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24 outubro, 2019

Vaticano/Francisco: o grande líder global da atualidade

Francisco constrói pontes: com gestos e palavras é um líder com acções prepositivas; aponta, com coragem, os actores que patrocinam as guerras, o comércio de armas e que lucram com a cultura da morte e do descarte; confronta os líderes xenofóbicos e racistas que querem erguer muros e promover políticas de criminalização

Viva Francisco!

Você não precisa ser católico e/ou religioso para concordar com o título deste artigo. Mas, certamente, só ratificará essa afirmativa se acompanhar o cenário das disputas reais e simbólicas no plano internacional e se o fizer extrapolando a cobertura da mídia empresarial (totalmente comprometida com o capitalismo rentista, concentrador de riqueza e usurpador das democracias contemporâneas). Afinal, esse despotismo financeiro que governa as economias capitalistas contemporâneas é classificado por Francisco como “uma economia que mata”.

Não obstante a guerra patrocinada contra Francisco em vários fronts, por poderosas corporações internacionais (bancos; agronegócio; indústrias das armas, farmacêutica e do petróleo; think tanks norteamericanos propulsores do ultraliberalismo na América Latina -- liderados por megaempresários católicos e protestantes; políticos de extrema-direita e grupos religiosos obscurantistas...), o Papa continua a mobilizar um imenso contingente de líderes e grupos sociais de todas as Nações que se somam no enfrentamento, de variadas formas, da chamada “onda ultraconservadora”.

Remando corajosamente contra a maré, Francisco tem se empenhado em acções estratégicas que já redundam em poderosos focos de enfrentamento ao ultraliberalismo. Abaixo, listamos algumas das iniciativas de Francisco que tem repercutido globalmente e extrapolado o “mundo” católico.

17 julho, 2018

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B?



Na ilha cabo-verdiana do Sal  decorre hoje e amanhã a XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, evento que marca a passagem da presidência do Brasil para Cabo Verde, que assumirá os destinos da organização nos próximos dois anos.

Em entrevista à agência Lusa, antecipando a realização da cimeira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, mostrou-se convicto de que a CPLP será “uma grande organização no futuro”, e deu exemplo de iniciativas futuras:
”Vamos levar algumas iniciativas para as Nações Unidas para um cada vez maior reconhecimento da língua portuguesa no quadro das organizações internacionais. Há várias organizações internacionais em que a língua portuguesa tem um caminho a fazer para se afirmar como língua de cultura e conhecimento e uma língua que federa povos, países, hábitos”
Um dia me perguntei porque a CPLP não faz parte de um Plano  B, e mais de uma vez o fiz.

Vamos à luta? 
Comecemos pela língua, que é linda
Linda e única

03 novembro, 2016

Por pena minha... poucos ligaram ao Gonzaguinha

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Gonzaguinha
Foi ontem,
pois hoje eu repito
Não vá dar o não visto
por visto
O não ouvido
por ouvido
E o escutado
por esquecido

Pare, escute, olhe
CPLP?
E isso é o quê?
Vamos à luta?

02 novembro, 2016

CPLP... quando as canções e as imagens valem mais que um milhão de palavras...



Um dia, não há muito, me perguntava porque não fazia a CPLP
 parte de um "Plano B"?
E citava Akira Miwa... o tempo foi passando, passando.
E pergunto, a pergunta de há muito:  E porque não amanhã?








