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05 maio, 2017

Eufrázio convidou-me para um abraço... e eu vou dar-lho

 
«as minhas publicações não pretendem salvar o mundo, mas sim evidenciar afetos. Na verdade não me considero um poeta, apenas um artesão de metáforas. Escrevo porque me dá prazer, as minhas palavras querem transmitir algo, a quem as quiser ouvir».
Eu eu quero ir ouvir! (podia lá perder...)

06 junho, 2011

"A Maior Flor do Mundo", será reanimada muito, muito lentamente, quando houver mais gente a repetir-nos o acto

Quando há dois meses atrás criei para este blogue um novo visual, escrevi em jeito de editorial quando se avizinhava à pré-campanha para as eleições legislativas:
“Durante muitos dias, até 6 de Junho, proponho-vos sair da algazarra do dia-a-dia: sair do tem que ser; sair do este é mau e o outro não é melhor; sair do termos de apoiar este porque com o outro seguinte tudo vai acontecer, como se morrer lentamente fosse diferente de morrer ou se a mentira pudesse ser mais tolerável se for dita de forma mais agradável ou com um pouco de verdade à mistura”.
Foram 11 posts a partir dum conto de Saramago passado num filmezinho animado. Nem me parecia ser possível construir tanta pequena estória dento do conto. Termino hoje com mais uma versão. Talvez a mais verdadeira de toda a narração original inteira. Termino porque terá de ser, porque tenho que voltar ao meu avinagrar. Mas quero que saibam que contos destes levam-nos a uma infindável imaginação e um dia há que parar, porque há outras coisas para dizer e... fazer..


Ainda não estando apurados todos os deputados, mas conhecidos vencedores e derrotados, a família sentiu-se aliviada. Ele, ignorando o estaleiro parado, olha o último modelo do carro desejado. Mentalmente volta ao pensar de sempre: com o novo eleito retirará desse facto o necessário proveito. Tudo, pensa ele, voltará ao que era dantes. Não se produz? Não se trabalha? Não se recebe? Que importa? Saber lá se a sorte não está por detrás da sua porta. Sexta-feira é dia de Euromilhões... Se não for dessa, de outra oportunidade será...

Ela não é diferente da comum gente e ei-la regressada à leitura do prospecto para a compra desejada. O menino voltou a andar perdido não retendo a atenção de um ou de outro. Amam-no? Claro. Quem poderá pensar o contrário? Só que é uma nova forma de amar e sobretudo, amam-se a si próprios mais que tudo. Um novo governo gerou nesta família a tranquilidade que faltava. Pensam, na sua ingenuidade, que tudo voltará à normalidade de continuar a gastar, que tudo o que até aí acontecia era apenas por incompetência do governar...

"A Maior Flor do Mundo", reanimou-se um pouco. Gestos de mãos necessários para que renasça. Gestos do menino e meus também(*) Sem sonhadores... não há sonho. Suponho

(*) Pormenor de foto que me foi tirada pelo João, em pleno acto de eleição

04 junho, 2011

Dia de reflexão


Se quer apenas escolher quem vai gerir o Programado (e há muito, por ambos assinado) recomendo, neste dia de reflexão, que opte pelo trauliteiro que foi mais eficaz (se for capaz...)

03 junho, 2011

Eleições? Só um filme nos pode salvar

A nova versão do filme, com argumento que me foi encomendado...

...será um libelo contra a sanha privatizadora, ditada pela troika.

Estava meio deprimido. A semana não tinha corrido nada bem. Depois das minhas incursões pelas denúncias sucessivas e quantificadas, resultado de políticas malvadas, que levaram os sucessivos governos à destruíção das frotas de marinha mercante e, também, da pesqueira, da agricultura e da indústria transformadora, depois disso tudo vem alguém e diz que a sua escolha vai nesses. Releio o programa que terão que aplicar e penso como pode isso ser... e nem argumentam que vão votar por razões determinadas pela razão. Não. Nada disso... As privatizações? Os transportes, a água... Meu Deus, a água... que mágoa. Eu que hà tão pouco tempo me insurgia contra os outros, agora vejo essa medida a ser acordada por quem menos esperava...


Estava eu assim, zangado comigo mesmo e com o mundo, quando surge o toque salvador do telemóvel. Atendo:


Eu - Sim? (digo em voz mais seca do que me estava a alma)
Uma voz - Rogério? (ouvi, do outro lado, aquela voz bem conhecida que teve o condão de me animar a alma)
Eu - Olá, que bom ouvir-te (disse, quase a confessar-lhe o meu estado)
A tal voz - Rogério, lembras-te daquele meu filme onde eu desempenhava o papel de falso carteiro, perito em obras de Shakespeare, numa apocalíptica terra devastada e onde acabo por descobrir o poder de inspirar a esperança e fazer crer ao povo, perseguido pela tirania,que o Governo do meu país tinha sobrevivido à hecatombe?
Eu - Claro, é um dos meus épicos mais queridos! Aquele em que a juventude assume os correios, como símbolo do Estado e como bandeira da resistência e cidadania, mobiliza o povo contra os opressores. Belo filme, onde te vejo liderar uma heróica rebelião para repor a paz e a justiça
Voz – Esse mesmo. Quero que tu me escrevas umas notas, tipo sinopse, para uma nova versão. O título provisório é “The portuguese postman”, mas estou receptivo às tuas sugestões. Podes?
Eu – Yeessss! (exclamei, com uma alma nova em folha, sem os anteriores vestígios de ferrugem)

… e lá combinamos data e local para o bate-papo em torno do meu argumento.

