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28 julho, 2026

SALAZARENTOS DESTINOS... COM O POVO AO FUNDO (reeditado)

"Rosa dos Ventos" - Sagres (imagem da net)
OS TEMPOS 
Apagaram as Rosas dos Ventos
Destruíram mapas dos mares
Sextantes antigos, modernos radares
E outros apetrechos mareantes
 
Hoje, e esse hoje tem muitos ontens,
Diz-se haver um só caminho
E que fora dele o desastre é certo
Como se não fosse certo o desastre dentro dele

Com a mesma certeza com que se dizia haver
Um só caminho (a defesa do Império) a percorrer
A nossa  presença na Europa não se discute, como um dia
A nossa presença em África não se discutia
Negociar com os credores, soava a fuga à honra
Negociar com os os movimentos de libertação
Soava a rendição...

Na história
Há afinidades sem glória

O estranho é que seja a Rosa dos Ventos
A interrogar se outras direcções são possíveis
Talvez esquecida, como os demais
Dos seus própríos pontos cardeais
Rogério Pereira

Nota: Este post é resposta a uma pergunta que me foi posta, pela Rosa dos Ventos (outubro-2012)

24 junho, 2026

MAIS UM SÃO JOÃO, SEM ALHOS PORROS NA MÃO MAS... COM MARTELINHOS DE IMPORTAÇÃO!


Martelinhos, "made in" China*

Tiram-nos tudo, ó São João
Que fazer desta má sina?
Festejos são ilusão
Com martelinhos vindos da China

Com martelinhos vindos da China
Vem ó santo em meu socorro
Inverte esta má sina
Devolve meu alho-porro

Devolve meu alho-porro
Evita tanta importação
Contribui para nosso aforro
Ó meu rico São João

Rogerito - junho/2018
______________
* Em 2011 a fábrica portuguesa (a "Estrela Paraíso), que criou o "martelinho", passou  a produção de meio milhão de unidades para cerca de 200 mil. A concorrência da China condenou a empresa que acabaria por encerrar no ano seguinte, como o vídeo documenta:

02 fevereiro, 2026

POR QUE RAZÃO A EXTREMA-DIREITA ESTÁ A CRESCER EM PORTUGAL ?

(transcrições de um trabalho do economista Eugénio Rosa)

POR QUE RAZÃO A EXTREMA-DIREITA ESTÁ A CRESCER EM PORTUGAL ? – Os muitos ricos estão a ficar cada vez mais ricos e a maioria da população pobre está cada vez mais pobre.

Muitos portugueses, nomeadamente aqueles que têm acesso fácil aos órgãos de comunicação social e que, dessa forma, condicionam a opinião pública, espantam-se, não compreendem e insurgem-se mesmo pelo facto de tantos portugueses serem atraídos e votarem nos partidos da extrema-direita. A ascensão da extrema-direita é um facto que está a acontecer em todos os países da U.E., e em outros países como a Inglaterra e os EUA e na América Latina. Esse espanto e incompreensão resulta, a nosso ver, de se esquecerem que é o “ser que determina a consciência” , e não o contrário, ou seja, as condições materiais da vida influenciam de forma decisiva as opções da maioria dos indivíduos” . A deterioração das condições de vida da maioria da população, o aumento das desigualdades e a incerteza em relação ao seu futuro, tudo isto agravado por guerras e sanções, e agora pela corrida ao rearmamento da U.E. e os consequentes cortes nas despesas sociais (o SNS é já uma vítima), pela desagregação da globalização capitalista, pela fragmentação das cadeias de abastecimento, pela politica de Trump na tentativa de tornar os EUA, em claro declínio, “novamente grande”; tudo isto combinado com a incapacidade dos governos para inverter esta situação (as suas medidas só a têm agravado, ex. SNS, escola pública, pensões, etc.) estão a contribuir para toda esta grave crise politica e social. Neste artigo procuramos mostrar, com base em dados oficiais, como o agravamento das desigualdades e das condições de vida em Portugal constitui um contributo importante para tornar o discurso populista da extrema-direita mais apelativo, incluindo junto de jovens que não conseguem vislumbrar um futuro com perspetivas e levar muitos portugueses a votarem neles.

