Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos, citando-o:
"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. (...)"
Extrato de "OS POBREZINHOS "
«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»
In "OBSERVADOR - Set. 2015"