15 fevereiro, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 83 (The Tide Is Turning)

(ler conversa anterior) 
«Quem é o mais forte? Quem é o melhor?
Quem segura os ases? o leste ou o oeste? 
Esta é a merda que nossas crianças estão aprendendo 
Mas...
Oh, oh, oh, a maré está virando 
Oh, oh, oh, a maré está virando»
Roger Waters, "The Tide is Turning"
«As reuniões de Modi, à margem da cúpula de julho de 2014 dos BRICS em Fortaleza, Brasil, com o Presidente Putin da Rússia e com o Presidente Xi Jinping da China, segundo todos os noticiários, foram notavelmente calorosas e cordiais. Ali, Modi aprovou entusiasticamente a ideia de o Banco de Desenvolvimento dos BRICS terem sede em Xangai, com um indiano na presidência. Modi também se recusou a seguir Washington, nas sanções contra a Rússia; disse que sanções econômicas são assunto que têm de ser decididos no Conselho de Segurança da ONU – ideia que Washington absolutamente não gostou de ouvir. E Modi também melhorou dramaticamente as relações há muito tempo tensas com o Paquistão, aliado muito íntimo da China.»
«aumenta diariamente» o círculo de parceiros e instituições com quem são mantidas consultas, garantindo que o governo «permanece firme na sua meta de aplicar o programa de salvação social, aprovado pelo voto do povo grego».
in Jornal Avante, "Grécia recusa chantagem

A música soava baixinho e eu ia cantarolando enquanto ia lendo o jornal. Inadvertidamente, talvez por impulso de Minha Alma, a voz elevou-se na esplanada "Óh, Óh, The Tide is Turning".
As professoras pararam para dar atenção àquele "Óh". O velho engenheiro não conteve um comentário,
"O seu óh, está como o mundo, completamente desafinado!"
"The Tide is Turning, meu caro, mesmo que ainda um pouco desafinado"

29 dezembro, 2012

DN dá "bodo aos pobres", uma vez sem exemplo e em época festiva...


Não li tudo, nem espero ler o que leio no meu jornal. O meu jornal é um jornal partidário. O DN nem sei bem o que é, mas podia ser o que hoje deu a ler... um leque alargado de visões, noticias, opiniões, fora do alinhamento habitual... Podia, se fosse essa a ideia deste post, citar cada um dos convidados (a merecerem ser citados) ou ir buscar o video onde os secretários-gerais da CGTP e da UGT debatem ideias... ocorre-me apenas relevar o facto do DN ter mostrado o que podia ser um jornal:
___________________
ENTREVISTA
- Lula da Silva - "...o que faliu foi a economia fictícia"

FORUM
- Carlos Carvalhas: "A questão da moeda única e respostas que Portugal deve equacionar"
- Tereza Pizarro Beleza: "Sobrevoando a Europa"
- Boaventura de Sousa Santos: "O Estado social, Estado providência e de bem-estar"
- Francisco Bendrau Sarmento: "Crise, direito à alimentação e soberania alimentar em Portugal"

PENSAR O FUTURO
- D. Manuel Clemente: "O papel da Europa na crise..."
- Jorge Rocha de Matos: "Uma estratégia de internacionalização alavancada na CPLP"
- Fortunato Frederico: "Façam as elites o seu papel"

PORTUGAL VISTO DE FORA
- Murade Muragy: "CPLP é um mar de oportunidades"
- Pepetela: "A crise"
- Tarso Genro: "A crise da social-democracia é também uma crise da democracia como valor universal"
- José Antonio Griñán: "Aquilo a que chamamos Europa"
- Pilar del Río: "Não se mexam, isto é um sequestro"

10 dezembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (6)

Vou acrescentando nomes. Hoje um poeta, (re)conhecido há bocadinho ["A gente não faz amigos, reconhece-os.", disse Vinicius}. E foi o que aconteceu. Porquê colocá-lo nesta interrogação sobre o Plano B? Leia o poema abaixo e responda-me você...
.

Como iremos dar de nós algum sinal

como iremos dar de nós algum sinal
exaltando de repente a madrugada
a fazer-se em tons de anil e quase nada
sugerindo o ressurgir de um madrigal?

ou tentar então unir o que é diverso
como soltar de nós a voz no tempo incerto
como trazer o sempre longe bem mais perto
e vesti-lo de coragem nalgum verso?

que o porvir não se faz de mãos fechadas
sem abrir essas mãos à vida acesa
que desperta os horizontes e alvoradas

uma estrada haverá tenho a certeza
por sabermos outrossim das mil estradas
que se abrem pela mão da Natureza.
Quase sempre quem um poema lê,
vê sempre mais do que o poeta imagina que se visse.
Isso por vezes é bom, por vezes é uma chatice 
(neste caso não parece que o seja. E se for...)

