25 agosto, 2023

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM... GATA


"Olá!"
disse-me ela. 
Eu respondi-lhe da mesma moeda
Ela perguntou-me se a levava
Por qualquer estrada
Entrei no carro
e convidei-a 
a sentar-se a meu lado
Ela negou
e preferiu seguir
em cima do capô 

Demos uma voltita
pela estrada da vida

Desde esse dia
passou a ser minha companhia

Quem não tem cão, caça com gata!

Rogério Pereira 

 


24 agosto, 2023

DESISTI DO LIVRO QUE ESTAVA ESCREVENDO?


Pode a ideia de ter desistido do meu livro pode vir à mente de muita gente, por se terem passado alguns dias sem falar disso. Primeiro, diria que depressa e bem não há quem. Depois, meteram-se prioridades que despertam em mim, por solidariedade, a obrigação de estar ao lado delas ou até mesmo á sua frente.

Nunca desisto daquilo em que me meto. Não desisti do livro que estava escrevendo... regressarei a ele em meados de Setembro!

22 agosto, 2023

HOJE... SENTI-ME LÍDIA (BORGES)



O TEMPO 

O Tempo é mestre.

Com ele aprendi a não me violentar
com ordens e desordens pré-estabelecidas.

Aprendi a aceitar, das palavras
 e dos silêncios, tempos e espaços.

Com o Tempo
descobri que é possível habitar
lugares vazios, sombrios, sem que o nada e a sombra
criem raízes na rota da respiração,
se quedem no corpo e na alma
sem que corpo e alma desaprendam, do sol,
o sentido, o paradeiro e o esplendor.

Com o Tempo aprendi a dar tempo
à tristeza, à mágoa, ao espanto, à alegria.

Aprendi a menosprezar os altifalantes
as vozes atrás das vozes,
o dizer abstrato, vanguardismos
de todos os tempos
úteis.
Néon, vaidade, reverência. Álcool.

Aprendi a cultivar astros e regatos,
árvores, pássaros e pedras
a viver destas palavras pobres e nuas,
como eu
infinitamente frágeis e mortais.

Lídia Borges (in SEARAS DE VERSOS)

21 agosto, 2023

O MELHOR DE MIM, FOI SEMPRE ELA!

Logo a seguir me diria, com este mesmo sorriso: "Maaaluco!"

O MELHOR DE MIM, FOI SEMPRE ELA
Quem não esquece o passado e não desiste,
Com orgulho mal disfarçado, persiste
Em procurar a utopia que num sonho conheceu?
Eu!

Quem vê uma lágrima, não importa por que dor
Junta outra sua, se necessário for,
pois de ser solidário nunca se esqueceu?
Eu!

Quem em mil metamorfoses e em festa
Aceitou ser árvore escondendo em si a floresta
Para que todos os pássaros pousassem num ramo seu?
Eu!

Quem comigo fez tal caminho
Aceitando valores, defeitos e carinho
Partilhando ausências, frustrações e alegrias, por tabela?
Ela!

Falar de mim é falar de nós...
...e o melhor de mim, foi sempre ela!

Rogério Pereira - reeditado (2010) revisto

20 agosto, 2023

SE ESTIVESSE ENTRE NÓS, FARÍAMOS HOJE 57 ANOS DE CASADOS...

 


  • Diz-se no GÊNESIS que "... da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma Mulher..."
  • Diz-me Minha Alma que  tal costela, regressou ao meu corpo e, assim, e eu e ela passaremos a ser um só, para sempre.
Se ela estivesse aqui e lesse isto, diria com aquela sua expressão terna e doce, mas em tom de censura: maaaaluco!



19 agosto, 2023

... E O LUFA-LUFA CONTINUA (DE VENTO EM POUPA)!

Projecto de construção nos terrenos da ex-Fundição de Oeiras

Lembram-se desta imagem? Pois quero que saibam que hoje, numa reunião convocada por mim e por mim  moderada, saiu um conjunto de acções a contrapor à adversidade de um projecto megalómano. No decurso da sessão houve contributos, sempre no mesmo sentido, de se opor àquilo. E mais, foi criada uma comissão que integra associações de moradores, movimentos ambientalistas e moradores que se ofereceram para o que desse e viesse. 

