Agora estais-me vós a ser pesadas,

Porque já vos não piso e estou rés-vés
Com a terra onde fostes calcetadas
Em chão roubado à concha das marés.

Maria João Brito de Sousa -17.07.2018

15 agosto, 2018

Serviço Militar Obrigatório, a outra face da mesma questão!

Diz o meu Partido
«A política de Defesa Nacional e as Forças Armadas mantém as amarras ao projecto de militarização da UE e aos interesses estratégicos da NATO, subalternizando a missão constitucional das Forças Armadas, de defesa da soberania e da independência nacionais, privilegiando as missões internacionais e de participação em forças multinacionais, num processo em que o aumento da nossa inserção e participação externa aumenta o nível de degradação das capacidades e condições no plano nacional, nomeadamente ao nível do pessoal, do armamento e equipamento, e da resultante operacional.
No fundo, trata-se de uma inversão de prioridades, em que as necessidades de financiamento decorrentes do envolvimento externo do País e das Forças Armadas têm prioridade face à necessidade de investimento na capacidade militar nacional, ao nível dos meios humanos e materiais, para o exercício da soberania em todo o território nacional.»

14 agosto, 2018

Serviço Militar Obrigatório? Só o PCP? Vejamos porquê!


Nos últimos tempos, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, segundo li aqui, tem lançado para debate uma possível reintrodução do serviço militar obrigatório (SMO), mas nenhum partido com assento parlamentar parece estar disposto a apoiar a iniciativa – a não ser o PCP. Vejamos porquê:
Miguel Tiago* - Por vezes não se trata de escolher o que julgamos perfeito. O que está em causa não é "queremos smo ou nada militar nem obrigatório", o que está em causa é se queremos smo ou um regime de "voluntariado" pago. O que está em causa é se queremos que a tarefa de defesa nacional seja de todos ou se queremos que seja apenas uma tarefa dos que, por falta de opções ou por vocação, escolheram a via militar.
Queremos que pobres, ricos, rapazes, raparigas, brancos e pretos tenham a tarefa ou preferimos deixar a guerra para os pobres que procuraram emprego nas ffaa ou para os que sentem vocação militar? Eu quero que as ffaa sejam o povo. Não mercenários com vocação nem pobres sem opção.
O único caminho para a desmilitarização é pôr as armas na mão do povo. Exigir forças armadas profissionais, mercenárias ou similares, é abdicar do direito à defesa e do direito à revolta. Se o 25A tivesse sido tentado num contexto de serviço militar pago e profissionalizado, não apenas não teríamos as ffaa na vanguarda como as teríamos tido a matar o povo que se rebelou.
*retirado do FaceBook

13 agosto, 2018

Há quem pense que a FESTA cai do céu...

Domingo. Pela manhã, antes da hora aprazada, paro no sítio onde costumo, para beber um cafezinho e peço, a pessoa amiga, para me sentar.  Os cumprimentos do costume e depois, entre um sorvo e outro, falamos do tempo e de mais algo de que não me lembro, até que interrompo.
- "Desculpe lá, mas tenho de ir!"
- "Já?"
- "Sim, vou até à Atalaia!"
- "Mas a Festa não é só lá para Setembro!"
- "É se a formos, jornada a jornada, construindo!
Vi-lhe espelhada no rosto a surpresa, não por eu ir, mas por a FESTA não cair do céu...


"Rogério, estás enganado!
A serralharia mecânica é ali ao lado "

09 agosto, 2018

Construíndo a Festa (aquela que não há outra como esta)

DOMINGO, BORA LÁ

Continua a haver
mil coisas que podes fazer
Se não podes subir escadotes, transportar tubos ou paletes
podes fazer coisas leves
separar parafusos das porcas
escolher cavilhas direitas, separando-as das tortas
regar a relva ou as flores
se lá fores


Podes ainda, se és capaz
Limpar fogões,
esquentadores e outros aparelhos de gás
Podes cravar anilhas em panos
Tudo isto, são coisas de fazer todos os anos

Aos 73, como já nada posso
serei fotógrafo

Se também não podes fazer nada disso
Participa no convívio
Pois isso
também é preciso
Bora lá, e traz um amigo
É já no próximo domingo

31 julho, 2018

O meu alvo são as estratégias da direita. Contra o Bloco não ergo bandeira


Estou concentrado nas estratégias da direita, nas reaproximações concretizadas entre o PSD e o PS, no regresso ao "arco da governação", de que são expressivos exemplos os entendimentos em matéria de legislação laboral e, também, quanto aos Fundos Estruturais e quanto à "falsa descentralização" de competências nas câmaras municipais.

Esse é o meu alvo. Mas reconheço que o Bloco tem muito que fazer para dar credibilidade à mensagem que quer fazer passar junto do seu eleitorado... 

E não me refiro unicamente ao "caso Robles" mas à sucessão de casos: o dar morada errada para aceder a mais uns patacos; quanto às touradas, defender em Vila Franca uma posição e no Parlamento o contrário dela; o ser contra a NATO e apoiar a invasão da Líbia; o apoiar o golpe nazi-fascista na Ucrânia, são casos a mais.