 AS DESIGUALDADES ENORMES NA DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA EM PORTUGAL NÃO PARARAM DE AUMENTAR ENTRE 2011 E 2024: os ricos estão cada vez mais ricos (+200400 M€), e metade da população pobre continuou na pobreza (+13437 M€)

Para aceder ao estudo integral, ver aqui 


 

29 janeiro, 2026

SE ESTIVE LÁ? CLARO! PODIA LÁ EU FALTAR....


A celebrar os 40 anos da Confederação Portuguesa dos Micro, Pequenos e Médios Empresários CPPME decorreu hoje a apresentação de um livro (em cujas páginas consto) que reune todo um passado de persistente intervenção e luta, num contexto cada vez mais deprimente para a economia.

Do tanto dito, destacaria palavras que retratam a situação do pequeno comércio mas que eu estenderia a outros sectores, designadamente a restauração:
"É crescente o numero de micro-empresas a encerrar a actividade. Mas não se julgue que encerram por falência  ou dissolução. O que mais as faz encerrar é o desânimo dos empresários"


... e a sala cheia, enquanto atentamente ouvia, ia folheando o livro
 (que também me foi oferecido)

27 janeiro, 2026

O DE_BATE E A AMEAÇA DE DESASTRE

 

SE NO DIA 8, OS RESULTADOS (VOTOS APURADOS) VIEREM A ESTAR NESTA PROPORÇÃO, SEGURO SERÁ PRESIDENTE MAS O VENTURA SAI REFORÇADO...  E O DESASTRE FICA À VISTA!
SEGURO TERÁ, SEGURAMENTE, O MEU VOTO!

27 dezembro, 2025

PASSADA A CONSOADA, NATAL JÁ PASSADO.... O PRESÉPIO NÃO APARECEU EM NENHUM LADO

 

 O consumismo tomou conta de tudo. Vendo qualquer canal da TV, os cenários repetem os temas decorativos dos centros comerciais. Onde pára o Menino? Não estranharei o dia em que a pergunta acontecerá 

"Avô, o que é um presépio?"

Não sou crente, por isso meu lamento prende-se com a memória da historia em que Jesus virou Cristo, depois de ter expulso os vendilhões do Templo e de ter sido abandonado por seu Pai.

Estava eu nesta lamúria quando, de Braga, me aparece a esperança...

08 dezembro, 2025

SEGUNDO FONTES INSUSPEITAS A ECONOMIA NACIONAL É A MAIS MELHOR (E EU EXPLICO COMO)

Portugal é a "economia do ano" de 2025 para a revista britânica "The Economist", que compilou dados económicos dos 36 países mais ricos do mundo, enquanto Espanha, que tinha ganhado no ano passado, cai para a quarta posição. (Foi aqui que engoli isto)

E EU EXPLICO COMO SE MONTA TAL CONSTATAÇÃO

Em 2023 verificou-se um forte agravamento da taxa de pobreza dos idosos, que subiu quatro pontos percentuais passando de 17,1% em 2022 para 21,1% em 2023. Este facto não deixa de ser extremamente preocupante, mesmo que, como salienta o INE, possa ser explicado pelas alterações na metodologia de cálculo das pensões de velhice no ICOR 2024. (bebido nesta fonte)

Mas, o facto é que a população idosa está a envelhecer... A idade mediana aumentou de 38,5 para 47 anos em apenas duas décadas. Neste momento, mais de 2,5 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais. (isso aí foi bebido daqui)


CONCLUSÃO DA EXPLICAÇÃO, EM QUE FIGURA A "MINHA AVÓ"
  • De facto, a Mª João tem um rendimento que muito contribui para o índice de pobreza dos idosos;
  • De facto ela, mesmo muito velha, não deixa de comer (daí o seu ar feliz);
  • De facto ela, reduziu drasticamente a despesa (reduziu o consumo de energia; a internet paga-a o "neto"; os transportes (e são muitos e frequentes) o "neto" faz de taxista... e, de quando em quando, empresta-lhe uns trocos, sem lhe cobrar juros...
AGORA DIGAM LÁ SE ELA É OU NÃO O RETRATO DA NOSSA ECONOMIA QUE, COMO ELA, LÁ VAI SOBREVIVENDO REDUZINDO DRASTICAMENTE A DESPESA

27 novembro, 2025

A DESINDUSTRIALIZAÇÃO DO PAÍS, UM TEMA BEM ACTUAL (DE QUE POUCOS FALAM)

Este post não é uma tese é uma mera reflexão que achei oportuno trazer logo a partir das palavras iniciais do militante e lutador comunista, falecido em 2022. Refere ele, que iniciando a actividade na construção civil, cedo ingressou indústria, primeiro na Construtora  Moderna e depois nos Estaleiros Navais do Alfeite. Logo aí, ingressou no Partido. 

