11 outubro, 2026

DESERTIFICANDO O QUE AINDA RESTA...

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado:
Tens saudade dos passos?,
Onde pára o espanta pardais,
esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras?
e os cantos? e o pão?

Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor
que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo
devia povoar esses campos?

Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes,
folhas, ramos, frutos
Árvore que juras te ter no passado
dado meiga e fresca sombra?

Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto,
a roupa, o corpo
e que as escuras nuvens
teimam levar
para outro lugar?

Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera
e nada dependesse de nós?

Rogério Pereira

09 outubro, 2026

"ACORDAI" OU "DESPERTAI..." O SENTIDO É O MESMO

Da forma em como anda o mundo ocorreu-me que estas duas versões, embora radicalmente distintas, 
têm exactamente o mesmo sentido.. 

 

Olhei a pedra
Fria, Estúpida, Parada

Calada

De tanto a olhar, julguei-a bela

Transformei-me nela

Frio, Estúpido, Parado

Calado

Sem destino sequer

de pedrada no charco

Sujeito à degradação do relento

e à erosão do vento

em breve serei pó

Não olhes para mim, assim
Mexe-te, ao menos
 

A pouco e pouco se mexeram
e num repente

o Mundo assistiu

ao despertar das pedras

Rogério Pereira

06 outubro, 2026

ESTÃO TODOS, TODOS, TODOS CONVIDADOS

 A "minha" Associação (a tal que Desenha Sonhos) vai celebrar o seu 11º Aniversário. Daí este convite. É já no próximo dia 24. Venha lá e traga a sua (minha) comunidade ou um seu vizinho consigo. Não sabe onde fica o Salão Paroquial de Nova Oeiras? O mapa ajuda!

BORA LÁ!






04 outubro, 2026

O DIA MUNDIAL DA SUSTENTABILIDADE PASSA AO LADO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - I


Sim, no passado dia 25 de Setembro, como a imagem mostra, foi celebrado o "Dia Mundial da Sustentabilidade". Para já é uma data que deveria ser mais falada. Para além das celebrações registadas, os temas deveriam estar em permanência na nossa agenda. Na nossa e na de todas as instituições, a começar pelas escolas. Não por acaso, dei pela realização de uma iniciativa em que o semanário Expresso era o promotor. Dela se dava a emissão em direto na sua página no Facebook, de duas sessões uma de manhã, outra de tarde. De facto, não foi por acaso. É que essa data chegou a estar nos objetivos relacionados com a minha escrita. Era a 25 de Setembro que eu fixara a meta para o lançamento do meu livro, um conto ilustrado, que tem por tema as alterações climáticas. Tal expectativa veio a ser traída, mas não trago agora a cena angústias paralelas com estas, que resolvi hoje trazer. Cada coisa em seu lugar... Neste primeiro texto vou-me centrar no problema da água (ver aqui colocando o cursor no tempo 1h10min). Em data próxima pegarei no tema da "Construção".

O problema da água 

Coube ao Vice-presidente do Município de Oeiras, na qualidade de Presidente do SIMAS (Oeiras e Amadora), o desenvolvimento do tema e já, publicamente, o saudei pelos alertas deixados, nomeadamente:
  •  O desmesurado desperdício de água nos sistemas de abastecimento público, onde a média ronda os 27% mas há situações em as perdas de água atingem os 35%. Aqui, salientado que em Oeiras este desperdício se situa em 18%;
  •  O recurso à captação de água nos lençois freáticos através de furos, usando água que é de todos e não investem em recolhas e tratamento de água das bacias hidrográficas.
Na sua intervenção, Francisco Rocha Gonçalves, desenvolveu outros pontos igualmente pertinentes que poderiam até fazer daquela região, Oeiras e Amadora, que serve 340 mil habitantes, um case-study de boa gestão. Contudo, atendendo ao tema, muito ficou de fora... e do muito que ficou de fora não posso deixar de assinalar os impactos resultantes dos efeitos do uso da Inteligência Artificial. 

