22 julho, 2024

CONSTRUINDO A FESTA (DIZER QUE NADA FIZ, É EXAGERO... É OU NÃO É!?)

 ... de facto limitei-me, tal como já antes referi, a ser cineasta...
Mas os meus camaradas e amigos trabalharam, à brava!


NOTA: Por razões que a razão desconhece, não consegui juntar "A Carvalheza"

21 julho, 2024

FUI VER CONSTRUIR A FESTA (AQUELA QUE NÃO HÁ OUTRA COMO ELA)

 

Tempos em que fui pintor, a traço grosso

CONSTRUINDO A FESTA 

Continua a haver
mil coisas que antes podia fazer 
Podia subir escadotes, transportar tubos ou paletes
podia fazer coisas leves
separar parafusos das porcas
escolher cavilhas direitas, separando-as das tortas
regar a relva ou as flores
acertar pormenores


Podia e era capaz
de limpar fogões,
esquentadores e outros aparelhos de gás
Podia cravar anilhas em panos
Tudo isto, coisas de fazer todos os anos

Aos 79, como já pouco posso
nem sequer pintor de detalhes, a traço grosso
 Hoje fui operador de cinema
e não perdi uma única cena

 

 


20 julho, 2024

O ORNAMENTO GERAL DE ESTADO (leram bem ORNAMENTO)

Não é por acaso que o Orçamento se passou a chamar Ornamento. Nem é por acaso nem é coisa de ontem... Mas porque é que isto vem ao caso? Pois é porque estamos em plena discussão de como chegar a consensual ornamentação. Eu quero luzes a piscar, diz o PS. Eu quero flores, muitas flores, pois fazer flores faz parte do nosso passado, diz, lá do alto, o Montenegro. E lá chegarão, com ou sem Chega, a uma conclusão. 

Se isto fosse uma Democracia a sério, governo que não tivesse executado tudo aquilo que em campanha prometera, estaria afastado da cadeira... A imagem seguinte, arrepia?... Arrepia, sim senhor!


 "O desvio do saldo do SNS de 2021 foi o maior do período analisado [de 2014 a 2021], totalizando -1.011 milhões de euros"

... e ainda:

"Reforça-se que a persistência destes desvios reflete um processo de orçamentação desajustado da execução, bem como a ausência de mecanismos de gestão que permitam um controlo efetivo sobre as rubricas da receita e da despesa"

Ler tudo aqui

19 julho, 2024

O DIOGO REAVIVOU-ME A ESPERANÇA (QUE, COMO SABEMOS, É A ÚLTIMA COISA A MORRER)

 


Ao longo dos anos não me tenho cansado... é uma espécie de vira-o-disco-e-toca-o-mesmo... "Diogo, vais ser biólogo!"... e trazia, para este meu espaço, imagens e mais imagens de meu neto adorando bichos. A uns, olhava. A outros, apanhava. Adestrado na competência da caça, caçava-os para lhes dar liberdade logo de seguida. Isto desde muito pequenino...

Vou dizer à Minha-mai-nova para lhe dar a ler isto. 

Se me chamar "Velho Teimoso", não me importo!

18 julho, 2024

LEMBRANDO AQUELE DIA EM CHEIO, AGORA COM OS PROMETIDOS DETALHES

Tinha prometido dar detalhes mais tarde. E aqui vão, ao vivo e a cores, mas com esta pequena introdução:
Quando cheguei ao cais de embarque, ainda cedo, um pequeno grupo ia conversando em animada tertúlia. Pensava eu que não conhecia ninguém dos que ali estavam e entrei na conversa, à minha maneira, ora vejam...

17 julho, 2024

PARA QUE O NEO-REALISMO CHEGUE À ALEMANHA, DEI UMA IDEIA À SENHORA HOFFBAUER

Numa das suas últimas publicações a nossa Teresa Hoffbauer punha na sua montra mais uma iniciativa do seu "Círculo Literário" onde mais uma vez não se referia a obra de autor português. Deixei-lhe um comentário. Este: 

"Quando me passeei no Tejo e, depois de almoço, visitei o Museu do Neo-realismo deparei aí com todos os escritores que fizeram de mim o que sou hoje... tudo isto para lhe perguntar se algum desses autores já foram lidos nesses vossos "Círculos" ? Que tal "Os Capitães da Areia"? Fica esta minha ideia!