Nesses tempos era relativamente fácil assumir consciência de classe e desenvolver laços de relação solidárias. Tal facilidade resultava tanto da percepção de haver uma enorme (e injusta) distância entre o valor do trabalho e o do produto,  como dos próprios laços de relação impostos pelo modo operatório, em que um posto de trabalho depende do anterior e condiciona o que se lhe segue.

Com a desindustrialização tudo isso se vai reduzindo... Com o desaparecimento da Construtura Moderna, foram à vida, para além da Siderurgia, as jóias da coroa da metalomecânica pesada: a Cometna; a Mague; a Sepsa; a Equimetal; a Sorefame; a Fundição de Oeiras e, ainda agora, a EFACEC luta pela sobrevivência. 

Nada disto é novidade por razões já ditas. A minha surpresa foi constatar que a industria de construção e reparação naval, por onde Jaime Serra andou lutando, jamais será aquilo que já foi. Dê-se ao trabalho de analisar o quadro. Dele apenas destaco que o sector, em três décadas, passou de mais de 26 mil trabalhadores para cerca de 900...


Quadro retirado daqui

27 outubro, 2025

O "ORNAMENTO GERAL DO ESTADO", O SNS E O ESTADO AO QU´ISTO CHEGOU! (o testemunho da Maria João)

A nossa Maria João na sala de espera de um Centro de Saúde

Na Assembleia da República foi, hoje, longa a discussão do que eu chamo "Ornamento Geral do Estado"... não acompanhei dela nem um momento. Andei com a nossa poeta de um lado para o outro. Ora no Centro de Saúde, ora na Farmácia, ora num Centro Hospitalar privado. Já tínhamos assim andado, no passado sábado. O diagnóstico do seu estado de saúde é mais que grave e ilustra bem o estado do nosso SNS.

Nesse lufa-lufa, enquanto juntos, não me faltavam palavras de alento e de conforto. Enquanto separados não faltavam chamadas, mensagens ou emails trocados. 

O detalhe é mais abrangente e grave, mas a partilha destas mensagens dão já um ar da sua (des)graça. Ora vejam:
Para: ULSLO | Lisboa Ocidental Oeiras | USF Conde de Oeiras <usf.coeiras@ulslo.min-saude.pt>
Assunto: ENDOSCOPIA ALTA
À atenção da Dra. Xxxx Vvvv- urgente
Boa tarde, Dra. Xxxx
Acabo de chegar da Clínica Cirúrgica Dr. Joaquim Chaves - Carcavelos, onde fui marcar a endoscopia alta. Fá-la-ei a sangue frio, uma vez que o Estado não comparticipa a sedação e eu não posso dispor dos setenta e cinco euros que ela me custaria. Mas o que importa agora é que todos os exames invasivos impõem regras aos doentes hipocoagulados e eu, tendo o procedimento marcado para a próxima quarta-feira às 19 h, pararei ainda hoje as tomas de Varfine que substituirei por Enoxaparina 6000 injectável. Ainda tenho duas caixas que me sobraram das múltiplas cirurgias dentárias, mas vou precisar de mais umas três ou quatro porque a prática foi-me ensinando que, embora possa retomar o Varfine após o procedimento, o meu INR leva sempre uns largos dias até voltar ao seu normal e eu poder deixar de tomar a Enoxa e o Varfine, em simultâneo.  Venho, portanto, chateá-la mais uma vez para lhe pedir as receitas de Lovenox 6000 (60mg)/0,6ml.
Um beijinho da mais chata das suas utentes

Maria João
________________ outro

Aos funcionários administrativos da USF Conde de Oeiras - muito urgente
Boa tarde

No próximo dia 29 terei de fazer uma endoscopia alta que exige que pare ainda hoje as tomas de Varfarina sódica e que as substitua por Enoxparina injectável. Estando a Dra. Xxxx Vvvv  ausente e o não cumprimento da substituição da Varfarina por Enoxaparina pode custar-me a vida, peço-vos encarecidamente que reencaminhem o meu email para qualquer médico que me possa passar as receitas de  Lovenox 6000 (60mg)/0,6ml. 

