«Quanto melhor vá a Europa melhor irão Portugal e Espanha ... quanto melhor sigam Espanha e Portugal, melhor caminhará a Europa»
Filipe VI, hoje em São Bento
«...tentei demonstrar duas coisas; primeiro: a Península Ibérica tem pouco a
ver com a Europa no plano cultural. Dir-me-ão que a língua vem do
latim, que o Direito vem do Direito Romano, que as instituições são
europeias. Mas o certo é que, com este material comum, fez-se nesta
península uma cultura fortemente caracterizada e distinta. Segundo: há
na América um número muito grande de povos cujas línguas são a espanhola
e a portuguesa. Por outro lado, nascem em África novos países que são
as nossas antigas colónias. Então imagino, ou antes, vejo, uma enorme
área ibero-americana e ibero-africana, que terá certamente um papel a
desempenhar no futuro. Esta não é uma afirmação rácica, que a própria
diversidade das raças desmente. Não se trata de nenhum quinto nem sexto
nem sétimo império. Trata-se apenas de sonhar – acho que esta palavra
serve muito bem – com uma aproximação entre estes dois blocos, e com o
modo de o demonstrar. Ponho a Península Ibérica a vogar para o seu lugar
próprio, que seria no Atlântico, entre a América do Sul e a África
Central. Imagine, portanto que eu sonharia com uma bacia cultural
atlântica."
Entrevista concedida por Saramago a Inês Pedrosa, in Jornal de Letras 10-16/11/1986
«Independentemente do modo como a questão da Caixa foi tratada - e foi
reconhecidamente mal - em aspectos que, não sendo de pormenor, também
não têm uma importância exagerada, a verdade é que o Bloco rompeu a
solidariedade de apoio ao Governo, juntando-se à direita reacionária
para supostamente resolver, de acordo com as suas inabaláveis convicções
, um problema que já tinha data marcada para ser resolvido. É um acto que não pode deixar de ter consequências por afectar seriamente o princípio da confiança.»
«Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é
suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na
cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o
exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a
saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão
depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a
um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência. De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade,
duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão
depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se
tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida
torna-se assim completamente vazia.»
Hoje, chamaram-me a atenção para o facto de Fidel de Castro não ter uma única estátua onde apareça isolado. "Sabes?, ele apenas integra, em colectivo, um monumento à revolução e ao socialismo!"
Entendendo tal reparo como aviso para que não entre eu num culto de personalidade que ele enjeitaria, falo da sua obra e de como como resistiu Cuba enquanto outras cidades administradas pela potência sitiante vão definhando...
Deixemos de parte as cidades burras pois em matéria de Educação sabemos que o ranking não é relevante já que a burrice ianque é paradigmática e seria ofensivo comparar o quer que seja, neste domínio, à escolaridade do povo cubano. Deixemos então de parte isso e concentre-mo-nos nas cidades-gueto, aquelas por onde paira a tal liberdade de que tanto se fala.
Não, não estou a comparar capitalismo com socialismo. Só estou a apontar que Cuba foi resistindo e o Michigan não.