09 dezembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (5)


Ontem, trouxe Ilda Figueiredo para a discussão. Hoje trago, de outro quadrante, mais uma voz dissonante. Sobre um qualquer plano B não se pronunciou, mas também ninguém o questionou. É verdade que também diz coisas que, para mim, não fazem qualquer sentido e com as quais discordo, mas como fazer alianças esperando ouvir os outros como se fossemos nós próprios?:

"Gonçalo Ribeiro Telles afirma que a culpa da situação portuguesa é nossa e não da Europa. Ninguém obrigou Portugal a desfazer a agricultura, a construir casas de forma desenfreada ou a destruir a paisagem em nome do progresso. O arquitecto lamenta que a inquietação política não passe pelas questões que realmente interessam e que só se fale de dinheiro." Ribeiro Telles considera ainda que foi muito tardio e pouco concreto o apelo do Presidente da República, Cavaco Silva, ao regresso ao trabalho na agricultura.”
....................................................................Ouvir clicando acima

08 dezembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (4)



Vários foram os que vieram a depor no meu primeiro post sobre este tema. E porque para entrar é preciso sair de onde nos estão a amarrar, oiça-se alguém que vem ajudar à discussão:


Ilda Figueiredo: Saída do Euro deve ocorrer "com compensações"

"Devia ser uma saída negociada com compensações ao País por aquilo que nos roubaram", disse Ilda Figueiredo aos jornalistas, na Figueira da Foz. Questionada pela agência Lusa sobre se defende essa saída, respondeu: "Nestas condições [com compensações] seria o melhor". "Uma saída com compensações por aquilo que nos roubaram e com alterações de outras políticas, desde a agricultura, às pescas e à indústria, podendo o País, de imediato, começar a produzir para diminuir o seu défice", sustentou Ilda Figueiredo. Recusou, no entanto, que o País possa ser "corrido" da moeda única e que um cenário sem negociação prévia de condições "era o que Alemanha queria". "Não basta sair, é necessário sair e termos todas as condições para produzirmos o que precisamos. Nós queremos que a saída de Portugal seja com compensações e alteração profunda de outras políticas para Portugal poder encetar uma política autónoma de desenvolvimento, naturalmente em cooperação com outros países da União Europeia", disse. Sobre as políticas que disse terem levado à deterioração do sector produtivo nacional, aludiu, nomeadamente, à desvalorização das exportações nacionais aquando da entrada de Portugal na zona euro, contestada na altura pelo PCP, o "único" partido que votou contra a entrada na moeda única, lembrou. "Só nessa altura perdemos de competitividade entre 30 a 40 por cento. Isso teve custos muito sérios para o país e agora o País deve ser compensado por isso ter acontecido", advogou.     
 NOTA: Este post foi "reconstruído", após um lapso do autor. No essencial corresponde ao anterior conteúdo

16 novembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (3)

Ontem, Evanir, deixou-me este comentário: 
"Já li muito referente ao Brasil ser dependente de Portugal também da luta pela sua independência. A muitos anos essa dependência terminou sei da grande riqueza extraida do Brasil e levada para Portugal. Mais agradeço Pedro Alvares Cabral por ter descobrido o Brasil. Tenho Portugal como Patria mãe e amo profundamente os dois Países."
Que bom ter lembrado coisas que agora vêm a propósito. Sobre a dependência de Portugal, para uma prática de potência, que então era a senhora da globalização mercantil a nível mundial. Fizemos patifarias de certo modo contidas, até porque denunciadas. "O pregão de Santo António aos Peixes" é uma peça de oratória que nos marca. 

