16 novembro, 2019

José de Castro e a minha promessa

Lembram-se da minha promessa?
Claro que o que prometo cumpro! Embora não fosse lá apenas por ter prometido. Competia-me a mim o que a mim próprio me tenho vindo a impor: registar


...e, é assim, quem regista não fica registado...


...e acrescento, mais este texto (também da minha lavra)

15 novembro, 2019

José de Castro e o desconcerto do mundo


Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.
São palavras ditas por José de Castro em 1972, retiradas de uma edição do Ministério da Educação Nacional - Instituto de Meios Audio-Visuais de Educação, e que pode ouvir na totalidade aqui.

José de Castro nasce em Paço de Arcos, no dia 16 de Novembro de 1931 e Morre no dia 6 de Outubro de 1977, com 46 anos de idade. Militante do PCP é, desde a sua morte, lembrado em romagem ao seu memorial, na vila que o viu nascer. 
Amanhã lá estarei, não apenas para o homenagear mas para me juntar ao protesto. 

14 novembro, 2019

Lições sul-americanas (2)

«Enganou-se quem julgava que, com Trump e Bolsonaro, a vitória das direitas americanas era irreversível. O regresso em força dos movimentos sociais, persistentes e corajosos como em poucos lugares do mundo, no Equador e no Chile (onde a democratização não tocou no neoliberalismo económico herdado da ditadura), o esvaziamento de Guaidó na Venezuela e o regresso do kirchnerismo dão razão a Álvaro García Linera, o vice-presidente boloviano que agora se exilou no México: “Lutar, vencer, cair. Levantarmo-nos, lutar, vencer, cair, levantarmo-nos. Até que se nos acabe a vida.”»
Manuel Loff, in Público, 14/11/2019 

13 novembro, 2019

O salário mínimo que vai ser, embora já sendo


Na imagem, militares no activo e na reforma manifestaram-se em Lisboa, num desfile que terminou junto à Assembleia da República e que visava alertar para a «dramática realidade» da «família militar» na sequência dos cortes nos rendimentos.
Não, não foi hoje mas sim em Março de 2014...

Hoje, é notícia outra coisa, que em breve poderá vir a ser comunicado oficial, e diz assim:
"Sabendo-se que em 2019 está em vigor um Salário Mínimo Nacional (SMN) de 600 euros, sendo que na Administração Pública esse Salário Mínimo é de 635,07 (tudo valores que vigoram desde 1 de Janeiro de 2019), fica a questão fundamental de saber se é intenção do Governo não alterar o Salário Mínimo na Administração Pública?

Ou será que dentro de horas/dias serão finalmente anunciados os aumentos (inexistentes há DEZ anos) para a Administração Pública, estipulando-se então a partir de agora um SMN global (Administração Pública e Privados) nos 635 euros?

A AOFA recorda que o maior problema (aliás sobejamente identificado e reconhecido pelo próprio MDN) quer de recrutamento quer de retenção de Efectivos nas Forças Armadas reside na cada vez menor atractividade das Forças Armadas precisamente por via dos reduzidíssimos rendimentos que auferem os Militares, como aliás o Senhor Presidente da República publicamente fez referência há poucos meses no ato de promulgação dos elevados aumentos de rendimentos verificados na área da Justiça.

Aguardemos pois pelas próximas horas para que de forma mais sustentada possa a AOFA tomar posição oficial. As expectativas são, naturalmente, muito elevadas em relação ao que se possa estar a preparar para a Administração Publica e de forma muito particular para os Militares das Forças Armadas, sob pena de 2020, além de ser mais um ano profundamente negativo poder mesmo ser, como já alertámos por diversas vezes o ano do início da ruptura das FAs!"
Texto extraído da mensagem
Presidente da AOFA

11 novembro, 2019

A homenagem ao José de Castro foi no Sábado passado... mas vai haver mais!


A homenagem
Todos anos acontece romagem.
Nesta, chovia como Deus mandava
e como as imagens ilustram.