Na sua resposta nem se referiu ao meu erro em ter associado "Os Capitães da Areia" a autor luso. Deixou implícito que os membros do "Circulo" não incluem autores portugueses nas suas preferências dando como exemplo que "Caim" de José Saramago, não fora do agrado geral... E digo eu que se o perfil dos membros coincide com o de gente da classe média e crente não se afigura que pudessem ter gostado de quem deixou escrito, nesse livro, qualquer coisa como isto:

“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”
Mas como me encanta que haja quem reuna em tertúlia literária regresso à ideia inicial, agora corrigindo o meu erro e dando o seu a seu dono.

  • Que o tema de um próximo Circulo Literário seja o Neo-realismo, de autores em língua portuguesa;
  • Que os autores sejam Soeiro Pereira Gomes e Jorge Amado (pois até os confundi trocando aquele por este);
  • Que as obras sejam "Os Esteiros" e "Capitães da Areia" (pois até as confundi referindo esta em vez daquela).
É complicado? Então pegue nesta obra onde já tudo isso está bem juntinho!

16 julho, 2024

A AVÓ "BOOMERANG"


Liguei-lhe logo de manhã, julgando-a no hospital, a perguntar como estava
"Fui lá e logo vim. Estou em casa!"
Ao meu "Oh!" de espanto respondeu que lhe foi recusado o internamento e que o médico se limitou a recomendar o reforço da dose do antibiótico que andava a tomar, dizendo-lhe "Se piorar, volte cá!"

A partir daqui a conversa tomou um rumo
que, a bem do SNS, não dever ser tornado público


 

15 julho, 2024

AVÓ E NETO FAZENDO O QUE MUITAS VEZES FAZEM...


Esta foto está desactualizada. Ela perdeu o sorriso, eu perdi o ar sério. É que com este meu ar sisudo não lhe transmitiria o alento de que ela carece. Mas a foto também retrata um tempo em que ela ainda não era minha avó e eu ainda não tinha sido por ela adotado como seu neto. Passámos, a partir de uma brincadeira, a tratar-nos assim...

Mas... porque ela perdeu o sorriso e eu tento dar-lhe alento? A razão não se traduz em grande novidade: a Maria João está mal. Esta manhã levei-a à consulta. Juntou à sua volta três médicos que, após trocarem impressões entre si, decidiram passar-lhe carta de internamento hospitalar. Um vírus resistente carece de especiais cuidados médicos... A situação, contudo, não é grave. 

Vamos ver... e eu vou dando conta!


14 julho, 2024

TRUMP E O TIRO QUE LHE ACABOU POR "SER DE TRÁS DA ORELHA"


O tal atirador, errando o alvo, acabou por acertar em cheio. O tal tiro acabou mesmo, mesmo, por lhe "ser detrás da orelha" o que a todos os títulos fez ressuscitar o candidato, coisa que não lhe aconteceria se o tivesse morto. O macacão, que sabe da poda, fez-me aquele significativo gesto de cúmplice concordância. 

Não percebeu o que acabei de escrever? Então cá vai, em discurso mais direto:

"Trump alvejado, com rosto ensanguentado, durante um comício político, com a bandeira dos EUA ao fundo, é um símbolo poderoso que ficará gravado no imaginário do seu eleitorado.

Se já era difícil os democratas levarem a sua avante, agora, com esse tiro, mesmo tirando o Biden fora e botando o Barack Obama (para nem falar em Michelle) a vantagem é toda do Homem Laranja, quase “martirizado” pelos “inimigos da América”."

 (ler tudo em "A Estátua de Sal")

13 julho, 2024

QUE GRANDE 31! TENHO MESMO QUE REGRESSAR À ESCRITA!

 


A espuma dos dias e as ameaças que por aí pairam têm-me afastado da escrita. Como resultado, quem me seguia e que muito me comentava, na sua maioria, jazem em parte incerta, com exceção de uma meia dúzia de fieis seguidores...

Hoje, dia 13, faz precisamente 13 anos que escrevi um conto e resolvi recordá-lo. O título, era imposto por um regulamento e acho até que meu escrito terá sido premiado (o que não consegui comprovar). Li também os 31 comentários e tomei a decisão de regressar à escrita. Como não?

