30 abril, 2014

29 abril, 2014

Que se encham as ruas, que as praças sejam cheias de gente. Que seja grande a maré enchente

Que seja assim, como naquele dia foi

CANÇÃO DO COOPERARIADO
Coopera o opErário 
Esse imenso operaDor 
Sem ele não temos ópera nem opeRações sem dor 
Opera todas as máquinas 
É muito cooperativo 
Opera computaDores 
Supõe-se um executivo 
Funda cooperativas 
Busca coopeRação 
Coopera em cantigas 
Paga as letras da canção 
Pertence ao operariado muitas vezes sem saber 
Porque tanta coopeRação não dá bem para entender
Pertence ao operariado muitas vezes sem querer 
Porque tanta coopeRação só dá para empobrecer 
Já foi herói proletário 
Termo meio bolCHEvique 
O tratamento moderno é telecomando-chip 
Diz-se profissional 
Técnico e funcionário 
Também recurso huMano 
Unidade de trabalho 
Mas afinal (ele) é um grande operacional 
Ele opera e coopera 
Sem ele ponto final 
Fica assente 
Meus Senhores
O que é um operário 
Sem gravata e com gravata 
Morre a viver do salário 
Peça da engrenagem
Produto da produção 
Faz o carro e faz a estrada 
Faz a mesa e faz a cama
Coopera até na morte fabricando o seu caixão

Uns chamam-lhe ParafUso Outros GloBalização

Poema de César Príncipe

27 abril, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 60 (27 de Abril sempre, apartheid nunca mais!)

(ler conversa anterior)
"Cuito Cuanavale foi a viragem para a luta de libertação do meu continente e de meu povo do flagelo do apartheid"
"...dia 27 de abril de 1994, os cidadãos não brancos votaram pela primeira vez com plenos direitos em eleições multirraciais que transformaram Mandela, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA), no primeiro presidente negro do país."

A esplanada era uma imensa algarviada. Os assuntos estavam pulverizados e falava-se de tudo. Sem lugar para se estirar, o rafeiro do senhor engenheiro corria, lá adiante, atrás do melro que gozava com a perseguição e esvoaçava logo que o cão estava prestes a alcançar-lhe a asa. O engenheiro ia falando, sem que eu lhe desse atenção até que lha dei ao ouvir uma frase próxima de uma outra, ouvida e repetida: "27 de Abril sempre, racismo nunca mais!" ia ele dizendo, como um murmúrio. Depois olhou-me com aquele ar de quem não interroga e avançou: - "Sabe que as datas quase se tocam, e o 27 não existiria se não houvesse 25?"- um leve sorriso meu deu-lhe a certeza de que sabia do que ele falava, e continuou - "Depois da descolonização, não acha estranho que a África do Sul tivesse de esperar 20 anos para se libertar?" - Aí, eu respondi: "Os povos libertam-se com processos que não se esgotam nas datas em que começam!" - Ele sorriu como eu tinha sorrido e eu fiquei com a certeza de ele ter entendido o que tinha eu tinha dito. Antes de se calar, lá foi dizendo: - "Pois é meu amigo, a luta continua!"
Na mesa ao lado, falava-se dos santificados e, numa outra, com admiração, na morte de Vasco Graça Moura... Lá adiante, o cão não desistia do melro nem o melro desistira do cão. Estranho entendimento para "gente" tão diferente...
__________________________________

Para além da data, este post foi inspirado pelas tentativas de João Salgueiro pretender reescrever a história. Ele "ignora", quando afirma que o sucesso da África do Sul se deveu ao facto de o Projecto Mandela ter sido preparado em mais de uma década, que o processo se deveu a outros factos, aqui descritos.  

26 abril, 2014

O 40º Aniversário do "dia inicial inteiro e limpo", o votar abaixo das nossas possíbilidades e os suspiros dos submissos - 6


...
Quando eu finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser
...
"Eu vim de longe", José Mário Branco