02 fevereiro, 2026

POR QUE RAZÃO A EXTREMA-DIREITA ESTÁ A CRESCER EM PORTUGAL ?

(transcrições de um trabalho do economista Eugénio Rosa)

POR QUE RAZÃO A EXTREMA-DIREITA ESTÁ A CRESCER EM PORTUGAL ? – Os muitos ricos estão a ficar cada vez mais ricos e a maioria da população pobre está cada vez mais pobre.

Muitos portugueses, nomeadamente aqueles que têm acesso fácil aos órgãos de comunicação social e que, dessa forma, condicionam a opinião pública, espantam-se, não compreendem e insurgem-se mesmo pelo facto de tantos portugueses serem atraídos e votarem nos partidos da extrema-direita. A ascensão da extrema-direita é um facto que está a acontecer em todos os países da U.E., e em outros países como a Inglaterra e os EUA e na América Latina. Esse espanto e incompreensão resulta, a nosso ver, de se esquecerem que é o “ser que determina a consciência” , e não o contrário, ou seja, as condições materiais da vida influenciam de forma decisiva as opções da maioria dos indivíduos” . A deterioração das condições de vida da maioria da população, o aumento das desigualdades e a incerteza em relação ao seu futuro, tudo isto agravado por guerras e sanções, e agora pela corrida ao rearmamento da U.E. e os consequentes cortes nas despesas sociais (o SNS é já uma vítima), pela desagregação da globalização capitalista, pela fragmentação das cadeias de abastecimento, pela politica de Trump na tentativa de tornar os EUA, em claro declínio, “novamente grande”; tudo isto combinado com a incapacidade dos governos para inverter esta situação (as suas medidas só a têm agravado, ex. SNS, escola pública, pensões, etc.) estão a contribuir para toda esta grave crise politica e social. Neste artigo procuramos mostrar, com base em dados oficiais, como o agravamento das desigualdades e das condições de vida em Portugal constitui um contributo importante para tornar o discurso populista da extrema-direita mais apelativo, incluindo junto de jovens que não conseguem vislumbrar um futuro com perspetivas e levar muitos portugueses a votarem neles.

 AS DESIGUALDADES ENORMES NA DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA EM PORTUGAL NÃO PARARAM DE AUMENTAR ENTRE 2011 E 2024: os ricos estão cada vez mais ricos (+200400 M€), e metade da população pobre continuou na pobreza (+13437 M€)

Para aceder ao estudo integral, ver aqui 


 

30 janeiro, 2026

BRUCE... O RESISTENTE ANTI-FASCISTA


Desde 2010, ano em que criei este meu "Conversas..." que venho editando canções de Bruce... sempre o achei um resistente... e se considero Trump fascista é porque até Hitler invejaria o seu poder!

