15 outubro, 2026

A PRIVATIZAÇÃO DA TAP E O QUE DISSO DIRIA SARAMAGO


A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

 "... como o próprio processo de venda demonstra, as empresas não rendem quando se vendem, rendem quando se é delas proprietário – e é por isso que quer a Lufthansa quer a AirFrance queriam comprar a TAP. 

E a TAP rende muito a Portugal: está a dar lucro, como a TAP, SA sempre deu ao longo da sua existência; rende mais de 100 milhões de euros por ano para o Orçamento da Segurança Social portuguesa e outro tanto para o IRS, reflectindo a sua força de trabalho altamente qualificada a operar em Portugal e desde Portugal; assegura ao Estado português capacidade soberana no transporte aéreo e a sua continuidade territorial na ligação às regiões autónomas da Madeira e dos Açores e uma posição estratégica do País na diversificação das suas relações económicas com a América do Sul e África; contribui para a dinamização de mais de mil empresas nacionais que com ela trabalham; impede que as multinacionais do sector possam chantagear o País a troco de assegurar voos estratégicos."

(ler tudo aqui)

O QUE DISSO, SARAMAGO DIRIA

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»




12 outubro, 2026

CONTINUO FAZENDO... O IMPOSSÍVEL

(reeditado)

Fazer o impossível

Afastar o mar à mão
Fazer as pedras entoarem uma canção
Pôr o sol a sorrir à lua
Fazer acontecer
onde há muito nada acontece
Fazer nascer um sim em plena rua
Riscar para sempre a palavra não
Eliminar o desequilibro
entre o pobre e o rico
Mudar o Mundo
mesmo que custe muito
e leve muito tempo

É impossível?
Eu, pelo menos, tento

O impossível é
tão só e apenas
aquilo que ainda não aconteceu 
digo eu 
Rogério Pereira

11 outubro, 2026

DESERTIFICANDO O QUE AINDA RESTA...

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado:
Tens saudade dos passos?,
Onde pára o espanta pardais,
esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras?
e os cantos? e o pão?

Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor
que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo
devia povoar esses campos?

Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes,
folhas, ramos, frutos
Árvore que juras te ter no passado
dado meiga e fresca sombra?

Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto,
a roupa, o corpo
e que as escuras nuvens
teimam levar
para outro lugar?

Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera
e nada dependesse de nós?

Rogério Pereira