As ameaças da Inteligência Artificial

Com efeito e de acordo com relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), o crescimento acelerado desta tecnologia traz impactos profundos aos recursos naturais. O funcionamento contínuo dos servidores gera muito calor. Para resfriar as máquinas, os centros de dados utilizam bilhões de litros de água doce, o que pode criar escassez e competir com o abastecimento humano local. Mas é a CNU – Central de Notícias UNINTER que ilustra bem as consequências do aumento da utilização da IA em dispositivos que são muito poderosos e eficientes. Esses dispositivos, como smartphones e laptops, estão consumindo cada vez mais energia, principalmente com o uso mais assíduo.

A questão é que a IA está sendo usada frequentemente para automatizar tarefas, normalmente repetitivas, que antes eram realizadas por humanos. O que se deve destacar é que isso até pode levar a uma redução do uso de energia pontualmente, entretanto, pode levar a um aumento do uso de energia em outros lugares. Os impactos negativos da IA na poluição ambiental levam a uma série de riscos como a redução da qualidade do ar e da água com o aumento das emissões de gases de efeito estufa e a poluição do ar.

Além disso, o aumento da emissão de gases de efeito estufa pode vir a acelerar as mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos como tempestades, inundações e secas, que têm se demonstrado com mais constância nos últimos tempos.

Se estas notas vão muito para além das questões da água? Sim vão! Mas a sustentabilidade, ciência da esperança, só se conseguirá pela procura de equilíbrios entre a diversidade de fatores que a colocam em risco.

02 outubro, 2026

SE "TODA" A GENTE FALA DO RONALDO... COMO POSSO EU FICAR CALADO?


Digam o que disserem, o Cris fez o que fez porque:

- Tinha um avião só seu e, assim, podia por-se a cavar sem ninguém o incomodar;

- Tem uma fortuna estimada entre 1,2 mil milhões e 1,3 mil milhões de euros (cerca de 1,4 mil milhões de dólares) e além disso tem estatuto de grande accionista, no mundo do capital;

- Tinha a percepção de já não acrescentar valor à selecção (e o desempenho da seleção, ao dar banhada à Dinamarca, prova que já não precisa dele para nada)

Quanto à mossa no prestigio de Nacional, apenas recorro a uma estafada minha máxima: 

"O FUTEBOL É, TÃO SÓ E APENAS, A COISA MAIS IMPORTANTE DE ENTRE AQUELAS QUE NÃO TÊM IMPORTÂNCIA NENHUMA"

Tenho dito!

 

01 outubro, 2026

DIA DO IDOSO, VIVIDO COM O MESMO IRÓNICO GOZO DE QUANDO EU ERA PUTO

Vocês não sabem, nem sonham,
que o euro comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula
estrebucha
e avança
como bola, descolorida,
nas mãos da alta finança

Rogerito,
Em estado octogenário 

26 setembro, 2026

E AS ABELHESPAS (VESPAS MASCARADAS DE ABELHAS) CONTINUAM POR AÍ (reeditado)


Parte I (15.Jan.2013)