Pois quem comentou, assim falou:

11 julho, 2024

NATO... E O QUE NÃO ESTAVA NADA BEM, VAI DE MAL A PIOR...

À hora a que estou escrevendo, a cimeira da NATO vai se aproximando do fim. Não vou fazer qualquer análise, apenas deixar algumas notas. As conclusões são vossas: 
  • O Mundo está totalmente entregue a um caso clínico, chame-se ele Biden ou Trump;
  • A integração da Ucrânia na NATO quebra, irremediavelmente, qualquer hipótese de negociação de paz;
  • Quem reclama a Paz, tem apenas a rua para se fazer ouvir.
  • Montenegro vê na guerra uma oportunidade económica para se investir em armamento, pois tem mercado assegurado.
 

10 julho, 2024

UM DIA EM CHEIO, A MERECER UM VOSSO PASSATEMPO...

Hoje levantei-me cedo pois tinha à minha espera a expectativa de um dia em cheio. E o dia passou-se confirmando tal expectativa. A seu tempo darei detalhes. 
Para já, para vosso contento, deixo aqui um passatempo:


  • Que rio é este?
  • Que freguesias (lugares) se avistam?
  • Há, no barco, figuras conhecidas. Reconhece alguma?

  • Diga o nome deste restaurante e onde fica

  • Diga o nome deste museu e onde fica


09 julho, 2024

POESIA (uma por dia) - 100


 

A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO

 

Quando já nada se espera particularmente exaltante

mas palpitamos e seguimos aquém da consciência,

feramente existindo, cegamente afirmando,

como um pulso que golpeia as trevas,

 

quando miramos de frente

os vertiginosos olhos claros da morte,

dizemos as verdades;

as bárbaras, terríveis, amorosas crueldades

 

Dizemos os poemas

que enchem os pulmões dos que, asfixiados,

pedem ser, pedem ritmo,

pedem lei para aquilo que sentem em excesso,

 

com a velocidade do instinto,

com o raio do prodígio,

como mágica evidência, o real que se transforma

no idêntico a si mesmo.

 

Poesia para o pobre, poesia necessária

como o pão de cada dia,

como o ar que exigimos treze vezes por minuto,

para ser e enquanto somos dar o sim que glorifica.

 

Porque vivemos aos tropeços, porque apenas nos deixam

dizer que somos quem somos,

os cânticos não podem ser, sem pecado, um adorno.

Estamos chegando ao fundo.

 

Maldita a poesia concebida como um luxo

cultural para os neutros

que, lavando-se as mãos, se desentendem e evadem.

Maldigo a poesia de quem não toma partido até manchar-se.

 

Faço minhas as faltas. Sinto em mim os que sofrem

e canto respirando.

Canto, e canto e cantando para lá de minhas penas, 

me amplio.

 

Quisera dar-lhes vida, provocar novos atos,

e calculo por isso com a técnica que posso.

Me sinto um engenheiro do verso e um operário

que forja com outros a Espanha em seus alicerces.

Assim é minha poesia: poesia-ferramenta

ao mesmo tempo pulsar do unânime e cego.

Assim é, arma carregada de futuro expansivo

com que aponto o teu peito.

 

Não é uma poesia gota a gota pensada.

Não é um belo produto. Não é um fruto perfeito.

É algo como o ar que todos respiramos

e é o canto que expande o que dentro levamos.

 

São palavras que repetimos sentindo

como nossas, e voam. São mais que o pensado.

São gritos no céu, e, na terra, são atos.

 

                       Gabriel Celaya in Cantos Iberos, 1955

 

06 julho, 2024

À PORTA DE UMA FESTA, PROMOVENDO AQUELA QUE NÃO HÁ OUTRA COMO ELA!