NOTA: Kevin Costner está mais atento à nossa realidade que a maior parte dos portugueses e até dos blogues que estou a seguir. Mas com o filme isso irá mudar... Com as eleições, teremos o cenário terrível que enquadrará o desenrolar das cenas. Pena que essas sejam reais...

02 junho, 2011

O endividamento começou, quando o aparelho produtivo começou a ser destruído... III

Há tempos atrás, prendi-me pela pintura de António Tapadinhas. Fiz uma exposição com os seus quadros e repeti, postando o quadro que está aí ao lado. Representa a extinta Siderurgia Nacional, figurando, em primeiro plano, as ossadas do que entendi ser o resultado da morte da industria dependente dela. O pintor veio depor, comentando que a sua preocupação era a poluição. Fiquei desolado, iria jurar que aquela caveira era da SOREFAME, aquela outra da MAGUE a seguinte da SEPSA ao lado das da FUNDIÇÃO DE OEIRAS, da LISNAVE, da COMETNA e da COMPANHIA PORTUGUESA DO COBRE. Queria-me parecer que as ossadas representavam as pequenas metalomecanicas mortas, fechadas, por baixo de industrias dos sectores da química, agrícola e alimentar. Ele, o meu pintor, acredita serem as vitimas da degradação do ambiente e foi isso que disse ter pintado. Será que uma corrente de opinião acredita que tenha sido em nome da preservação ambiental que se desindustrializou a economia? Bem pode ser... Vá se lá saber... Mas então os países desenvolvidos não desenvolveram tecnologias limpas? Não foi a comunidade do ferro e do aço a percursora da Comunidade Europeia? Ná, esta história está muito mal contada. Pois não sabem que fui eu o causador da morte lenta da economia, pelas intervenções que fazia? Não me diga que não sabia? Não sabia que fui eu o responsável por esta forte componente da dívida? Os partidos que estiveram no poder? Nem pensar, que podiam eles fazer para me poderem travar?

Entre 1990 e 2007 a industria chegou ao descalabro....

Claro que o impacto no emprego também me coloca na lista negra ...

NOTA FINAL: Para quem não acredita que tenha sido eu a fazer tanto mal, nem aceita que a questão ambiental explique o sucedido, pode votar na CDU. O progresso ficar-lhe-á agradecido.

01 junho, 2011

Redacções do Rogérito (5)

Tema de hoje: "O Falso Dia Mundial da Criança"

A Dª Esmeralda hoje deu-me toda a atenção por ser dia mundial da criança apesar de para ela esta data ser um embuste para comemoração de um acontecimento importante que foi noutra data não hoje mas ela receia que eu me ache tratado como um desigual e que estas coisas de serem dia das crianças em datas trocadas as crianças não devem ser prejudicadas e para ela embora não seja a data certa também se lembrará da outra quando ela em Novembro chegar e assim ela resolveu dedicar-me a tarde e falar-me como se fala a gente crescida e eu gosto que ela me fale assim pois quando se fala para um miúdo como se fosse bebé acaba-se por se falar a adultos como se fossem miúdos e é isso que acontece lá na casa da vizinha do quarto andar ao matulão que já tem a idade do Ronaldo e ainda o tratam por Zézinho como se fosse o menino que acaba por aceitar ser até porque também não lhe dão nada para ele fazer coisa que não acontece comigo a quem a Dª Esmeralda fala com perfeito juízo de coisas sérias e eu sinto-me responsável por coisas que ela diz sem ser o que ela fala quando está zangada com a vizinha do quarto andar o que acontece mesmo agora hora que está mesmo zangada e está como eu nunca a vi e a dizer com o sangue todo a ferver que essa vizinha é um caso perdido por ir votar em quem lhe fez despedir o marido e congelar a pensão do pai dela e cortar no abono de família dos três filhos da nora dela só porque esta nora que ela tem teve de arranjar outro emprego e como já tem dois não tem direito mesmo que o marido não faça nada a não ser olhar para o céu e de vez em quando mudar a fralda ao neto do meio porque o mais novo por ser um estorvo anda num colégio que não é pago há dois meses e meio e que aquela divida vai ter que ser renegociada pois o dinheiro lá de casa não chega para nada e o colégio não terá outro remédio do que converter em mais prestações aquela dívida de poucos tostões...

Com o Programa da "troika" a situação social irá agravar-se (ver aqui) colocando, também, na gaveta todos os direitos nomeadamente os inscritos na Declaração dos Direitos da Criança - ONU


AVISO AOS SEM PACHORRA: Podem, os sem paciência para pontuar redacções, reler a Declaração e perceber como o futuro se adivinha negro para as crianças directamente e indirectamente por via das famílias atingidas (e até agora distraídas...)

31 maio, 2011

O endividamento começou, quando o aparelho produtivo começou a ser destruído... II

Voltar à terra? Mas se os professores nem nela falam. Os bem pensantes dizem ser uma ocupação terceiro-mundista e que o futuro está nos serviços e no turismo. Os velhos agricultores e os que ainda por lá estão dizem ser isso uma valente danação. Que fazer então? Votar. Sim votar em quem assegura mudar...