À esquerda
estava quem estava.
A actriz, lia uma página já encharcada
e antes que perdesse
por mais uma gota,
e outra, e outra,
a visão do texto, saltei
da assistência
e dei a devida cobertura
à... cultura
Sobre o actor, e para quem seja ele um desconhecido, procurei palavras que lhe dessem da curta vida os actos que lhe merecessem homenagem tão sentida. Do que apurei podia ser esta a síntese a caber na sua lápide: 
José de Castro, nasce em Paço de Arcos, no dia 16 de Novembro de 1931 e Morre no dia 6 de Outubro de 1977, com 46 anos de idade, no seu funeral, levou sobre o seu caixão, uma bandeira do PCP.
Na data mais exacta, dia dezasseis, lá estarei

10 novembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 2 (A Biblia, esse manual de maus costumes)


Não lembraria ao Diabo, falar na Bíblia sem citar Saramago. Rita fundamenta e detalha porque considerava Saramago ser a Bíblia um livro que não se pode deixar nas mãos de qualquer adolescente...

E porque trago a Rita a falar disto? 
Pode lá haver sermão se não falarmos em escrituras?...

09 novembro, 2019

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (18)

____
Num Março há muito passado, deixei de fazer balanços semanais. Regresso, pois temo que continuamos, distraidamente, a caminhar
para o buraco.

Domingo foi dia de sermão. Disse a Greta Thunberg, «se as soluções dentro do sistema são tão impossíveis de encontrar, talvez tenhamos de mudar o próprio sistema.» Disse a Rita, « é mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo. Convido todos vocês para irmos na contra-mão, e pensarmos um jeito de destruir esse modelo que está destruindo o planeta.»

Segunda-feira foi o dia da abertura da Web Summit e durante três dias nada se disse da notícia «O Partido Comunista Português (PCP) quer dez anos de garantia para dispositivos electrónicos» (...) pois «Actualmente, o tempo de vida útil de um smartphone é de três anos. Os custos ambientais e económicos desta discrepância são gigantescos e incomportáveis»

Na terça-feira fiquei sem palavras e na quarta lembrei o centenário de Sophia e o bem que ela escrevia
«Os ricos nunca perdem a jogada
Nunca fazem um erro. Espiam
E esperam os erros dos outros»
Li na sexta-feira, lá na barbearia, assim «Portugal, País chave da revolução tecnológica onde anónimos sem-abrigo são heróis na descoberta de recém-nascidos em contentores do lixo - em boa hora salvos e de boa saúde – na realidade virtual das horas da chave, abraçados e beijados e provavelmente nomeados para futuros comendadores, com a promessa de que a revolução tecnológica – e a outra – se venham a cumprir. 

Hoje, sábado, surge a interrogação:«Porquê esta obsessão sobre o muro de há trinta anos? (...) Depois da queda do Muro de Berlim, restavam apenas 11 no mundo. Actualmente, a cifra subiu para 70 »



08 novembro, 2019

Lula livre: «não prenderam um homem. Tentaram matar uma ideia! »


O presidente Lula discursou no final da tarde desta sexta-feira, instantes depois de sair da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Do discurso, destaco:
«- vocês não têm noção do significado de eu estar aqui com vocês.
- não prenderam um homem. Tentaram matar uma ideia! Uma ideia não se mata! Uma ideia não desaparece!
- carácter e dignidade a gente não compra! Eu adquiri tudo o que eu tenho na vida de uma mulher que nasceu analfabeta e me ensinou a ter dignidade: a dona Lindu. Que me faz dizer p´ra essa gente: eu saio daqui sem ódio. Aos 74 anos, o meu coração só tem espaço para o amor. O amor vai vencer neste país!
- obrigado pelo grito "Lula livre"!»
Ler tudo no "Conversa Afiada"

07 novembro, 2019

Web Summit, uma notícia que não foi lida em nenhuma sessão...

«O Partido Comunista Português (PCP) quer dez anos de garantia para dispositivos electrónicos, electrodomésticos e veículos até 2025.

O objectivo do PCP é acabar com aquilo que é conhecido como obsolescência planeada, que acontece quando as empresas criam, por meio de hardware ou software, um produto que fica obsoleto ou deixa de funcionar num período de tempo inferior ao que a tecnologia permite, para forçar os consumidores a comprarem novas gerações desse produto.

O partido cita um estudo do Gabinete Europeu do Meio Ambiente, uma rede de organizações não governamentais de ambiente, que diz que o aumento de um ano no prazo de vida de telefones portáteis, aspiradores, máquinas de lavar roupa e computadores portáteis pode representar uma diminuição de quatro milhões de toneladas em emissões de dióxido de carbono. «Actualmente, o tempo de vida útil de um smartphone é de três anos. Os custos ambientais e económicos desta discrepância são gigantescos e incomportáveis», escreve ainda o PCP.

