31 março, 2026
A OBRA DE SARAMAGO DEIXOU DE SER DE LEITURA OBRIGATÓRIA NA ESCOLA... ASSIM, EI-NOS EMPURRADOS PARA A CAVERNA!
28 março, 2026
"PROVA DE FOGO PARA A CÂMARA DE OEIRAS - O CASO FUNDIÇÃO"
| Imagem da sessão de apresentação do Projecto, a cargo dos serviços técnicos da Câmara |
As comunidades locais andam arrepiadas com a ameaça de uma nova urbanização, que trará consequências tremendas nas condições da vida, na mobilidade e com preocupantes impactos nos serviços públicos.
À megalómana dimensão de tal urbanização, dedicou o Arq.º José Manuel Fernandes a sua esclarecida atenção, escrevendo um artigo no "OBSERVADOR". Escreveu ele, ao que titulou ser "Prova de fogo para a Câmara de Oeiras - O caso Fundição". Leia aqui, caso possa.
Caso não, subscreva a petição!
27 março, 2026
PORQUE SOMOS A MEMÓRIA QUE TEMOS, HOJE VOU AO TEATRO
"Auschwitz é o símbolo de uma barbárie na Europa. É preciso que não se repita. O nazismo foi uma utopia racial, a ideia de construção de uma comunidade nacional que excluía determinados grupos étnicos, sobretudo judeus, porque não tinham o bom sangue, como eles diziam. Como pôde acontecer que um projeto de sociedade perfeita conduzisse a um genocídio que ceifou milhões de vidas? Esta visão do mundo baseada numa biologia aplicada faz uma leitura zoológica do humano e pretende a colonização dos outros povos através da guerra no que chamou uma comunidade de combate rumo a uma Europa conquistada, ocupada e explorada.Tudo começou por leis de cidadania que recusavam a vida quotidiana aos judeus e opositores, às minorias que foram excluídas e acabaram por ser exterminadas sob o conceito de vida indigna de ser vivida. Alguns resistiram como a jovem Sophie e eram presos e mortos apenas porque não queriam pactuar. Outros, os judeus e resistentes, foram para campos de concentração, para guetos onde a sua humanidade foi eliminada, transformados em sub-homens, sujeitos a experiências médicas em nome de uma raça superior que nunca existiu.O genocídio dos deficientes, dos judeus foi uma violência extrema para se construir um Reino e um espaço vital, sobretudo na Polónia onde deveria prosperar a raça digna. Essa sociedade baseada num conceito biológico nunca surgiu. Ficou apenas a memória daqueles que pereceram em nome de uma ideia de povo de uma Alemanha que acabou em ruínas.Essas histórias têm de ser recuperadas para que as democracias saibam lidar com o flagelo da violência e da discriminação."
25 março, 2026
OS POETAS JÁ TÊM A PRIMAVERA, LÁ FORA, SENTADA À SUA PORTA...
O Luís Rodrigues tem a sorte de ter jardim. Porque se acha no outono da vida, partilhou com seus amigos (entre os quais me conto) um artístico postal, que aqui exibo em gesto de público agradecimento.
Porque só agora o faço? Ora nem queiram saber o que tive de superar para o fazer...
24 março, 2026
ENTRE O SONO E O DESPERTAR... HÁ COISAS ASSIM...
Jesus! Jesus! Jesus! o que aí vai de aflição!Ó meu Amor! é para ver tantos abrolhos,Ó flor sem eles! que tu tens tão lindos olhos!Ah! foi para isto que te deu leite a tua ama,Foi para ver, coitada! essa bola de lamaQue pelo espaço vai, leve como a andorinha,A Terra!Ó meu Amor! antes fosses ceguinha...in Vida
António Nobre, 1891
21 março, 2026
HOJE, ASSUMO, MINHA ALMA É ÁRVORE QUE DÁ FRUTO...