Eu tinha (e tenho) entre os meus valores, a terra. Um post que escrevi e de que muito gosto é sobre o tema. Mas...Voltar à terra quando durante mais de 30 anos se desvalorizou a ocupação é uma arriscada aposta. Criou-se a imagem de actividade menor, da qual ninguém gosta. Incute-se que destino melhor, melhor, é ser-se doutor. Doutor não importa de quê. Se não chegarem lá, o campo só é caminho para o regresso dos que lá estão. As politicas ajudaram. Os que ainda por lá andam não recebem por lá estar. Acho que ainda terão que pagar. Há quem fale da necessidade de "Garantia de um rendimento mínimo nas explorações agrícolas familiares (...), da criação de adequado seguro às suas actividades, combate à especulação do custo dos factores de produção – adubos, sementes, fito-fármacos, combustíveis – e defesa de preços justos à produção, com apoios aos pequenos agricultores e à agricultura familiar."(*) . Há quem fale dessas coisas até em campanha, mas os fazedores de opinião primam pelo silêncio, pela omissão. Uma noticia de ontem dá um indicio alarmante mas quase insinua que é por preguiça que a coisa acontece: "Em 2009 existiam 305 mil explorações agrícolas em Portugal, menos 111 mil do que em 1999. Em dez anos uma em cada quatro explorações cessou a sua actividade." E então o que se passou desde que a reforma agrária foi cilindrada?

Queda da superficie agricola utilizada


Terra abandonada significa produção importada (**)


(*) Medida preconizada pela CDU - "50 Medidas" (**) (1974/76 anos da Reforma Agrária não aparecem no gráfico mas seriam certamente superiores aos de 1979 ) - Fonte PORDATA

30 maio, 2011

O endividamento começou, quando o aparelho produtivo começou a ser destruído... I

Quando olho o mar, por força deste, o meu pensamento recua a séculos passados. A minha capacidade de ver nesses tempos, dá-me o nítido detalhe das águas a abraçar cascos de esquadras de todo o tipo de navios de construção lusa, partindo de portos fervilhando de gentes. Éramos os agentes da primeira globalização, os "japões" chamavam-nos namban-jin...


Mantenho a legenda de um post editado o ano passado onde denunciava palavras do então candidato presidencial Cavaco Silva. Eu mantenho a ideia que então tinha, ele não, pois já não precisa. Acho que foi com palavras assim que ele renovou o mandato. Dizia a notícia: "PR quer investimento nos portos e auto-estradas do mar". Falando dos portos cilindrava o projecto TGV, como se a opção de transporte de carga podesse vir por mar e num porto parar. Eu até acho que Cavaco olhou para o mar, pois foi a partir de 1982/3 que começou o declínio de todas as nossas frotas e, assim, dando um rombo prolongado, surdo e mudo à economia do mar. Hoje ele anda atarefado a reunir condições para que o que sobra chegue para pagar as dívidas que ele próprio ajudou a criar. Não terá a tarefa fácil, mesmo que consiga que os partidos "credíveis" se venham a entender (o que por certo, irá acontecer). Porque ontem a CDU lembrou também tudo isso, pelas palavras do seu candidato Carlos Coutinho, relembro eu também neste momento, onde começou o endividamento:



O gráfico representa o número de embarcações totais registadas. Portugal

terá perdido, em 29 anos, quase 60% da frota total (pesqueira e de transportes) - fonte:PorData

29 maio, 2011

Este domingo: de manhã; à tarde; ao serão. Sempre. Sempre e sempre a omissão. Por isso falarei em coisas pouco faladas...

DE MANHÃ


A manhã estava incerta, mas não foi por isso que não fiz o que costumo fazer. Comprar um semanário, o Expresso, pré-pagar dois cafés e ler mais por obrigação do que por prazer. No primeiro caderno, o costume, quer em distorção quer em omissão e tudo para manter um eleitorado bem amarrado "ao tem de ser". Da CDU dá um espaço mitigado e diz: "A organização comunista é eficaz mas copia o mais gasto roteiro de campanhas passadas". Esboço um sorriso e passo ao suplemento económico onde na primeira página o CEO da TAP dá uma gargalhada numa foto a cores. Está vendendo a transportadora: "...o valor da TAP está a atingir o seu máximo". Nem leio, passo adiante e chego ao titulo que é ilustrado pela foto ao lado: "Sines atrai gigantes do mar". Entro no texto: "O terminal de contentores duplica a sua capacidade máxima para um milhão de contentores de 20 pés (TEUS)...". A leitura desperta-me a curiosidade, pois todos falam (agora) na importância económica do mar, mas não me recordo de alguém falar deste projecto. Leio sofregamente e fico surpreendido, boquiaberto: "Com as actuais ligações ferroviárias - continuam em aberto as perspectivas de construção de linhas mais eficientes a médio e longo prazo - Sines já transportou por comboio 100 mil TEUS em 2010". Se outra coisa não consegui concluir, uma parece clara evidência: A justeza da medida (a 18ª das 50 que a CDU submete a votação): "Garantir a produção nacional de material ferroviário (em particular material circulante) nomeadamente com a mobilização de incentivos em torno de investimento em curso na ferrovia.". Mas fica-me a interrogação: Porque raio a noticia de tal projecto desinserida das condições prévias indispensáveis ao escoamento das mercadorias? Porque não fala o Expresso nos investimentos em ferrovias? Como sairão de Sines um milhão de mercadorias?


