27 setembro, 2026

VAI MESMO A MARIA JOÃO (POETA) FICAR SOZINHA?










































          A FOTO DE CIMA É A MAFALDA E ESTA É DA CATARINA, AMBAS FILHAS DA NOSSA POETA

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Como sabem, pois tenho informado aqui, a única filha da Maria João que se tem aproximado dela tem sido a Moira.  A esta não será fácil fazer acompanhamento da mãe, pois tem a vida organizada em Inglaterra e tem com ela um filho menor... (ainda assim, em menos de uma semana, já cá esteve duas vezes). E eu, que farei? Até dizem por aí ser estranho e disparatado este "relacionamento" avó e neto...

Andando num lufa-lufa medonho ainda tive tempo para ir ver o que a justiça diz disto. E aqui vai um texto, de uma advogada:

"Ser filho é, muitas vezes, mais do que uma simples relação biológica ou afetiva; é um vínculo indissolúvel, que transcende a assinatura de qualquer contrato e se reflete tanto no comportamento quotidiano quanto no ordenamento jurídico. Em Portugal, essa relação, especialmente quando se trata das obrigações dos filhos para com os pais idosos, está consagrada no Código Civil, o que confere a esta responsabilidade uma base sólida e legal. A crescente longevidade da população e o aumento da dependência dos pais idosos tornam ainda mais relevante o entendimento das implicações jurídicas deste dever.

O dever de cuidar: uma responsabilidade legal

No contexto jurídico português, o dever de os filhos prestarem assistência aos pais idosos encontra-se definido no artigo 1874.º do Código Civil, que estabelece que “Pais e filhos devem-se mutuamente respeito, auxílio e assistência”. Este dever de assistência, longe de ser apenas uma questão de solidariedade moral, traduz-se em uma obrigação jurídica, especialmente quando os pais se encontram em situações de fragilidade económica, física ou psicossocial. Este estado de necessidade pode surgir em qualquer fase da velhice, sendo particularmente relevante em situações de doenças prolongadas, perda de mobilidade ou outras condições que comprometam a capacidade de auto sustento.

Além disso, a prestação de alimentos aos pais idosos, ou seja, o fornecimento de recursos para garantir a sua subsistência, não é apenas um dever moral, mas uma obrigação legal. Tal regime de alimentos encontra sua fundamentação no princípio constitucional da solidariedade familiar, previsto no artigo 67.º da Constituição da República Portuguesa, que estabelece o compromisso do Estado e das famílias na promoção do bem-estar dos seus membros.

Ler tudo aqui 

 QUE FAZER? (aceitam-se recomendações)











26 setembro, 2026

E AS ABELHESPAS (VESPAS MASCARADAS DE ABELHAS) CONTINUAM POR AÍ (reeditado)


Parte I (15.Jan.2013)

- Que está a pensar com esse olhar tão fixo?
- Espero que a abelha saia dali e me liberte o material para eu poder pensar no que está a acontecer...
- Não percebo!, diga-me isso de outra maneira para que eu possa perceber!
- Estou à espera de poder usar o arame e reconstruir este momento que estamos vivendo...
- Com o arame constrói o pensamento para poder ter a visão do momento?... Olhe, a abelha já voou... Não se importa de eu ficar a ver como constrói a realidade trabalhando o arame?
- Fique. Veja só: pega-se assim, firmemente. Depois vai-se fazendo um pequeno arco, lentamente... mas com força. Repete-se o procedimento e surge aqui à frente outro arco quase igual. Repete-se, e assim sucessivamente, vamos desenvolvendo ciclos e ciclos com o arame...
- Faz muita força de dedos nessa manipulação?
- Neste ponto, já não... e é isso mesmo o que queria perceber... ao principio, para fazer cada ciclo, foi preciso, agora o próprio arame vai-se pondo a jeito... parece estar viciado e isso favorece a forma que lhe vou dando...
- Percebo! A partir de um dado momento os ciclos desenvolvem-se com o vício da forma inicial que foi dando...
- Isso mesmo! O arame, depois de bem manipulado, quase que automaticamente assume a forma pretendida... é uma espiral... parece uma mola, só que não impulsiona nada. Fica como a vê aqui, parada.
- Olhe, está-se a acabar o arame!...
- Vou passar a fazer círculos de diâmetro mais reduzido. Acho que chegámos ao ponto em que estamos agora...
- Mas... está a voltar atrás?
- Passámos os ciclos viciosos e, à falta de arame... digamos que temos que voltar atrás e reduzir os ciclos que tinham sido maiores. Passo a fazer ciclos recessivos... e, à frente, a fazer ciclos mais reduzidos...
- ...que vão parar?
- Quando não houver mais arame!
- O fim está à vista... foi excelente este exercício! Mas como é que saímos disto?
- Neste momento vamos a tempo... É sair destes ciclos e endireitar o arame... mas com o vício...
- Com o vício?... 
- Só à martelada!
- Acho que é uma boa solução. Procuremos o martelo, então.
(saíram os dois, procurando o martelo)