- Que está a pensar com esse olhar tão fixo?
- Espero que a abelha saia dali e me liberte o material para eu poder pensar no que está a acontecer...
- Não percebo!, diga-me isso de outra maneira para que eu possa perceber!
- Estou à espera de poder usar o arame e reconstruir este momento que estamos vivendo...
- Com o arame constrói o pensamento para poder ter a visão do momento?... Olhe, a abelha já voou... Não se importa de eu ficar a ver como constrói a realidade trabalhando o arame?
- Fique. Veja só: pega-se assim, firmemente. Depois vai-se fazendo um pequeno arco, lentamente... mas com força. Repete-se o procedimento e surge aqui à frente outro arco quase igual. Repete-se, e assim sucessivamente, vamos desenvolvendo ciclos e ciclos com o arame...
- Faz muita força de dedos nessa manipulação?
- Neste ponto, já não... e é isso mesmo o que queria perceber... ao principio, para fazer cada ciclo, foi preciso, agora o próprio arame vai-se pondo a jeito... parece estar viciado e isso favorece a forma que lhe vou dando...
- Percebo! A partir de um dado momento os ciclos desenvolvem-se com o vício da forma inicial que foi dando...
- Isso mesmo! O arame, depois de bem manipulado, quase que automaticamente assume a forma pretendida... é uma espiral... parece uma mola, só que não impulsiona nada. Fica como a vê aqui, parada.
- Olhe, está-se a acabar o arame!...
- Vou passar a fazer círculos de diâmetro mais reduzido. Acho que chegámos ao ponto em que estamos agora...
- Mas... está a voltar atrás?
- Passámos os ciclos viciosos e, à falta de arame... digamos que temos que voltar atrás e reduzir os ciclos que tinham sido maiores. Passo a fazer ciclos recessivos... e, à frente, a fazer ciclos mais reduzidos...
- ...que vão parar?
- Quando não houver mais arame!
- O fim está à vista... foi excelente este exercício! Mas como é que saímos disto?
- Neste momento vamos a tempo... É sair destes ciclos e endireitar o arame... mas com o vício...
- Com o vício?... 
- Só à martelada!
- Acho que é uma boa solução. Procuremos o martelo, então.
(saíram os dois, procurando o martelo)

Parte II (17.Jan.2013)
- Olhe ela voltou!, mas pousou neste outro lado... vai esperar que ela vá embora e voltar a trabalhar no arame?
- Trabalhar no arame naquele momento foi uma decisão errada. Uma metáfora para resultar tem que ser bem trabalhada e usar-se nela o material adequado...
- Escolher o arame foi uma opção errada?
- Não!, errado foi ter metido lá o martelo... em vez de se ter entendido que ele era usado para desfazer os círculos viciosos, todos leram que o que era preciso era desatar à martelada...
-  Os sinais dos tempos sobrepõem-se às intenções edificantes... então e agora?... noto que está a olhar para o belo insecto com o mesmo olhar fixo...
- Estou a tentar discernir se o insecto é abelha ou vespa... Há uma grande confusão à vista desarmada... o que mais se parece com uma vespa é uma abelha, o que mais se parece com uma abelha é uma vespa...
- Tem razão, eu próprio as confundo. Dizem das abelhas que são trabalhadoras e calmas e que as vespas são carnívoras e bravas...
- As abelhas têm uma organização social invejável mas vulnerável... as vespas atacam as abelhas, invadem-lhes os favos e devoram-lhes as larvas. As vespas maiores, mais vorazes, até as comem... 
- Não sabia... agora reconheço a importância de ficar aqui a olhar... mas... como vamos perceber a diferença?
- Primeiro olhamos para reter a imagem, a forma das patas, o abdómen, o tórax... Depois aproximamo-nos. Se nos atacarem, são vespas..
- Aproximemo-nos então!... Olhe, voou e pousou naquela flor...
- Era abelha!
- Era abelha! Podemos recapitular o observado ainda agora?
- Não consigo, tenho um problema de memória...
- E eu de observação... estamos então condenados à confusão... a só perceber quando nos vierem morder...
- Nem mais! O nosso drama é continuarmos sem memória!
- E de observação! Há um vespeiro reunido e muitos ainda julgam tratar-se de uma colmeia!!!

 Parte III (18.Jan.2013)

Os Zzzz´s próprios dos vespeiros eram inteiros e os olhares dos vespas se perdiam pela ornamentação dourada da bela sala, olhando as abóbadas do tecto, como que a inquirir a resposta: "e como fazer, sem que as abelhas acordem e se revoltem?"  Do lado direito, da fila primeira, logo da primeira cadeira, se levantou um vespa. Levava na mão uma pen que inseriu para mostrar um vídeo para ilustrar a palestra. Elevando a voz para que fosse ouvido de modo entendido, disse antes das imagens passarem: 
"Evitemos esta imagem voraz. Evitemos mostrar o que não deve ser mostrado, como hoje soubemos não deixar escutar o que foi dito. Alimente-mo-nos das abelhas de forma menos evasiva, mais...persuasiva. Não esqueçam que temos a vantagem de sermos confundidos e tomados por salvadores e amigos... de estar a cumprir um desígnio...  de este sacrifício ser um imperativo e desse imperativo ter um único sentido: o do extermínio!"

