João Ferreira, eleito deputado no Parlamento Europeu pelo PCP, alertou na sua página do facebook, sobre iniciativa de Correia de Campos:
«O
Presidente do Conselho Económico e Social vai organizar um debate no
próximo dia 9 no CCB sobre "Orçamento da UE pós-2020: que impactos para
Portugal?", para o qual convidou deputados dos partidos portugueses
representados no Parlamento Europeu. Todos? Não. Correia de Campos, que
até já andou pelos corredores de Bruxelas, sabe de onde pode vir uma voz
dissonante num coro que quer afinadinho. Razão pela qual decidiu
excluir o PCP do debate.
(Quem tiver uma concepção de democracia
que não encaixe nos peculiares padrões do ex-ministro, pode exigir a
reparação desta exclusão deixando a sua opinião aqui:
Entre o ar alucinado de um e outro escolho o dela, mais pela ameaça velada colocada do que por qualquer outro motivo. Lagarde avisa, mas seus avisos soam como ameaças e faz apetecer-me voltar a usar aquele vernáculo em tempos usado.
Diz o FMI, pelos seus lábios, que “Esta retoma económica é cíclica. Não se sintam satisfeitos”e acrescenta, programática, que “a complacência é um erro” e que “na ausência de reformas contínuas" virá aí aquilo que um outro dia já veio.
Hesito, entre voltar a citar Saramago (Davos, 2009) e repetir o poema de Gonçalo M. Tavares.
Sem esquecer o outro, opto por este:
A Grande Inteligência é Sobreviver
A grande Inteligência é sobreviver.
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.
Trump é tudo o que dele se diz e mais aquilo que é ocultado, ou pelo menos não se fala.
Não se fala no desespero de Trump. O mais certo, quando se lhe dá a imagem de louco, é que ele de facto estará desorientado, terá percebido que os EUA não terão saída. Ele e não só.
Quem me lê sabe que não sou dado a outros devaneios que não seja brincar com as palavras, sem beliscar a verdade, a qual me limito a avinagrar. Também sou avesso a fantasmas ou a teorias da conspiração. A noticia que vos trago não é devaneio, não é algo do outro mundo e nem é teoria.
Eis a noticia:
A partir de 18 de janeiro, a Bolsa de Xangai negociará petróleo em
iuan atrelado (com paridade) ao ouro. Trata-se de um passo geopolítico importante, pois
ameaça o petrodólar, um dos fatores do poderio norte-americano.
A seu favor, a China conta com o fato de ser o maior importador de petróleo bruto do mundo, com o apoio da Rússia e com a possibilidade de o
comprador converter o petro-iuan em ouro – chineses e russos estão entre
os dez maiores produtores do metal.
Rússia, Irão, Angola, Brasil e Venezuela já aceitaram que a China
pague o petróleo importado em iuanes...(...)
O que aqui trago é texto antigo mas não antiquado. Data de 2011, em Maio.
A imagem mostra Passos Coelho a contrariar Jerónimo...
Por essa altura, escrevia eu assim:
«Os que me leem - e os que agora chegarem para o fazer - sabem (ou ficam a saber) o meu gosto em brincar com as palavras, não para lhes alterar o sentido, mas para esmiuçar o seu sabor e peso.
Sim, porque as palavras, independentemente do ar e da entoação com que são ditas podem ser doces ou amargas, leves ou pesarem chumbo. Pois foi brincando com as palavras que, num comentário a um blogue de pessoa amiga, escrevi que o discurso político carece de ser analisado tendo em conta a necessidade de discernimento entre "A substância da coisa e a coisa da substância" e de quando se falar de uma ser quase criminoso (porque manipulador) não falar da outra.
Contrariamente ao que possam pensar, o post de hoje é sobre isso. A alusão ao debate de ontem vai ser meramente ilustrativo da minha figura de estilo... (ver vídeo)
A SUBSTÂNCIA DA COISA (coisa política, claro)
Todos os conteúdos são definidos por uma substância, se não física e tangível, pelo menos demonstrável (frequentemente com recurso à frieza dos números). Por coisa deve entender-se o domínio a que o conteúdo diz respeito. Uma coisa é falar de galhos outra é de bugalhos. O valor atribuído não é exterior à substância da coisa. Depende dos interesses que se reúnem em torno e que frequentemente disputam a substância. Nada melhor do que um exemplo: AS PRIVATIZAÇÕES enquanto substância. Privatizar qualquer coisa: OS TRANSPORTES, A ENERGIA, O GÁS, OS CORREIOS, A ÁGUA, etc. Discutir a substancia da coisa implica, naturalmente, compreender as funções do Estado em confronto com os interesses privados que tomarão conta da coisa. Como a discussão se passou e quais as ideias em jogo, podem ver no vídeo junto. Compreenderão como os sujeitos em confronto discorrem e, até, formularem uma opinião (logo no inicio, mas mais detalhadamente a partir do 27º minuto) »
E depois continuava, em densa prosa, que agora não vindo ao caso substituo pelo vídeo que é, sublinho e noto, um verdadeiro documento histórico!