Parte II (17.Jan.2013)
- Olhe ela voltou!, mas pousou neste outro lado... vai esperar que ela vá embora e voltar a trabalhar no arame?
- Trabalhar no arame naquele momento foi uma decisão errada. Uma metáfora para resultar tem que ser bem trabalhada e usar-se nela o material adequado...
- Escolher o arame foi uma opção errada?
- Não!, errado foi ter metido lá o martelo... em vez de se ter entendido que ele era usado para desfazer os círculos viciosos, todos leram que o que era preciso era desatar à martelada...
-  Os sinais dos tempos sobrepõem-se às intenções edificantes... então e agora?... noto que está a olhar para o belo insecto com o mesmo olhar fixo...
- Estou a tentar discernir se o insecto é abelha ou vespa... Há uma grande confusão à vista desarmada... o que mais se parece com uma vespa é uma abelha, o que mais se parece com uma abelha é uma vespa...
- Tem razão, eu próprio as confundo. Dizem das abelhas que são trabalhadoras e calmas e que as vespas são carnívoras e bravas...
- As abelhas têm uma organização social invejável mas vulnerável... as vespas atacam as abelhas, invadem-lhes os favos e devoram-lhes as larvas. As vespas maiores, mais vorazes, até as comem... 
- Não sabia... agora reconheço a importância de ficar aqui a olhar... mas... como vamos perceber a diferença?
- Primeiro olhamos para reter a imagem, a forma das patas, o abdómen, o tórax... Depois aproximamo-nos. Se nos atacarem, são vespas..
- Aproximemo-nos então!... Olhe, voou e pousou naquela flor...
- Era abelha!
- Era abelha! Podemos recapitular o observado ainda agora?
- Não consigo, tenho um problema de memória...
- E eu de observação... estamos então condenados à confusão... a só perceber quando nos vierem morder...
- Nem mais! O nosso drama é continuarmos sem memória!
- E de observação! Há um vespeiro reunido e muitos ainda julgam tratar-se de uma colmeia!!!

 Parte III (18.Jan.2013)

Os Zzzz´s próprios dos vespeiros eram inteiros e os olhares dos vespas se perdiam pela ornamentação dourada da bela sala, olhando as abóbadas do tecto, como que a inquirir a resposta: "e como fazer, sem que as abelhas acordem e se revoltem?"  Do lado direito, da fila primeira, logo da primeira cadeira, se levantou um vespa. Levava na mão uma pen que inseriu para mostrar um vídeo para ilustrar a palestra. Elevando a voz para que fosse ouvido de modo entendido, disse antes das imagens passarem: 
"Evitemos esta imagem voraz. Evitemos mostrar o que não deve ser mostrado, como hoje soubemos não deixar escutar o que foi dito. Alimente-mo-nos das abelhas de forma menos evasiva, mais...persuasiva. Não esqueçam que temos a vantagem de sermos confundidos e tomados por salvadores e amigos... de estar a cumprir um desígnio...  de este sacrifício ser um imperativo e desse imperativo ter um único sentido: o do extermínio!"

 (findo o vídeo, o orador foi muito aplaudido e depois disso os vespas foram saindo)

Parte IV (inédito)

O favo era amplo, largo. No centro uma mesa igual a tantas existentes no ninho-colmeia, que também pode ser considerado vespeiro. Pousados frente a frente dois abelhespas sorriam-se reciprocamente perante o ar neutro de um outro indistinto insecto. Pareciam ambos pacíficos até deixarem de o ser e a cada um o sorriso desaparecer. Sobre os golpes desferidos não importa a descrição sendo certo e sabido que um vai ser comido. 
Começou a voragem dos abelhespas por eles próprios. 
Cá fora, ouvem-se comentários das abelhas: "Que se devorem uns aos outros. Será a salvação da colmeia."

24 setembro, 2026

MARIA JOÃO (POETA): BOLETIM CLÍNICO - VI (soube-se que a real gravidade não é assim tão grave ...)

A nossa poeta teve alta dos cuidados intensivos e foi transferida para o Hospital Egas Moniz, serviço de Gastro, cama 323, visitas das 14 às 19h.

Com a alma estampada no rosto deixa dúvidas sobre o estado do seu corpo. De facto, nem olheiras nem tristeza lhe inunda a feição. Ao contrário, um sorriso está presente.

Sobre as filhas, uma tem estado em contacto permanente. As duas outras cortaram-me o contacto... 

Sobre o que vai acontecer? Vá se lá saber...