Fomos para única entrada da Quinta do Palácio do Marquês de Oeiras. Era nossa missão divulgar e promover a Festa. Tinha adoptado por pregão "Olha esta outra Festa, que não há outra como ela!" e com um sorriso estendia o jornal dos artistas que este ano irão estar na Atalaia. A receptividade era francamente boa mas naturalmente independente de sorrisos ou pregões. Até que aconteceu o que nos fez encher a alma. Próximo, parou um carro. O condutor, tirou da bagageira uma cadeira de rodas. Uma senhora, em visível esforço, retirou um corpo paraplégico e sentou-o. Uma camarada, que fazia parte da jornada fez a devida entrega. E o jovem deficiente, concentrou-se na leitura... então decidi tirar-lhe uma foto. Esta:


Como tencionava pública-la avisei dizendo que os rostos não figuravam, respeitando assim o anonimato. Saltou de lá um amplo sorriso e um "Nem pense nisso!" e acrescentou "Quero mesmo posar para a fotografia. E mais... quero mesmo que publique!"

E aqui está: 



04 julho, 2024

O MEU ALTAR NÃO ME IMPELE A REZAR, MAS DÁ-ME FÉ


 O meu altar não me impele a rezar. Nada de santo há nele, contudo é frequente que ele me transmita fé. À sua direita, na parede mal visível, figura gente querida. Em frente, da direita para a esquerda: a minha imagem (para que não me esqueça de mim); flores do meu jardim; mulher negra, para que tenha presente "memórias de afectos, angústias e medos, tidos e vividos em terras de Angola e há ponta, mal visível, livros que estou lendo.

A cimo de tudo, o ecrã da minha LG que raramente passa coisas que me alimentam a crença. Ora veja! 

03 julho, 2024

À LÍDIA, A MADRINHA DA MINHA ESCRITA

Ontem tive uma reunião com um editor a seu convite. O tema era, a pretexto do meu primeiro livro, falar da minha obra literária. Levei-lhe os poucos livros que tinham sido publicados mas centrei-me nos projectos futuros... Ele, o meu interlocutor, pegou nos "Contos" e foi lendo as badanas enquanto eu ia falando. A páginas tantas, interrompeu-me: "Que belo texto ela lhe dedica. É sua amiga?". Resposta pronta: "É mais que isso, ela é a "madrinha" da minha obra literária!" e dizendo isto abri eu o meu "Almas..." e li-lhe o que ela me tinha escrito no blog e que consta na introdução do livro. Escreveu ela:
– «É uma narrativa que prende o leitor pelo tom leve. No entanto, não deixa de dar a conhecer alguns dos azedumes de uma época em que o mundo decorre a dois tempos distintos: A chegada à Lua, signo do progresso do Homem e a Colonização, signo da sua pequenez. 
Maravilhosa é a forma como utiliza esta dicotomia e tece com as palavras relações tão inesperadas e divertidas… Tem todos os ingredientes para captar a atenção do leitor. Movimento, humor, apelo aos sentidos, suspense... E o encanto próprio do narrador autodiegético, pois que também ele é personagem, ou melhor, personagens. Sobre os cheiros (de África)... Sei que a memória guarda um espaço de eleição para eles. É através deles que muitas vezes nos vemos a viajar no tempo de encontro a lugares e momentos do passado.» – Lídia Borges (Searas de Versos).

Tivesse eu levado o "Sementes..." ter-lhe-ia recitado o poema dela, que mais me tocou:


 

ANTES QUE ANOITEÇA
as sílabas não são já o meu brinquedo de infância preferido
as palavras deixaram de ser a matéria incandescente
que em laboratório usei para dizer os primeiros afetos
e dar nome às coisas insubstituíveis
para perpetuar o nunca perpetuável 
as palavras vão envelhecendo comigo
algumas já desapareceram simplesmente
sofro-lhes a ausência contudo cada vez mais
preciso de menos palavras
talvez por isso muitas delas recolhem-se já no silêncio
misteriosamente dóceis abstêm-se do canto e do pranto
e até as mais viçosas e alegres se enrolam à sombra
na soleira da tarde
antes que anoiteça, antes que eu me afunde
ou me transforme em pedra
dá-me um poema dos teus
com sabor a maçã a lima ou hortelã
para perfumar com ele os meus derradeiros sonhos 
Lídia Borges, in "Sementes Daqui"- 2013

02 julho, 2024

01 julho, 2024

FAUSTO MORREU? QUEM DISSE?