 (findo o vídeo, o orador foi muito aplaudido e depois disso os vespas foram saindo)

Parte IV (inédito)

O favo era amplo, largo. No centro uma mesa igual a tantas existentes no ninho-colmeia, que também pode ser considerado vespeiro. Pousados frente a frente dois abelhespas sorriam-se reciprocamente perante o ar neutro de um outro indistinto insecto. Pareciam ambos pacíficos até deixarem de o ser e a cada um o sorriso desaparecer. Sobre os golpes desferidos não importa a descrição sendo certo e sabido que um vai ser comido. 
Começou a voragem dos abelhespas por eles próprios. 
Cá fora, ouvem-se comentários das abelhas: "Que se devorem uns aos outros. Será a salvação da colmeia."

22 setembro, 2026

UM DIA... SENTI-ME PALMA... HOJE VOLTO A RECORDAR ESSE DIA (pois, assim, assinalo a memória de outra partida )


Pelos ternos afectos
De filhas, genros
Compadres e netos
Sinto-me Palma

Pelos sorrisos
E doces mimos
Ofertas de vizinhos
Sinto-me Palma

Porque onde me abasteço
Da padaria ao supermercado
Me ofertam sorriso rasgado
Sinto-me Palma

Porque no meu partido
Em cada camarada
Tenho um solidário amigo
Sinto-me Palma

Porque em frente da minha janela
Se ergue uma árvore
Respeitada por toda a comunidade
Sinto-me Palma

É verdade, sim
Hoje me senti assim
Depois de me sentir
Frágil

Encosta-te a mim!
Faz-me sentir como o Jorge!
Rogério Pereira 
- Dezembro de 2020

20 setembro, 2026

A MINHA NETA NUNCA NEGA UMA COISA QUE EU LHE PEÇA!


A Maria fez 16 anitos na semana já passada
e hoje reuniu-se a família para celebrar a data
Família assim... já é coisa rara

PS: falhei o vídeo onde o bolo estava
e a nossa malta cantava

 

15 setembro, 2026

A "MINHA" ASSOCIAÇÃO COMPLETOU ONTEM 11 ANITOS (MAS A FESTA IRÁ SER SÓ EM OUTUBRO)

Hoje mesmo conseguimos a confirmação da participação de todos os artistas que animarão a festa de celebração do aniversário da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Oeiras. Quem são e que farão em palco? Lá chegará a altura de o anunciar. Para já fica esta simples referência: todos têm origem nos movimentos populares locais e exprimirão essa cultura.

O grande desafio será esgotar este enorme espaço, cedido pela Paróquia de Nova Oeiras...




 

14 setembro, 2026

FOI HÁ SEIS ANOS QUE PARTIU... MAS MINHA ALMA NÃO A SENTE AUSENTE


 
 Fui lá e percorri todos os espaços que são memória de um "nós" que nem a morte separa. Findo o percurso, fixei longamente aquele mar enquanto as ondas sussurravam mensagens sem fim. O vento parou para que ouvisse também as pedras e as nuvens se afastaram para que o sol me beijasse. Fiquei por ali tempos sem fim...

Já regressei e à chegada a emoção abraçou minha alma resignada e ambas contiveram uma lágrima. Só eu não contive a minha... 

Não, não é dor! É saudade!


10 setembro, 2026

DUAS TESES: A DE UM CIENTISTA DIVULGADA HOJE, EM QUE ADMITE QUE A HUMANIDADE SERÁ EXTERMINADA; A MINHA, QUE ALERTA PARA O FIM DO MUNDO (E TUDO DEVIDO À IA)

"Um dos principais pesquisadores de segurança da Anthropic alertou que a inteligência artificial está avançando tão rapidamente que, na avaliação dele, há mais de 10% de chance de que a tecnologia "possa matar todos os humanos" na próxima década.

Em uma publicação no X, Evan Hubinger afirmou que o risco representado pelos modelos que existem atualmente é "baixo", mas disse estar "preocupado" com a possibilidade de a tecnologia se desenvolver e melhorar a si mesma em breve a ponto de representar um risco existencial para a humanidade.

