31 janeiro, 2012

Sete-sóis e o mar


Sete, são sete os sois / céu e mar / Sete-sóis erguidos / perdidos / E a vela? / que olha? / É fixo o seu olhar / É firme o seu ir / Directo é seu navegar / Vai à bolina, / sem vento nem corrente, / parecendo infinita a rota... / Mas que importa / se o rumo é o do coração?
Havemos de chegar / Sem que me desenhem o destino / sei-o adivinhar: / algures em qualquer porto, / na transparência das marés / de todos os mares.
Rogério Pereira 

29 janeiro, 2012

Homilias dominicais (citando Saramago) - 68

HOMILIA DE HOJE

"Todos nós somos escritores. Uns escrevem, outros não"

---------------------------------------------------------José Saramago
Não é intrusão nem devassa deste espaço, que sempre foi dedicado a divulgar Saramago, colocar aqui um outro autor e a apresentação do seu primeiro livro. É que foi dito que o arrojo de este se fazer à escrita foi inspirado por essa figura de escritor e de Homem. Sentir-se o "jovem" autor um escritor que escreve, a ele o deve. Mas deve-o também a muitos, muitos amigos que apareceram e a muitos, muitos outros, cuja ausência só o foi por lhes não ver o corpo. O autor sentiu, a cada momento, que também eles estavam presentes e lhe sorriam, confiantes.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Rogério Pereira 
E FOI ASSIM 


Numa sala, pejada de amigos, vizinhos, camaradas, ex-colegas e familiares, 
aconteceu o que Saramago inspirou. Mais de 100 pessoas ouviram e aplaudiram...


Joaquim Boiça, presidente da ESPAÇO E MEMÓRIA-Associação Cultural de Oeiras
 (a editora), abriu a sessão introduzindo os oradores... 


O coronel Barão da Cunha deu do livro o destaque que julgou ele dever merecer, 
quer na narrativa quer nos personagens, situando-o como singular no 
panorama da vasta produção literária sobre a guerra colonial.


Informal, irónico e poético o abraço, de um amigo, Eufrázio Filipe (Mar Arável)
Suas palavras se dividiram entre a emoção causada pelo escrito, o que o livrara da farda
 e o momento em que conheceu o... conversa avinagrada. 


Um momento onde a escrita e a voz de Jorge Castro  (Sete Mares) se juntaram. 
Não leu, disse, como só ele o sabe fazer.
 Foram ouvidas passagens, que fizeram sentir ao autor que valeu a pena escrever...


A expressão da emoção do autor, no momento de agradecer.


Seguiu-se o continuar de dedicatórias e autógrafos  
(que tinham também acontecido no inicio). 
A assinatura, trémula, se fosse colocada sobre um cheque, o banco o devolveria.


Na plateia dos afectos assinalaram presença os netos (o Diogo, a Maria e a Marta) 
mas também as filhas (a Andreia, a Maria João e a Sandra). O autor ficou feliz.

28 janeiro, 2012

Intermezzo... entre trabalhos de mares e o que farei amanhã.


Tão belo quanto estes acordes, foi o trabalho dos mares (eram sete os mares e mais um, este, um mar arável). 
A sala? Estava cheia de sorrisos, uns surpreendentes, e de outros até ausentes. 
Falarei disso depois... Estou ouvindo estes acordes de uma nova amiga. Estou de ressaca, curtindo...

27 janeiro, 2012

Há pouco mais de um ano...

Era assim a imagem do outro blogue, onde ia publicando páginas do meu livro 
Fechei-o. Quando o queria abrir, não consegui. O que eu perdi...

Em Novembro de 2010 iniciei o livro que vai ser apresentado amanhã. O texto que hoje publico integrava o prefácio provisório. O nome ainda estava em dúvida e hoje é conhecido. O projecto, esse mantém-se em aberto e ainda não decidi o que vou de seguida fazer. Fica a promessa: vou continuar a escrever.
"(...)As viagens sobre as quais vou escrever, estão no mapa. São viagens impostas e não escolhidas de entre a oferta turística para destinos de veraneio ou de cultura. São viagens impostas por desígnios que outros consideraram sem me ouvir, replicando-se, assim, a viagem que conduziu à minha própria existência (“eu nem se quer fui ouvido no acto de que nasci”). Não farei reclamações por ter sido introduzido por esses caminhos pois, como parece ter ficado claro, encaro normal no meu passado que me tenham condicionado horizontes. Outra coisa é a forma de navegar. Aí sim, tenho responsabilidades. Sobre como o fiz, o que fiz e o que deixei de fazer. Significa então a minha aceitação por imposições externas na direcção que deve seguir um homem? Sou contrário ao princípio de que cada um deve poder escolher o seu caminho? Claro que não. Mas escrever sobre isso seria escrever sobre a utopia. Não sei se o farei ou se guardarei para outro dia…"