13 novembro, 2018

ORDENADO MÍNIMO E DESEMPREGO: MITOS E REALIDADES


As posições tomadas hoje pela CIP e CCP a propósito do salário mínimo leva-me até leitura recente. Trata-se  do artigo escrito por Jorge Fonseca de Almeida*, em colaboração especial para O Lado Oculto, um verdadeiro "antídoto para a propaganda global". Passo a transcrever para este meu espaço a introdução e as conclusões. (pode ler tudo, aqui).
«A teoria neoliberal professa que a subida de salários gera uma imediata e consequente subida do desemprego. Mais afirma que qualquer direito laboral acrescenta custos e, desta forma, desemprego. Nesta lógica, a luta dos trabalhadores por melhores salários e mais direitos laborais traduzir-se-ia por uma luta entre trabalhadores procurando uns expulsar os outros do mercado de trabalho. Os sindicatos seriam, assim, um malefício para os trabalhadores desempregados. Esta é a ladainha que nos vendem todos os dias.

No entanto, os países onde os salários são mais baixos e os direitos nulos ou inexistentes são aqueles em que o desemprego é, em geral, superior.

Naturalmente o desemprego é mais baixo no Reino Unido, onde o ordenado mínimo se situa nos 1.463 euros por mês, do que no Mali, onde se fica por 43 euros por mês. Ou seja, é necessário ao trabalhador maliano trabalhar dois anos e 10 meses para receber o mesmo que o trabalhador inglês num mês! Serão os empregadores totalmente irracionais? Não deveria o Reino Unido enfrentar um desemprego tremendo e o Mali não ter um único desempregado?

A verdade, contudo, é que a teoria neoliberal sobre os salários, por não levar em conta factores como a qualidade das infraestruturas, a proximidade ao mercado consumidor, a segurança, os níveis educacionais da população, a estabilidade política e social, os níveis de corrupção, a cultura, e focando-se apenas no valor dos salários, não consegue dar uma visão correcta da dinâmica do mercado de trabalho.

Insistir, contra toda a evidência, que aumentar os salários gera desemprego, é simplesmente propaganda patronal disfarçada de teoria económica.»
Conclusões

12 novembro, 2018

Acho que não estou a morrer, mas tudo pode acontecer...


Peguei nos resultados de todos os exames feitos e juntei-os. Todos os resultados, sangue, urina, pólipos da colonoscopia, tudo dentro do que era considerado normal. 

O único não verificado jazia inacessível num CD que o meu portátil insistia em não abrir. Pensei para comigo, ela (a médica de família) logo vê.

À hora marcada, no Centro de Saúde, sem grande espera (eu era a primeira consulta) fui chamado. A minha médica é mas complacente comigo que a minha Teresa, embora uma e outra me digam a mesma coisa: "Pois Rogério, ah esse tabaquinho..." e acompanhava a censura com um  sorriso e acrescentava "Não me passa pela ideia que, com essa idade, deixe de fumar, mas reduza..." e enquanto dizia isso ia passando em revista os resultados das análises até pegar no CD...  "Ora vamos lá ver..." e não viu.

O CD não abriu. "Vamos ultrapassar isto, essa sua respiração recomenda que façamos..." e lá foi explicando o que era recomendável passar a fazer, prescrevendo-me outros exames e indicando-me onde ia conseguir que mos fizessem.

De saída, ia-me roendo o hermético CD. Em casa, peguei em mim, e fui (virtualmente) direitinho ao portal do hospital (privado, claro). Ia a entrar e não entrei. Liguei para o número da assistente ao sistema e ela, de voz simpática, explicava que, por segurança, a minha palavra-passe  não chegava. Era necessária outra deles, antes da minha, e essa só me seria dada se me fizesse presente. E lá fui. No atendimento expliquei ao que ia e a funcionária, diligente, disse-me "Pronto, sr. Rogério Pereira, já seguiu para o seu e-mail. Também tem lá todas as instruções para aceder. Qualquer dificuldade, tem lá o nº para onde ligar". E assim aconteceu, entrei no portal do utente. Cliquei em "resultados dos exames" e depois em "imagiologia" e de seguida a pesquisa entre datas... e... nada.

