05 abril, 2026

BOA PÁSCOA E NÃO ESQUEÇA...ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE



Tenho, desde sempre e hoje mais uma vez, assinalado este dia pela parte que a muitos esquece. Mas tal insistência, embora já canse, não desisto dela. Cá vai:
Se Israel vai dizimando a população de Gaza impedindo-a visitar Jerusalém mesmo nesta Páscoa,  não ligue a nada.
always look on the bright side of life
Se agora, mesmo sem os EUA, a NATO está em vias de conseguir melhorar a rapidez e a capacidade letal  reforçando a ameaça de poder vir ter a guerra à porta, que importa? 
always look on the bright side of life
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, e ainda assim não tem emprego assegurado, deixá-lo. 
always look on the bright side of life
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga.
always look on the bright side of life
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado.
always look on the bright side of life
Se cada vez mais menos se liga  no Direito Internacional, qual o mal?
always look on the bright side of life
Se há está instalado o medo de tudo e de nada, do pequeno comércio à venda de estrada e você vê reduzir o seu pé-de-meia, esqueça talvez nada aconteça
always look on the bright side of life

Se há milhões de crucificados neste dia...
Diga aquela frase cínica "É a vida"...
... e olhe sempre pelo lado bom que ela tem ainda.

Rogério Pereira

E a finalizar, tope os "comentadeiros" televisivos como alegremente comentam tal

04 abril, 2026

PARA JÁ, LEIAM O PREFÁCIO (da autoria da "madrinha" da minha escrita)

PREFÁCIO

Nesta Antologia, o autor coloca-nos diante da sua visão do

mundo, marcada por um forte sentido crítico relativamente às

maiores questões que hoje se colocam ao homem, numa ótica

da falta de consciencialização, ética e ação, face às mesmas. É

um conjunto de textos que resulta da experiência vivencial, ob-

servação e interpretação pessoal do mundo com o qual, o poe-

ta se sente em desalinho. É a expressão maturada do encontro

consigo mesmo, provocado pelo exercício de liberdade poéti-

ca que pretende reafirmar, perante familiares e amigos. Mas é

também o desejo/intenção de homenagear a sua companheira

de vida. É para ela, a quem carinhosamente trata por menina, o

primeiro poema (que dá título ao livro). O texto em causa ter-

mina com o verso - Falar de mim é falar de nós, deixando pairar

no ar a ideia de que o sujeito, por si só, não será capaz de rea-

lizar os sonhos e alcançar a felicidade. O pronome nós, não se

limita ao eu e tu do casal, claramente, mas a um universo bem

mais amplo e complexo. Esta é uma constatação patente, desde

logo, na epígrafe/dedicatória que se vai tomando mais visível, à

medida que se avança na leitura.

Há, no trabalho em presença, uma nítida tendência para a

objetividade, com raízes no neorrealismo (reconhecida e assu-

mida pelo autor) uma intenção declarada de eleger o coletivo

em detrimento do individual, conforme se intui no poema “Au-

to-Retrato” onde se lê: Diz nada decidir / sem convocar o coletivo

seu Eu,/ sua Alma e seu Contrário/ ao qual apelida de Juízo, porém

não deixa de revelar, a individualidade (o Eu é a voz da maioria

dos textos) e a impulsividade a que a Arte não se pode furtar.

À conceção da escrita comprometida, o autor parece querer

associar a ideia de um humanismo outro, capaz de minorar ou

até solucionar os muitos conflitos que, por todos os cantos do

mundo, assolam os povos. Puramente utópico - dirão muitos

de nós, leitores. A isso responderá Rogério Pereira com uma

afirmação que costuma repetir frequentemente e surge inscri-

ta no poema acima citado - Diz ser fácil mudar o mundo/só que

leva é tempo.

Uma genuína preocupação relativamente aos problemas de

carácter político-social transparece dos textos e julgo ser essa

mesma preocupação a despertar no autor a pulsão da escrita, a

necessidade de grafar o seu entendimento das coisas do mun-

do e da vida e a partilhá-lo com outros.

De registar, aqui e ali, um pendor acentuadamente irónico

relativo àquilo que, na perspetiva do autor, é frivolidade, desin-

teresse e dispersão e como tal, merece ser criticado, parecendo

querer tomar a seu cargo a função de orientador/mestre.

Vejamos, no poema “Crisálida” ... entregou ao silêncio/ as for-

ças resignadas/ e sentou-se, ansiosa/ à espera/ da hora/ da telenovela.