"As Notas da Minha Liberdade" é um documento dele, de que me aproprio como se fosse meu. Não que tais documentos coincidam ponto-por-ponto, mas sim porque a liberdade conquistada teve, de nós dois, o mesmo sentido. Não admira, assim, que o vídeo do seu testemunho soe baixo, como se fosse segredo íntimo...

(Em 2015 assisti a um espectáculo seu, na Festa do Avante e que guardo na memória. E é essa memória que me faz recorrer a uma frase batida: "Os nossos mortos, não morrem!")
___________________
O PCP jamais esquecerá o facto de Fausto Bordalo Dias ter aceite o convite, em 1985, para fazer o arranjo musical da Carvalhesa, música popular portuguesa, originária de Trás-os-Montes que acompanha a actividade política do PCP em sucessivas campanhas eleitorais e na Festa do Avante!, que desperta de forma viva e entusiástica a alegria e confiança no futuro.

30 junho, 2024

E A PURGA CONTINUA!...


Ontem, a Teresa num seu comentário escrevia "As pessoas actualmente não querem salvar o mundo. A imprensa sabe disso e desfaz-se de jornalistas que ainda não compreenderam isso. Carmo Afonso não foi a única a ser despedida." 
Mesmo, que em rigor, não se trate de jornalistas, ela escreve certo, pois a purga continua.
Mas exactamente por isso, também tem de continuar a luta. 
E a propósito...  transcrevo de um sítio onde sempre vou e leio:

"Eles, até há pouco tempo, pareciam querer simular pluralismo, livre opinião, diversidade. Assim, aceitavam, quais cisnes num lago de jacarés, jornalistas, comentadores e colaboradores, aqui e ali, em doses espartanas, mas ainda assim visíveis. Carmo Afonso no Público, Bernardino Soares na CNN – para referir os mais recentes excluídos -, e uns poucos mais, publicados, lidos, vistos e ouvidos em doses homeopáticas.

No geral, o que abunda pelos órgãos de comunicação social são os obedientes à voz do dono. Que, muitas vezes, à custa da sua vontade de obedecer a quem lhes dá corda – por puro interesse ou por entusiástica convicção – são tão servis que os seus textos, comentários, intervenções em painéis sortidos, não só se empobrecem intelectualmente como se tornam desinteressantes e pouco úteis aos que pensam fazer o favor.  A sua pouca adesão à verdade e aos factos torna-os inúteis. Mas eles perseveram e continua a haver quem, apesar do acentuada decadência dos jornais com pretensões de “referência” – e sucesso dos tabloides – parece valer-lhes a pena. Com prejuízos e tudo.

A situação convoca uma premissa incontornável: a maioria dos leitores de jornais a sério tem o defeito de ser exigente. Logo, perante a perda de qualidade – e de decência, sejamos claros – de que padece a maioria, se não a totalidade, dos jornais portugueses, os leitores afastam-se deles. 

Depois, ouvimos as queixas e as perguntas como que dirigidas à divindade: “porquê, leitores, porque nos abandonastes”? Eu respondo: cada vez há menos razões para se comprar jornais – de papel ou online. E agora, com a exclusão – gostaram do eufemismo? – de Carmo Afonso, menos razões há, no caso do Público.

Todos nós conhecemos a experiência de, ao longo dos anos – estou a falar, sobretudo, a gente de uma “certa idade” – estimar especialmente esta ou aquela página, coluna, colaborador dos jornais que comprava. Tal chegava a determinar o modo como geríamos a sua leitura. Ora lendo imediatamente os nossos preferidos, ora deixando-os para o fim como uma apetecida sobremesa. Por mim, não mais. A indigência do que enche as páginas dos jornais, a compreensão das meias verdades -que são sempre uma mentira completa -, a manipulação e os truques subliminares mais básicos, deixam-nos a sensação de que nos desrespeitam, que nos ofendem a inteligência sem pudor e sem consciência - penduraram a consciência.

29 junho, 2024

O JORNALISMO, QUE JÁ NÃO ERA AQUILO QUE JÁ FOI, AGORA VAI DE MAL A PIOR...


A notícia foi dada pela própria, na hora da despedida... 

Reconhecida que esteja a influência que o alarido da imprensa provoca nas políticas, doloroso foi saber que quem vai além das percepções vai deixando de ocupar as páginas dos jornais (já para não falar nos écrans e telejornais).

