04 outubro, 2023

POESIA (UMA POR DIA) - 99

DONA ELITE DE OLIGARQUIA & SA
*

Das migalhas que ao povo atirava,

Dona Elite, pensando melhor,

Entendeu ser demais o que dava

E que ao povo sobrava vigor
* 

Porque, quando a migalha abundava,

Poderia sentir-se um senhor

E atrever-se a sonhar que mandava

Em si próprio, apesar de “inferior”
*

Dona Elite, prevendo o pior,

Sem cuidar do que ao povo faltava

Comeu tudo o que, a si, lhe sobrava:
*

Comeu pobre e criado e senhor

E, por fim, sem notar quanto inchava,

Engoliu tudo quanto restava
*

Até ver que mais nada, em redor,

Preenchia o vazio que gerava

E onde, impante e rotunda, orbitava
*

Muito alheia ao seu próprio fedor.
*
 

Maria João Brito de Sousa


03 outubro, 2023

DIÁLOGO COM UMA POBRE BARATA


Íamos para a reunião à hora exacta
Quero ir também pediu à socapa
Mas... o Presidente só ouve gente cara
Morreu de desgosto, pobre barata 

 Diálogo à porta do Município, ou seja, "em casa de ferreiro, o espeto é de pau" pelo que a praga lhe chega até casa...


02 outubro, 2023

MEU SANGUE MOURO, MEU CORAÇÃO LUSO E MINHA ALMA CELTA GOSTAM DESTA


Ouvi música na Seara de Versos e também lá li isto:

 "De A Cidade Depois, Pedro Paixão (2002:p.27) 

«Lembro-me de Schönberg ter dito, quando os nazis chegaram democraticamente ao poder: "Agora vamos ter de deixar de compor música. Há problemas mais importantes.»

***

Sem a Música, a Poesia, as artes em geral, não será o homem levado a acelerar o seu  processo (em curso) de desumanização e autodestruição? Pergunta retórica escusada. Pode lá viver-se neste mundo uma vida inteira de modo sóbrio, sem o alimento base, imprescindível à alma. Embriague-se. Pode ser de música, se quiser, ou de outra coisa qualquer. Baudelaire, há muito, apontou a receita."

Obrigado Lídia Borges