O PCP quer também evitar a obsolescência através de software. «São proibidas linhas de código introduzidas na programação de qualquer aplicação que visem diminuir o tempo de vida útil ou a eficácia de um dispositivo, salvo nos casos em que tal funcionalidade seja referida e seja um objetivo publicitado da aplicação.»
Notícia publicada aqui
e não lida na Web Summit 
Sempre atento, coincidindo com tudo isto, publiquei há pouco tempo, um vídeo...

06 novembro, 2019

Sophia, cem anos faria

Neste dia ocorre-me citar Sophia
no poema que mais me toca.
É uma selecção quase sem sentido
pois, na verdade, foram trinta e cinco
aqui
domingo a domingo
liturgia a liturgia
citando Sophia
Os Gracos
«Os ricos nunca perdem a jogada
Nunca fazem um erro. Espiam
E esperam os erros dos outros
Administram os erros dos outros
São hábeis e sábios
Têm uma larga experiência do poder
E quando não podem usar a própria força
Usam a fraqueza dos outros
Apostam na fraqueza dos outros
E ganham
Tecem uma grande rede de estratagemas
Uma grande armadilha invisível
E devagar desviam o inimigo para o seu terreno
Para o sacrificar como um toiro na arena.
Sophia de Mello Breyner Andersen
(Os Gracos– Obras completas - 1968)

05 novembro, 2019

Sem palavras...


Sem palavras, nem comentários.
Não comento
o que não entendo
e peço que reserve
o seu entendimento

04 novembro, 2019

A Web Summit e o resto...


Em Outubro de 2011 rendia eu homenagem a Steve Jobs, no ano da sua morte. E escrevia eu, com aquele inocência de quem não tem a mínima ideia da dimensão da coisa, "Eh pá, sempre que firmes uma ideia ou um ideal ou uma convicção não a assumas sem ouvir o seu contrário ou, pelo menos, o outro lado da questão." até aqui tudo bem. Pensava assim e penso. Onde eu errava era na afirmação seguinte, quando me dirigia a mim mesmo, dizendo "E lembra-te, uma coisa boa só o é se for partilhada ou por todos usada."
E qual era o meu erro? A consideração "coisa boa". De facto, e falando da tecnologia web, é um erro considerar aplicativos, tais como os jogos, uma coisa boa dada a larga escala de uso e de partilha. Estamos a falar de dezenas de milhões, que em simultâneo usam nas redes sociais jogos, que começam por utilizar por mera curiosidade.

Alguns exemplos que são referência para quem vai estar estes dias na Web Summit: com cerca de 9,5 milhões de utilizadores diários o 'The Sims Social' superou o 'FarmVille' que contava, em 2011, com 8,3 milhões de jogadores que acediam ao jogo com frequência. Mas em primeiro lugar, reinava distante o 'City Ville', com cerca de 13,7 milhões de utilizadores por dia. No segmento jovem, o jogo League of Legends já alcançava, em 2016, a marca de 100 milhões de jogadores por mês. Esta dimensão não pára de aumentar, assim como a correspondente tradução financeira...

Na Web Summit há um mundo com os olhos postos nisso e a empreender negócios à volta dos jogos, que na sua larga maioria se destinam a seguir tendências e, dentro delas, a inovar. Negócios cujo sucesso depende  do consumo. E que o consumo, para ter volume, deve ser massivo. 

E quanto ao resto, o vídeo trata disso...

03 novembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 1 (escolha entre ela e a Greta )

Lanço hoje os sermões. Continuo, assim, nesta labuta de dar o meu contributo para mudar o mundo. Verdade se diga, não temos adiantado muito. Nem as Homilias de Saramago, nem as Liturgias de Sophia, nem Eu, temos conseguido outros avanços que não seja deixar marcas e testemunhos de uma persistência que a poucos atinge ou influencia.
Os sermões aparecem agora como outro recurso. E começo por uma onda que, para muitos é luta e para outros moda...


