20 julho, 2018

Um bom projecto do qual não há o menor rasto (no terreno)


De um projecto que devia ter marcado profundamente a realidade prisional do País,  há ligeiro vestígio a provar apenas que terá existido. Existiu e dele se deu brado, entre 2005 e 2007: 14 reportagens/referências televisivas;40 artigos de imprensa; 2 grandes reportagens de rádio; 4 artigos em brochuras; 16 084 visitas ao site do projecto; 116 284 páginas visitadas; 20 apresentações públicas no exterior; 4 apresentações na Alemanha, Itália e Polónia;4 apresentações a delegações estrangeiras (Roménia, Letónia, Angola e Moçambique); 73 apresentações de divulgação interna.

Tanta projecção para agora só dele se lembrar quem mal pisa uma prisão. No terreno, nos estabelecimentos prisionais, ficou talvez só o amargo de ter acreditado e, assim, a descrença. O Projecto GERIR PARA INOVAR OS SERVIÇOS PRISIONAIS foi um "flop", um grande faz-de-conta. E podia não ter sido assim. Bastava para deixar marca, ter seus objectivos atingidos e a inovação acontecer, se o Ministro da Justiça do Governo de Santana Lopes o abraçasse e o integrasse num projecto mais amplo. Se o tivesse feito, o então Director Geral dos Serviços Prisionais teria dado força, ânimo e incentivo ao trabalho. O mesmo aconteceu no Governo de Sócrates, com o seu Ministro da Justiça e o correspondente Director Geral. PSD e PS repetiram o distanciamento e descansam no mesmo argumento tão estafado quanto errado para contra-argumentar às insistentes queixas de falta de guardas prisionais: o índice do número de guardas/reclusos são dos melhores do Mundo...

Prometi a uma ex-diretora de um estabelecimento prisional enviar-lhe alguma documentação sobre o projecto e descubro que o Projecto continuou a ser propalado como sendo de grande sucesso  Pessoalmente, duvido que o tenha tido. Por uma razão, no sistema prisional para além da falta de guardas, a sobrelotação canibaliza tudo...

Uma recomendação, esqueça a página www.pgisp.info.  a tal que teve quase 17 mil visitas... 

Mas fica a memória do que pode vir a ser a retoma a uma boa ideia, nestes vídeos.

18 julho, 2018

Mandela (100). Hoje e sempre!

imagem retirada da net
Parece haver unanimidade, mas sabemos que não é (nem nunca foi) sincera. Foi até hipócrita.

Sabemos que houve (e há) gente que juntava as palavras por ele ditas e as expunha (e expõe) com falsas lágrimas preparando-se para a assimilação romantizada da sua figura, da sua luta e da sua importância histórica. Não faltaram t-shirts, mochilas e outra bugigangas a eternizar-lhe o sorriso num mercantilismo estudado. Como o não podiam omitir, assimilaram-no. Reduziram-lhe a expressão da verdadeira dimensão, neutralizaram-lhe o exemplo que foi (e é) a forma segura de não ser seguido. 

Adore-se o nome, nem importa o resto. Venere-se, pois venerar é o meio caminho entre o querer ir e o ficar parado...

Não esquecer que Mandela foi um homem com partido. Com o partido, geriu a luta quando era a hora de lutar e geriu a paz quando esta era a solução.
Que nos fique o legado da sua enorme sabedoria; como espelho, o seu olhar. Que nos fique sobretudo a memória dos gestos e o exemplo do feito, mais que a palavra!
Que nos fique a História!
"Cuito Cuanavale foi a viragem para a luta de libertação do meu continente e de meu povo do flagelo do apartheid"

17 julho, 2018

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B?



Na ilha cabo-verdiana do Sal  decorre hoje e amanhã a XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, evento que marca a passagem da presidência do Brasil para Cabo Verde, que assumirá os destinos da organização nos próximos dois anos.

Em entrevista à agência Lusa, antecipando a realização da cimeira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, mostrou-se convicto de que a CPLP será “uma grande organização no futuro”, e deu exemplo de iniciativas futuras:
”Vamos levar algumas iniciativas para as Nações Unidas para um cada vez maior reconhecimento da língua portuguesa no quadro das organizações internacionais. Há várias organizações internacionais em que a língua portuguesa tem um caminho a fazer para se afirmar como língua de cultura e conhecimento e uma língua que federa povos, países, hábitos”
Um dia me perguntei porque a CPLP não faz parte de um Plano  B, e mais de uma vez o fiz.

Vamos à luta? 
Comecemos pela língua, que é linda
Linda e única

João Semedo, in memoriam (1951-2018)

«(...) Gostava de distinguir situações diferentes: há os camaradas que são amigos e há os que são apenas camaradas, não são propriamente amigos, apesar de ligados por laços de solidariedade. Mas solidariedade não é amizade. Os amigos, até podem ter ficado alguns no partido, alguns ficaram, mas a amizade vem connosco, continua. Tenho amigos comunistas, isso não constitui qualquer problema, a não ser garantir uma série de boas discussões. Nunca me senti persona non grata junto do PCP ou dos comunistas. O que seria de todo incompreensível: sou um homem de esquerda, empenhado no socialismo, estou na mesma margem da vida que os comunistas. Não vejo por que razão nos deveríamos desconsiderar mutuamente. »
João Semedo, aqui
Se o tivesse conhecido talvez tivesse sido seu amigo. O médico e ex-coordenador do Bloco de Esquerda faleceu esta terça-feira, com 67 anos. À família, amigos e ao seu actual partido apresento as minhas condolências.