Era seguidor de Carmo Afonso, como o provo aqui. Mas estou certo de que ela irá a continuar por aí...

28 junho, 2024

A ESPUMA DOS DIAS DESVIA-ME DO ESSENCIAL

Meu avô, uma presença constante na minha memória

A espuma dos dias, cada vez mais negra e densa, tudo ameaça. Nesse tudo, incluo o meu percurso que tenho até há pouco considerado digno. Não que tenha enveredado por algo que me envergonhe. Não que tenha incorrido em algo que tenha feito, escrito ou dito e que agora me deva arrepender.  Nada disso. Na verdade, a espuma dos dias, engrossando a ameaça que sobre o Mundo paira, tem-me desviado do essencial. E o que é o essencial? O essencial é regressar à memória de tudo o que meu avô me ensinou(*) que converto numa curta frase:

"Nunca regues uma árvore, que apesar de bela, já perdeu toda a seiva!"      

(*) "Escolas da minha vida: a quintinha dos meus avós

27 junho, 2024

O CALVÁRIO DE JULIEN ASSANGE (segundo o "Sítio dos Desenhos")

Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade

.

Julien Assange está finalmente livre. Depois de treze longos anos de calvário. Em 2012 fiz-lhe este “retrato”, quando se encontrava confinado na embaixada do Equador em Londres e o seu calvário ainda estava no início. Depois, haveria de ser vergonhosamente entregue aos bifes e encerrado nas masmorras da pérfida Albionperante a indiferença cínica dos meios de comunicação a quem ele tinha oferecido gratuitamente notícias frescas e verdadeiras.

O mesmo país que se recusou a extraditar Pinochet para ser julgado no seu país e andou anos a ameaçar extraditar Assange para os Estados Unidos da América, onde se arriscava a uma pena perpétua, concedeu-lhe finalmente a liberdade; sob a condição de se considerar culpado... de ter violado a lei de espionagem – dos Estados Unidos da América.

É claro que Assange, como Galileu Galilei, confessou o “crime”: "Quando trabalhei como jornalista, incentivei a minha fonte a fornecer informações consideradas confidenciais para que eu pudesse publicá-las” e também pode ter suspirado algo muito semelhante: “e no entanto, são todas verdadeiras”.

Assange é aquele género de jornalista que além de publicar factos que são verdade, mesmo quando eles são muito confidenciais e a sua divulgação considerada muitíssimo inconveniente, também publica as provas.

- Sem Julien Assange, nunca saberíamos dos inúmeros crimes de guerra e violações dos direitos humanos perpetrados pelo exército e pelos serviços secretos dos Estados Unidos da América no Iraque e no Afeganistão, por exemplo.

- Sem Assange nunca saberíamos, por exemplo, que em Portugal, o presidente Cavaco deu aval à sórdida trasfega de carne humana para Guantánamo congratulando-se, na sua cândida e malévola imbecilidade, porque o país “tem uma imprensa muito suave”.

- Sem Assange nunca saberíamos que os serviços secretos dos Estados Unidos Da América fizeram escutas secretas grosseiras e ilegais a estadistas de países aliados, como o Brasil ou a Alemanha, por exemplo.

- Mas Assange deu-nos a saber mais, muito mais, coisas que nunca saberíamos só pelos jornais. E até coisas que os nossos jornais, com os seus mui suaves critériosinhos d’oportunidade, nunca divulgaram; mesmo quando lhes foram oferecidas, de graça, por Julian Assange. 

Eu, por exemplo, ainda estou à espera da lista dos “jornalistas” avençados do senhor Salgado. Bem sei que posso fazê-lo sentado; ainda que sinta que nunca estarei tão confortável e impassível como a nossa imprensa de referência a assistir ao calvário de Julien Assange.

Nota de rodapé: A frase em epígrafe é com frequência atribuída erroneamente a George Orwell. A citação também costuma ser atribuída a William Randolph Hearst. Porém, na referência mais antiga da citação de que se tem notícia (1918), a autoria da frase é desconhecida.

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25 junho, 2024

JULIEN ASSANGE, APÓS 1901 DIAS, CONHECE A LUZ DO DIA


"Julian Assange está livre. Saiu da prisão de segurança máxima de Belmarsh (Reino Unido) na manhã de 24 de junho, depois de lá ter passado 1.901 dias", declarou a WikiLeaks nas redes sociais.

