04 junho, 2011

Dia de reflexão


Se quer apenas escolher quem vai gerir o Programado (e há muito, por ambos assinado) recomendo, neste dia de reflexão, que opte pelo trauliteiro que foi mais eficaz (se for capaz...)

03 junho, 2011

Eleições? Só um filme nos pode salvar

A nova versão do filme, com argumento que me foi encomendado...

...será um libelo contra a sanha privatizadora, ditada pela troika.

Estava meio deprimido. A semana não tinha corrido nada bem. Depois das minhas incursões pelas denúncias sucessivas e quantificadas, resultado de políticas malvadas, que levaram os sucessivos governos à destruíção das frotas de marinha mercante e, também, da pesqueira, da agricultura e da indústria transformadora, depois disso tudo vem alguém e diz que a sua escolha vai nesses. Releio o programa que terão que aplicar e penso como pode isso ser... e nem argumentam que vão votar por razões determinadas pela razão. Não. Nada disso... As privatizações? Os transportes, a água... Meu Deus, a água... que mágoa. Eu que hà tão pouco tempo me insurgia contra os outros, agora vejo essa medida a ser acordada por quem menos esperava...


Estava eu assim, zangado comigo mesmo e com o mundo, quando surge o toque salvador do telemóvel. Atendo:


Eu - Sim? (digo em voz mais seca do que me estava a alma)
Uma voz - Rogério? (ouvi, do outro lado, aquela voz bem conhecida que teve o condão de me animar a alma)
Eu - Olá, que bom ouvir-te (disse, quase a confessar-lhe o meu estado)
A tal voz - Rogério, lembras-te daquele meu filme onde eu desempenhava o papel de falso carteiro, perito em obras de Shakespeare, numa apocalíptica terra devastada e onde acabo por descobrir o poder de inspirar a esperança e fazer crer ao povo, perseguido pela tirania,que o Governo do meu país tinha sobrevivido à hecatombe?
Eu - Claro, é um dos meus épicos mais queridos! Aquele em que a juventude assume os correios, como símbolo do Estado e como bandeira da resistência e cidadania, mobiliza o povo contra os opressores. Belo filme, onde te vejo liderar uma heróica rebelião para repor a paz e a justiça
Voz – Esse mesmo. Quero que tu me escrevas umas notas, tipo sinopse, para uma nova versão. O título provisório é “The portuguese postman”, mas estou receptivo às tuas sugestões. Podes?
Eu – Yeessss! (exclamei, com uma alma nova em folha, sem os anteriores vestígios de ferrugem)

… e lá combinamos data e local para o bate-papo em torno do meu argumento.

NOTA: Kevin Costner está mais atento à nossa realidade que a maior parte dos portugueses e até dos blogues que estou a seguir. Mas com o filme isso irá mudar... Com as eleições, teremos o cenário terrível que enquadrará o desenrolar das cenas. Pena que essas sejam reais...

02 junho, 2011

O endividamento começou, quando o aparelho produtivo começou a ser destruído... III

Há tempos atrás, prendi-me pela pintura de António Tapadinhas. Fiz uma exposição com os seus quadros e repeti, postando o quadro que está aí ao lado. Representa a extinta Siderurgia Nacional, figurando, em primeiro plano, as ossadas do que entendi ser o resultado da morte da industria dependente dela. O pintor veio depor, comentando que a sua preocupação era a poluição. Fiquei desolado, iria jurar que aquela caveira era da SOREFAME, aquela outra da MAGUE a seguinte da SEPSA ao lado das da FUNDIÇÃO DE OEIRAS, da LISNAVE, da COMETNA e da COMPANHIA PORTUGUESA DO COBRE. Queria-me parecer que as ossadas representavam as pequenas metalomecanicas mortas, fechadas, por baixo de industrias dos sectores da química, agrícola e alimentar. Ele, o meu pintor, acredita serem as vitimas da degradação do ambiente e foi isso que disse ter pintado. Será que uma corrente de opinião acredita que tenha sido em nome da preservação ambiental que se desindustrializou a economia? Bem pode ser... Vá se lá saber... Mas então os países desenvolvidos não desenvolveram tecnologias limpas? Não foi a comunidade do ferro e do aço a percursora da Comunidade Europeia? Ná, esta história está muito mal contada. Pois não sabem que fui eu o causador da morte lenta da economia, pelas intervenções que fazia? Não me diga que não sabia? Não sabia que fui eu o responsável por esta forte componente da dívida? Os partidos que estiveram no poder? Nem pensar, que podiam eles fazer para me poderem travar?

Entre 1990 e 2007 a industria chegou ao descalabro....

Claro que o impacto no emprego também me coloca na lista negra ...

NOTA FINAL: Para quem não acredita que tenha sido eu a fazer tanto mal, nem aceita que a questão ambiental explique o sucedido, pode votar na CDU. O progresso ficar-lhe-á agradecido.

01 junho, 2011

Redacções do Rogérito (5)

Tema de hoje: "O Falso Dia Mundial da Criança"

A Dª Esmeralda hoje deu-me toda a atenção por ser dia mundial da criança apesar de para ela esta data ser um embuste para comemoração de um acontecimento importante que foi noutra data não hoje mas ela receia que eu me ache tratado como um desigual e que estas coisas de serem dia das crianças em datas trocadas as crianças não devem ser prejudicadas e para ela embora não seja a data certa também se lembrará da outra quando ela em Novembro chegar e assim ela resolveu dedicar-me a tarde e falar-me como se fala a gente crescida e eu gosto que ela me fale assim pois quando se fala para um miúdo como se fosse bebé acaba-se por se falar a adultos como se fossem miúdos e é isso que acontece lá na casa da vizinha do quarto andar ao matulão que já tem a idade do Ronaldo e ainda o tratam por Zézinho como se fosse o menino que acaba por aceitar ser até porque também não lhe dão nada para ele fazer coisa que não acontece comigo a quem a Dª Esmeralda fala com perfeito juízo de coisas sérias e eu sinto-me responsável por coisas que ela diz sem ser o que ela fala quando está zangada com a vizinha do quarto andar o que acontece mesmo agora hora que está mesmo zangada e está como eu nunca a vi e a dizer com o sangue todo a ferver que essa vizinha é um caso perdido por ir votar em quem lhe fez despedir o marido e congelar a pensão do pai dela e cortar no abono de família dos três filhos da nora dela só porque esta nora que ela tem teve de arranjar outro emprego e como já tem dois não tem direito mesmo que o marido não faça nada a não ser olhar para o céu e de vez em quando mudar a fralda ao neto do meio porque o mais novo por ser um estorvo anda num colégio que não é pago há dois meses e meio e que aquela divida vai ter que ser renegociada pois o dinheiro lá de casa não chega para nada e o colégio não terá outro remédio do que converter em mais prestações aquela dívida de poucos tostões...

Com o Programa da "troika" a situação social irá agravar-se (ver aqui) colocando, também, na gaveta todos os direitos nomeadamente os inscritos na Declaração dos Direitos da Criança - ONU


AVISO AOS SEM PACHORRA: Podem, os sem paciência para pontuar redacções, reler a Declaração e perceber como o futuro se adivinha negro para as crianças directamente e indirectamente por via das famílias atingidas (e até agora distraídas...)