Formado em Matemática e Ciência da Computação pelo Harvey Mudd College, Hubinger passou pelo MIRI (Machine Intelligence Research Institute) e pela OpenAI, trabalhando em pesquisa de segurança de IA.

Ele não explicou como acredita que sistemas de inteligência artificial poderiam, no futuro, levar à extinção da humanidade.

Mas os comentários são o mais recente de uma série de alertas cada vez mais contundentes sobre a IA, em um debate que vem mudando de foco: de se a tecnologia realmente representa um risco para qual seria a dimensão desse risco."

  • Tom Gerken / In BBC News (Brasil)
  • Role, 
    Repórter de tecnologia

 O meu alerta é diferente, como reza no meu conto (O Avião de Papel) que em breve será publicado...



07 setembro, 2026

E NÃO É QUE O JOSÉ BARATA MOURA PATROCINOU A VENDA DE UM LIVRO MEU...


 

Na tarde de sábado, na Festa do Livro, fizemos uma viagem «do fungagá ao materialismo dialéctico» e eu, claro, fui um atento passageiro.

Na conversa, moderada por Anabela Fino, falou-se de memória, do presente e, sobretudo, do futuro. Com o humor que lhe está na alma, Barata Moura usa o termo «feituro» explicitando que, afinal, somos nós que o fazemos.

A dada altura ele, com a empatia própria de um génio, refere que a memória mais importante que podemos ter na vida é sobre aquilo que não chegou a ser feito... 


Enquanto decorria a sessão, ao meu lado, um jovem casal inquiriu-me se sabia se ele iria ali lançar um livro. Com o meu sentido oportunista, respondi não saber mas que, se gostam muito de ler, podem levar dali (e apontei a tenda de venda) um livro meu. Ficaram curiosos. Perguntaram-me o nome da obra e o meu e logo de seguida dalí saíram deixando alguns haveres a guardar lugar. 


Passados uns largos minutos, regressaram. Ele com um livro do Barata Moura. Ela com o meu "O Melhor de Mim Somos Nós" e pediram-me que o autografasse. Nenhum de nós tinha caneta, mas ela de pronto me foi estendida por um camarada que não via há muito. E lá escrevi uma dedicatória à Beatriz...


E tudo terminou com abraços e beijos ao som da enorme ovação que dava por encerrada a sessão.


Mentalmente agradeci ao Barata Moura tão inesperado patrocínio e, também, levando na Minha Alma tudo o que, ali, ouvira dele.


03 setembro, 2026

A PITY DEDICOU-ME UM POEMA. DEPOIS DE O LER, MINHA ALMA LEVANTOU VOO


 «Vou-me juntar ao bando.

Preciso dizer-lhes que há pelo menos um homem

que, como nós, sabe voar.»

Autor : Rogério G.V. Pereira

 

Talvez tenha sido uma gaivota

que um dia me disse isto ao ouvido,

quando o mar ainda guardava

o último azul da tarde.

 

Encontrei um homem.

Não tinha asas.

Mas quando abriu as mãos,

o mundo pareceu caber nelas.

 

Não o vi subir.

Vi-o permanecer de pé

quando o vento

mandava que baixasse a cabeça.

 

Vi-o caminhar

sem medo da distância,

sem mapa, sem perguntar

onde começava o céu.

 

Há perguntas

que nos prendem à terra

antes de encontrarmos

a resposta certa.

 

Foi então que compreendi:

voar não é fugir.

É permanecer

quando o vento nos empurra.

 

É confiar no caminho

mesmo quando o horizonte

ainda não se deixa alcançar.

É abrir as mãos

sem saber o que nelas pousará.

 

E guardar dentro de nós

aquilo que amamos

sem deixar de abrir espaço

para o mundo.

 

Por isso, se um dia

me virem caminhando junto ao mar,

não pensem que estou perdido.

 

Talvez esteja apenas à espera

de que alguma gaivota reconheça,

nas minhas mãos vazias,

o desenho de duas asas.

