24 maio, 2019

Porque voto em quem voto? Tudo explicado pela Ana Margarida de Carvalho e... por um gráfico

A Ana* explica (aqui) tudo, e o gráfico ilustra, complementa, reforça...

* Ana Margarida Carvalho, mandatária da candidatura da CDU, é uma escritora e jornalista portuguesa. Única a receber sucessivamente o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores por cada uma das suas três obras de ficção (dois romances e um livro de contos).

23 maio, 2019

Porque voto em quem voto? Explico tudo, em menos de um minuto...



Ou, então, tudo mais explicado em formato 
um pouco
mais alongado
... e ainda, num frente-a-frente, 
que tenho bem presente

Chico, da Guerra Colonial ao Fado Tropical


«123 – Novas amizades. – Era já noite e ninguém nas ruas. Caminhava batendo os passos para sentir-me em companhia de mim próprio. Ia de não sei onde para lado nenhum, fardado com a farda do Exército português, com a boina de cavalaria a ocupar-me as mãos. Passeava apenas, adiando o sono. Atravessei um denso jardim e, ao longe, oiço o dedilhar de uma guitarra em acordes indecisos. Fui andando nesse sentido. À medida que avançava a melodia se ia construindo e o som ganhava nitidez. Mesmo antes de a voz aparecer, reconheci a composição de Chico Buarque. Depois a voz deu-me a canção que quase sempre trazia no coração e que frequentemente me vinha à mente em dias em que acordava com canções dentro de mim.
Aproximei-me sem qualquer cuidado em reservar sinais da minha presença e fiquei surpreso à paragem brusca do cantar. Reagi retomando o verso interrompido:
«Esperando, esperando, esperando, esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem…»
Sorri para o grupo. O que cantava, mulato muito claro estendeu-me a mão sorridente e julgo que aliviado. Os outros dois, um negro, o outro branco, acolheram-me assim também dessa maneira. Não falámos e o mulato claro retomou a canção até todas as vozes que ali estavam se juntarem num coro com o sotaque devido:

Esperando, esperando,
esperando, esperando o sol
Esperando o trem,
esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho p´ra esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte,
esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém,
esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita,
bendita,
infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem.
 (…)

O resto foram mais canções e prolongada cavaqueira sobre a cultura brasileira, a negritude, a miscigenação, a guerra colonial, a escravidão, a alma deles e a minha. Falámos da minha alma lusa, do meu coração celta e do meu sangue mouro.
Foi nessa noite, onde as canções romperam as couraças que protegem o pensamento perseguido e a filosofia proscrita, que se geraram laços de amizade e cumplicidade que me iriam abrir a porta a outras relações, entrando na intimidade da cidade.»

CAPÍTULO VII

EM NOVA LISBOA (HUAMBO)

21 maio, 2019

A minha sondagem, depois do último debate...

A Católica é reputada em estudos de... mercado. O mercado da opinião não lhe é excepção. A imprensa é cliente importante e atenta. Quando determinada tendência cresce, pimba!, a imprensa encomenda. Encomenda para saber orientar o que deve meter em primeira página, como deve criar sobressaltos e casos ou produzir omissões. É assim que tem acontecido. E tem assim funcionado.
Desde cedo percebi que tinha que concorrer com as minhas sondagens e fui-as fazendo utilizando sempre a mesma base e o mesmo modelo de dimensionamento das classes sociais que a Marktest segue e, assim, fui a correr para a rua a saber qual o sentido de voto, depois do debate de ontem...
I
Vejamos os resultados e a sua análise:
  1. As classes A e B, cerca de 17,5% do eleitorado, estão mais radiantes que antes. Confiam piamente na capacidade dos politólogos, comentadores e outros estupores.
  2. A classe C (C1, 24,9% + C2, 31%) andam numa roda vida e, tal como nas sondagens anteriores, a coisa anda distribuída entre os mesmos de sempre. Lêem programas, declarações, insultos, promessas e sermões e não perdem uma só cena do wrestling que passa nas televisões. Passam o tempo em aritmética, não na da economia nacional nem sequer na caseira. Embora tivessem abanado com o desafio do João Ferreira
  3. A classe D, 26,7% continua à rasca mas é firme em não aceitar esta situação. Uns até falam na necessidade do tal susto de que falava Saramago... mas bem podiam ir votar na CDU