Começo por lembrar que é já no próximo domingo, dia 12 e à mesma hora.
É mais que um prémio!Não falte e tragaconsigotambémmais alguémque me queira bemAté lá
Começo por lembrar que é já no próximo domingo, dia 12 e à mesma hora.
É mais que um prémio!Não falte e tragaconsigotambémmais alguémque me queira bemAté lá
Lembram-se desta conversa? E sim, foi desta! O Julinho recomendou-me que não a divulgasse já pois ainda havia a fazer ajustes à produção. Dei-a a ouvir às minhas filhas e elas ficaram entusiasmadas. Se Israel vai dizimando a população de Gaza impedindo-a visitar Jerusalém mesmo nesta Páscoa, não ligue a nada.
always look on the bright side of life
Se agora, mesmo sem os EUA, a NATO está em vias de conseguir melhorar a rapidez e a capacidade letal reforçando a ameaça de poder vir ter a guerra à porta, que importa?
always look on the bright side of life
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, e ainda assim não tem emprego assegurado, deixá-lo.
always look on the bright side of life
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga.
always look on the bright side of life
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado.
always look on the bright side of life
Se cada vez mais menos se liga no Direito Internacional, qual o mal?
always look on the bright side of life
Se há está instalado o medo de tudo e de nada, do pequeno comércio à venda de estrada e você vê reduzir o seu pé-de-meia, esqueça talvez nada aconteça
always look on the bright side of life
Se há milhões de crucificados neste dia...
Diga aquela frase cínica "É a vida"...
... e olhe sempre pelo lado bom que ela tem ainda.
Rogério Pereira
E a finalizar, tope os "comentadeiros" televisivos como alegremente comentam tal
Nesta Antologia, o autor coloca-nos diante da sua visão do
mundo, marcada por um forte sentido crítico relativamente às
maiores questões que hoje se colocam ao homem, numa ótica
da falta de consciencialização, ética e ação, face às mesmas. É
um conjunto de textos que resulta da experiência vivencial, ob-
servação e interpretação pessoal do mundo com o qual, o poe-
ta se sente em desalinho. É a expressão maturada do encontro
consigo mesmo, provocado pelo exercício de liberdade poéti-
ca que pretende reafirmar, perante familiares e amigos. Mas é
também o desejo/intenção de homenagear a sua companheira
de vida. É para ela, a quem carinhosamente trata por menina, o
primeiro poema (que dá título ao livro). O texto em causa ter-
mina com o verso - Falar de mim é falar de nós, deixando pairar
no ar a ideia de que o sujeito, por si só, não será capaz de rea-
lizar os sonhos e alcançar a felicidade. O pronome nós, não se
limita ao eu e tu do casal, claramente, mas a um universo bem
mais amplo e complexo. Esta é uma constatação patente, desde
logo, na epígrafe/dedicatória que se vai tomando mais visível, à
medida que se avança na leitura.
Há, no trabalho em presença, uma nítida tendência para a
objetividade, com raízes no neorrealismo (reconhecida e assu-
mida pelo autor) uma intenção declarada de eleger o coletivo
em detrimento do individual, conforme se intui no poema “Au-
to-Retrato” onde se lê: Diz nada decidir / sem convocar o coletivo
seu Eu,/ sua Alma e seu Contrário/ ao qual apelida de Juízo, porém
não deixa de revelar, a individualidade (o Eu é a voz da maioria
dos textos) e a impulsividade a que a Arte não se pode furtar.
À conceção da escrita comprometida, o autor parece querer
associar a ideia de um humanismo outro, capaz de minorar ou
até solucionar os muitos conflitos que, por todos os cantos do
mundo, assolam os povos. Puramente utópico - dirão muitos
de nós, leitores. A isso responderá Rogério Pereira com uma
afirmação que costuma repetir frequentemente e surge inscri-
ta no poema acima citado - Diz ser fácil mudar o mundo/só que
leva é tempo.
Uma genuína preocupação relativamente aos problemas de
carácter político-social transparece dos textos e julgo ser essa
mesma preocupação a despertar no autor a pulsão da escrita, a
necessidade de grafar o seu entendimento das coisas do mun-
do e da vida e a partilhá-lo com outros.
De registar, aqui e ali, um pendor acentuadamente irónico
relativo àquilo que, na perspetiva do autor, é frivolidade, desin-
teresse e dispersão e como tal, merece ser criticado, parecendo
querer tomar a seu cargo a função de orientador/mestre.
Vejamos, no poema “Crisálida” ... entregou ao silêncio/ as for-
ças resignadas/ e sentou-se, ansiosa/ à espera/ da hora/ da telenovela.
Ou em “Pele” - A pele, escrita/ A pele, poema/ A pele, prosa/ A
pele,/ a pele,/ a pele/ E ela? /Apenas uma mensagem: /”…porque
noutros lados// também há flores e barcos … e uma vida/ que é
muito mais a minha!”
Ou ainda em – “A primavera das mulheres pueris”. Na última
estrofe pode ler-se:[ ...] Então um ser que não olha o céu, / que não
tem assunto/ que não liga ao mundo/ que virada a cada momento/
só para dentro/ […]
Ah, mulheres/ temos que um dia falar/ olhos nos olhos...
Um reparo, apenas, no sentido de que a frivolidade não
pode ser entendida como apanágio de género. Ela existe, sim,
mas não diz respeito exclusivamente às mulheres. A frivolida-
de, por mais que possa parecer ridícula, a alguns, é transversal
a toda a sociedade, podendo ser encontrada onde menos se
espera. Contudo, não apenas de ironia e crítica social se faz
este livro, faz-se também:
E, então, a Poesia…
Lídia Borges (*)
2025/08/09
(*) Lídia Borges é o pseudónimo literário de Olívia Maria Bar-
bosa Guimarães Marques, natural de Braga. Professora do Ensino
Básico, sempre teve a Literatura como suporte imprescindível à
compreensão do Mundo e do Homem. Possui o grau de mestra-
do em Teoria da Literatura, na área de especialização de Estudos
Lusófonos, pela Universidade do Minho.
Tem obra publicada nos géneros de conto, crónica e poesia. Assina
vários títulos, alguns dos quais distinguidos em Prémios Literários.
É membro da Associação Portuguesa de Escritores.