Antecipadamente grata,
Maria João Bazílio Brito de Sousa
Utente nº 369413397

___________ agora segue esta mensagem 

Viva, neto meu

Os dois SMS que te reencaminhei correspondem respectivamente à receita "mal passada" pela médica que hoje nos atendeu em Paço de Arcos e à credencial para endoscopia alta passada pela médica que me atendeu no ACES Oeiras na "consulta do dia" no dia 22.
Abaixo segue o email que ontem enviei para a minha médica de família que, conforme vim a saber, só voltará a estar disponível no dia 28.
Vou agora ver se encontro o email que a USF conde de Oeiras me enviou e já to envio.
Alguns factos que "não são nem da missa a metade". Mas ao fim do dia o drama ficou assim:
  • Agora mesmo, incerteza quanto à data de chegada da receita certa do Lovenox 
  •  Amanhã, 16h no Hospital da Luz, ECG por imposição médica, a custos malucos
  • Dia 5, 17h30 na Clínica Cirúrgica Dr. Joaquim Chaves, Endoscopia Alta, com sedação a custos malucos 

24 outubro, 2025

A GUERRA DA UCRÃNIA PÕE EM CAUSA A NOSSA CONSOADA? NÃO SABEMOS! (A VER VAMOS!)


  
Pouco ou nada disto se fala, mas falo eu trazendo aqui o que há pouco li:
"Portugal consome mais de 170 mil toneladas de bacalhau por ano. É o maior mercado mundial de bacalhau salgado, mas está a sofrer com o embargo europeu a produtos russos, revela a Confederação Portuguesas das Micro, Pequenas e Médias Empresas, que pede ao Governo um regime de exceção para a importação de bacalhau da Rússia. 

(...) 

 A confederação relembra ainda que a UE introduziu, a partir de 1 de janeiro de 2024, tarifas de 12% à importação de bacalhau congelado russo, que representava a principal matéria-prima da indústria bacalhoeira portuguesa, e excluiu, a partir de 21 de maio deste ano, a importação e comercialização de todo e qualquer produto dos dois maiores armadores daquele país. 

(...) 

 Pouco antes do Natal passado, a própria Associação dos Industriais do Bacalhau alertavam para os níveis de luxo que os preços deste peixe seco podiam alcançar em 2025, na ordem dos 40 euros por quilo, caso não existissem mudanças na política europeia. A dois meses de nova consoada, o risco de novos máximos reaparece, até porque, só a época natalícia, representa 30% do total de vendas anuais de bacalhau no mercado doméstico em Portugal."

Ler tudo em TSF 

26 agosto, 2025

HÁ 11 ANOS ATRÁS ERA ASSIM E... ASSIM CONTINUA A SER


Vão se mudando os protagonistas e só o gesto continua o mesmo. Quem eram? Não me lembro!

Há 11 anos atrás era assim e... assim continua a ser! O povo continua a levar e o culpado é sempre o outro. 

21 agosto, 2025

DO QUE SE DIZIA NO RELATÓRIO DA COMISSÃO TÉCNICA INDEPENDENTE SOBRE OS INCÊNDIOS DE 2017, ATÉ 2025 NADA FOI FEITO

Paulo Cunha / Agência Lusa

É um documento extenso, com mais de 300 páginas, que revela as opções políticas que abandonaram a floresta em benefício de grandes grupos económicos e do agronegócio. Entregue na Assembleia da República após os fatídicos incêndios de 2017, o relatório da Comissão Técnica Independente abordava as causas do ocorrido, fazia um enquadramento histórico dos «megaincêndios», expunha o recurso à mono-floresta, caracterizava as fatalidades, debruçava-se sobre as determinantes institucionais e apontava medidas. 