Não faço destas incoerências bandeira e no meu espaço nunca antes me refiro a isto... mas reconheço que é importante que tal seja referido... e aqui fica a referência e a tranquilidade da nossa consciência.

02 julho, 2018

A minha primeira tarefa p´ra Festa (aquela que não há outra como esta)


Eu e o Bruno estamos fazendo coisas pela primeira vez. Mas, ele que era iniciado, ficou convencido que eu era mais que batido...

Quanto à Festa, ainda não decidi o que vou ser. Não sei se serei entregador de martelos, se abastecedor de pregos, se recuperador de fogões, se escolhedor de telas e estrados, se testador de esquentadores... mas nada acontecerá como no ano passado... este ano vou estar em todo o lado e depois... conto não perder "Vado"

19 junho, 2018

Contra o encerramento da Agência da Caixa, cá no meu bairro...


O meu bairro, conhecido pelo "bairro novo das caixas", faz parte de um agregado urbanístico que integra "o bairro velho".  Estes bairros são originários do antigo sistema de previdência, um e outro construídos pela "Caixa de Previdência" e pela "Caixa Nacional de Pensões" respectivamente.

Junta-se a esses, um bairro de iniciativa municipal, mais recente. Estes três bairros alojam famílias da classe média baixa e neles residem cerca de 3800 eleitores, na sua grande maioria gente idosa e como já referi aqui, gente de magras reformas ou pensões.

Amanhã, a partir das 10h da manhã, vou estar à porta da CGD a recolher assinaturas, de um abaixo assinado, com o seguinte texto:

A Administração da Caixa Geral de Depósitos tenciona encerrar dezenas de balcões em todo o país. Entre esses balcões está o balcão da Medrosa, cujo encerramento está previsto para o final do mês de Junho.
BASTA! Toda a população local, e em especial os idosos, precisam dos Serviços Públicos! E a Caixa (CGD) é o banco público do Estado!
Não podemos permitir que se continue a financiar a banca privada e os seus desmandos com dinheiros públicos (que são o enriquecimento de alguns, com o fruto do trabalho de todos), e que depois se encerrem os serviços públicos, fundamentais às populações, alegando falta de recursos!
É pois hora de defender as populações e os interesses do Estado e exigir que o Governo através da Administração que nomeou para a CGD mantenha em funcionamento os balcões, fundamentais à população, como é o caso da Agência do Alto da Barra, na Medrosa!
Face ao exposto, os abaixo-assinados:
1. Exigem da Administração da Caixa Geral de Depósitos o recuo na decisão de encerramento da agência; 

2. Exigem da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, da Câmara e da Assembleia Municipal de Oeiras toda a solidariedade e diligências necessárias junto das entidades competentes para garantir a continuidade do funcionamento da agência;
3. Exigem ao Governo que actue junto da Administração da Caixa Geral de Depósitos para garantir a continuidade do funcionamento da agência.

04 junho, 2018

Voltando à questão da eutanásia, quero que saibam que mudei de opinião!


Hoje, pela manhã, tropecei no facebook com um post de alguém com quem com alguma frequência troco comentários que escrevia que o meu partido se tinha coligado com o CDS. Respondi-lhe e ele voltou à carga, deste modo:
«...reitero que a posição do PCP é ignóbil, oportunista e contrária à opinião de muitos militantes comunistas, especialmente jovens, que discordam abertamente da posição esclerosada de um grupo de velhos acéfalos que continua a enganar os trabalhadores com amanhãs que cantam mas eles próprios sabem que nunca se concretizam. Estamos em pleno século XXI, mas o PCP continua com o discurso do século passado em relação ao mundo laboral. Era altura de algumas mentes anquilosadas acordarem para o tempo presente.»
Deixei-lhe lá um meu "ó" de espanto e fui rever argumentos, situando-me neste século. E mudei de opinião. Isto é, passei de uma posição moderadamente contra a eutanásia, para uma outra, radicalmente contra.

Eu era moderadamente contra num meu escrito, pois aceitava o princípio mas via como condição prévia o desenvolvimento da rede de cuidados paliativos para depois, então sim, se despenalizar o acto.
Passei a ser radicalmente contra depois de ter lido os testemunhos de Theo Boer, regulador da lei que enquadra o procedimento, em vigor na Holanda, primeiro país a legalizar a eutanásia. Supondo eu que Theo Boer não seja velho acéfalo, comunista e nem tenha mente anquilosada dou importância ao que ele diz, e diz assim:
  • "No geral, as mortes por eutanásia, que respondem oficialmente por 3% de todas as mortes na Holanda, aumentaram 151% em apenas sete anos." 
  • "A eutanásia na Holanda está fora de controle". 
  • "O que estamos vendo na Holanda é a" extensão incremental ", o constante aumento intencional de números com uma ampliação gradual das categorias de pacientes a serem incluídos."
Lêr tudo aqui


Aproveito para lembrar que o sistema de saúde holandês é frequentemente apontado como um dos melhores da União Europeia e é citado pela Organização Mundial de Saúde como exemplo em vários relatórios.