Podia, para o tema, escolher a Greta. Depois de comparar os discursos, escolho a Rita. 
Diz a Greta
«Dizem que amam os vossos filhos mais do que tudo o resto e, no entanto, estão a roubar-lhes o futuro mesmo à frente dos seus olhos.
Até começarem a concentrar-se no que é preciso fazer, mais do que no que é politicamente viável, não haverá esperança. Não se resolve uma crise sem a tratar como crise. Precisamos de deixar os combustíveis fósseis no subsolo, e temos de pôr a tónica na equidade. E se as soluções dentro do sistema são tão impossíveis de encontrar, talvez tenhamos de mudar o próprio sistema.»
Diz a Rita
«Na nossa era do capitalismo desenfreado, do capitalismo financeiro, do capitalismo das acções, em que a gente passa a não ter nenhum tipo de responsabilidade sobre como o dinheiro é feito e como o dinheiro é gasto, é mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo.
Convido todos vocês para irmos na contra-mão, e pensarmos um jeito de destruir esse modelo que está destruindo o planeta.»
A Rita tem objectivos declarados mais claros e apesar de não andar por aí a ser badalada em todas as revistas e jornais, blogues e redes sociais é a Rita que supera a dúvida de Greta, quanto ao sistema. 

E é assim, que à Rita concedo o privilégio de vir a ocupar este espaço.
Domingo a domingo aqui a trago

02 novembro, 2019

A Jorge de Sena, um plágio no dia do seu 100º aniversário


Plágio 
A luz que assim vês
até a podes neutralizar
com os pés
Mas mesmo que lhe sequem a água
ela continuará lá,
não se apagará
até que seja dia!

Minha luz, não tem diferença
daquela outra, de Jorge de Sena
que ele diz ser

uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.

Rogério Pereira,
Plagiando Jorge de Sena

 

01 novembro, 2019

Feriado ou o quanto é injusta a memória, quando curta!


No ano passado e eu dizendo que em puto, fazia o que faziam os outros. "Pão, por.. Deus", pedia eu. E não pedia muito. Bastavam uns tantos doces e um rebuçado no fundo do saco e aí me detinha, sentado num qualquer degrau, com outros, a fazer partilha.

Depois de puto, ainda não muito crescidote, ficava a uma qualquer esquina, mãos nos bolsos, a roer-me de inveja observando os que, então, se entregavam à tradição. Foi assim, até deixar de ser assim. Palavra que não dei pela chegada do Halloween, primeiro em filmes e desenhos animados, depois em campanhas dos supermercados e, por fim, nas salas de aula, onde apenas alguns professores salvam a tradição e relembram cantilena chilreada pela catraiada:
“Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós.
Para dar aos finados
Qu’estão mortos, enterrados.
À porta da bela cruz
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho.
Faz favor de s’alevantar
P’ra vir dar um tostãozinho”
E pronto, aqui chegado, saúdo o reposto feriado ao mesmo tempo que deploro e lamento quanto é injusta a memória quando é curta. É que este feriado foi-nos roubado e só nos foi devolvido por acção daquele tal partido... Não se lembra qual? 
Pois, e isso é um outro mal!

31 outubro, 2019

A confissão de Sócrates

Esta a confissão que Sócrates irá apresentar à Comissão Parlamentar de Inquérito, não por forma escrita ou presencial, mas em video (que já gravou e se encontra disponível no You Tube)
________________
Esclarecimento adicional: Esta confissão tem barbas, pois a notícia é de 2010. Mas, já na altura, tão pouco de muito era tanto...

30 outubro, 2019

Vá lá!


A coisa ainda está pouco clara, mas há que empurrá-la. O dia foi intenso, lá no Parlamento e chego, no momento preciso, a tempo de ouvir isto. Depois, fui buscar este "vá lá", mesmo sem saber se o vá lá, vai mesmo e se, indo, irá pelo caminho certo...
Neste momento, havendo ainda muito por definir, junto o meu "Vá lá" e este "Vá lá" que aqui vai...
Vá lá, Portugal, olha p’ra ti
Há quem diga por aí
Sem a guerra não há paz…
Vá lá, Portugal, nação valente
Que o futuro é um presente
E é para a frente e não para trás!

Vá lá!!
 

29 outubro, 2019

Se eu não acreditasse... O que seria?