Vou dando notícias que darão a prova que, de facto, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!
 

18 agosto, 2023

O NEO-COLONIALISMO NA SUA EXPRESSÃO ACTUAL

Se a imagem fala por si? Claro! E foi por isso mesmo que a escolhi...  
Caso fosse alentejano, o caricaturista mostraria o rico a dar um chouriço para, pela porta do cavalo, lhe estar a gamar o porco!


Mas... a realidade é bem mais complexa e não traduzível por um simples desenho, por mais expressivo que seja. 

Invista uns minutos e veja o vídeo

 

17 agosto, 2023

ACORDEMOS!

(reeditado) 


Acordemos!
Acordai
mulheres
que dormis
embaladas
por almas
desalmadas
desenhadas
nas passarelas da vaidade
nas capas das revistas
na ausência da cidade
na omissão dos dias
na mingua dos afectos
no silêncio da fome
que nos consome

Acordai
almas de vestes finas
de fino recorte
de lânguida aparência
na transparência
dos gestos ausentes
dos gestos dormentes
dos gestos mansos e quietos
das mulheres que dormem
em teu regaço

Acordai
Filhas, esposas,
mães
avós

Acordai
acordemos,
todos nós


Rogério Pereira

 

16 agosto, 2023

SERÁ QUE UMA PROVOCADORA ANEDOTA MERECERÁ SER INCLUÍDA NO LIVRO QUE VOU ESCREVENDO?

Reeditado de um post publicado em 2011, com este titulo assim: 

Cimpor, passa para as mãos dos brasileiros. António Borges, consultor do Governo para as privatizações, considera a operação como uma operação "do maior interesse para o país".

"Portugal perde oitava cimenteira do mundo"

Lembrei-me de contar aqui um episódio da minha vida profissional. Foi num dia qualquer, de um qualquer mês do inicio de 1999, que fui convocado pelo partner da área da auditoria e que era responsável da "conta Cimpor" para uma sessão com os quadros daquela empresa, visando expor as oportunidades de melhoria do desempenho organizacional de uma área de gestão, da qual eu considerado como especialista qualificado e experiente. 
Fui. Eu e o partner. A  sala de reuniões, na sede da Rua Alexandre Herculano, estava quase repleta com os responsáveis das diferentes fábricas, outros directores operacionais, directores das áreas de gestão dos custos industrias, da informática, entre outros. Enquanto eu ultimava os preparativos para a apresentação, o "meu" partner ia, informalmente, trocando impressões com os presentes. Deu para cedo perceber que, nem a convocação da reunião era pacifica, nem a disposição de grande parte daquela gente estava conforme o descontraído ambiente.  Iniciei a sessão, com o power point aberto na agenda, começando por agradecer a presença dos circunstantes. Ia eu nisso, quando fui interrompido -"Posso contar uma anedota?" - o partner,  surpreendido, consentiu perante a gargalhada de uns quantos e os sorrisos contidos dos demais, que conheciam quer a situação quer a anedota que ia ser contada. Contou ele, genialmente:
"Vinha por uma estrada do nosso Alentejo profundo, num carro de topo de gama, um senhor engravatado e, assim (e apontou-me), de fato escuro. Ao ver um pastor conduzindo o seu rebanho, pelo campo à beira da estrada, abrandou a marcha do "carrão" e, depois de acompanhar o pastor um bom bocado e em marcha lenta, dirigiu-se a este com uma pronuncia mal amanhada: "Bom dia, compadre!", "bom dia" respondeu o pastor, levando a mão ao chapéu, à laia de saudação. "Ó compadre, se eu lhe disser, assim de repente, quantas ovelhas tem esse seu rebanho, vossemecê oferece-me uma?", o homem coçou a cabeça, como quem pensa e, talvez por não acreditar em tal possibilidade, consentiu "Atão na dou?, vamos lá a ver s´adivinha!..." - O engravatado, já com o carro parado, avançou certeiro "são quarenta e duas". O pastor, visivelmente espantado: "Atão como é que c´adivinhou?" Orgulhoso do feito, decidiu levar mais longe o gozo: "Foi fácil, contei-lhes as patas e dividi por quatro". O pastor, resignado, disse ao engravatado que lá levasse a ovelha conforme o combinado. O homem desceu do carro, pegou num animal, e dirigia-se ao carro, quando o pastor o interrompeu "Pere lá, compadre. Agora proponho eu, sê cá adivinhar a sua profissão o compadre me devolve a ovelhita?" O engravatado presunçoso, assentiu e o pastor, avançou com tom convicto "O compadre é consultor!" Desta vez foi o engravatado o surpreendido "Mas como é que adivinhou?" disse, deixando para trás a falsa pronuncia com que sempre falara. Calmamente o pastor respondeu "É que no meio de tanto animal igual, só um consultor se poderia enganar. O que o compadre pegou é o cão que me guarda o gado!".  
Como a provocadora anedota não beliscava, minimamente, o meu querido pastor alentejano e não me senti atingido, nem reagi mal. A reunião correu muito bem, com interesse, até de que me fizera a provocação. 
Mas o que é que isto tem a ver com a notícia em título? Quase nada, mas eu gostava de saber o que pensam os quadros da Cimpor de um engravatado que depois de "ter entregue" a Cimpor, talvez se prepare para entregar o gado, o cão, o pastor e o seu cajado. É que esse engravatado é capaz de tudo... 