Assange vai comparecer na quarta-feira num tribunal das Ilhas Marianas, território norte-americano no Pacífico, para finalizar um acordo de confissão de culpa alcançado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O sistema judicial norte-americano acusou Assange de 18 crimes de violação da Lei de Espionagem por causa de uma das maiores fugas de informação secreta na história dos Estados Unidos em 2010, que revelou segredos das guerras no Iraque e no Afeganistão, bem como dados sobre os detidos na base da Baía de Guantánamo, entre outros."

Ler "Exemplo de coragem

 

23 junho, 2024

SÃO JOÃO, SEM ALHO PORRO NA MÃO

(reeditado)

 
Martelinhos, "made in" China*

Tiram-nos tudo, ó São João
Que fazer desta má sina?
Festejos são ilusão
Com martelinhos vindos da China

Com martelinhos vindos da China
Vem ó santo em meu socorro
Inverte esta má sina
Devolve meu alho-porro

Devolve meu alho-porro
Evita tanta importação
Contribui para nosso aforro
Ó meu rico São João

Rogerito
______________
* Em 2011 a fábrica portuguesa (a "Estrela Paraíso), que criou o "martelinho", passou  a produção de meio milhão de unidades para cerca de 200 mil. A concorrência da China condenou a empresa que acabaria por encerrar no ano seguinte, como o vídeo documenta:

22 junho, 2024

PORTUGAL 3 - TURQUIA 0


«Saindo da lição aos netos, fico pensando noutra que retiro para mim próprio: a alienação para ser eficaz precisa de ser praticada por gente capaz, pois só assim produz efeito. Mesmo que à custa de muito dinheiro. 
A imprensa, bem oleada, trata do resto.»
 Me assino, O Mouro 
(não confundir com o Mourinho)

 Mas claro que o resultado merece ser festejado



20 junho, 2024

LÁ TERÁ QUE SER...


Lá terá que ser... e o que tem que ser tem muita força. 
É que não houve um único motivo para o adiamento lá para finais de Setembro. De facto, foram vários os motivos. A uma, faleceu-lhe familiar próximo e muito querido. A outra, aconteceu-lhe um imprevisto. E a somar a isso, quem me lançou o desafio para que escrevesse o texto/guião já tinha marcada a passagem de avião.

Assim, não há apenas três mas sim quatro os espectáculos a aguardar melhor data

19 junho, 2024

O CHICO FEZ HOJE 80 ANITOS! PARABÉNS PÁ!


Podia eu lá deixar passar esta data em branco!?

PRAIANDO (DE VEZ EM QUANDO)

 PRAIANDO

Neste meu ar sério
quase duro
assumo
neste preciso momento
em que recuso o pensamento
em que rejeito a meditação
em que decido que a cabeça
apenas me serve para usar chapéu

No Mundo há tanta gente
a ter esse meu momento sempre presente
com a diferença, e não é piada
que, não usando chapéu,
a cabeça não lhes serve para nada

Rogério Pereira

17 junho, 2024

A VERDEIRA PAZ


 A verdadeira paz não se confunde com a ausência de guerra, sobretudo quando se observa o reforço dos meios militares e a chamada "corrida ao armamento". Quando a guerra é uma realidade dura, que passa diariamente sob os nossos olhos e são referidos milhares e milhares de mortos, será inevitável falar-se de paz. Falar da paz não é, por si só, garantia de quere-la... 

Há algumas condições de se chegar à verdadeira paz:
  • antes de mais, nem falando de razões, importa analisar e perceber motivos e factos que originam o conflito armado. Sem tal entendimento, quem estiver a tentar juntar à mesa as partes, com objectivo de resolver o conflito, jamais terá sucesso pois nem todos os pontos a negociar estarão em cima da mesa;
  • não é possível resolver a guerra, usando a escalada militar como forma dissuasora, na procura da rendição da outra parte;
  • falar em cimeira que não seja, é falácia que em vez de fazer avançar, atrasa e... deixa a paz a marcar passo.
NOTA: Tratando-se de disputas territoriais é estranho que não se oiça falar em plebiscito