(reeditado)

La Maza*

Se eu não acreditasse na loucura
Na garganta do rouxinol
Se eu não acreditasse que no monte
Se esconde o trigo e o medo
Se eu não acreditasse na balança
Na razão do equilíbrio
Se eu não acreditasse no delírio
Se eu não acreditasse na esperança
Se eu não acreditasse no que controlo
Se eu não acreditasse no meu caminho
Se eu não acreditasse no meu som
Se eu não acreditasse no meu silêncio
O que seria, o que seria do cinzel sem a cantaria?
Uma massa feita de cordas e tendões
Uma confusão de carne com madeira
Um instrumento sem melhores pretensões
De pequenas luzes montadas para uma encenação
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o que seria do cinzel sem a cantaria?
Um testa-de-ferro do traidor dos aplausos
Um servidor de passado em uma taça nova
Um eternizador de deuses do pôr-do-sol
Júbilo fervido com trapo e lantejoula
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o que seria do cinzel sem a cantaria?
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o que seria do cinzel sem a cantaria?
Se eu não acreditasse no mais duro
Se eu não acreditasse no desejo
Se eu não acreditasse no que acredito
Se eu não acreditasse em algo puro
Se não acreditasse em cada ferida
Se não acreditasse no que rondei
Se não acreditasse no que esconde
Tornar-se irmão da vida
Se eu não acreditasse em quem me escuta
Se eu não acreditasse no que dói
Se eu não acreditasse no que fica
Se eu não acreditasse no que luta
O que seria, o que seria o que seria do cinzel sem a cantaria?
Uma massa feita de cordas e tendões
Uma confusão de carne com madeira
Um instrumento sem melhores pretensões
De pequenas luzes montadas para uma encenação
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o que seria do cinzel sem a cantaria?
Sílvio Rodriguez

*traduzi por cinzel, não sei se bem se mal

28 outubro, 2019

Na Argentina ganha um peronista. Peronismo? O que é lá isso?



A minha Gaivota vaticinou que bem podia acontecer. E aconteceu. A parelha composta pela ex-presidente Cristina Kirchner e encabeçada por Alberto Fernández, venceram as eleições na Argentina. É o regresso do peronismo. Caso não saiba o que é o peronismo, o vídeo acima explica isso. 
E depois há outro vídeo, este que bem merece ser visto...

27 outubro, 2019

A Gaivota, do conto contado à realidade...


"Olá!", grasnou ela, naquele grasnar que já se tornara familiar fazendo-o bem alto, lá de cima do telhado.

"Olá! por aqui?", respondi admirado porque a supunha num outro lado, a sul, onde a liberdade é objecto de luta avançada.

"Estou em trânsito e só espero o bando para a ele me juntar... venho dizer-te que a boa-nova que te trouxe há tempo está prestes a ser consumada. Lembras-te dela?"

 Percebendo a importância que as Gaivotas dão à memória, repeti a notícia de então, com todas as palavras que a Gaivota então usara, mudando apenas o discurso. "Lembro-me sim! Disseste que que não tens parado. Que cruzaste mares, sobrevoaste  desertos, pousaste em mil um beirais. Que viste muito, por esse mundo, guerras, desmandos e, que apesar de tudo são cada vez mais os homens que, como eu, te alimentam o voo e se batem pelo sonho da igualdade, combatem cercos de autoridade, de injustiça mascarada, de prepotência e de rituais de guerra."

A Gaivota, pareceu emocionada, tanto quanto ficara então. "Tens boa memória. Guarda-a bem, agora tenho que partir e pairar sobre os povos que nos alimentam os voos. Rumo ao sul, onde tudo o que pode acontecer* talvez aconteça"

E grasnando voou na direcção para onde lhe parecia poder ir juntar-se ao bando, já sem tempo para ouvir a mensagem que lhe queria enviar àquela outra gaivota que em Abril me visitara...

*Na Bolívia já aconteceu, agora falta saber o que se espera acontecer 

25 outubro, 2019

Uma visão, de fora. A ser apreciada, cá dentro

 A impotência geral dos cidadãos para mudar o que está mal, a abstenção geral, devia ter uma voz política de movimento social. E não há muitas forças políticas capazes de o organizar. 

Dias depois das eleições, o Partido Comunista Português (PCP) divulgou um vídeo. O João Rodrigues já escreveu sobre ele.

Mesmo sendo propaganda, é uma forma elegante de relativizar o seu resultado eleitoral, a descida lenta mas continuada desde 1980, e de valorizar a importância da generosidade quotidiana dos comunistas, que é por isso mesmo - como já se disse - imprescindível.»
Da forma, acima transcrita, inicia João Ramos de Almeida uma (boa) análise sobre o que está acontecendo ao PCP e as razões desse porquê. O texto pode ser lido, na integra, no blogue "Ladrões de Bicicletas".