«...este súbito anúncio põe fim a uma encenação de décadas: a dos EUA como
mediador do “processo de paz” israelo-palestiniano. As aspas são porque
não há processo de paz nenhum. Portanto, o anúncio de Trump não o
inviabiliza, como muita gente tem lamentado. O que faz é puxar o tapete a
quem se esforçava por manter a ideia de que os EUA estavam empenhados
num “processo de paz”. Desde que Israel é Israel, todos os presidentes
americanos fizeram, mais ou menos, esse esforço. Era estratégico,
dominou a política da Casa Branca, e o que muitos comentadores
americanos parecem lastimar mais no anúncio de Trump é que ele retire
aos EUA o protagonismo de sempre.»
Acabou o teatro dos EUA entre Israel e Palestina (ler tudo aqui)
A realidade? A realidade énos vídeos narrada e explicada como se todo o mundo fosse muito estúpido...
A chamada de primeira página não é mais seguida no texto que o DN desenvolve no interior da edição de hoje. Os jornalistas de serviço não retomam o termo "furacão" e passam a citar Carlos Zorrinho, Paulo Rangel, Marques Mendes e Luís Campos e Cunha que, resumindo, consideram que se Centeno for eleito, "será bom" por isto e por aquilo...
Conhecido esta tarde o resultado, aqueles e outros andarão por ai reclamando parte dos louros e que estes competirão também a outros...
Quanto ao termo furacão, ele traduz bem duas coisas:
a primeira, é que com toda a competência que se lhe reconheça, a Centeno não são atribuídos especiais conhecimentos em climatologia;
segunda, o Eurogrupo é uma tertúlia onde, informalmente, se fala do tempo, se comenta e avalia o "Borda d´Água", sem agenda nem acta.
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«(...) Só uma ilusão desligada da realidade institucional da União Europeia –
em que as grandes potências, com destaque para a Alemanha, determinam as
decisões do Eurogrupo – ou uma estratégia de branqueamento das
políticas e responsáveis da União Europeia a partir da actual realidade
política portuguesa, é que pode ver na designação do Ministro das
Finanças português uma qualquer alteração das políticas e opções da
União Europeia.»
Em 2007, numa entrevista ao Diário
de Notícias, José Saramago disse não ser um profeta mas fez uma
previsão: Portugal acabaria por se tornar uma província de Espanha e
passaria a integrar um novo país que «provavelmente teria o nome de
Ibéria».
Segundo a notícia «Saramago juntou Portugal a outras províncias espanholas como a
Andaluzia, a Catalunha, o País Basco ou a Galiza e disse acreditar que
isso daria origem a um novo país com o nome de Ibéria.»
A propósito da atual crise na Catalunha faz sentido ir buscar tal utopia?
Faz! Não tanto para reafirmar a oportunidade da previsão de Saramago, mas para colocar a posição de uma força cuja palavra tem sido arredada, como se a sua opinião não contasse. Refiro-me à Izquierda Unida, que não defendendo posições separatistas e autonómicas, vê como futuro para a Espanha, algo que fica a caminho da Ibéria e que seria a solução, não só para a Catalunha, mas para todos os problemas territoriais da Espanha: a criação de uma República Federal.
Sobre a situação criada, o coordenador federal da Esquerda Unida, Alberto Garzón manifestou, na passada sexta-feira (27), a sua preocupação com o futuro cenário
institucional e político da Catalunha em razão da declaração unilateral
de independência decidida pela maioria do Parlamento Catalão e
aprovação, pelo Senado Espanhol, da aplicação imediata do artigo 155 da
Constituição, que autoriza o Governo de Mariano Rajoy a intervir na
região.
"Infelizmente, (Mariano) Rajoy e (Carles) Puigdemont nos levaram a uma
situação incerta em que ninguém sabe as consequências, nem mesmo eles", o
que significa "a irresponsabilidade mais séria de um líder político",
advertiu Garzón.