 

Talvez então eu compreenda

que o céu nunca esteve

tão longe como pensei.

 

E, quando o vento chamar,

sem medo de não saber para onde,

hei de me juntar ao bando.

 

©Piedade Araújo Sol 2026-08-27

01 setembro, 2026

E A TERTÚLIA FICOU "TRETÚLIA" (POIS FOMOS SÓ TRÊS...)


 Ontem, sobre aquele jantar, diria que durante três horas, falámos de tudo, um pouco. Aquilo que poderia ser uma tertúlia virou “tretúlia” (pois éramos só três)… Ao que o Celso chamou nostalgias, eu chamaria “memórias”... E vieram à tona, muitas, muitas, muitas (o que acrescentou valor ao material reunido para o tal livro que está a ser escrito)… E a propósito de livro ofereci-lhes este que empunham e foi tema...sobre outros temas, nada ficou de fora, só não se falou de “bola”

Há quatro anos atrás, estávamos muitos mais... mas a toada foi a mesma!

31 agosto, 2026

SE AINDA VEJO TELEVISÃO? POUCO! MAS HÁ PROGRAMAS QUE NÃO PERCO...


Por exemplo, não perco o The Voice Gerações. E não perco por várias razões muito para além do que lá se canta, e o que lá se canta já mais que suficiente para me prender... Mas prendem-me também: os aspectos relacionais (entre grupos concorrentes e no seio destes); o ser uma demonstração do resultado do trabalho associativo; o ser uma oportunidade de recordar apontamentos da cultura e folclore nacional; o ser um espraiar de estilos, do popular ao clássico...

E, ao referir o estilo clássico... meu Deus este desempenho da Bohemian Rhapsody é um espanto!


30 agosto, 2026

A CAMINHO DA FESTA, COM A MEMÓRIA COLOCADA EM QUEM CANTAVA O "FUNGAGÁ DA BICHARADA"


Podia eu lá perder este... à conversa com José Barata Moura, filósofo, professor, músico, autor de canções que atravessaram gerações?

Podia lá eu dispensar falar-se sobre uma vida entre a filosofia e a música, o estudo e a criação, o pensamento e a transformação do mundo?

📍 Festa do Avante – Festa do Livro | 5 set. (sáb.) 15h30

Lembram-se desta?
 

28 agosto, 2026

A AVÓ "BOOMERANG" - II


Em 2024 já tinha acontecido mas, desta feita, a "coisa" foi diferente...  Contudo, podemos tirar a mesma conclusão... Foi assim:

Ligou-me logo de manhã, ainda no hospital, a informar
"Ontem à noite vim de urgência para aqui, passei cá a noite e, daqui a nada, vou para casa!"
Ao meu "Oh!" de espanto respondeu que lhe foi recusado o internamento e que o médico se fartou de recomendar blá, blá, blá terminando dizendo-lhe "Depois de fazer isso tudo, volte cá!"

A partir daqui a conversa tomou um rumo que, a bem do SNS, deve ser tornado público: É que a uma idosa, que vive só, num estado de grande instabilidade e num quadro clínico de enorme complexidade, devia ter outro acompanhamento por parte do SNS...







26 agosto, 2026

"DESASTRE NA FERROVIA - 35 ANOS DE LIBERALIZAÇÃO" (uma obra a não perder)

 


Estive no lançamento e, claro, comprei o livro. Se quer saber um pouco mais aconselho a que oiça/leia (aqui) a TSF... 

E, já agora, leia esta passagem de uma das intervenções:

"... nada disto é uma obsessão contra os grupos económicos, isto é a realidade já vivida e experimentada por milhares de utentes, desde logo na Linha de Cascais.

Uma linha que já foi privada e que quando foi nacionalizada estava completamente degradada e falida.

A linha foi modernizada e requalificada já depois da Revolução de Abril.

Mas os comboios foram envelhecendo e o Estado nunca deu autorização à CP para comprar material novo.

Ou melhor, deu antes das eleições de 2009 e retirou logo a seguir às eleições.