DE TARDE
Decidi ir ao almoço da CDU na Escola Náutica Infante D. Henrique. De resto estando anunciado o candidato Carlos Coutinho, vice-presidente daquele estabelecimento do ensino superior, tinha a oportunidade de continuar dentro do tema que me é mais querido: o mar. Bingo! Falou-se mesmo do mar. E não foi para deixar as coisas do mar no ar, nem para repetir que se acabou com a frota pesqueira... É que, contráriamente ao propalado, os comunistas estão a fazer uma campanha como há muito não se via. Com sessões de esclarecimento. Carlos Coutinho falou primeiro da "sua" Escola Naútica. Das dificuldades em gerir com um magro orçamento cursos reputados e de emprego assegurado para os jovens que os frequentam. Do prestigio internacional e do know how em gestão portuária, em manobra e em segurança marítima, que vende e rende, mas cujo rendimento não reverte para a escola. Podia (e devia) reforçar o orçamento. Mas não, todo esse dinheiro vai direitinho para a tutela. Dá depois o quadro da evolução da Marinha Mercante. O que aconteceu que quase desapareceu. Falou da venda da Soponata e da troca que o Grupo Melo fez, abandonando o mar e investindo no lucro facilitado e seguro do negócio da saúde. Falou do aconteceu com a Sacor. Falou nas negociatas e dos elevados custos de afretamento de transporte a navios cuja tripulação é... portuguesa (na maioria dos casos). Falou da competência e capacidade instalada dos estaleiros portugueses. Nas obras de relojoaria de que são capazes os Estaleiros de Viana. Resumiu no final o que chamou de "Politica patriótica e de esquerda para o Mar e a Marinha Mercante". Desenhar essa politica compreenderá incrementar relações aprofundadas com os países da CPLP e a aposta na reconstrução de uma Marinha Mercante nacional dotada de navios de carga, passageiros e cruzeiro incorporando tripulações e tecnologia portuguesa, que assegure a circulação marítima entre o continente, as ilhas e as ligações internacionais estratégicas. Carlos Coutinho desenvolveu ainda outras vertentes dessa politica necessária para que seja salvaguardada a soberania nacional relativamente à grande extensão do território marítimo que nos pertence. De seguida falou José Casanova. O discurso fluiu claro e documentado. Ao serão, o Professor Marcelo, viria a dizer tudo ao contrário do que José Casanova denúnciou, mas baralhado e sem ser documentado. E o que documentou apenas serviu para dar razão às posiçoes que a CDU afirma.


AO SERÃO
Nunca me passaria pela cabeça colocar palavras de Marcelo Rebelo de Sousa em substituição das que José Casanova disse. Faço-o pela necessidade pedagógica de documentar perante os milhares que ouviram Marcelo a denúncia que só chegou a centena e meia de presentes na sessão de esclarecimento da CDU. Marcelo, depois de acusar PS, PSD e CDS de falar de tudo menos do pacto que tinham assinado, veio afirmar que nas eleições do próximo domingo ou se votava o pacote ou contra o pacote da troica. Fê-lo regressando à tese da inevitabilidade, mas... que coisa estranha. Depois de se meter pela clara demonstração da irracionalidade dos prazos, inumerando o que tem que ser feito em julho, em Agosto e em Setembro, ele só de inumerar estava esgotado. Coitado. Perante a pergunta do "entrevistador" sobre a viabilidade de tudo isso ser feito disse que não havia outro jeito. De outro modo, ter-se-ia que... renegociar a dívida. Só não disse uma coisa que Casanova tinha dito: ESTÃO OS GRANDES GRUPOS FINANCEIROS A GANHAR TEMPO EMBOLSANDO O MAIS QUE PUDEREM PARA SÓ QUANDO FOR POR DEMAIS EVIDENTE QUE NÃO SE PODE PAGAR MAIS, ENTÃO SIM SE ABRIR A MÃO À RENEGOCIAÇÃO... Não sei porquê, pressinto a alma de Cavaco a inspirar o discurso de Marcelo, preparando terreno para o dia 6 de Junho...

28 maio, 2011

Ajuda?



Pois é, a manipulação mais eficaz é a "inocente" e começa por amenizar palavras, trocando-lhe o sentido... (ver mais)ou assine a petição aqui

26 maio, 2011

De um texto de Bertold Brecht sobre a Verdade


“Hoje, o escritor que deseje combater a mentira e a ignorância tem de lutar, pelo menos, contra cinco dificuldades. É-lhe necessária a coragem de dizer a verdade, numa altura em que por toda a parte se empenham em sufocá-la; a inteligência de a reconhecer, quando por toda a parte a ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz; finalmente, precisa de ter habilidade para difundir entre eles. Estas dificuldades são grandes para os que escrevem sob o jugo do fascismo; aqueles que fugiram ou foram expulsos também sentem o peso delas; e até os que escrevem num regime de liberdades burguesas não estão livres da sua acção.”

Texto de 1934 - Publicado no Diário de Lisboa de 25/Abr/82 (ler tudo aqui)

25 maio, 2011

Não sendo bom, o Jornal "i" ainda é o melhorzinho que anda aí...

