09 março, 2026

HOJE, NA ASSEMBLEIA, CRAVOS VERMELHOS? NEM VÊ-LOS


Nem um só cravo! Nem nas lapelas, nem na mesa... mas foi um discurso aberto à esperança! A ver vamos, já dizia o cego!


"No discurso de tomada de posse, entre outros aspectos, o novo Presidente passou em revista a situação internacional e nacional e o papel de Portugal nas diversas instituições internacionais que integra. Depois de saudar os capitães de Abril, António José Seguro chamou a atenção para o quadro político internacional, para a força da lei que foi «substituída pela lei dos mais fortes» e para uma paz que «é hoje mais frágil do que ontem».

No que respeita a Portugal, o novo Presidente da República falou de uma «economia baseada em baixos salários», da pobreza constante, das «dificuldades no acesso à saúde e à habitação» e da desconfiança dos portugueses nas instituições e na política.

Dirigindo-se aos partidos políticos com representação parlamentar, abordou a necessidade de um compromisso político claro, de diálogo, de entendimentos e de «estabilidade democrática», reafirmando o seu «entendimento de que a rejeição da proposta de Orçamento do Estado não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República».

António José Seguro prometeu envolver-se na concretização de um compromisso interpartidário que garanta o acesso dos portugueses à saúde, alertando também para a «discriminação salarial das mulheres portuguesas».

O novo Presidente da República, o sexto após o 25 de Abril, foi eleito para o cargo a 8 de Fevereiro. António José Seguro, que saiu das últimas filas da grelha de partida das eleições presidenciais, perante a hesitação inicial do PS e a oposição de algumas personalidades socialistas, acabou por vencer a primeira volta e derrotar André Ventura na segunda, obtendo 67% dos votos.

No discurso de consagração, na noite da vitória eleitoral, Seguro sublinhou então que, no exercício do cargo de Presidente da República, «os interesses ficam à porta» do Palácio de Belém, porque vê a transparência e a ética como «inegociáveis»."
                                                                                        In "AbrilAbril"




08 março, 2026

EU, RECONHECENDO O ERRO, RETRATEI-ME (CURIOSAMENTE, LOBO ANTUNES NUNCA O TERÁ FEITO)

 

Há três dias atrás, sobre Lobo Antunes, escrevia o que nunca devia ter escrito. Foi assim: "Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos" e citei-o.  Ao afirmar que nunca lera nada dele, justamente, levei na cabeça... e, reconhecendo ter metido a minha pata na poça, prometi ir ler obra sua. Estou indo a caminho da promessa e tropeço nesta crónica publicada ontem:

"... Carlos Vaz Marques foi depois entrevistar José Saramago, para o número do mês seguinte da revista Ler, e procurou esclarecer o episódio relatado por Lobo Antunes. Começou então por perguntar ao prémio Nobel de 1998 se, ao contrário de Lobo Antunes que dizia não ler obras de Saramago, ele lia os romances do outro escritor.

Saramago disse que “ao princípio, sim”, até que os lia e, depois de um pausa, afirmou: “Pois, para quem nunca leu um romance meu, ele desdobrou-se em opiniões a meu respeito, como escritor. Tem todo o direito a não ter lido e a continuar a não ler, até ao fim da vida, uma só linha minha. Mas, em princípio, isso retira-lhe o direito de julgar”.

Saramago não se ficou por aqui na apreciação e rematou: “E há uma outra coisa, em toda esta história lamentável: eu nunca me comportei, em relação ao Lobo Antunes, como ele em relação a mim”. 

Conclusão: eu, retratei-me; Lobo Antunes, ao que parece, não!

 

05 março, 2026

IN MEMORIAM: ANTÓNIO LOBO ANTUNES ( 1942 - 2026)


 Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos, citando-o:

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. (...)"

«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»

In "OBSERVADOR - Set. 2015"