Ou em “Pele” - A pele, escrita/ A pele, poema/ A pele, prosa/ A

pele,/ a pele,/ a pele/ E ela? /Apenas uma mensagem: /”…porque

noutros lados// também há flores e barcos … e uma vida/ que é

muito mais a minha!”

Ou ainda em – “A primavera das mulheres pueris”. Na última

estrofe pode ler-se:[ ...] Então um ser que não olha o céu, / que não

tem assunto/ que não liga ao mundo/ que virada a cada momento/

só para dentro/ […]

Ah, mulheres/ temos que um dia falar/ olhos nos olhos...

Um reparo, apenas, no sentido de que a frivolidade não

pode ser entendida como apanágio de género. Ela existe, sim,

mas não diz respeito exclusivamente às mulheres. A frivolida-

de, por mais que possa parecer ridícula, a alguns, é transversal

a toda a sociedade, podendo ser encontrada onde menos se

espera. Contudo, não apenas de ironia e crítica social se faz

este livro, faz-se também:

  • de Sonho - O impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu;
  • de Utopia - Quem antes via apenas a árvore / pode agora ver / através de mim / a floresta;
  • de Esperança - Havemos de emendar o rumo errado.

E, então, a Poesia…


Lídia Borges (*)

2025/08/09


(*) Lídia Borges é o pseudónimo literário de Olívia Maria Bar-

bosa Guimarães Marques, natural de Braga. Professora do Ensino

Básico, sempre teve a Literatura como suporte imprescindível à

compreensão do Mundo e do Homem. Possui o grau de mestra-

do em Teoria da Literatura, na área de especialização de Estudos

Lusófonos, pela Universidade do Minho.

Tem obra publicada nos géneros de conto, crónica e poesia. Assina

vários títulos, alguns dos quais distinguidos em Prémios Literários.

É membro da Associação Portuguesa de Escritores.



 

03 abril, 2026

SEXTA-FEIRA SANTA "ELI, ELI, LAMA AZAVTANI' (Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?)



É sem dúvida a Bíblia um manual de maus costumes, como me lembram as palavras de Saramago (e que eu oiço aqui). A Biblia diz que Jesus terá dito "Perdoai-lhes Pai, pois não sabem o que fazem". Tal não é expressão de cristão digna de um cristo que com seu gesto violento expulsa os vendilhões do templo. Eles sabem sempre o que fazem...
Contradições? Sim, daquelas que levam os povos à resignação. Bem fizeram os escravos e plebeus que não ligaram ao então dito, mas ao feito, ao se terem revoltado e três séculos depois terem imposto o fim do esclavagismo e a queda do Império Romano. De Cristo, prefiro recordar as últimas palavras, as humanas: "Meu Deus, porque me abandonaste?", sabendo que eu, enquanto parte do meu povo, não tenho perdão se aceitar os vendilhões do templo... 
Agora, que nos crucificam o país, teremos que esperar também séculos até à libertação? Talvez mais de três, pois estes sabem o que fazem enquanto nos entretemos com uma doce amêndoa... Não temos emenda.
(reeditado, do ano de 2012, sem que nada tenha mudado) 

02 abril, 2026

QUINTA-FEIRA SANTA - Serviço é serviço e beijos são beijos... a propósito de trinta dinheiros e da falta que nos faz o tal Papa

(repescado de post publicado o ano passado)

 
Judas devolvendo os trinta dinheiros - Quadro de Mattia Preti Ver aqui)
 

Ao longo da nossa existência racional, que como sabemos é inferior à nossa idade biológica, sempre me interroguei sobre o porquê de uma traição ser apresentada sobre a forma e a expressão de um afecto. Judas beija Jesus, como sinal de que o traiu e de que traiu um colectivo. Nem mais, nem menos: um beijo. Nada de mais afectuoso.

Tivesse a história (e as escrituras) colocado o focos do odioso na transacção, nos trinta dinheiros e talvez o Mundo fosse diferente...
“Atrás de Judas estavam os que lhe deram dinheiro, para que Jesus fosse preso e atrás deste gesto estão os que fabricam e traficam armas, que querem o sangue e não a paz, querem a guerra e não a fraternidade”
“Aquele que comanda, para ser um bom chefe, esteja onde estiver, deve servir.”
Papa Francisco, durante durante outra quinta-feira santa