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19 outubro, 2013

Crónica de um dia com história, contada pelo "maceta"

Três imagens ligadas, porque eu acho porquesim e hoje foi um grande dia...
A maior parte dos cronistas e colunistas, escrevem. Há outros (poucos) que desenham e pintam. Fazem-no diariamente. Acho que o "maceta", com a sua caixa dos pregos, tem essa capacidade (e arte) de desenhar e pintar avinagradamente, tudo o que a gente sente, vai sentindo e vendo, na contagem de cada dia que passa. 
Aproveitei o dia de hoje em que aconteceu a antecâmara do que se espera que aconteça (e vai acontecer, tenho a certeza) 

04 fevereiro, 2013

''A arte é uma inutilidade indispensável'' ?


Se quer ficar com a alma plena, veja em modo "tela cheia"
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contando que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente. Toda arte é inútil” - Óscar Wilde 
"o ponto alto do ser humano é a arte, nela o homem concentra o empírico de sua existência -- a subjectividade -- e a realidade quotidiana que o cerca -- a objectividade" - George Lukács

18 fevereiro, 2012

Sábado... reflexões marginais


A arte, por vezes, nos diz o que não esperamos que seja dito de forma tão perfeita. É a arte coisa efémera? Dura mais que quiséramos ou esperávamos? Que importa? Que importa que morra, se dissolva ao sabor da impiedosa natureza ou lhe sobreviva aos ventos e se torne eterna?... é no momento que se cria que é útil. Ou porque nos dá alento. Ou porque nos denuncia que algo de medonho se aproxima e é preciso agir. Se seu desígnio é imprimir coragem, então a usemos para contrariar tudo o que requeira actos corajosos. Se for um desafio à acção, então que algo se faça. A arte também pode assumir mensagem de esperança, mas para que a quero eu se esperança passa por esperar e, como diz o poeta: "esperar não é saber/quem sabe faz a hora/ não espera acontecer". Esgotou-se o tempo onde cabia a esperança. Agora é a hora de luta, ainda que nos limitemos a resistir... 

Mas é a arte também um devaneio, um doce enleio, um olhar o umbigo da alma em êxtase ou depressão? Que pena o ser... só retarda o que teremos que fazer.

05 janeiro, 2011

03 janeiro, 2011

Pequena exposição - Figuras do meu imaginário de adolescente e rostos que me povoam a mente


EXPOSIÇÃO


Uma vez mais abro este espaço sob a forma de galeria. Depois daquela outra exposição dos lugares de menino e moço que um pintor pintou para mim, perto da quintinha do meu avô Joaquim, outro artista das cores e do traço pintou-me os rostos que povoaram a minha adolescência e o meu amadurecimento. Acho que o fez para mim (ou não fosse eu, o centro do universo). Fernando Campos, não sei se vai gostar. Caso não, azar... A única coisa que lhe prometi foi tratar com dignidade a sua obra da qual escolhi o que exponho, sem catalogar. Se querem mais elementos, procurem no seu lugar...

ENTRADA DA EXPOSIÇÃO - SALA DOS AFECTOS
--Duas pinturas e um auto retrato. Três pessoas, quatro vidas...

--GALERIA "MULHERES" (pintura)


Claro que se fosse um entendido em arte teria aqui muito por onde me estender. Não o sendo, fixo-me não na pintura mas nas almas pintadas, nos rostos, nas formas, nas ansiedades, nas ternuras, nas esperas, nas atrevidas posturas e formosuras destas mulheres que ao longo da vida eu conheci. O Fernando apenas mas recordou...
GALERIA "MINHAS INFLUÊNCIAS E CRENÇAS" (caricatura)

Se há, de modo semelhante ao que acontece com as minhas palavras, traços que possam ser considerados avinagrados, esses são os do Fernando. A ironia, o non sense , a mordacidade e a séria forma que dá aos meus rostos mais queridos torna-os mais meus, mais nossos...
GALERIA "ÓDIOS DE ESTIMAÇÃO" (charge)

Para ampliar clique nas imagens
O Sitio dos Desenhos é um sitio a visitar demoradamente... Faço isso, frequentemente e de cada vez que o faço interrogo-me: "Como pode o Fernando Campos ser tão ignorado?"