Volvidos tantos anos e dada a gravidade do incêndio, seria de esperar que o poder político tivesse aprendido a lição, mas a verdade é que o relatório podia ter sido elaborado hoje. Entendendo que megaincêndios são fogos com área superior a mil hectares, a Comissão Técnica informava que até 2000 tinham ocorrido em média 7 megaincêndios por ano que depois aumentaram para 14 por ano entre 2001 e 2010 e 18 por ano entre 2011 e 2016.

De acordo com o relatório, a gravidade dos incêndios deve-se a condições meteorológicas, acumulação de combustível e ocupação desordenada do território. Neste sentido, segundo o apresentado, a área ardida concentrava-se em florestas de pinheiro-bravo e eucalipto, sendo que em Outubro de 2017, 62% dizia respeito a pinheiro-bravo; 23% a eucalipto; e 8% a mato e restantes culturas agrícolas, sendo que a vulnerabilidade era maior em áreas com elevada continuidade florestal e pouca gestão do terreno.

De forma muito sucinta, no plano da caracterização das fatalidades, o relatório indicava que a maioria das vítimas eram residentes locais, muitas com forte ligação ao território (propriedade rural, agricultura familiar) com predominância de idades avançadas, reflectindo vulnerabilidade física e dificuldade de evacuação. Muitas das fatalidades ocorreram em tentativas de fuga dentro do perímetro habitacional ou em acessos, com algumas mortes a ocorrerem em viaturas durante evacuação não coordenada. Neste campo, o relatório indicava ainda que a proximidade das casas à vegetação e a ausência de faixas de proteção foram factores críticos.

Em oito anos, tanto a composição da área ardida como a caracterização das fatalidades mantêm-se iguais, sendo que o mesmo pode ser dito relativamente às determinantes institucionais que, no caso da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), registava uma falta de capacidade para lidar com eventos da escala que estavam a enfrentar, especialmente após a redução do dispositivo sazonal; que os alertas meteorológicos não eram traduzidos em medidas preventivas eficazes, como pré-posicionamento robusto de meios; que existia comunicação insuficiente entre níveis estratégicos, tácticos e operacionais; e que havia excesso de centralização nas decisões, o que dificultou respostas rápidas.

Já sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), identificavam-se reduzidos meios humanos e financeiros para implementar e fiscalizar medidas de prevenção; planos de ordenamento florestal pouco executados e alguns suspensos por falta de aplicabilidade; e falta de articulação com outras entidades, resultando em medidas preventivas descoordenadas.

No que diz respeito à Guarda Nacional Republicana (GNR) os problemas eram semelhantes, com recursos humanos insuficientes para patrulhamento eficaz num contexto de milhares de ignições, dificuldade em dissuadir comportamentos de risco em dias de perigo extremo e falta de integração com os sistemas de informação e coordenação da ANPC.

Sobre os Corpos de Bombeiros, o relatório identificava a sua vulnerabilidade dada a sua base do sistema de combate composta maioritariamente por voluntários que não responde às exigências dos incêndios extremos, ausência de formação especializada para lidar com fenómenos como piroconvecção e carência de meios técnicos e logísticos, agravada pelo desmobilizar dos meios aéreos (fase Delta).

Além da análise às instituições, o último capítulo do relatório debruçava-se sobre a relação entre ordenamento do território, o uso do solo e a vulnerabilidade ao fogo, apresentando várias propostas. As zonas mais afectadas pelos incêndios foram as áreas onde edificações confinavam com a vegetação, o que foi apontado como o principal problema: a ausência de faixas de gestão de combustível em redor das habitações, construções dispersas em meio florestal, sem planeamento urbano adaptado ao risco, e falta de normas eficazes para reduzir vulnerabilidade das construções. Assim, foi recomendada a gestão activa do combustível (remoção de matos, limpeza de sub-bosque), a alteração das espécies na interface como a promoção de folhosas caducifólias em detrimento de resinosas e eucaliptos; e o reforço dos programas «Aldeias Seguras» e «Aldeias Resilientes». 

Sobre a gestão das áreas sob regime florestal, identificava-se que era necessária aumentar progressivamente o corpo técnico do Estado responsável pela gestão e fiscalização, assim como a necessidade de revalorização do papel estatal na gestão florestal, com mais técnicos, recursos e coordenação com privados. 