O ouro do Brasil pagou a dívida de Portugal - Querida amiga, quanto à riqueza levada do Brasil para Portugal, veja para que serviu:
“…a dependência económica de Portugal em relação aos ingleses marca um período histórico da economia europeia. Enquanto os lusitanos perdiam o antigo posto de nação rica e desenvolvida, galgado entre os séculos XVI e XVII, a Inglaterra alcançava as condições que a transformaria na maior potência económica do mundo entre os século XVIII e XIX. Para entendermos estas situações distintas, podemos tomar a assinatura do Tratado de Methuen como um interessante exemplo histórico.

Em 1703, esse acordo firmado entre ingleses e lusitanos estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos. Com isso, a especulação sobre a garantia de compra dos ingleses sobre o vinho de Portugal ampliou enormemente o número de terras cultiváveis destinadas ao plantio de uva. Por conseguinte, a demanda da economia lusitana por produtos importados aumentou bastante.
Conforme apontado por vários pesquisadores interessados no assunto, a Coroa portuguesa conseguiu montar um enorme império mercantil, mas não buscou meios eficientes e sistemáticos para dinamizar sua economia interna. As expressivas quantias obtidas com a actividade colonial eram revertidas na forma de gastos que somente mantinham o elevado padrão de vida dos nobres e membros da família real portuguesa.
A assinatura do Tratado de Methuen não pode ser considerada como a origem única de todos os males que atingiram a economia de Portugal. No entanto, ele ressalta bem as condições políticas e económicas distintas de cada uma das nações envolvidas na situação. Com o passar do tempo, a dependência económica portuguesa se agravou e o ouro encontrado em terras brasileiras serviu para tapar o grande deficit que dominava as finanças de Portugal.” - (ler aqui)
Mas tem mais que se lhe diga a história que nos une, perante os maus tratos europeus. Depois do que a Inglaterra nos fez, a França napoleónica nos invade:
“O príncipe regente apenas nos dia 23 de Novembro de 1807 recebeu a notícia da penetração de tropas francesas em território português. Convocou imediatamente o Conselho de Estado, que decidiu embarcar o quanto antes toda a Família Real e o Governo, servindo-se da esquadra que estava pronta para o Príncipe da Beira e as infantas. Nos três dias seguintes ainda se aprontaram outros navios, que viriam a transportar para o Brasil cerca de quinze mil pessoas. Em 26, foi nomeada uma Junta Governativa do Reino para permanecer em Portugal, e difundidas Instruções aos Governadores, nas quais se dizia que "quanto possível for", deviam procurar conservar em paz o Reino, recebendo bem as tropas do Imperador."
(...) Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos franceses e rei da Itália, a quem eu me havia unido no continente, na persuasão de não ser mais inquietado (...) e querendo evitar as funestas conseqüências que se podem seguir de uma defesa, que seria mais nociva que proveitosa, servindo só de derramar sangue em prejuízo da humanidade, (...) tenho resolvido, em benefício dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e mãe, e com toda a real família, para os estados da América, e estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até à paz geral." (palavras do então príncipe regente e que viria a ser D. João VI).

A capital de Portugal já foi no... Rio de Janeiro. Chamava-se então: Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (ver aqui)

Outra amiga, Celina Dutra, citou-me sonho de Leonardo Boff: 
"Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, ele não é intolerante nem dogmático. Gosta e acolhe bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo".
Isto que ele diz do seu povo, disse de nós um japonês, há muitos séculos atrás, chamando-nos nambam-jin...
.
Que se cumpra o sonho, connosco e com toda a Lusofonia. 