25 setembro, 2010

Pequena exposição - Os meus lugares de menino e moço

Conheci há poucos dias António Tapadinhas. Deixei-lhe em comentário a minha pronta disponibilidade em transformar este sitio em galeria e aqui lhe colocar uns quantos quadros seus. Prometi-lhe tratar com dignidade os lugares que, não se limitando a pintar, tratou como um artista que sabe o que me agradaria recordar. Como enquadramento refiro textos meus sobre a quinta do meu avô colocados a pretexto de abordagens a temas diversos, tais como a reforma agrária ou a minha mudança de escola.Nesses textos nunca localizei a quinta nem descrevi lugares próximos. António -lo por mim...

PEQUENA EXPOSIÇÃO - OS MEUS LUGARES DE MENINO E MOÇO

Passava as férias grandes na quinta dos meus avós. A caminho, no cacilheiro, barco que atravessava o Tejo ligando Lisboa ao Barreiro, não pensava nada. O rio não deixava. Os meus olhos percorriam margens e água e os odores eram um estimulo a todos os outros sentidos. Quando ao longe eu avistava os "meus" moinhos, sabia que estava a chegar. Depois do barco a camioneta, por entre os vidros que lhes adensavam cores de sépia, lá estavam. Eram o marco do inicio das minhas aventuras pois do Barreiro à Moita e daí à quinta seriam, ao todo, 20 a 25 minutos...
-- --... Uma vez chegado logo começava a minha faina na quintinha. Esta frequentemente era demasiado pequena para conter todas as aventuras e, assim, aceitava de bom grado convites de outros miúdos para ir à Moita, vila morena da beira Tejo...
Claro que me lembro das festas, da procissão, do foguetório, das largadas de touros e de muitos outros acontecimentos de cor e festa. Mas a memória mais viva eram os momentos de água. Recordo mil mergulhos nessa água lodosa para onde saltava de cima do pequenos cais de atracagem. António, pintou-mo. Vê-lo assim, degradado, não me feriu a sensibilidade. Para tal ele deu-lhe a cor necessária...
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As idas a Alhos Vedros, pequena povoação perto da Moita e igualmente da beira Tejo, não deixavam grau de liberdade para as minhas brincadeiras preferidas. Obediente, seguia as instruções da minha avó Mariana que alí se deslocava, com alguma frequência, fazendo venda dos produtos da quinta: "Não vás para longe", dizia-me. E eu ficava por ali junto ao rio. Por vezes, descalçava os sapatos para que meus pés afagassem a areia. Apanhava pedras e atirava-as, como todos os miúdos fazem quando não podem eles próprios atirar-se... Entre o rio e o encarnar de mil personagem num cenário de selva ou planície em outras tantas aventuras lá na quintinha, as férias terminavam...
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... e o regresso a Lisboa fazia-se, frequentemente no mesmo barco cacilheiro.
António pinta-me essa viagem, colocando as pessoas exactamente como eu as via, ainda meio adormecidas pelo levantar cedo para enfrentar mais um dia de trabalho. Que me lembre, não regressava triste, apenas na expectativa de conhecer novos amigos, novos professores e, assim, outras vivências...
Um pintor quando se exprime como o António, nem imagina as sensações que pode provocar. Ou será que o faz exactamente porque pretende isso mesmo: EMOCIONAR? Se tem ainda alguma dúvida, navegue no seu blogue "Sem margens - Pintar a palavra, escrever a pintura."

Obrigado António, por pintares estes lugares!

19 julho, 2010

"Gritos de alma, não chegam ao céu"

"Gritos de alma, não chegam ao céu". As vozes de burro também não. Ainda me pergunto o que chegará ao Altíssimo... Um pouco por todo o lado, sente-se que Ele não está presente. Não está em Alvega (como ontem se viu). Não está no Alentejo, mais que em todas as outras partes, raios-O-partam...

