04 novembro, 2016

Hoje é a vez do M (eme) a 13ª letra do alfabeto latino, poeta por destino



POEMA INTRODUTÓRIO
O poema tem o travo
De um raminho de hortelã
Sobre o vermelho do cravo
Dos poetas de amanhã

Ele há portas, muitas portas
Por detrás de cada muro
E os poemas do futuro
Tombam como folhas mortas,
Ou fervilham nas retortas
De um poeta ainda obscuro
Cujo percurso foi duro,
Cujas mãos pendem absortas
Porque se fecham comportas
Onde deve abrir-se um furo...

Há, porém, o travo fresco
De um pé de manjericão
A dominar o grotesco
E a passar de mão em mão

Abram alas, abram alas
Que o poema quer passar;
Cansou-se de se curvar
Pr`a desviar-se das balas
Que vão fuzilando as falas
Dos versos que quer cantar,
Mas que não volta a calar
Porque há-de ressuscitá-las
Assim que todas as salas
Se abram pr`ó futuro entrar...

Tem o gosto das amoras,
Traz o sabor do que é novo,
Troca as voltas às demoras
E vem dar mais voz ao povo!
Maria João de Sousa
in "A CEIA DO POETA"

03 novembro, 2016

Por pena minha... poucos ligaram ao Gonzaguinha

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Gonzaguinha
Foi ontem,
pois hoje eu repito
Não vá dar o não visto
por visto
O não ouvido
por ouvido
E o escutado
por esquecido

Pare, escute, olhe
CPLP?
E isso é o quê?
Vamos à luta?

02 novembro, 2016

CPLP... quando as canções e as imagens valem mais que um milhão de palavras...



Um dia, não há muito, me perguntava porque não fazia a CPLP
 parte de um "Plano B"?
E citava Akira Miwa... o tempo foi passando, passando.
E pergunto, a pergunta de há muito:  E porque não amanhã?








01 novembro, 2016

Depois do dia D, dia de outra letra... L (e que não esqueça)

  imagem: Serge Marshennikov


 
  «Nunca mais servirei senhor que possa morrer.»
Sophia

uma imagem [pre]sentida a percorrer as veias
um pescador de anzóis, um peixe em sobressalto
a pular do azulejo para a água.
a boca seca. um mar de escamas lançado no lavatório
o sabonete a destilar inquietas sugestões.
lá fora, longe, teus braços…
chegarão a tempo teus braços de me salvar?
chuva, dedos frios desenham corpos invisíveis
que desfilam no declive deste universo
de paredes espessas e altas e surdas.

desvias do deserto o pensar
o gato cata cacos nos brilhos quebrados
do jarro que era da avó. o gato escorraçado.
que faz o gato ainda nesse lugar onde o bolor engorda?
quanto a ti
gostava de te ver, confesso,
à hora de um outro relógio noutro céu denso de azul
que, em se pousando os olhos,
outros vértices, outras faces, outras orações.
gostava de te ver, se ver-te fosse saber-te eu.
inverso a este reflexo no espelho, contraditório
em simetrias sucessivas. um pescador de anzóis,
um peixe embrulhado em verdes algas
inundando de alucinações líquidas o rio
(dizem que a vida é um rio), como se fosse a vida
culpada da rigidez da pedra no meio da água,
a pedra que o rio não deixa de violentar. A pedra
que enfrenta a corrente e não, não cede.
fosses pedra e meus braços seriam em ti foz
e seríamos tu e eu sem fim, unos
imóveis, insensíveis…

e insensatos para todo o "nunca mais".