15 novembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (2)

O mito de um Portugal periférico tem de ser desfeito. Dou meros contributos...
Na Europa, Portugal ocupa um lugar periférico. Diz-se que ocupa o cu do espaço europeu e foi com esse dizer juncoso que se convenceu, entre outros argumentos "demolidores", que a nossa economia não seria competitiva com uma base industrial forte e com uma agricultura desenvolvida. Os gráficos abaixo, mostram duas realidades que resultam do facto de temos embarcado no mito de sermos um país periférico e de nos termos rendido a politicas erradas em beneficio de quem agora nos apresenta factura pesada. A situação actual resulta disso, não daquilo que nos querem fazer crer:
Clique na imagem para aumentar                                                                               (dados retirados daqui)
O gráfico da esquerda mostra que a produção agrícola (2,7%) e a indústria (22,8%), estão no limite dramático das necessidades do consumo interno que é, será, satisfeito pelas importações. Não retirar daqui conclusões sobre de que forma esta realidade está ligada ao endividamento é embarcar, paulatinamente, na manipulação da realidade. O gráfico da esquerda mostra de que forma é que as exportações estão fechadas num quase único destino: a Europa em crise e com níveis de crescimento muito próximo de zero. 
Há outra realidade, menos falada, e que tem a ver, também, com periferias e politicas erradas ou omissas: 
Com a sucessiva perda de colónias desde a independência do Brasil até à queda do império colonial, Portugal passou de uma situação de sede de um espaço económico de poder mundial reconhecido, para uma situação onde, em  contradição com esse histórico, não se assume qualquer expressão económica, nem política. Tragicamente, diria. Se olharmos o gráfico acima, o Brasil não representa menos de 1,7% (integrado no Mercosul, com a Argentina, Venezuela e Paraguai) e os outros PALOP não chegam a 7%... Há um fosso abismal entre o apelo dos afectos e as relações económicas. Negociamos mais com estranhos, do que com os povos com os quais temos afinidades históricas, linguísticas e culturais. Portugal viu-se, assim, remetido para uma outra periferia, sem qualquer influência nem beneficio.
Que interesses impedem que Portugal reveja a sua maneira de estar e se assuma como país que não só pode contrariar os mitos das periferias que tem ocupado, como, fundamentalmente se  posicionar numa nova centralidade?
 É altura de Portugal se afirmar com uma nova centralidade, voltando-se, com politicas de ruptura relativamente ao posicionamento actual, para uma inequívoca estratégia de aproximação aos Países de Língua Oficial Portuguesa.  Outras economias e regiões do mundo veriam com agrado esse nosso passo. 
Porquê não considerar a CPLP parte integrante de um Plano B? 

12 novembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B?

"Insanidade é estar a fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes"
Eisntein

"Minha  pátria é minha língua"
Fernando Pessoa

"Angola é um país no qual o Japão tem muito, muito interesse. O  Brasil tem o mesmo interesse. Portugal, idem  aspas. Porque é que não colaboramos?"
Akira Miwa

