11 outubro, 2026

DESERTIFICANDO O QUE AINDA RESTA...

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado:
Tens saudade dos passos?,
Onde pára o espanta pardais,
esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras?
e os cantos? e o pão?

Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor
que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo
devia povoar esses campos?

Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes,
folhas, ramos, frutos
Árvore que juras te ter no passado
dado meiga e fresca sombra?

Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto,
a roupa, o corpo
e que as escuras nuvens
teimam levar
para outro lugar?

Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera
e nada dependesse de nós?

Rogério Pereira

09 outubro, 2026

"ACORDAI" OU "DESPERTAI..." O SENTIDO É O MESMO

Da forma em como anda o mundo ocorreu-me que estas duas versões, embora radicalmente distintas, 
têm exactamente o mesmo sentido.. 

 

Olhei a pedra
Fria, Estúpida, Parada

Calada

De tanto a olhar, julguei-a bela

Transformei-me nela

Frio, Estúpido, Parado

Calado

Sem destino sequer

de pedrada no charco

Sujeito à degradação do relento

e à erosão do vento

em breve serei pó

Não olhes para mim, assim
Mexe-te, ao menos
 

A pouco e pouco se mexeram
e num repente

o Mundo assistiu

ao despertar das pedras

Rogério Pereira

06 outubro, 2026

ESTÃO TODOS, TODOS, TODOS CONVIDADOS

 A "minha" Associação (a tal que Desenha Sonhos) vai celebrar o seu 11º Aniversário. Daí este convite. É já no próximo dia 24. Venha lá e traga a sua (minha) comunidade ou um seu vizinho consigo. Não sabe onde fica o Salão Paroquial de Nova Oeiras? O mapa ajuda!

BORA LÁ!






04 outubro, 2026

O DIA MUNDIAL DA SUSTENTABILIDADE PASSA AO LADO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - I


Sim, no passado dia 25 de Setembro, como a imagem mostra, foi celebrado o "Dia Mundial da Sustentabilidade". Para já é uma data que deveria ser mais falada. Para além das celebrações registadas, os temas deveriam estar em permanência na nossa agenda. Na nossa e na de todas as instituições, a começar pelas escolas. Não por acaso, dei pela realização de uma iniciativa em que o semanário Expresso era o promotor. Dela se dava a emissão em direto na sua página no Facebook, de duas sessões uma de manhã, outra de tarde. De facto, não foi por acaso. É que essa data chegou a estar nos objetivos relacionados com a minha escrita. Era a 25 de Setembro que eu fixara a meta para o lançamento do meu livro, um conto ilustrado, que tem por tema as alterações climáticas. Tal expectativa veio a ser traída, mas não trago agora a cena angústias paralelas com estas, que resolvi hoje trazer. Cada coisa em seu lugar... Neste primeiro texto vou-me centrar no problema da água (ver aqui colocando o cursor no tempo 1h10min). Em data próxima pegarei no tema da "Construção".

O problema da água 

Coube ao Vice-presidente do Município de Oeiras, na qualidade de Presidente do SIMAS (Oeiras e Amadora), o desenvolvimento do tema e já, publicamente, o saudei pelos alertas deixados, nomeadamente:
  •  O desmesurado desperdício de água nos sistemas de abastecimento público, onde a média ronda os 27% mas há situações em as perdas de água atingem os 35%. Aqui, salientado que em Oeiras este desperdício se situa em 18%;
  •  O recurso à captação de água nos lençois freáticos através de furos, usando água que é de todos e não investem em recolhas e tratamento de água das bacias hidrográficas.
Na sua intervenção, Francisco Rocha Gonçalves, desenvolveu outros pontos igualmente pertinentes que poderiam até fazer daquela região, Oeiras e Amadora, que serve 340 mil habitantes, um case-study de boa gestão. Contudo, atendendo ao tema, muito ficou de fora... e do muito que ficou de fora não posso deixar de assinalar os impactos resultantes dos efeitos do uso da Inteligência Artificial. 

As ameaças da Inteligência Artificial

Com efeito e de acordo com relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), o crescimento acelerado desta tecnologia traz impactos profundos aos recursos naturais. O funcionamento contínuo dos servidores gera muito calor. Para resfriar as máquinas, os centros de dados utilizam bilhões de litros de água doce, o que pode criar escassez e competir com o abastecimento humano local. Mas é a CNU – Central de Notícias UNINTER que ilustra bem as consequências do aumento da utilização da IA em dispositivos que são muito poderosos e eficientes. Esses dispositivos, como smartphones e laptops, estão consumindo cada vez mais energia, principalmente com o uso mais assíduo.

A questão é que a IA está sendo usada frequentemente para automatizar tarefas, normalmente repetitivas, que antes eram realizadas por humanos. O que se deve destacar é que isso até pode levar a uma redução do uso de energia pontualmente, entretanto, pode levar a um aumento do uso de energia em outros lugares. Os impactos negativos da IA na poluição ambiental levam a uma série de riscos como a redução da qualidade do ar e da água com o aumento das emissões de gases de efeito estufa e a poluição do ar.

Além disso, o aumento da emissão de gases de efeito estufa pode vir a acelerar as mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos como tempestades, inundações e secas, que têm se demonstrado com mais constância nos últimos tempos.

Se estas notas vão muito para além das questões da água? Sim vão! Mas a sustentabilidade, ciência da esperança, só se conseguirá pela procura de equilíbrios entre a diversidade de fatores que a colocam em risco.