Embora estas considerações sejam aqui feitas a título pessoal, essa opinião será certamente objecto de reflexão no meu Partido.

Contudo, nesta e noutras análises que nos últimos tempos têm vindo a público, registo uma lacuna numa perspectiva que julgo ser uma questão central em qualquer análise e que passa pela avaliação das alterações profundas na estrutura produtiva do País, com a queda da produção industrial e com o consequente repercussão na base de apoio do PCP, em particular na redução da classe trabalhadora e, mais significativamente, no seu peso no emprego total.  Ficam os números, bem expressivos:

Número de trabalhadores na Indústria Transformadora (dados PORDATA):
  • em 1990, 1.016.606, peso no total de postos de trabalho, 42%
  • em 2017,    711.684, peso no total de postos de trabalho, 18%
Há 8 anos atrás, em 2011, já eu ia falando em tudo isso, mas ainda sem a percepção de todas as implicações. Não foi apenas o endividamento que começou quando o aparelho produtivo começou a ser destruído. Aqui começou, também, a perda de influência da classe trabalhadora e, com ela, a do PCP.
Fica a imagem que então publiquei, com a Siderurgia Nacional ao fundo, esclarecendo a quem pertencia cada esqueleto 

24 outubro, 2019

Vaticano/Francisco: o grande líder global da atualidade

Francisco constrói pontes: com gestos e palavras é um líder com acções prepositivas; aponta, com coragem, os actores que patrocinam as guerras, o comércio de armas e que lucram com a cultura da morte e do descarte; confronta os líderes xenofóbicos e racistas que querem erguer muros e promover políticas de criminalização

Viva Francisco!

Você não precisa ser católico e/ou religioso para concordar com o título deste artigo. Mas, certamente, só ratificará essa afirmativa se acompanhar o cenário das disputas reais e simbólicas no plano internacional e se o fizer extrapolando a cobertura da mídia empresarial (totalmente comprometida com o capitalismo rentista, concentrador de riqueza e usurpador das democracias contemporâneas). Afinal, esse despotismo financeiro que governa as economias capitalistas contemporâneas é classificado por Francisco como “uma economia que mata”.

Não obstante a guerra patrocinada contra Francisco em vários fronts, por poderosas corporações internacionais (bancos; agronegócio; indústrias das armas, farmacêutica e do petróleo; think tanks norteamericanos propulsores do ultraliberalismo na América Latina -- liderados por megaempresários católicos e protestantes; políticos de extrema-direita e grupos religiosos obscurantistas...), o Papa continua a mobilizar um imenso contingente de líderes e grupos sociais de todas as Nações que se somam no enfrentamento, de variadas formas, da chamada “onda ultraconservadora”.

Remando corajosamente contra a maré, Francisco tem se empenhado em acções estratégicas que já redundam em poderosos focos de enfrentamento ao ultraliberalismo. Abaixo, listamos algumas das iniciativas de Francisco que tem repercutido globalmente e extrapolado o “mundo” católico.

23 outubro, 2019

O 6º Aniversário da minha União de Freguesias... e o "Melhor de Millôr" - (2)


E como o prometido é devido, cá vai um extracto da peça:

«Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira de uma estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1.200 anos, e uma tartaruga bem pequenininha ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas, dizia eu. E dizia-o muito bem pois elas estão sentadas mesmo. Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:

- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia dessa vida?

- Formidável - disse a tartaruguinha mais nova 12 depois - vamos fazer um pique-nique?

Vinte e cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o pique-nique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerante, elas partiram. Oitenta anos depois chegaram a um lugar mais ou menos aconselhável para um pique-nique.

- Ah - disse a tartaruguinha, 8 anos depois - excelente local este!

Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.

Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão de que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas.

- Está bem - concordou a tartaruguinha três anos depois - mas só vou se vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.

Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.

Passaram-se cinqüenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais 17 anos e nada. Mais 8 anos e nada ainda. Afinal uma das tartaruguinhas murmurou:

- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?

As outras concordaram, rapidamente, dois anos depois. E esperaram mais 17 anos. Aí outra tartaruga disse:

- Já estou com muita fome. Vamos comer só um pedacinho de doce que ela nem notará.