E já agora, que pensará o povo?

15 agosto, 2023

O LIVRO QUE SÓ AGORA DECIDI ESCREVER, DESDE 2010 QUE ESTAVA PARA ACONTECER...

 Os meus contributos para a morte lenta da Indústria Transformadora

Era este o título da minha publicação em 29 de Abril de 2010 e que agora reproduzo. Tem matéria útil para inscrever no prefácio, naturalmente actualizando os gráficos e adequando o estilo...

Façam o favor de ler...

Não sei o porquê deste ar de quem tem sentimentos de culpa. Nem eles, nem os partidos que representam, podem ser culpabilizados. A culpa é minha. A morte lenta do aparelho produtivo tem, na minha descuidada intervenção, a principal causa. Os semanários poupam-me. Omitem as minhas culpas, mas estes vão aparecer como os principais salvadores.


Introdução – Se bem se lembram, já contei, fui enfermeiro graças aos testes psicotécnicos que me descobriram tal aptidão. Quatro anos de serviço militar. Passado à “peluda” em finais de 1971, não foi difícil arranjar emprego. Não potenciei a minha vasta experiência anterior adquirida em diversas actividades: como paquete num escritório; vendedor; revisor de textos num jornal; enfermeiro. Nem sequer quis utilizar a cunha do meu sogro, para ingressar numa seguradora. Quis uma função fabril: Programador de Trabalho. O que se seguiu foi o ingresso numa profissão aliciante que passou de Programador a Técnico de Organização Industrial e depois a consultor, atingindo o topo da carreira como senior manager nas áreas da consultoria em organização e gestão. Conheci apenas 4 entidades patronais, mas em 8 admissões. Como explicar esta incongruência? É simples: Saia de uma e entrava noutra de onde saía para regressar à primitiva. Fiz isto quatro vezes. Um verdadeiro boomerang, lançado para novos rumos e com regressos festivos e melhorados em salário, categoria e respeito profissional. Digo isto por vaidade pessoal? Não! Claro que não. Digo isto só para dar evidência de que este meu testemunho se baseia em competências reconhecidas e admiradas…

Uma carreira construída a fechar empresas – Ao fim do meu percurso profissional, faço o balanço e constato que de todas as empresas que me deram emprego (Ramalho Rosa, Ld.ª; G. Tournier, SARL ; NORMA; Coopers & Lybrand; PwC Consulting e Lisconsult) apenas esta parece ainda ter alguma actividade. Todas as outras ficaram pelo caminho...
Quase todos os projectos onde participei levaram ao encerramento de empresas de grande ou média dimensão ou a alterações profunda na sua missão. A lista é tremenda: Siderurgia Nacional; SAPEC; MAGUE; Companhia Portuguesa do Cobre; MJO; Fundição de Oeiras; A Reguladora; IPETEX; J.B. Corsino; Companhia Portuguesa de Trefilaria; Sociedade Portuguesa dos Sabões… Estas empresas tiveram o meu apoio em projectos inovadores visando replicar efeitos de produtividade e melhoria da qualidade em outras, por feitos de demonstração de boas práticas… As outras replicaram mesmo: ou já fecharam ou acabarão por encerrar. Os quadros seguintes dão a visão global dos efeitos da minha intervenção. 