Tornou-se evidente que a Grécia, a Irlanda e Portugal não serão capazes de pagar as suas dívidas na totalidade
Se quiser ser realista, a Europa tem de se preparar para aceitar uma redução da dívida, o que poderá ser feito através da ajuda das economias mais fortes e de perdões parciais impostos aos credores privados, que terão de se contentar com receber menos em troca de receber alguma coisa. Só que realismo é coisa que não parece abundar.
Por um lado, a Alemanha adoptou uma atitude dura em relação a qualquer ajuda aos vizinhos em dificuldades - isto apesar de uma das principais motivações do actual programa de resgates ser proteger os bancos alemães de perdas.
(...)
Se os bancos gregos caírem, a Grécia pode ser forçada a sair do euro - e é fácil ver como isto pode ser a primeira peça de um dominó que se estende a grande parte da Europa. Então que estará o BCE a pensar?
por Paul Krugman, Publicado em 25.Maio.2011, Jornal i (ler tudo)

22 maio, 2011

O debate decisivo deixou o Rogérito apreensivo...

A vizinha do 4º andar estava entusiasmada com o falar dos lideres dos principais partidos, comentava até que ambos eram garbosos, jeitosos, educados e com ar muito asseado. A Dª Esmeralda, desencantada, dizia que sobre o que eles assinaram não disseram mesmo nada. O Rogérito, nem sequer interrompeu. Estava a ler o que o Eugénio Rosa aqui escreveu:
"A análise do Memorando do FMI-BCE-UE , aceite pelo governo PS, pelo PSD e pelo CDS leva à conclusão de que ele se caracteriza, por um lado, pela ausência total de quaisquer objectivos a nível de crescimento económico e de aumento do emprego; por outro lado, por uma profunda insensibilidade social já que muitas das suas medidas vão atingir os grupos da população mais vulneráveis; e, finalmente, é um autêntico programa neoliberal, que visa transformar a economia e a sociedade portuguesa. Os únicos objectivos quantificados que existem no "Memorando" são os referentes à redução anual do défice, ao corte nas despesas públicas e ao aumento de receitas de impostos necessários para alcançar tais objectivos fixados arbitrariamente, pois não apresenta qualquer justificação técnica para os valores de défice. Para além disso, contém uma numerosa lista de medidas, com um calendário muito apertado, cujo cumprimento rigoroso será controlado trimestralmente pelo "troika", que visam transformar a economia e a sociedade portuguesa no sentido neoliberal, que um governo PS ou PSD terá de implementar, sob vigilância apertada do FMI-BCE-UE. A "troika" FMI/BCE/UE pretende reduzir brutalmente a procura e o défice orçamental à custa de uma diminuição significativa do nível de vida dos portugueses. Para isso pretende impor um conjunto numeroso de medidas, que referimos detalhadamente à frente neste estudo, cuja quantificação possível (e há muitas em que isso não foi possível) determinarão: (1) Uma redução dos rendimentos nominais dos trabalhadores e dos pensionistas em, pelo menos, 2.707 milhões € no período 2012-2013 através do congelamento dos salários e pensões, ou mesmo por meio de cortes; (2) Um corte que incide sobre os rendimentos anteriores dos trabalhadores, dos pensionistas, dos aposentados e dos trabalhadores atingidos pelo desemprego, através do aumento dos impostos que incidem sobre os seus rendimentos, em mais 725 milhões €, e embora a evasão e a fraude fiscal e contributiva atinja mais 7.000 milhões €/ano o "Memorando" prevê a recuperação só de 175 milhões € em 2012; (3) A aceleração da inflação, devido ao aumento do IVA (mais 810 milhões €), do Imposto de Consumo (mais 400 milhões €), e a uma ainda maior liberalização dos preços. Para que se possa ficar com uma ideia da redução do nível de vida dos portugueses que a medidas constantes do "Memorando" do FMI/BCE/UE determinarão basta dizer o seguinte: com uma taxa de inflação média anual de 3%, e admitindo que os rendimentos nominais dos trabalhadores, dos pensionistas, aposentados e dos desempregados não sofreriam reduções – e não é isso que vai suceder – verificar-se-ia nos três anos (2011-2013) uma diminuição de cerca de 10% no nível de vida dos portugueses. O "Memorando" da "troika" é um gigantesco programa de redução do nível de vida dos portugueses, com o objectivo de reduzir a procura interna e o défice orçamental. É importante referir que, contrariamente ao afirmado pelos funcionários da "troika", muitas destas medidas atingem os grupos mais vulneráveis da população. São exemplos, o congelamento do salário mínimo nacional; a redução do subsídio de desemprego e das indemnizações; o pagamento de IRS sobre prestações sociais até agora isentas; o aumento da taxa do IVA de 6% e 13% para 23%; a criação de um novo imposto sobre o consumo de electricidade; a liberalização dos preços da electricidade e do gás; a subida significativa dos preços dos transportes; o aumento das taxas moderadoras no SNS e a redução significativa do nº de portugueses isentos de taxas moderadoras. É um autêntico programa de ataque às condições de vida dos mais vulneráveis. Mas para a banca estão previstos no "Memorando" 35.000 milhões € para avales e 12.000 milhões € para aumentos de capital Mas o "Memorando " contém também muitas outras imposições que caracterizam qualquer programa neoliberal. Assim, exige a eliminação de um número indeterminado de serviços públicos e a redução da despesa pública em dois anos (2012-13), em 5640 milhões €, quando no PEC-IV era 4320 milhões € com o claro objectivo de reduzir a Administração Pública e o papel do Estado. O "Memorando" obriga também o futuro governo "a ir ainda mais além", do que constava no PEC-IV, nas privatizações procurando assim eliminar a presença do Estado na economia (a única excepção é a parte bancária da CGD). No campo dos despedimentos individuas, com o falso pretexto que é "uma reforma estruturante" necessária à recuperação da economia e ao crescimento económico, o "Memorando" contém uma série de pontos que visam liberalizar os despedimentos individuais. Chega-se ao cinismo de justificar uma nova lei do arrendamento, que liberalize as rendas e facilite os despejos, o aumento do IMT e a eliminação dos benefícios fiscais à habitação como indispensáveis para promover a mobilidade dos trabalhadores, pois a casa própria é um obstáculo. Um programa desta natureza, ao reduzir o défice orçamental, a procura interna e o investimento público em tal dimensão, e ainda por cima em plena crise, provocará uma recessão prolongada. Como refere o Nobel da economia Paul Krugman: "A redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão". Em 2013, Portugal estará certamente pior com a economia destruída e com mais desemprego (750-900 mil), o que impede a recuperação do País Em conclusão, a entrada do FMI-BCE-UE representou uma importante ajuda dada à direita no seu objectivo de reduzir o papel do Estado, de liberalizar a economia e de desregular mais as leis laborais."
É muito provável que a vizinha do 4º andar vote num dos dois, lamentando-se depois...