As duas primeiras citações constam de um artigo de opinião - O redescobrimento do Brasil - assinado por um brasileiro, Carlos Nepomucemo, publicado no semanário Expresso de hoje (não disponível on-line). A leitura recomenda-se e o citado artigo termina assim:
"Não seria um erro estratégico colossal ignorar o Brasil e outros países de língua portuguesa como se está a fazer?"
A terceira citação é minha, de um post  editado em Agosto de 2010 e o senhor citado é o actual embaixador do Japão, em Portugal. Vejamos o que este senhor disse mais:
“O interesse do (vosso) Governo está muito voltado para o centro da Europa, o que acho natural. Mas isso traz efeitos secundários.Com esse sucesso europeu, o país tende a esquecer a importância que poderia ter no resto do Mundo, fora da Europa. Sobretudo agora, num momento em que assistimos às dificuldades económico-financeiras em toda a Europa. Penso que o Governo português e o sector privado deveriam repensar sobre a sua dependência um pouco exagerada do mercado europeu.”
“... como ministro Finanças e como primeiro-ministro (Cavaco Silva) visitou várias escolas japonesas e tinha ficado agradavelmente surpreendido com o conhecimento histórico das crianças sobre Portugal. Vocês deviam fazer o mesmo nas escolas, ensinar a cultura e a história dos países por onde passaram. É uma pena não o fazerem. Faz parte da memória. Não a manter é quase esquecer o passado. Falo também da índia, da China. Estão a perder a vossa memória.”
“Há muitas semelhanças entre portugueses e japoneses (…) A maneira de ser, o modo de reagir é muito igual. À parte o nosso relacionamento histórico, temos muito em comum. O japonês é mais português que espanhol. Para nós a Espanha é um país muito interessante, sim, mas por causa da diferença. Portugal é como se fosse o Japão europeu".
“Apesar do nível económico fraco, o nível de compreensão cultural e artístico (dos portugueses) é muito superior” (ler tudo aqui)
Não se pense que só de fora nos vêem assim e nos sugerem alternativas relativamente ao "rumo que a barca leva" (lembram-se do "pensar fora do paradigma do quadrado"? e dos "avisos dos faroleiros?"), também por cá se ouvem, a "deshoras" de serem escutados, alertas e recomendações ajustadas. João Ferreira do Amaral, na segunda-feira passada, no Programa "Prós e Contras", ao 16º minuto da parte dois, dizia coisas que não se repetiram, nem foram comentadas depois (se lá forem, não deixem de escutar António Espanha). Também na Antena 1, em entrevista a Luís Bento, membro do "Grupo de Paris" (relacionado com a Ética e Responsabilidade Social), se fazem apelos à discussão de alternativas à Europa e à consideração da alternativa CPLP. Não o fazer é afundar-mo-nos  no abismo e, o pior, com a consciência de que será isso mesmo que vai acontecer, assumindo a insanidade de que fala Einstein...  

Seja então a CPLP o nosso "Plano B". Vamos discuti-lo?

29 maio, 2011

Este domingo: de manhã; à tarde; ao serão. Sempre. Sempre e sempre a omissão. Por isso falarei em coisas pouco faladas...

DE MANHÃ


A manhã estava incerta, mas não foi por isso que não fiz o que costumo fazer. Comprar um semanário, o Expresso, pré-pagar dois cafés e ler mais por obrigação do que por prazer. No primeiro caderno, o costume, quer em distorção quer em omissão e tudo para manter um eleitorado bem amarrado "ao tem de ser". Da CDU dá um espaço mitigado e diz: "A organização comunista é eficaz mas copia o mais gasto roteiro de campanhas passadas". Esboço um sorriso e passo ao suplemento económico onde na primeira página o CEO da TAP dá uma gargalhada numa foto a cores. Está vendendo a transportadora: "...o valor da TAP está a atingir o seu máximo". Nem leio, passo adiante e chego ao titulo que é ilustrado pela foto ao lado: "Sines atrai gigantes do mar". Entro no texto: "O terminal de contentores duplica a sua capacidade máxima para um milhão de contentores de 20 pés (TEUS)...". A leitura desperta-me a curiosidade, pois todos falam (agora) na importância económica do mar, mas não me recordo de alguém falar deste projecto. Leio sofregamente e fico surpreendido, boquiaberto: "Com as actuais ligações ferroviárias - continuam em aberto as perspectivas de construção de linhas mais eficientes a médio e longo prazo - Sines já transportou por comboio 100 mil TEUS em 2010". Se outra coisa não consegui concluir, uma parece clara evidência: A justeza da medida (a 18ª das 50 que a CDU submete a votação): "Garantir a produção nacional de material ferroviário (em particular material circulante) nomeadamente com a mobilização de incentivos em torno de investimento em curso na ferrovia.". Mas fica-me a interrogação: Porque raio a noticia de tal projecto desinserida das condições prévias indispensáveis ao escoamento das mercadorias? Porque não fala o Expresso nos investimentos em ferrovias? Como sairão de Sines um milhão de mercadorias?