Entre 1990 e 2002 fechei várias empresas, as outras imitaram os meus projectos e vão fechando sob o efeito da minha competente intervenção. Porque os efeitos só se fazem sentir a médio prazo, as agências de "rating" chamam a isto uma economia em "morte lenta"

Claro que o impacto no emprego também me coloca na lista negra como principal causador de muitos dramas que vão por aí. 

E o sector público? - Pois, também aí vão acontecer coisas. Tendo eu realizado projectos relevantes na CARRIS, STCP e INCM não se deverá esperar muito para... Não estas não fecham, privatizam-se. E como passei na Direcção Geral dos Serviços Prisionais, sem ter ficado em nenhuma das suas celas, nada me admira se não teremos presos em Estabelecimentos Prisionais privados... prontos para nos receber a nós (aos outros, não!).

Epílogo - Os dois senhores que irão salvar as trapalhadas que eu ando a fazer desde o 25 de Novembro, já chegaram a um entendimento, que podemos resumir assim:

  • Nada de reforçar o aparelho produtivo que eu derreti, iria dinamizar a economia, criar emprego e aumentar a base de incidência das receitas do Estado. Nada de fazer isso. Embora reformado, eu continuo por aqui e sou um perigo
  • Pelo lado da receita será melhor privatizar, sobretudo o que dá lucro
  • Irão reduzir os subsídios de desemprego, ver-se-ão livres dessa despesa
  • Irão fazer mais umas coisas, nem eles sabem bem o quê...

Serão os salvadores do Sistema. Ou aparecerão como tal...


13 agosto, 2023

ENA CUM CATORZE!


Os anos passam depressa e houve festa. A festa, repartida, teve hoje a presença da família. Amanhã será com os amigos, que são muitos mais. É tão bom, mais que ver, sentir a família reunida. E mais que reunida, unida. Das filhas, faltou a minha-do-meio, a braços com uma maleita passageira e os outros avós andam a banhos.   

No postal de Parabéns, que acompanhava a prenda, lembrava o meu desejo de que ele siga a tendência que nele fiz nascer...

Vamos ver!

12 agosto, 2023

O MEU SONHO (réplica ao poema sobre o medo)


RÉPLICA AO POEMA SOBRE O MEDO 

Rir? Sorrir?
Sorrir de um sonho?
Desse sonho lindo
que resultará
da nossa empenhada luta?
Em criança, nesse tempo
o sonho já fazia parte do meu crescimento
Pelo sonho de menino, ía crescendo
Hoje, ao certo, não sei definir o meu sonho
Só sei que ele, o sonho
ao contrário do medo
tem tudo lá dentro,
tudo de tocar, de se ver, de se cheirar 
de repartir, de doar,
de amar 
E sinto,
que é pelo sonho que caminho
E que cada vez que sonho
"o Mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança"*

Sonhemos todos!
Rogério Pereira 

* Roubado a um poema que deu a canção
que muitos de nós trazem no coração 


11 agosto, 2023

O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - COMO ACORDAR A MEMÓRIA II


O meu encontro com o Samuel acabou por ser, não no Café do Mar, mas na esplanada de uma gelataria mesmo em cima da Doca do Bom Sucesso e sob esse signo Foi uma alegre e emocionada cavaqueira falando de tudo um pouco. Há mais de 20 anos que não nos víamos. Falámos de nós, da nossa família das minhas maleitas e da razoável saúde dele e da sua gente. Falámos dos animais e dos seus comportamentos a propósito de o Samuel, a dada altura, olhando o relógio, referir que tínhamos que acabar perto do meio-dia pois ele tinha que ir buscar o seu cachorro, que tinha estado internado numa clínica veterinária, depois de ter sido atacado por um outro cão.

O reencontro durou mais de duas horas e foi particularmente rico quanto ao motivo: acordar a minha memória. Tomei várias notas, umas que surpreenderam (não me lembrava nada que tivéssemos estado juntos na Feira de Hannover, sempre julguei lá estar sozinho), outras que confirmaram o que já sabia.