A pereira no quintal escolheu o dia, hoje,para se encher de flor.Ou terão sido os meus olhos, hoje,mais atentos aos passos da Poesia?Ela não sabe, mas encheu-me de alegria,uma alegria miudinha e boaque veio falar-me de paz.Sonhar a paz no aconchegodas coisas da terra, quantas vezes?Deslocámos um grão de areia do deserto,um caulezinho na montanhapara mover a montanha,para mudar o deserto.Eis a Poesia,essa fé capaz de fertilizar desertos,de mover montanhasou simplesmentede tornar mais fácil a convivênciacom o que nos atormenta.Lídia Borges
19 março, 2026
REDACÇÕES DO ROGERITO - 53 (Dia do Pai)
Hoje é dia do pai e a stora pediu que eu fizesse uma escrita em que reflicta porque é que eu acho que esta data é tão bonita e ela sugeriu que escrevesse sobre o significado do dia e é disso que eu vou escrever prometendo não divagar sobre o que pensaria e os palavrões que diria o senhor Anacleto lá da loja da esquina se o dia do pai não der para facturar aquelas bujigangas todas e mais os cartõezinhos cheios de desenhinhos de pais e de meninos mas também de pais com meninas pois ele sabe escolher a mercadoria em conformidade com a sua freguesia e se assim não fosse o senhor Anacleto seria apontado por não respeitar a igualdade de género.Eu gosto muito do dia do pai pois se não houvesse dia do pai também não podia haver dia da mãe nem do avô nem da avó o que era muito mau para todas as crianças que assim teriam de ser todas institucionalizadas.Mas o que eu gostava muito é que juntassem o dia da mãe com o dia do pai porque assim podia acontecer que ao festejarem pudesse haver mais meninos a nascer coisa que não vai acontecer se continuarem a separar os pais das mães e é por isso que há muitos divorciados.
16 março, 2026
E, SOBRE A FAMIGERADA ENTREVISTA, VOLTO À CARGA
14 março, 2026
E... CÁ ESTÁ A TAL ENTREVISTA, DIREITINHA (ao vivo e a cores)
12 março, 2026
ONTEM, NA MINHA ENTREVISTA EM DIRECTO, O QUE PODIA CORRER MAL... CORREU PIOR
Ontem aconteceu mais um dia histórico. O segundo consecutivo, pois na terça-feira a representação da minha peça de teatro, apresentada a mais de 90 crianças das escolas cá do meu sítio, encheu-me o ego...
Mas este dia histórico, foi-o pelas piores razões:
- A primeira, o meu atraso na chegada à sala. Quem tiver a paciência (veja a publicação acima) de aguentar no escuro a minha espera, verá o que aconteceu, ao vivo;
- A segunda, dá para perceber os engasgues sucessivos expressos por um rosto, meio-nervoso e de como, de facto, sou melhor na escrita do que a falar sobre ela;
- Por último, escolhi ler (mal) um poema que não seria o mais indicado para ser lido ali. O poema que devia ter escolhido devia ser o que deu nome ao livro. Este:
Quem não esquece o passado e não desiste,
Com orgulho mal disfarçado, persiste
Em procurar a utopia que num sonho conheceu?
Eu!
Quem vê uma lágrima, não importa por que dor
Junta outra sua, se necessário for,
pois de ser solidário nunca se esqueceu?
Eu!
Quem em mil metamorfoses e em festa
Aceitou ser árvore escondendo em si a floresta
Para que todos os pássaros pousassem num ramo seu?
Eu!
Quem comigo fez tal caminho
Aceitando valores, defeitos e carinho
Partilhando ausências, frustrações e alegrias, por tabela?
Ela!
Falar de mim é falar de nós...
Em breve anunciarei o lançamento do meu livro.
10 março, 2026
HOJE, QUASE UMA CENTENA DE CRIANÇAS APLAUDINDO, FEZ-ME SAÍR DE LÁ COM O EGO CHEIO
Foi esta manhã, num teatro perto de mim (Teatro NOVA MORADA), a primeira de três sessões programadas para as escolas. No salão auditório, cerca de 100 crianças seguiram atentas e, de quando em quando, soltando exclamações ou curtas gargalhadas. No fim, muitas, muitas palmas. Ainda com os aplausos a decorrer, fui chamado ao palco.