21 maio, 2011

Há jornalistas que merecem consideração... Mas existem poucos jornais a merece-la.

.
Passo a informar que a partir de hoje (*), dos jornais diários, lerei apenas o jornal i.
Por tudo, a começar pelos destaques... Mas também por isto, isto e isto
(*) Decisão que às 23 h foi tomada, mas que em qualquer momento pode ser revogada (espero que não

18 maio, 2011

Renegociar a dívida: o inviável é inevitável (*)

Se não quiserem (ou puderem) ver todo o programa, vejam os primeiros 20 minutos

Quase todo este meu post é feito à custa da Joana Lopes
mas decidi dar, no que escreveu, uns pequenos retoques

"Parece que sim. Devagar, devagarinho, políticos e comentadores começam a dizer que talvez, quem sabe, não agora mas…, se calhar terá de ser. Vale a pena ouvir Medeiros Ferreira.
O que até aqui era pura «demagogia», do PCP e do Bloco, a ganhar terreno porque o rei vai nu."

P.S. – E a Grécia aqui tão perto!

(*) Para quem já não se recorde, o texto que ficou conhecido como Manifesto dos 74/74 tinha como cartão-de-visita «O inevitável é inviável».

17 maio, 2011

A ética, inspiradora do acordo, numa sociedade muito próxima do inferno

Chama-se a atenção para os valores da ética. Quem deve paga. Paga o que deve, quem deve. Mas quem deve? Não é conhecido o motor gerador de tanta dívida, nem os seus operadores. Alguns dizem, com veemência, que terá sido quem viveu acima das suas possibilidades e que todos somos culpados. Outros, que terão antes sido os que fomentaram e promoveram a cultura do consumismo, lucrando com os negócios. Estes terão grande parte das culpas dentro da culpa geral. Os negócios, esses, foram dentro da ética e em conformidade com os seus valores. O problema terão sido os excessos. Quem assim não pensar sai fora do paradigma do entendimento normal, passa a ser um anormal e, como tal, deverá ser ou marginalizado ou omitido, porque tudo o que dirá (por repetitivo) deixa de fazer sentido. Chegamos assim, perto da bancarrota e, mais uma vêz com toda a límpida ética, foi "negociado" o resgate da dívida. Foi um bom acordo, dizem uns. Foi o acordo possível, dizem outros. Atendendo à crise, foi uma inevitabilidade, dizem em coro uns e outros. Quem assim não pensar sai fora do paradigma do entendimento normal da inevitabilidade inevitável. Reestruturar a dívida? Sabem o que isso significa? Significa a catástrofe e, pior, significa deixar de ser reconhecido nas relações internacionais como país com ética. Seriamos um país caloteiro. Quem pensar o contrário nem merece ser falado quanto mais escutado.

DOCUMENTAÇÃO USADA PARA ESTE POST (se confia no texto, nem precisa consulta)

