03 junho, 2014

Foi hoje, como uma andorinha...

Dizia um amigo, a propósito já não me ocorre de quê, que as andorinhas não pousam no chão. Se o fazem, quando fazem, não voam mais, morrem, pois as asas estão configuradas para voos longos, altos, rápidos, rasantes, mas não para se levantarem do chão.
Aconteceu como a uma andorinha. Deixou de voar... 

02 junho, 2014

Vô, aquilo ontem era de verdade?

Claro que era verdade. Todo o jogo na tua idade é um jogo da verdade. Todo o jogo faz-de-conta é um jogo verdadeiro. Os povos vivem em paz quando os inimigos, às claras, definem as regras e depois vivem dentro delas. Queres jogar outra vez?
Boa! Mas só depois do banho de Maizena*...

* Meu neto está com varicela e o banho enfarinhado é recomendado

01 junho, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 63 (Dia Mundial da Criança)

(ler conversa anterior)
“O homem degeneraria sem a criança que o ajuda a renovar-se”
Maria Montessori, que cito, no meu livro

Já tínhamos falado de tudo, do Marinho, do Costa, do Tribunal Constitucional, do tempo e do empate. Mas nenhum de nós tinha ainda olhado o relógio, nem o rafeiro do senhor engenheiro tinha deixado de brincar com o atrevido melro, sinais mais que evidentes que a conversa podia a qualquer momento ser retomada. Ia a ser, quando o som estridente do telemóvel veio anúnciar a chegada de uma mensagem. Fui ler, tinha escrito "Vou andando". Nem procurei recordar pois tinha presente aonde ia. Voltei-me para o velho engenheiro e disse com ar prazenteiro:
- "Vou brincar com o meu neto!"
- "Brincar? Brincar a quê?"
- "Não sei... talvez às guerras..."
- "Às guerras? Tem a certeza que é brincadeira que se tenha? Julgava-o pacifista!"
- "E sou, é por isso que nestas guerras é o meu neto que define as regras. Eu sigo-as, só quando discordo..."
- "Percebo, ele é quem comanda. Ele é o seu general!"
- "Não, eu sou o inimigo, mas ele estabelece as regras comigo."
O velho sorrio: "agora não lhe entendo a metáfora"
- "Não é metáfora, é mesmo o que se passa. No jogo, claro!"


...

Em Oeiras, no inicio de um comício


RECADO AOS MEUS FILHOS

Se vos disserem que não há outro caminho,
Não acreditem!
Se vos disserem, para que neles votem,
Que não vão aumentar os impostos,
Não acreditem!
Se vos disserem que os contratos são para cumprir,
Porque o Estado é pessoa de bem,
Acreditem que eles só estão a falar das famosas PPP
E não das reformas que contrataram com o vosso pai.
Por isso, não acreditem!
Se vos disserem que a Cultura é a base fundamental
Para a evolução de um Povo,
Não acreditem!
Os 0,1% do Orçamento dedicados à Cultura
São a única verdade desta enorme mentira!
Se vos disserem que vivemos acima das nossas possibilidades,
Não acreditem!
Acreditem apenas que alguns tem vivido impunemente,
Em cima das nossas dificuldades!
Se vos disserem que basta votar em promessas
Para dizerem que estamos em democracia,
Não acreditem!
Democrático era demiti-los logo que não as cumprissem,
Porque só a gente honesta merece dirigir uma democracia!
Se vos disserem que tem de ser assim,
Porque há uma troika que está acima da vossa vontade,
Não acreditem!
Este país ainda é nosso!
E, acreditem, ainda é possível a honra e a dignidade
Que, ao longo dos anos, vos tentei transmitir,
Para que a Liberdade e a verdadeira democracia
Sejam para vós tão reais como o ar que respiram.
Acreditem que é possível mudar!
Se acreditarmos que temos a força necessária
Para lutar por uma vida onde caiba o sonho,
O trabalho, a cultura, a beleza, a solidariedade
E a esperança de um futuro onde possamos, todos,
Sentir que a luta valeu a pena,
Acordemos de vez para ela porque é esta a hora da Verdade!
Um beijo do vosso pai,
Fernando Tavares Marques