E aqui fica a tradução

Ruas de Minneapolis

Pelo gelo e frio do inverno

Pela avenida Nicollet

Uma cidade em chamas lutou contra o fogo e o gelo

Sob as botas de um ocupante

O exercito privado do rei Trump, direto do DHS

Cinto de armas em seus casacos

Vieram para Minneapolis para fortalecer a lei

Ou, é o que a historia deles conta


Contra as fumaças e balas de borracha

Na primeira luz do amanhecer

Os cidadãos se uniram em prol da justiça

Suas vozes tocaram pela noite

E lá tinha pegadas de sangue

Onde dеveria ter havido misericórdia

E dois mortos, dеixados para morrer nas ruas cobertas neve

Alex Pretti e Renee Good


Oh, nossa Minneapolis, eu te ouço

Cantando pela névoa de sangue

Nós defenderemos esta terra

E os estranhos em nossa volta

Aqui, em nossa casa, eles vagaram e mataram

No inverno de '26

Nós vamos lembrar dos nomes daqueles que morreram

Nas ruas de Minneapolis


Os capangas federais de Trump espancaram

Seus rostos e seus peitos

Então, ouvimos os tiros

E Alex Pretti cai na neve morto

A alegação deles foi de legítima defesa, senhor

Não acredite em seus olhos

É nosso sangue e ossos

E esses apitos e telefones

Contra as mentiras sujas de Miller e Noem


Oh, nossa Minneapolis, eu te ouço

Chorando pela nevoa de sangue

Nós vamos lembrar dos nomes daqueles que morreram

Nas ruas de Minneapolis


Agora, eles dizem que estamos aqui para ficar acima da lei

Mas eles desrespeitam nossos direitos

Se sua pele é preta ou marrom, meu amigo

Você pode ser questionado ou deportado na hora

Em nossos cantos para expulsar a ICE

O coração e alma da nossa cidade persistem

Pelo vidro quebrado e lágrimas de sangue

Nas ruas de Minneapolis


Oh, nossa Minneapolis, eu te ouço

Cantando pela névoa de sangue

Nós defenderemos esta terra

E os estranhos em nossa volta

Aqui, em nossa casa, eles vagaram e mataram

No inverno de '26

Nós vamos lembrar dos nomes daqueles que morreram

Nas ruas de Minneapolis

Nós vamos lembrar dos nomes daqueles que morreram

Nas ruas de Minneapolis

29 janeiro, 2026

SE ESTIVE LÁ? CLARO! PODIA LÁ EU FALTAR....


A celebrar os 40 anos da Confederação Portuguesa dos Micro, Pequenos e Médios Empresários CPPME decorreu hoje a apresentação de um livro (em cujas páginas consto) que reune todo um passado de persistente intervenção e luta, num contexto cada vez mais deprimente para a economia.

Do tanto dito, destacaria palavras que retratam a situação do pequeno comércio mas que eu estenderia a outros sectores, designadamente a restauração:
"É crescente o numero de micro-empresas a encerrar a actividade. Mas não se julgue que encerram por falência  ou dissolução. O que mais as faz encerrar é o desânimo dos empresários"


... e a sala cheia, enquanto atentamente ouvia, ia folheando o livro
 (que também me foi oferecido)

28 janeiro, 2026

VERGÍLIO FERREIRA FARIA HOJE 110 ANOS...

Reeditado do texto por mim publicado no dia em que faria 100 anos.

 

Tinha quase decidido trazer para aqui um texto , quando descubro outro. Decido-me por este, pois parece um comentário á situação que estamos vivendo... 

Parece, ou será mesmo? Ao certo, não sei.

No Fundo Somos Bons Mas Abusam de Nós

O comum das gentes (de Portugal) que eu não chamo povo porque o nome foi estragado, o seu fundo comum é bom. Mas é exactamente porque é bom, que abusam dele. Os próprios vícios vêm da sua ingenuidade, que é onde a bondade também mergulha. Só que precisa sempre de lhe dizerem onde aplicá-la. Nós somos por instinto, com intermitências de consciência, com uma generosidade e delicadeza incontroláveis até ao ridículo, astutos, comunicáveis até ao dislate, corajosos até à temeridade, orgulhosos até à petulância, humildes até à subserviência e ao complexo de inferioridade. As nossas virtudes têm assim o seu lado negativo, ou seja, o seu vício. É o que normalmente se explora para o pitoresco, o ruralismo edificante, o sorriso superior. Toda a nossa literatura popular é disso que vive.
Mas, no fim de contas, que é que significa cultivarmos a nossa singularidade no limiar de uma «civilização planetária»? Que significa o regionalismo em face da rádio e da TV? O rasoiro que nivela a província é o que igualiza as nações. A anulação do indivíduo de facto é o nosso imediato horizonte. Estruturalismo, linguística, freudismo, comunismo, tecnocracia são faces da mesma realidade. Como no Egipto, na Grécia, na Idade Média, o indivíduo submerge-se no colectivo. A diferença é que esse colectivo é hoje o puro vazio.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 2'