A dada altura surgiu o espanto:

"Eh pá, então não te lembras do teu trabalho no Departamento Florestal da Celnorte? A Celnorte, que após desnacionalizada foi parar às mãos da Sonae, pediu-nos quase tudo. Foi para aí em 1976. Eu e o Caracol estivemos em Viana, lá na fábrica, sei lá, mais de três anos foi quase de certeza."

Eu ia ouvindo o Samuel e a memória ia acordando. Ele continuou:

"A dada altura o director da fábrica pediu ao Tournier que fizéssemos um estudo de reorganização do Departamento Florestal. Como não havia mais ninguém avançaste tu. Foi um trabalho que surpreendeu toda a gente. Talvez não te lembres porque quem, depois, tratou da implementação fomos nós. Mas o diagnóstico e o modelo conceptual foi trabalho teu!"

Lembrei-me então de ter percorrido explorações florestais em todo o País, mas só ali soubera o resultado desse meu trabalho e o quanto tinha sido apreciado...

Despedimo-nos com um almoço por agendar e com a oferta de dois livros meus. O dos contos e o outro.


 

10 agosto, 2023

O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - COMO ACORDAR A MEMÓRIA


Tenho vindo a arrumar o que vou escrevendo no meu baú sob a etiqueta "Caminhos do meu navegar"... não é apenas por ser poético que assim me refiro ao meu caminho, mas porque de facto resisti ao balancear da barca, porque julgava estar a orientar-lhe o rumo e porque sobrevivi a ventos e marés...

Passando a outra linguagem e ao tema de hoje, que não figurará em qualquer página, tenho investido algum tempo na procura de quem me avive a memória. Já tardava a conversa com o Samuel mas amanhã, de manhã, temos marcado encontro em esplanada por mim sugerida: vai ser no Café do Mar à beira da doca do Bom Sucesso, em Belém. Bom sucesso, espero eu do que o Samuel me vai recordar, ele, que foi quem me lançou na carreira.

Depois conto!
_________________________________________

PS - As minhas filhas (e não só) têm vindo a pressionar-me para não continuar a publicar os capítulos do que vou escrevendo. A argumentação foi convincente e passarei a limitar-me a publicar passagens que despertem o apetite para a leitura da obra.

09 agosto, 2023

... E O LUFA-LUFA CONTINUA!

REUNIÃO SOBRE O LOTEAMENTO
DA FUNDIÇÃO DE OEIRAS
Por convocatória de Rogério Pereira, em representação do Bairro da Medrosa, estiveram presentes:
  • da AMNO - Luís Liberal (Presidente) e Jorge Pinheiro (Presidente da Assembleia Geral)
  • do Bairro da Medrosa - Rogério Pereira, João Almeida e Tomás Santos (estes, moradores da urbanização junto ao Quartel.
  • da AMQP - Marco Pedrosa (Presidente) - Que embora não tendo participado na discussão, concordaria com as conclusões
RESUMO E CONCLUSÕES

Da discussão profunda em torno do Projecto de Loteamento da Fundição de Oeiras, foram consensualizados os seguintes pontos:
  1. A documentação, disponibilizada no portal www.participa.pt, é de conteúdo muito técnico e vasto pelo que será de considerar não ser de acessível leitura pela maior parte dos moradores;
  2. Que se torna necessário e urgente divulgar as linhas gerais como notícia do projecto, já que a sua existência é desconhecida pela maior parte da população;
  3. Que só se deverá entrar pela denúncia das políticas locais no caso e como resultado de forte mobilização das populações residentes em todos os bairros entre a linha de caminho de ferro e a marginal, não deixando de envolver o comércio  local;
  4. Que, dado o prazo reduzido para as acções (o edital refere a data de 5 de Setembro como termo da consulta) não é aconselhável qualquer tomada de posição representativa;
  5. Esta conclusão não deve ser impeditiva de se convocarem reuniões de discussão, como por exemplo o reunir-se administradores de condomínio, com o fim de se criar uma dinâmica envolvente;
  6. Dever-se-á estar atento à evolução dessa dinâmica a fim de colocar a questão na Assembleia Municipal de Oeiras e na Assembleia da União de Freguesias de OPAC
  7. Para já e no imediato há que divulgar, nas caixas de correio do maior número possível de prédios, o edital de consulta pública e o perfil do projecto, como forma de dar notícia e contendo apelo a tomadas de posição individual
 Segue em anexo o verso da monofolha, em conformidade com o ponto 7.