Voltei ao hospital e expliquei tudo, do principio ao fim, para depois ouvir, incrédulo, que o médico radiologista fizera o "exame sem relatório".  

Porque é que este texto é mais longo que a minha reclamação hoje deixada, no respectivo livro de reclamações, no Hospital da Luz, em Oeiras? 

Sei lá! Um gajo pode não saber responder a tudo!

11 novembro, 2018

São Martinho, o santo arrependido


Conta a lenda que São Martinho terá com sua espada cortado a sua capa e com ela, compadecido, coberto os ombros de um mendigo, que quase jazia sob os efeitos de hipotermia. Ao reconhecimento do gesto de São Martinho, descobriu-se um sol como nunca então se vira e de pronto, por três dias, se viu suspenso o Outono. 

Tem sido assim, desde o ano de 337 até hoje, dia em que recebi um sms do Santo, que assim me escrevia, arrependido:
É pá, vê se descobres o mendigo
Ele que me devolva a meia-capa
Por aqui morre-se de frio
E não é com lendas que a gente escapa
(hoje em dia os milagres já não são o que já foram)

09 novembro, 2018

Sobre como (realmente) vai o Mundo, ler tudo no "LADO OCULTO" - 10

 

QUE FOTOGÉNICA É A GUERRA!

A guerra é, de facto, muito fotogénica. Abrilhanta manchetes, torna apelativas as imagens, é um grande negócio para a comunicação social transformada em negócio. E se as fotos forem de chacinas com munições proibidas, como Israel faz em Gaza e os Estados Unidos na Síria, objectivo atinge o alvo em cheio.

No Nº 10 de O Lado Oculto, já online, damos conta de como a banalização da guerra e a sua exploração em múltiplas plataformas mediáticas  parece estar a suscitar uma nostalgia, no mínimo um conformismo com a sua inevitabilidade, reforçado quando se comemora um armistício de uma matança promovendo intermináveis desfiles militares, como quem diz que está pronto para outra. De guerra falamos ainda da intenção norte-americana de instalar na Europa as mais perigosas armas nucleares já fabricadas; sendo que um dos destinos é a Itália, país que continua a procurar a compatibilidade impossível: "excelentes" relações com a Rússia enquanto acolhe armas de destruição massiva para usar contra a Rússia.

A propósito de Itália, e não só,  também abordamos a vaga fascista que assola o mundo. Por exemplo, de como Steve Bannon, o homem que fez de Trump o presidente norte-americano, se instalou em Bruxelas para dirigir, através de uma rede de "salas de guerra" distribuídas por vários países, a campanha eleitoral dos partidos fascistas e afins, de modo a conquistarem um terço do Parlamento Europeu, 250 deputados. Assim procede quem acusa outros de ingerências em terras alheias, precisamente como ainda agora fizeram os Estados Unidos, a NATO e União Europeia para controlar as eleições na Bósnia-Herzegovina, que não passa de um protectorado falhado. Ainda sobre a proliferação fascista, fazemos duas reflexões amadurecidas sobre a teia bolsonariana que produziu o novo presidente do Brasil, uma versão da tendência que alastra através da América Latina, conduzida pelos Estados Unidos, sempre queixando-se de ser vítima de interferências. Numa oportuna entrevista com João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no Brasil , perspectivam-se já as lutas de resistência a travar, partindo da certeza de que, com Bolsonaro, os problemas do país irão agravar-se.

E como é de neoliberalismo que se trata, desfazemos mais um dos seus mitos. A realidade e os números demonstram que os aumentos dos salários mínimos não geram desemprego, como diz a teoria patronal, antes pelo contrário.

A  finalizar, damos nota de como a Rússia e a Índia, com apoio da China, abrem uma nova rota comercial para a Europa, não apenas para evitar o Canal de Suez mas também para contornar a influência imperial do dólar, e mesmo as sanções contra o Irão. Mais uma dos BRICS, que, por isso, estão sob fogo cerrado - de que é exemplo o golpismo no Brasil.