Sem comboios novos, sem as obras de alteração da tensão, a linha só podia definhar.

Mesmo com os operários das oficinas de Oeiras a fazerem milagres, aquele material não dava para mais (há literalmente partes de comboio com mais de 100 anos a circular em Cascais).

Mas agora que a CP vai finalmente ter comboios novos para colocar em Cascais, agora que a linha foi modernizada a partir de recursos públicos, o Governo quer voltar a privatizar a linha para que sejam os capitalistas a tirar o lucro do investimento público.

Os utentes de Cascais e Oeiras precisam é de comboios, precisam que o investimento público seja direccionado para o serviço e benefício público e não para que grupos económicos privados ganhem dinheiro com os comboios de todos.

Foi aliás o que aconteceu de forma trágica no Reino Unido, cujo processo de liberalização e privatização da ferrovia está bem demonstrado neste livro, num anexo bem desenvolvido.

Um desastre autêntico, que desorganizou completamente aquele que já foi apontado como o serviço ferroviário modelo e criou um buraco gigantesco nas contas públicas britânicas superior a vinte mil milhões de euros por ano.

Um processo que lá, como cá, foi desenvolvido pelos governos trabalhistas e conservadores, os mesmos que se viram forçados à renacionalização da ferrovia.

Sabendo hoje o que sabemos, precisamos mesmo de travar mais este ataque."

Extrato da intervenção de Vasco Cardoso, ontem na Estação da CP, no Rossio

24 agosto, 2026

EU NÃO SOU AQUILO QUE DIGO! EU NÃO SOU AQUILO QUE PENSO! EU SOU AQUILO QUE FAÇO E MAIS O COMPORTAMENTO QUE TENHO...

 


... e o comportamento que vou tendo
tem aqui uma forma de reconhecimento!
(quando cheguei àquela mesa, nem imaginam a minha cara)

ESTA CRÓNICA É DO MEC? É SIM... E RESOLVI TRAZE-LA AQUI!

Ia escrever sobre  o MEC quando tropeço num texto assim:

 "Miguel Esteves Cardoso (MEC) é o que se convencionaria chamar, aqui há uns anos, um intelectual de direita. Com raízes políticas monárquicas, MEC mora porém na filosofia, como diria Caetano Veloso. Ou seja, está para além dos sargaços que enturvam a água na espuma dos dias e está para além das palas ideológicas do senso-comum cheio de artroses mentais e maus-fígados gerais do nacional-jornalistariato-comentariato, entretido e autoenvenenado com os seus próprios sound-bytes e "efeitos especiais".

Não é suficientemente novo para confundir a sua pueril idade com a idade do mundo, como os neófitos parvenus que vão nascendo nos estúdios como cogumelos de ilustração de qualquer mau livro infantil. E não tem arrependimentos doutrinários que o obriguem a ser mais anti-tudo-o-que-foi do que o foram os que o eram, desígnio missionário que constitui o drama acintoso de todos os "convertidos". Ou seja, não precisa de ser um cristão-novo dos evangelistas dos mercados demo-liberais e humanitários quando os mortos não são "os outros", para compensar com os seus novos "estalinismos e maoísmos de direita" os seus velhos "maoísmos e estalinismos de esquerda".
Assim, MEC aprendeu que, desde que se estude e aprenda muito, é possível pensar com simplicidade (sobre) coisas muito complexas. E, actualmente, em crónicas como esta, de hoje mesmo (23.08.2026) no Público, sobre a grande Cuba, exprimindo-se com a escrita singular da sua erudita personalidade intelectual, MEC está em condições de ensinar aquilo que aprendeu.
Pena que tenha tão poucos aprendizes. Mas em terras como a nossa, de sábios e sabões, de proselitistas com sandálias de marca, em que quem tem um olho é logo rei em vez de ser apenas zarolho, quem tem algo a aprender?
Por outras palavras, como se pode ultrapassar os efeitos da ignorância opinante que, ignorando-se a si mesma, galopa, como Átila no seu cavalo, sobre a terra onde a erva jamais voltará a nascer?"

 Rui Pereira, in FaceBook