Fiz breve conversa com o "Sr. Futuro", com a sala ouvindo atentamente.
Fiz breve conversa com as crianças, do palco para a plateia.
Esta conversa começou com a minha pergunta: "Gostaram?" e a resposta, em coro, foi um prolongado "Siiiiim!". Seguiu-se uma segunda pergunta: "E já perguntaram aos vossos professores quais os efeitos de um prolongado uso do telemóvel?" e a resposta, mais uma vez em coro, foi um prolongado "Nãããão!
Seguiu-se as mais que óbvias recomendações, pois "Quando a cabeça não tem juízo, o futuro é que paga!"
09 março, 2026
HOJE, NA ASSEMBLEIA, CRAVOS VERMELHOS? NEM VÊ-LOS
"No discurso de tomada de posse, entre outros aspectos, o novo Presidente passou em revista a situação internacional e nacional e o papel de Portugal nas diversas instituições internacionais que integra. Depois de saudar os capitães de Abril, António José Seguro chamou a atenção para o quadro político internacional, para a força da lei que foi «substituída pela lei dos mais fortes» e para uma paz que «é hoje mais frágil do que ontem».
No que respeita a Portugal, o novo Presidente da República falou de uma «economia baseada em baixos salários», da pobreza constante, das «dificuldades no acesso à saúde e à habitação» e da desconfiança dos portugueses nas instituições e na política.
Dirigindo-se aos partidos políticos com representação parlamentar, abordou a necessidade de um compromisso político claro, de diálogo, de entendimentos e de «estabilidade democrática», reafirmando o seu «entendimento de que a rejeição da proposta de Orçamento do Estado não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República».
António José Seguro prometeu envolver-se na concretização de um compromisso interpartidário que garanta o acesso dos portugueses à saúde, alertando também para a «discriminação salarial das mulheres portuguesas».
O novo Presidente da República, o sexto após o 25 de Abril, foi eleito para o cargo a 8 de Fevereiro. António José Seguro, que saiu das últimas filas da grelha de partida das eleições presidenciais, perante a hesitação inicial do PS e a oposição de algumas personalidades socialistas, acabou por vencer a primeira volta e derrotar André Ventura na segunda, obtendo 67% dos votos.
08 março, 2026
EU, RECONHECENDO O ERRO, RETRATEI-ME (CURIOSAMENTE, LOBO ANTUNES NUNCA O TERÁ FEITO)
"... Carlos Vaz Marques foi depois entrevistar José Saramago, para o número do mês seguinte da revista Ler, e procurou esclarecer o episódio relatado por Lobo Antunes. Começou então por perguntar ao prémio Nobel de 1998 se, ao contrário de Lobo Antunes que dizia não ler obras de Saramago, ele lia os romances do outro escritor.
Saramago disse que “ao princípio, sim”, até que os lia e, depois de um pausa, afirmou: “Pois, para quem nunca leu um romance meu, ele desdobrou-se em opiniões a meu respeito, como escritor. Tem todo o direito a não ter lido e a continuar a não ler, até ao fim da vida, uma só linha minha. Mas, em princípio, isso retira-lhe o direito de julgar”.
Saramago não se ficou por aqui na apreciação e rematou: “E há uma outra coisa, em toda esta história lamentável: eu nunca me comportei, em relação ao Lobo Antunes, como ele em relação a mim”.
Conclusão: eu, retratei-me; Lobo Antunes, ao que parece, não!
05 março, 2026
IN MEMORIAM: ANTÓNIO LOBO ANTUNES ( 1942 - 2026)
Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos, citando-o:
"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. (...)"
Extrato de "OS POBREZINHOS "
«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»
In "OBSERVADOR - Set. 2015"