Há muito que não comprava um jornal e hoje decidi quebrar a promessa que a mim mesmo fizera. Nesta quebra, há a evidência que é tão difícil romper com hábitos antigos, como sair de qualquer toxicodependência. Isso, comprei o DN por vicío. Gostei da "chamada de capa" e fui diretamente à 4ª página. E continuei a ler o texto encabeçado pelo título: «Costa admite flexibilizar défice publico por causa dos incêndios».
Boa! Até que enfim que o Costa sai do paradigma do sacrossanto défice.
Há hora (agora) de escrever algo sobre isso neste espaço, procuro a notícia. No google, coloco o título e como resposta... nada. Coloco o já referido subtítulo da 4ª página... e nada. Tento outras hipóteses no "motor de busca" e vou parar a parte nenhuma. Que se passa?
Talvez que simplesmente "alguém" tenha considerado que a pressão de fecho da edição tivesse consentido algo inconveniente de ser escrito? Terá sido isso? É que ceder em matéria de aumento da despesa pública agravando o défice é heresia. Na versão editada na net, o texto desaparece.
[ocorre-me o que, sobre a matéria, disse em Outubro de 2015 um herege: «Gostava que um economista me explicasse por que é que o défice tem que ser de 3% em vez de 4%»]
Sobre os meus escritos citando Saramago, as "Homilias Dominicais", já por duas vezes lhes anunciei o fim. Uma, depois de 104 semanas a fio. Outra, sob a forma de posfácio. Não é sina, antes necessidade de repor valores, princípios, utopias... e venho trazer à liça o vaticínio da fundação da Ibéria.
E sobre valores, claro o da autodeterminação dos povos e... o não ser rendeiro em terra própria. O resto será o que tiver que ser, leve o tempo que durar.
Koln foi buscar
Merkel à ex-RDA para a colocar como cereja no seu bolo, e acabou por ter que
engolir o caroço.
Os gatos-pingados que
o levaram para o cemitério confirmaram que era um grande homem, pelos nossos
cálculos ultrapassaria em muito os cem quilos. Os media exaltam o homem da unificação da Alemanha, cantam-lhe loas pelo
Tratado de Maastricht e ignoram a dissolução da Iugoslávia e o massacre que tão
cedo não se esquecerá.
Fac-símile de página do livro de Guy Mettan
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Wolfgang Schäuble
era o predileto de Koln, e acabaram em grandes negócios de armas com a Arábia
Saudita e o Canada, tudo feito com muitas, muitas luvas, a justiça marcou passo; privatizações da RDA,
refinaria Leuna ‘vendida’ à ELF,
Kohl admitiu ter depositado milhões de marcos de doações anónimas em contas
secretas na Suíça.
Vejam bem!... ah!
Falta cá o pai da nossa democracia para lançar a frase chapa para defuntos:
Koln… meine freude Koln, très amie-de-monamie-miterand. ___________________________
texto publicado no blogue as palavras são armas e com o título «Estar vivo dá sempre nisto»
A imagem retrata uma manipulação reconhecida pela BBC que a veio a retirar depois de uma chuva de críticas após “acidentalmente” usar uma foto tirada no
Iraque em 2003 para ilustrar o “insensível massacre de crianças” em 2016, na
Síria. O texto a que me refiro alude a mais casos de montagens para atingir os objectivos precisos: causar uma onda de indignação para fins que copiam outros já realizados e com os resultados conhecidos. Foi no Iraque e tudo se encaminha para ser também assim na Síria, caso se venha a concretizar o derrube de Bashar al-Assad.
Hoje, é irrefutável que terá havido mesmo a matança que a imprensa afirma ter havido. Quanto aos responsáveis... é mesmo melhor ver o vídeo e depois tirem as V. conclusões:
Acho uma maldade a stora ter escolhido um tema que nem os adultos entendem bem quanto mais uma criança a quem não foi dado ensinar uma palavra daquela língua que até é a que o senhor Shakespeare mandou adoptar para se falar em todo o lado e até em Bruxelas que é o lugar para se mandam cartas que esperam por uma resposta ao estilo do adeus ó vai-te embora que por acaso ainda não são escritas em chinês que é uma língua que por cá já devia ser a mais falada e eu até já sei mais mandarim do que inglês e quando peço no restaurante um xau xau eles sabem que não estou a dizer adeus e o arroz vem logo a seguir o que quer dizer que os chineses entendem bem o que queremos dizer e o problema é só quando os chineses aprendem inglês para que ninguém entenda o que andam eles para aí a fazer e só iremos dar conta disso quando eles tomarem conta disto.