DE TARDE
Decidi ir ao almoço da CDU na Escola Náutica Infante D. Henrique. De resto estando anunciado o candidato Carlos Coutinho, vice-presidente daquele estabelecimento do ensino superior, tinha a oportunidade de continuar dentro do tema que me é mais querido: o mar. Bingo! Falou-se mesmo do mar. E não foi para deixar as coisas do mar no ar, nem para repetir que se acabou com a frota pesqueira... É que, contráriamente ao propalado, os comunistas estão a fazer uma campanha como há muito não se via. Com sessões de esclarecimento. Carlos Coutinho falou primeiro da "sua" Escola Naútica. Das dificuldades em gerir com um magro orçamento cursos reputados e de emprego assegurado para os jovens que os frequentam. Do prestigio internacional e do know how em gestão portuária, em manobra e em segurança marítima, que vende e rende, mas cujo rendimento não reverte para a escola. Podia (e devia) reforçar o orçamento. Mas não, todo esse dinheiro vai direitinho para a tutela. Dá depois o quadro da evolução da Marinha Mercante. O que aconteceu que quase desapareceu. Falou da venda da Soponata e da troca que o Grupo Melo fez, abandonando o mar e investindo no lucro facilitado e seguro do negócio da saúde. Falou do aconteceu com a Sacor. Falou nas negociatas e dos elevados custos de afretamento de transporte a navios cuja tripulação é... portuguesa (na maioria dos casos). Falou da competência e capacidade instalada dos estaleiros portugueses. Nas obras de relojoaria de que são capazes os Estaleiros de Viana. Resumiu no final o que chamou de "Politica patriótica e de esquerda para o Mar e a Marinha Mercante". Desenhar essa politica compreenderá incrementar relações aprofundadas com os países da CPLP e a aposta na reconstrução de uma Marinha Mercante nacional dotada de navios de carga, passageiros e cruzeiro incorporando tripulações e tecnologia portuguesa, que assegure a circulação marítima entre o continente, as ilhas e as ligações internacionais estratégicas. Carlos Coutinho desenvolveu ainda outras vertentes dessa politica necessária para que seja salvaguardada a soberania nacional relativamente à grande extensão do território marítimo que nos pertence. De seguida falou José Casanova. O discurso fluiu claro e documentado. Ao serão, o Professor Marcelo, viria a dizer tudo ao contrário do que José Casanova denúnciou, mas baralhado e sem ser documentado. E o que documentou apenas serviu para dar razão às posiçoes que a CDU afirma.


AO SERÃO
Nunca me passaria pela cabeça colocar palavras de Marcelo Rebelo de Sousa em substituição das que José Casanova disse. Faço-o pela necessidade pedagógica de documentar perante os milhares que ouviram Marcelo a denúncia que só chegou a centena e meia de presentes na sessão de esclarecimento da CDU. Marcelo, depois de acusar PS, PSD e CDS de falar de tudo menos do pacto que tinham assinado, veio afirmar que nas eleições do próximo domingo ou se votava o pacote ou contra o pacote da troica. Fê-lo regressando à tese da inevitabilidade, mas... que coisa estranha. Depois de se meter pela clara demonstração da irracionalidade dos prazos, inumerando o que tem que ser feito em julho, em Agosto e em Setembro, ele só de inumerar estava esgotado. Coitado. Perante a pergunta do "entrevistador" sobre a viabilidade de tudo isso ser feito disse que não havia outro jeito. De outro modo, ter-se-ia que... renegociar a dívida. Só não disse uma coisa que Casanova tinha dito: ESTÃO OS GRANDES GRUPOS FINANCEIROS A GANHAR TEMPO EMBOLSANDO O MAIS QUE PUDEREM PARA SÓ QUANDO FOR POR DEMAIS EVIDENTE QUE NÃO SE PODE PAGAR MAIS, ENTÃO SIM SE ABRIR A MÃO À RENEGOCIAÇÃO... Não sei porquê, pressinto a alma de Cavaco a inspirar o discurso de Marcelo, preparando terreno para o dia 6 de Junho...