POEMA INTRODUTÓRIO
O poema tem o travoDe um raminho de hortelãSobre o vermelho do cravoDos poetas de amanhãEle há portas, muitas portasPor detrás de cada muroE os poemas do futuroTombam como folhas mortas,Ou fervilham nas retortasDe um poeta ainda obscuroCujo percurso foi duro,Cujas mãos pendem absortasPorque se fecham comportasOnde deve abrir-se um furo...Há, porém, o travo frescoDe um pé de manjericãoA dominar o grotescoE a passar de mão em mãoAbram alas, abram alasQue o poema quer passar;Cansou-se de se curvarPr`a desviar-se das balasQue vão fuzilando as falasDos versos que quer cantar,Mas que não volta a calarPorque há-de ressuscitá-lasAssim que todas as salasSe abram pr`ó futuro entrar...Tem o gosto das amoras,Traz o sabor do que é novo,Troca as voltas às demorasE vem dar mais voz ao povo!
Maria João de Sousa
in "A CEIA DO POETA"