Em Setembro passado, o Conselho das Finanças Públicas mostrou cartão vermelho ao Governo, num claro erro seu. Como qualquer má arbitragem, devia ser a equipa suspensa de arbitrar durante uma boa porção de jogos e, num limite, dispensada até final da temporada.
Teodora Cardoso, previa que o modelo do incentivo ao consumo desse com "os burrinhos na água". Espetou-se, coitada, pois não houve incumprimento.
Contudo, e porque 2,1% é muito abaixo do limite consentido, também se pode dizer que o deficit não foi cumprido. Disse-o um meu camarada e amigo:
"Cada décima adicional ao défice representa uma margem orçamental de 190 milhões de euros" (...) "Se o défice fosse 2,5% ou 2,6% permitiria, saindo do défice excessivo, a libertação de centenas de milhões de euros para a reposição de rendimentos"
Entretanto, não é só de Teodora o espanto...
Reproduzo este vídeo ao abrigo de um acordo de cooperação Geringonça / Tornado. Isto é, foi aí roubado
Assistimos hoje a festejos, bem assinalados. Foi o primeiro aniversário de um mandato presidencial e importa não estragar a festa.
Por isso, o que aqui escrevo hoje é para ser meditado amanhã.
Diz-se, em título deste espaço, que não nos faltam palavras-adubo, palavras-semente... não nos faltam sequer ideias... o que nos falta é deixarmos de ser rendeiros da nossa própria terra. Acrescento: O que nos falta é deixar de pagar "dízimos" como antes não se pagavam, pois eram as leis menos severas do que as que hoje são ditadas por Bruxelas e agravadas pelos seus acólitos:
«Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano
terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao
estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e
se fartem.»
Leio o apelo, certamente sentido, do poeta "“Não se pode mutilar a biografia de Mário Soares nem adaptá-la às conveniências”. Neste momento nem entendo o que que seriam as (minhas) conveniências em distorcer, enviesar ou omitir passagens de uma biografia daquele a que podemos considerar o pai (desta) democracia. Aqui ficam os meus contributos ao longo dos tempos, para que nada falte ao biógrafo:
“Só se quisermos um daqueles debates a que eu estava habituado na
universidade, em que debatemos, teoricamente, tudo. E é muito útil. Mas
debater [a renegociação da dívida], em termos concretos, com relevância
política, não faz sentido nenhum” -no Observador, claro
Andam por aí perdidas essas rogériografias que explicam tudo...
Quando as encontrar aviso... e... ei-las aqui
Por acaso foi para o Tornado (e não neste espaço) que me atrevi a dar (para já) alguns contributos para um balanço de como eu vi o XX Congresso do meu Partido.
Recuo no tempo, heis-me em Junho passado a revisitar o Congresso do PS e detenho-me num painel temático, moderado por Nicolau Santos.
Avanço e, chegando a esta cena, estanco.
Alto, isto está um espanto.
Não pelo o que disse o convidado, pois o que Pacheco Pereira disse não compromete o PS. Não diria o mesmo do que aconteceu em sala, aliás, na altura muito bem composta. Sigam o vídeo:
ao 5º minuto, aplauso;
ao 7º minuto, novo aplauso;
mais coisa menos coisa, ao 8º, ao 10º, ao 12º, 15º, 16º aplausos;
após o 17º minuto, aplausos quase seguidos...
Ah, se os dirigentes do PS souberem, como eu, ouvir... (refiro-me às palmas e ao que elas sublinhavam, claro)
Dormia Cristo a sono solto e, para que não acordasse, tirei o som àquela coisa. Habituado que estou a interpretar comportamentos não verbais e a discernir o significado de um olhar de esguelha, de um sorriso inexpressivo e de mãos cerradas, foi, em certo sentido, mais esclarecedor ver isso do que se tal tivesse ouvido. Curioso, curioso, foi o facto de os dois, cada um em alturas distintas, terem assumido esgares mal contidos, músculos faciais tensos, sinalizadores de contenção de raiva.
Surpreendido por se terem a tanto atrevido, fui validar o meu entendimento com insuspeitos especialistas.
Entendimento validado, tive um alerta que me recomendava cuidado e me dizia «Não é suficiente perceber que alguém sentiu raiva, o mais importante é
verificar o que essa pessoa fará a partir da raiva que sente. Alguém,
diante da raiva, pode controlá-la, ressignificá-la e agir de forma
assertiva.»
Assertivo seria, por exemplo, um deles, explicar a Maria Luís Albuquerque que não há assim grandes diferenças entre as acusações de António Costa e as conclusões do Tribunal de Contas.
Eu por mim espero sentado, Ele, Cristo, espera dormindo.