"...a entrevista de João Cravinho ao Público de hoje: «a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado, que afectam a ética pública». A reconfiguração neoliberal do Estado, com a entrada de privados em novos sectores em que, dada a natureza das actividades, é necessário desenhar complexos contratos, é uma das fontes do problema. A fraqueza e falta de autonomia do Estado do bloco central face aos grandes grupos privados com cada vez mais poder e o défice de escrutínio democrático destas relações cada vez mais promíscuas colocam-nos assim numa situação difícil. Juntem a isto a hegemonia de um discurso que subestima e despreza a ética do serviço público e os profissionais e as práticas que a podem sustentar. Ficamos sem recursos intelectuais para traçar as linhas entre o que se pode comprar e vender e o que não se pode nem deve comprar e vender. Finalmente, temos evidência empírica e argumentos plausíveis mais do que suficientes para associar a corrupção ao problema das gritantes desigualdades no nosso país. (postado por Ladrões de Bicicletas, em 27 de Julho de 2008)
O PEC é a factura que vamos pagar por anos e anos de saque organizado e contínuo dos recursos públicos, por uma vasta quadrilha pluripartidária que vive de comissões, subornos e tráfico de influências. As derrapagens, sempre as derrapagens… (um dos últimos artigos de Saldanha Sanches, publicados no Expresso)
O que é uma reestruturação da dívida soberana? - "O capitalismo tem, na sua génese, a tomada de risco e em consequência a possibilidade de insucesso. No caso de iniciativas empresariais esse insucesso pode-se traduzir em processos de saneamento ou falência, que geralmente resultam na reestruturação de dívida dos credores da empresa. Ou seja, o processo de reestruturação de dívida é intrínseco a economias de mercado. Além desse exemplo note-se que, em economias de mercado, os bancos regularmente reestruturam os créditos que detêm sobre empresas e famílias em dificuldade. De facto, os bancos (e outras empresas) incluem na sua demonstração de resultados uma previsão das imparidades, que não é mais do que uma previsão dos hair-cuts que irão sofrer quando reestruturam a dívida dos seus clientes. É parte do dia-a-dia do negócio bancário." - economista Ricardo Cabral , Semanário Expresso

16 maio, 2011

Nova sondagem, para congelar as dúvidas e o pensar. Tudo muito próximo do resultado anterior, mudando um pouco o teor...

Passaram-se várias coisas desde a última sondagem. A imprensa, eficaz e eficiente, aguentou possíveis veleidades de alteração da opinião e, assim, permanecem as hesitações nas classes média e média baixa quer quanto à situação quer quanto ao sentido da sua votação. Outras sondagens vão-se sucedendo como forma de controlar a eficácia da mensagem dos fazedores de opinião. Ao menor desvio à esquerda, pimba. Nevoeiro para cima...

-Imagens do estado de espírito de cada classe quanto à decisão sobre a sua votação (as classes que alguns querem no "centrão" andam, aflitas, com os programas do PS e PSD na mão)

Como resposta à única questão sondada: Qual o sentido de voto, vejamos os resultados e a sua análise:
  1. As classes A e B, cerca de 17,5% do eleitorado estão mais radiantes que antes. Nem leram qualquer programa partidário, pois os partidos que assinaram o acordo, agora não iriam propor o contrário. Estão radiantes pois os paraísos fiscais ficam como antes. A troika também não prevê mecanismos de combate à corrupção nas reformas do sector público e da Justiça e o Movimento Transparência e Integridade está contente, tal como essa gente . A maioria tende para votar no CDS, porque... merece.
  2. A classe C (C1, 24,9% + C2, 31%) andam numa roda vida e, tal como na sondagem anterior, a coisa anda distribuída entre o Passos e o Sócrates. Em votação andam quase iguais, pouco afastados ou praticamente empatados. Lêem programas, declarações, insultos, promessas e sermões. Passam o tempo em aritmética, não na da economia nacional nem sequer na caseira. Fazem contas e previsões aos resultados e ao número de deputados. Quanto a alternativas, nem pensar pois essa coisa de reestruturar a dívida era logo para doer e, assim, vá se lá saber. Pelo menos até ao fim de 2011, não acontece nada e cada um diz ter a data de férias já marcada...
  3. A classes D, 20,7% continua à rasca mas é firme em não aceitar esta situação. Uns até falam na necessidade de nova revolução...
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    Ficha Técnica: Foram inquiridos 9 milhões de portugueses, via telemóvel. Os desempregados viram as suas respostas anuladas para não dar um tom demasiado pessimista aos resultados globais. Foi aplicada uma metodologia assente nos critérios usados pela Marketest no que se refere ao dimensionamento das classes sociais. A análise de resultados segue metodologia própria que designada por Marketestista. Não tem nada de marxista embora, em sonância, o faça lembrar, apesar de fazer arranhar muito mais o aparelho auditivo.

15 maio, 2011

Reconstituindo o post roubado, depois da espera e do impossivel despertar da floresta...

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Em post anterior que levou sumiço, discorria eu sobre o que se passa na cidade e sobre a mentira de ser todo o povo, por igual, o culpado do gasto desenfreado. Do gasto e da dívida. Falava de coisa escondida, da corrupção e do dinheiro (e poder) envolvido e do sacrifício agora exigido. Na reconstrução desse post desaparecido, o mais fácil foi fazer com que o criativo colaborasse. Pelo apelo que lhe fiz, Jeronimus Bosch repintou-me o quadro da cidade onde as árvores não penetram. O humilhado e ofendido, do poder escorraçado pelos seus próprios irmãos, porque vertical era a sua posição contra a corrupção o compadrio e a maldade que grassava (e grassa) na cidade, também veio em meu socorro recuperando o que tinha escrito (1). O morto, que era citado, também não se negou (2). Tudo isto enquanto os vampiros concordam com os abutres apenas discutindo se as vitimas estão, ou não, no ponto exacto de votar. Se o seu próprio sangue está no ponto ou se será melhor a carne apodrecer, sendo assim mais fácil de comer. Com tal prestimosa ajuda, ficou-me apenas a tarefa de dizer, fundamentadamente, que a cidade não perderá a ética por afastar essas e outras aves agoirentas, nem por deixar de pagar as dividas que o povo da cidade não contraiu. Que não é verdade que seja imoral fazer com a dívida outra coisa que não seja torná-la tolerável com a capacidade de gerar proveitos com o esforço voluntário e heróico da cidade (3). Não sei se era importante ou consequente recuperar o escrito. Mas de qualquer modo aqui está o dito. De outra maneira, diferente da primeira...