Estes desabafos, avinagrados, podem (e devem) também ser entendidos como lamentos. Lamento quem, na blogosfera, faça edição nos seus blogues de imagens lindíssimas sobre o nosso Alentejo, vazias das gentes alentejanas. Não sei como o conseguem... De raiva comentei assim alguns desses posts:
Contraponto(com igual amor pelo Alentejo)

Ah Alentejo!
Ainda te tenho de odores
Cheiro a terra e a pão
Mas, as pessoas?
Onde estão?

Ah Alentejo!
Ainda me roçam os ventos
Me queima o do sul, o Suão
Mas, as pessoas?
Como estão?

Ah Alentejo!
Ferve-me o sangue mouro
No montado, na seara, nesse chão
Mas, as pessoas?
Para onde vão?

Ah Alentejo!
Seara de flores, mentiras de sol
Alimentando-te um sonho vão
E tuas pessoas?
Esquecidas estão?
Tanta beleza vejo,
só pessoas não!



Nesta bela imagem também não se vislumbra vulto de gente. Não, não são girassois, nem giradeus, embora acompanhem os movimentos de ambos, quer do Sol e quer de Deus. São Giracídios...
Com um grito de alma, que eu sei que não vai chegar ao céu, digo-vos: No Alentejo há gente. Acreditem que há e, embora vos estraguem a paisagem, são assim:
As mulheres, do meu Alentejo esquecido, são igualmente esquecidas por quem se perde com suas belezas

08 julho, 2010

Impedido de aparecer "lá fora", o Monstro de Loch Ness apareceu numa lagoa, "cá dentro"...

Um conhecido jornal diário publicava há uns tempos: “Será que o famoso monstro do Lago Loch Ness, na Escócia, sempre existe? Jason Cooke, um segurança britânico diz que sim e garante que captou a sua figura, esta semana, através do Google Earth.
O Google disse que as câmaras deste serviço são de alta qualidade e capazes de obter imagens de áreas inacessíveis a outras câmaras mais vulgares.
Segundo declarações de Adrian Shine, investigador do projecto Loch Ness ao jornal britânico "Daily Telegraph", estas novas imagens são "realmente intrigantes" e deverão ser estudadas.”

Já liguei ao Shine a dizer-lhe que não vale a pena realizar tais investigações. Impedido a ir para fora (Loch Ness) o verdadeiro monstro apareceu numa lagoa “cá dentro”.
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O vídeo abaixo dá testemunho inequívoco da sua aparição.

Estas imagens são únicas. Do monstro restam apenas os lugares por onde terá andado e que constituíram o seu habitat nos últimos dias...

03 junho, 2010

Tire um selo e faça por merece-lo



Este selo reproduz a imagem de Thémis, deusa da justiça (mitologia grega). A venda e a balança figuram simbolicamente a imparcialidade e o equilíbrio. Agora sem espada, a minha deusa, pretende distanciar-se da violência das penas, como a pena de morte.
A pena de vida a que estamos condenados, sem a nossa Thémis, faz com que verta lágrimas de sangue. Lágrimas por tentar chegar onde nunca chega. Lágrimas por sentir a impunidade e o julgamento sumário. Lágrimas porque fazem pender a sua balança sempre para o mesmo lado. Lágrimas porque lhe retiram a venda obrigando-a a ver o mais forte e poderoso. Lágrimas por sentir a mentira de quem, de forma abusiva, diz estar a ser usada, quando não está. Lágrimas porque entre a verdade e a mentira, o poder usa o que quer...

Thémis, como eu, acha que temos que avinagrar a injustiça. Se a verdade não é como o azeite e tarda a vir ao de cima, seja então como o vinagre...

17 maio, 2010

Tudo voltou à normalidade, ainda em tons de azul...

Azul. Azul era a cor de ontem. Alguns, viam todo o universo pintado de azul como se todo o universo estivesse do lado da sua cor. Azul é também a cor dominante para quem olha a vida em tons de cor-de-rosa. Azul suave. Azul do céu infinitamente vazio. Azul…


Obras de Pablo Picasso - Fase azul (1901/03)
Ah, como eu gostaria que este azul deixa-se de o ser…