O relator

Rogério Pereira


 

07 agosto, 2023

O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - JÁ TEM CAPA


Melhor dizendo, a capa já tem a imagem que a ilustrará. Trata-se de tela de pintura a óleo da autoria de António Tapadinhas e já a ela fizera referência há mais de uma dezena de anos atrás. Relembro o texto, que vem bem a propósito:

Sem minimizar os problemas que a questão das qualificações colocam à necessária reindustrialização e ao indispensável desenvolvimento do aparelho produtivo do país, quero sublinhar que esse nunca foi um factor inibidor de tais desígnios. Prova-o António Tapadinhaspintando a Siderurgia no Seixal /Paio Pires, (muito perto dos meus lugares de infância). Se pintou esse quadro é porque, em determinada altura num Portugal atrasado e feudal, foi possível em 1961 avançar para uma industria exigente em qualificações num meio já com algumas caracteristicas industriais mas ainda predominantemente rural, como muito bem comenta o António, lá no seu blogue. Provo-o eu também, sendo exemplo pessoal e ao mesmo tempo testemunha de que a questão das qualificações não foi uma questão central.
Como exemplo: Chego à Siderurgia em 1973 como consultor para acompanhar a expansão da SN com a criação de uma nova fábrica a construir no norte, na Maia/Ermesinde (1). Responsabilidade técnica de elevada exigência, pois era responsável por montar todo o sistema organizativo das áreas de aprovisionamento e manutenção da nova fábrica. Que tinha eu feito para me habilitar a tal? Pouco ou mesmo nada: Tinha frequentado o ISEL; tinha sido vendedor nem eu já não me lembro do quê; tinha sido quase-jornalista; tinha sido enfermeiro militar... E, como não há milagres recebi com o projecto todo o "saber-fazer" da empresa que aceitou o risco de se limitar a contratar um gajo que sabia-estar, sabia-saber e sabia-querer...
Como testemunho: A qualificação de funções operacionais foi adquirida no contexto da realização dos projectos quer em 1961 na fábrica do Seixal quer em 1975 na fábrica de Ermesinde... 
A grande questão, a questão central está localizada no desenvolvimento. Uma estratégia bem conduzida ao nível do investimento permite ultrapassar grande parte das dificuldades ao nível das qualificações, diz-me a experiência...
A boa integração da formação qualificante nos próprios projectos de investimento é, como referi, uma forma de ultrapassar grande parte das dificuldades, mas não todas. As outras, resultantes do facto de Sottomayor Cardia(2) ter desmantelado em 1975 toda a equipa do Ministério da Educação e ter unificado o ensino, deixando cair as escolas técnicas, deixaram marcas profundas no saber-saber (competências básicas), no saber-estar (ninguém que vestir o fato de macaco) e no saber-querer (todos querem ser doutores ou engenheiros, porque apenas se valoriza socialmente esses status). Há muito que fazer para reverter estas situações... No ensino as grandes mudanças, boas ou más, projectam-se no tempo e são duradores os seus impactos ou sequelas. Ainda vivemos delas...
Hoje, o quadro do António espelha bem um declínio mais profundo do que aquele que directamente está presente na imagem que pintou. Obrigado António por retratar tão bem a nossa realidade.
--
(1) Ver História da Siderurgia em Portugal
(2) Ver comunicação de Mário Cerqueira Correia (ex-director) no 50º aniversário da Escola João Gonçalves Zarco e ver ainda "História da Educação em Portugal"

06 agosto, 2023

SOBRE O MEDO: OS "CAPICUA" RESPONDEM AO PAPA

 

Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.
MEDO DO MEDO, por "Capicua" 

05 agosto, 2023

SERÁ QUE D. MANUEL CLEMENTE REPETE O TAL GESTO OBSCENO?


Mais que certo que D. Manuel Clemente, ao ver o que publiquei, será mais contido e não irá repetir o obsceno gesto. Ele conta com o algoritmo para me limitar o diálogo e o convívio. Ele conta com a capacidade do blogger em me impedir que possa comentar ou responder a quem me comenta... a CAPTCHA não falha...
(ultimamente é o que me tem acontecido, 
quero comentar e não consigo)


 

04 agosto, 2023

VOLTEI A SENTIR-ME FRANCISCO!

