10 novembro, 2014

"O próprio Stravinsky gostaria certamente de ouvir isto"


Dizia à Maria Eu, eu a ela, que tinha o condão de ver o som e que isso era tão bom. Disse-me que eu era poeta. Não sei se o sou. Apenas me lembrava de ter visto "o pássaro de fogo" e o que se vê num abraço, a seguir a um improviso. Só isso!

Este vídeo é reeditado
 e, hoje, o título 
é de um comentário lá deixado

09 novembro, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 74 (descendo ao nível dos galináceos...)

(ler conversa anterior)
 «A lição que pessoalmente extraio do admirável acontecimento (mais do que uma lição será um voto) é que, a partir de agora, nenhum muro mais seja levantado antes de se buscarem, incansavelmente, as soluções que o possam evitar. Isto é, que se trabalhe e eduque para a paz e não para a guerra. Só espero que as mesmas multidões que derrubaram o Muro de Berlim não se lembrem um dia de voltar à rua para aplaudir, num contexto político diferente, outros muros e outras fortalezas: como sabemos, a espécie humana não é muito de fiar...»
José Saramago, numa Homilia minha

«Eu cresci na década de 1980, vi o muro de Berlim cair. É frustrante ver como está Portugal agora, percebe-se que tudo regrediu.»
Valter Hugo Mãe, entrevista à Veja

Entre uma bátega de água e uma aberta, em que o sol espreita, o rafeiro do senhor engenheiro corre divertido atrás do pombo. Nesse corre e esvoaça, o pombo parece, quando pousa, fazer-lhe pirraça, num desafio para que o "corre e esvoaça" continue. Eu e o velho engenheiro abrigámo-nos da chuva mas não regressámos à esplanada quando voltou o sol. O espaço está alagado. Estávamos assim, resguardados, silenciosos e sem comentar o tempo, quando ele pega no tema: - "Muros, muros... sabe o que eu acho?, é que depois da queda do outro, a cada um foi construído outro muro à sua volta, pouco alto, de pouco mais de um palmo, mas onde faltam coragem e discernimento para levantar um pé e passar para o outro lado".  Primeiro fiquei calado, depois ocorreu-me dizer "Às galinhas, meu amigo, basta um circulo. Um circulo desenhado no chão, e comportam-se como se estivessem sitiadas!" Foi a vez de ele se calar, e ficámos assim a olhar o jogo do "corre e esvoaça" num momento em que o pombo quase se deixava apanhar e a pensar em muros, o caído e os que desde então se ergueram...

08 novembro, 2014

"Lisboa Games Week": E quem diz que a droga (pesada) não está legalizada?

Quando há dias afirmava que «A cultura de guerra desenvolve-se sem que "ninguém" se dê conta...» e depois perguntava «Ó Paul onde deixaste o nosso "All You Need Is Love" ?» estava longe de pensar estar em vésperas do «Lisboa Games Week» e das ligações entre tudo isso e uma "nova" epidemia...

Ébola? Legionela? Sim, são perigos evidentes. Os outros perigos soam (ainda) baixo e sem (ainda) qualquer relação com o tal "Admiravel Mundo Novo":

«... As histórias repetem-se, porém, e soam familiares aos pais. Alguns adolescentes deixam para trás um percurso académico de bom nível para se fecharem no quarto a jogar computador dia e noite. Há amizades de infância que são postas de lado em detrimento do contacto online. O isolamento em relação à família, as mudanças de comportamento, os casos de violência inexplicável face ao insucesso num jogo digital ou à proibição de continuar ligado são outros comportamentos comuns.
(...) Os números a que chegou a equipa de Ivone Patrão no ISPA dão uma outra camada de leitura desta realidade. Há quase três quartos (73,3%) dos jovens que apresentam sintomas de viciação na Internet. Destes, 13% exibem níveis severos de dependência, que se manifestam através dos comportamentos mais extremos descritos pelos pais e referidos pelos investigadores. Os próprios jovens parecem ter noção disto, uma vez que mais de metade (52,1%) dos inquiridos se percepciona como “dependentes da Internet”.»
in Jornal Público 
Vá!, consuma, o desígnio é de delírio lúdico e (dizem) educativo...

07 novembro, 2014

Um fim de tarde entre amigos... e seus livros

«Presa ao sopro, eu, que nada posso contra a força invisível das palavras sublevadas da superfície das coisas que não importam, descobri um dia que existia um mar arável, uma transparência macia a consubstanciar-se em ecos poéticos, liquidez onde descansar de tantos dias cheios de ramos secos e mortos a tornarem difícil o caminho térreo da nossa alegria (...)» Virginia do Carmo, "Em jeito de prefácio" ao "Presos a um sopro de vento" - Poética Edições

Licínia Quitério iniciou suas palavras citando as de Virginia do Carmo e, embalada por elas, apresentou os autores. Primeiro, Eufrázio Filipe, cujo livro estava a ser lançado - Presos a um sopro de vento - e disse poemas dele, como só ela sabe dizer. Depois, Manuel Veiga, cujo livro estava a ser apresentado - Poemas Cativos - já há tempos lançado. 

Belos momentos (e descontraídos, também).

  
Chamei-te mar
No mais íntimo da pele
desgrenhei o vento
para te desassossegar os cabelos
escrevi na água
da chuva
para ver
como as palavras
se desmoronam

No mais íntimo da pele
lá estavas azul
tão azul tão azul
que te chamei mar

e já é tanto

Eufrázio Filipe, em "Presos a um sopro de vento", 
Poética Edições, Novembro de 2014