Partindo do princípio que a paisagem florestal portuguesa se caracteriza pela fragmentação da propriedade, com milhões de parcelas pequenas; pelo predomínio do eucalipto e pinheiro-bravo; e baixa presença de áreas agrícolas activas, que poderiam funcionar como zonas de descontinuidade, a Comissão Técnica Independente recomendou o planeamento de mosaicos agroflorestais para criar descontinuidades ao fogo, incentivos à gestão agregada e cooperativa de pequenos proprietários e a criação de infraestruturas verdes de protecção (corredores de folhosas, faixas agrícolas).

Para terminar, o relatório contempla ainda uma análise aos fundos públicos como o Fundo Florestal Permanente, PDR2020 e PO SEUR, saindo a conclusão que existe uma lenta e baixa absorção de fundos destinados à prevenção estrutural, uma distribuição desigual entre regiões. A Comissão Técnica sugeria a simplificação do acesso aos apoios e orientação preferencial para medidas que reduzissem risco estrutural.

No dia em que se sabe que este ano as chamas já consumiram 2,35% da área do país, fazendo de Portugal o país da Europa com maior área ardida, cruzando-se a actual situação com o relatório de 2017, exige-se ao Governo esclarecimentos sobre as medidas que não foram tomadas.


14 agosto, 2025

A PROPÓSITO DOS INCÊNDIOS E DA COINCIDÊNCIA DOS MAPAS... (EU NÃO ACREDITO EM BRUXAS, MAS LÁ QUE AS HÁ, HÁ!)


 A imagem chegou-me via WhatsApp por mão amiga, pouco dada a intriga. Estava lá, sem argumento algum. Apenas um titulo "Lítio em Portugal, mapa dos incêndios". Ainda o questionei, mas como a resposta tarda, investiguei.

A investigação quase dava em nada, quando encontrei este artigo, no "Observador" e dele extraio esta passagem

"No fim de contas, dos 1.495 quilómetros quadrados de área debaixo de olho do Governo, só até 3% poderão vir a ser explorados.

E é assim porque “há áreas que não são possíveis de fazer trabalhos mais técnicos”, disse um perito (...): “Os geólogos só olham para as cartas geológicas, não olham para o uso do solo, ou seja, não têm em consideração se tem casas ou campos agrícolas, etc., o que significa que esse trabalho de prospeção tem de ter em conta outros critérios, nomeadamente algumas condicionantes, seja de área protegidas, seja o que for que vai apertando a área”.

 Ou seja, tudo passa a ser possível se as tais condicionantes arderem...

09 julho, 2025

PROCURANDO FALAR DO QUE ULTIMAMENTE NÃO TENHO FALADO, INSPIRARAM-ME A FALAR DE SÓCRATES...

Imagem publicada no blog da EMATEJOCA AZUL

Ocorre-me falar de Sócrates depois de ter dado por um título - "O PROCESSO" - que encabeçava um texto escorreito e adequado aos tempos que correm. Li-o no blog da Teresa e lá deixei este comentário:

"Quando li o título, ocorreu-me Kafka e, de facto, todo o PROCESSO é labiríntico, intricado, obscuro .Quanto aos socráticos, serão menos os amigos e muitos mais os seguidores... Quanto à imagem, diria duas coisas "ele nada bem nestas águas" e..."quem nada, não se afoga"

Comenta-me ela:

"Certamente, estabeleci uma alusão entre o título e Kafka, destacando o carácter labiríntico e intricado do processo, o que remete de maneira bastante precisa ao estilo kafkiano de explorar a complexidade e a obscuridade. Quanto aos socráticos, a tua observação de que há mais seguidores do que amigos é bastante perspicaz, refletindo a influência duradoura e a disseminação das suas ideias ao longo do tempo. As imagens que tu evocas, de alguém que nada habilmente nas águas e a frase “quem nada, não se afoga”, são bastante elucidativas, sugerindo que a habilidade e a confiança na navegação podem evitar dificuldades e perigos."

E fiquei eu matutando: se "só sei que nada sei", no fim disto tudo, só ficarei sabendo que nada saberei e mais, prevejo que, da cicuta, estará este Sócrates bem afastado...