A parte relevante do discurso do Papa Francisco no Centro Cultural de Belém não teve o eco esperado entre meios de comunicação, analistas e comentadores, o que deixa perceber o desconforto face a algumas das questões levantadas.
Na recepção institucional promovida pelo Presidente da República, no CCB, perante uma plateia onde se faziam representar os principais dirigentes políticos nacionais, membros do Corpo Diplomático e personalidades de áreas diversas, o Sumo Pontífice falou do nosso País, da forma como está a acolher a Jornada Mundial da Juventude e dos que «na sociedade portuguesa se preocupam com os outros, nomeadamente a Igreja». Em particular, referiu Lisboa, não apenas enquanto «cidade do encontro que abraça vários povos e culturas», mas a cidade de um oceano que «não liga apenas povos e países, mas também terras e continentes».

«No oceano da história, estamos a navegar num momento tempestuoso e sente-se a falta de rotas corajosas de paz», referiu o Papa, questionando a Europa: «para onde navegas, se não ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? Que rota segues, Ocidente? A tua tecnologia, que marcou o progresso e globalizou o mundo, sozinha não basta; e muito menos bastam as armas mais sofisticadas, que não representam investimentos para o futuro, mas empobrecimento do verdadeiro capital humano que é a educação, a saúde, o estado social». Uma Europa, coração do Ocidente, «que inclua povos e pessoas, sem correr atrás de teorias e colonizações ideológicas» e seja capaz de abrir «percursos de diálogo e inclusão, desenvolvendo uma diplomacia da paz que extinga os conflitos e acalme as tensões», sublinhou.

No seu discurso, Francisco definiu como tarefa prioritária «defender a vida humana, posta em risco por derivas utilitaristas que a usam e descartam», questionando «o descarte dos idosos, os muros de arame farpado, as mortandades no mar e os berços vazios», para além da oferta de «remédios rápidos e errados como o fácil acesso à morte».

O Papa referiu-se também a «uma triste fase descendente na curva demográfica», sublinhando que «a boa política pode fazer muito neste sentido», se for chamada «a corrigir os desequilíbrios económicos dum mercado que produz riquezas mas não as distribui, empobrecendo de recursos e de certezas os ânimos».

Ainda a propósito de Lisboa, sublinhou o facto de aqui ter sido assinado o Tratado de Lisboa, de uma União que «tem por objetivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos», mas também o de contribuir «para a paz, a segurança, o desenvolvimento sustentável do planeta, a solidariedade e o respeito mútuo entre os povos, o comércio livre e equitativo, a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos humanos». 

Uma das personalidades presentes no Centro Cultural de Belém foi Paulo Raimundo, para quem o discurso do Papa Francisco tem um «significado na condenação das injustiças, das desigualdades, da guerra, dos problemas ambientais, das dificuldades e da precariedade que muitos jovens enfrentam», não estando desligadas «das opções e do caminho traçado pela União Europeia». O secretário-geral do PCP, para além das «preocupações com a justiça social e o apelo à paz», destacou ainda «a esperança no futuro enunciada pelo Papa, certamente não exactamente da mesma forma como nós o fazemos, mas que tem muita relevância».

Publicado em AbrilAbril

03 agosto, 2023

O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - Cap. 005


DE PROGRAMADOR A TÉCNICO DE ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL 

 

Em cada semana que passava a produção ia sofrendo quebras quer na quantidade de garrafas saídas da linha de enchimento quer no tempo despendido na sua produção. Os serviços comerciais desesperavam, em pré-anúncio do destino da unidade fabril. 

 

O seu encerramento aconteceria não muito depois da minha saída da qual dei conhecimento, em conversa afável e longa, com o meu chefe de serviço. Transmiti-lhe o meu desapontado sentir, mas dei-lhe por testemunho o quanto aprendera ali. No abraço de despedida Bioucas confessou-me que mais tarde ou mais cedo, inevitavelmente, me seguiria o exemplo.