AS AJUDAS FUNDAMENTAIS:
1 - João Cravinho não esconde a sua desilusão. Autor de um pacote legislativo que deixou no Parlamento antes de ir para Londres para a direcção do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, viu as suas propostas serem rejeitadas pela sua própria bancada, a do PS. - IN JORNAL O PÚBLICO, 27 de Julho de 2008
2 - O PEC é a factura que vamos pagar por anos e anos de saque organizado e contínuo dos recursos públicos, por uma vasta quadrilha pluripartidária que vive de comissões, subornos e tráfico de influências. As derrapagens, sempre as derrapagens… - SALDNHA SANCHES, IN SEMANÁRIO EXPRESSO, 10 de Abril de 2010
3 - É eticamente aceitável (a reestruturação da dívida)? - O capitalismo tem, na sua génese, a tomada de risco e em consequência a possibilidade de insucesso. No caso de iniciativas empresariais esse insucesso pode-se traduzir em processos de saneamento ou falência, que geralmente resultam na reestruturação de dívida dos credores da empresa. Ou seja, o processo de reestruturação de dívida é intrínseco a economias de mercado. Além desse exemplo note-se que, em economias de mercado, os bancos regularmente reestruturam os créditos que detêm sobre empresas e famílias em dificuldade. De facto, os bancos (e outras empresas) incluem na sua demonstração de resultados uma previsão das imparidades, que não é mais do que uma previsão dos hair-cuts que irão sofrer quando reestruturam a dívida dos seus clientes. É parte do dia-a-dia do negócio bancário. - RICARDO CABRAL, IN EXPRESSO, 26 de Abril de 2011

11 maio, 2011

A substãncia da coisa e a coisa da substância

Os que me lêem - e os que agora chegarem para o fazer - sabem (ou ficam a saber) o meu gosto em brincar com as palavras, não para lhes alterar o sentido, mas para esmiuçar o seu sabor e peso. Sim, porque as palavras, independentemente do ar e da entoação com que são ditas podem ser doces ou amargas, leves ou pesarem chumbo. Pois foi brincando com as palavras que, num comentário a um blogue de pessoa amiga, escrevi que o discurso politico carece de ser analisado tendo em conta a necessidade de discernimento entre "A substância da coisa e a coisa da substância" e de quando se falar de uma ser quase criminoso (porque manipulador) não falar da outra.
Contrariamente ao que possam pensar, o post de hoje é sobre isso. A alusão ao debate de ontem vai ser meramente ilustrativo da minha figura de estilo...

A SUBSTÂNCIA DA COISA (coisa política, claro)

Todos os conteúdos são definidos por uma substância, se não física e tangível, pelo menos demonstrável (frequentemente com recurso à frieza dos números). Por coisa deve entender-se o domínio a que o conteúdo diz respeito. Uma coisa é falar de galhos outra é de bugalhos. O valor atribuído não é exterior à substância da coisa. Depende dos interesses que se reúnem em torno e que frequentemente disputam a substância. Nada melhor do que um exemplo: AS PRIVATIZAÇÕES enquanto substância. Privatizar qualquer coisa: OS TRANSPORTES, A ENERGIA, O GÁS, OS CORREIOS, A ÁGUA, etc. Discutir a substancia da coisa implica, naturalmente, compreender as funções do Estado em confronto com os interesses privados que tomarão conta da coisa. Como a discussão se passou e quais as ideias em jogo, podem ver no vídeo junto. Compreenderão como os sujeitos em confronto discorrem e, até, formularem uma opinião (logo no inicio, mas mais detalhadamente a partir do 27º minuto)

A COISA DA SUBSTÂNCIA (o aproveitamento politico da substância)

Desde logo há a percepção de que se trata de algo que gira em torno da substância (às vezes tão próxima, que tendem a distraída ou propositadamente confundirem uma e outra). A coisa da substância pode ser a forma em como a substância pode ou não influenciar o voto, ajudar ou prejudicar alianças ou até mesmo a forma agressiva, moderada ou diplomática, com que essa envolvente da substância é tratada. Se quer aprofundar o significado do que escrevi, pode olhar a imagem onde Passos Coelho afirma risonho que muito mais que o seu partido foi o PS o grande privatizador (sem explicitamente dizer que agora chegou a sua vez de o fazer). Pode também ver o ar risonho do seu interlocutor, a concordar com um cordial "sim senhor, tem toda a razão".

CONCLUSÃO

Cada vez mais o discurso politico e de quem o comenta fala da "coisa da substância" esquecendo e distorcendo completamente o seu conteúdo e o valor das posições, os seus beneficiários e, até, de que forma os príncipios e os valores se atropelam pela luta da caça ao voto...

Observação: Poderia ter escolhido outro exemplo como seja a argumentação usada para assinar ou não (substância) o memorando imposto (coisa), mas não faltarão oportunidades até para reflectir sobre a contitucionalidade desse processo, sobre as graves omissões e sobre as consequências da aprovação do acordo na próxima semana, pelos ministros das finanças da UE.