 

Ao saber desta minha decisão e a conversa que tivera, o Samuel, de sorriso largo, confessou-me que lhe estava a dar uma boa notícia pois já tinham decidido, lá na empresa, que me iriam admitir como técnico de organização industrial alargando a equipa. Acrescentou que não tinham até aí tomado a iniciativa de me convidar, por defenderem como princípio ético não roubar quadros às empresas clientes.

 

Não poderia ter ficado mais agradado. Ainda não fechara completamente uma porta já outra se abrira a um percurso profissional onde iria potenciar tudo o que aprendera... e continuando a trabalhar em ambiente operário.

 

Formalizado o despedimento, no mês seguinte, lá estava frente à porta daquele edifício de nobre traça e bem localizado e servido de transportes.

 

Subi as escadas e o Caracol abriu-me a porta e, depois de um muito amigável abraço seguido de um “bem-vindo”, encaminhou-me para um pequeno gabinete com uma única secretária, sobre a qual jazia uma pilha de pastas.

 

“Vai dando uma olhadela a isso...” disse apontando a documentação “... a gente já vem, fica à vontade!” e, piscando o olho em manifesta cumplicidade, saiu fechando a porta calmamente.


Continua 


 

02 agosto, 2023

PCP VISITA A FUNDAÇÃO DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

VER VÍDEO AQUI

A visita não tem motivações religiosas e nem é de mero oportunismo politico. A visita tem a ver com o facto de a Jornada envolver toda a juventude e ser esta a camada que justifica o muito por que o Partido luta e tem lutado.

Paulo Raimundo não referiu uma só palavra relativa ao Papa, mas poderia tê-lo feito já que eu próprio, de há muito, me venho sentindo  Francisco.

... E já agora divulgo algo que merece ser divulgado e que consta no espaço da Quinta da Atalaia (Festa do Avante! )


01 agosto, 2023

O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - Cap. 004

 

MUITOS FORAM OS MESES QUE PASSARAM

SEM QUE DESSE POR ELES


Depois daquele reencontro, mais fiquei a saber: que ele, era quadro de uma empresa de consultoria na área da manutenção industrial e que estava ali em prestação desse serviço, até ao arranque da fábrica; que, além dele, trabalhavam nessa empresa mais dois elementos que também foram alunos do Instituto (disse-me os nomes, mas eu, na altura, não os associei a quem); que no dia seguinte iria entrar, na Cergal, um técnico preparador do trabalho, com o qual eu viria a ter contacto estreito pois todas as minhas tarefas eram dependentes das que ele ia, no dia-a-dia, realizando. Foram dois ou três meses de formação intensa e prática até ao arranque, seguido um lufa-lufa constante sem que eu, sedento de saber, sentisse a pressão das extensões de horário ou de uma coisa ou outra que ia acontecendo e correndo menos bem.

 

Ia tudo andando com todos achavam que devia andar, quando apareceram os primeiros sintomas de ter sido a decisão de construir a fabrica naquele lugar um enorme erro e um investimento desastroso.

 

Tudo começou ao notar que a enorme máquina de lavagem de garrafas, a primeira da máquina da linha de enchimento, vinha tendo sucessivos cortes na alimentação de água reduzindo ao mínimo o caudal necessário. O controlo de qualidade de linha vinha cada vez mais a rejeitar quantidades significativas de produto final (cerveja engarrafada, pronta a seguir para o mercado) por as garrafas apresentarem depósitos e até pequenos objetos como resultado da deficiente lavagem.


Todos os encarregados comentavam a constante ocupação do Diretor Técnico a fechar bebedouros e torneiras...

 

Mas a dinâmica estava criada e aqueles percalços eram tidos e comentados como consequência da seca severa que assolara o País, embora, na serra, nunca falhara o chuvisco...

 

Entretanto a minha relação com todos, desde a direção ao pessoal operário, era bem sintomática de que aquele era o meu mundo. E a simpatia com que me rodeavam aumentou bastante depois de nas festas de Natal, dirigidas aos trabalhadores e suas famílias, ter eu animado, em palco, as festividades estabelecendo diálogo com as crianças presentes e, até, contando pequenas histórias recolhendo sorrisos e palmas.

 

Não muito depois, a fábrica seria encerrada e todos os trabalhadores e quadros dispensados...


Continua