As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, 15 anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:

- Ora, vamos comer mesmo só uns docinhos enquanto ela não vem.

Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:

- Ah, murmurou ela - eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora não vou buscar mais o abridor, pronto!

Fim (30 anos depois).» 
Millôr, no seu melhor

 

22 outubro, 2019

O 6º Aniversário da minha União de Freguesias... e o "Melhor de Millôr"


Pois é, isto de andar de celebração em celebração, alguma teria de ficar pelo caminho.
Àquela, na passada sexta,  dei-lhe a visibilidade merecida.
A esta, que agora me ocorreu que devia ser de assinalar, quase me passava. Não por razões já há muito explicadas, mas outras...
Porque a memória, sendo selectiva, fez com que esquecesse o hastear das bandeiras, mas não o Melhor de Millôr. 
A esse, compareci. É que o Programa incluía a peça
Compareci e... muito ri.  
Amanhã explico a razão do meu riso.

20 outubro, 2019

O que pode a chamada "peste grisalha"...


Há um mundo de coisas ditas sobre o envelhecimento. Há outro, de coisas escritas. Há discussões, propostas, abaixo-assinados, moções. Há montes, e montes, e montes de organizações, clubes, instituições, associações que falam de nós, que tratam de nós, que se ocupam de nós.
Não sendo únicos, somos dos poucos a que todos podem chamar desenhadores de sonhos, porque, fazendo por isso, lá conseguimos!
A prova?
Serve o vídeo?

19 outubro, 2019

Ela esteve (sempre) connosco...




Ela esteve connosco. Ontem. Esteve sempre, desde o inicio. Ela, a Maria Luísa Moutinho,  fez parte do grupo fundador da "Desenhando Sonhos". 
E quem é a Maria Luísa Moutinho?
É uma mulher orgulhosa de ter tido um neto. É uma mulher que ontem nos ajudou, de tarde, a arrumar a sala e à noite cantou como só a família dela sabe. 
E quem é a família dela?
Leia-lhe a homenagem que lhe prestámos... à qual, depois de lhe ter sido lida, ela juntou uma pequena lágrima, comovida.
«Num artigo publicado no DN, em Abril de 2016, escreve-se - “o miúdo levantou-se da mesa sem pedir autorização. Está certo que os tempos esta­vam a mudar, mas Maria Luísa estranhou a iniciativa, não era aquele o respeito que lhe tinha ensinado em casa. «Vais onde, Ca­mané?» Ele não respondeu, antes aproxi­mou-se dos guitarristas e pediu-lhes um fa­do do Fernando Maurício. Ainda não tinha 10 anos, e não era frequente a canalha da­quela idade encher assim o peito para se ar­mar em rouxinol. «Quando percebi que ele ia cantar fiquei logo cheia de medo, então e se corresse mal?» Correu bem – e voltaria a correr bem com os filhos Hélder e Pedro Moutinho.
A menina de Oeiras, como é tratada naquele jornal, não é só mãe fado. Ela também é a nossa mãe. Ela é, também, a fundadora da Desenhando Sonhos.»
E quem são os fundadores todos? São estes, conheça-os aqui


17 outubro, 2019

A sala tem mais de 200 lugares. 199 estão assegurados. Faltas tu


Falta apenas um para a sala ficar lotada? Bem, é mesmo um grande desafio vê-la bem composta... O que se vai passar é a comemoração de um aniversário de uma associação de que já vos tinha falado. E que fez tudo isso que se reporta no vídeo.

16 outubro, 2019

"A geringonça morreu. Viva a geringonça"


Chegar tarde, mas cumprir com o que jurei a mim próprio: primeiro, não passar um só dia em branco; segundo, não citar tão só e apenas os que merecem ser citados; terceiro, todo o juízo com juízo, é como se fosse eu próprio a produzi-lo. 
E é assim que aqui vai (escrito pelo Ricardo):

15 outubro, 2019

Tinha acabado de ver a entrevista com o Lula...


Tinha acabado de ver a entrevista do Lula, após o Telejornal. Como se tivesse lido meu pensamento ou estivesse consertado comigo, o Cid Simões envia-me este vídeo. E junto lhe vinha o adjetivo:
ARREPIANTE!

14 outubro, 2019

O outono da vida, o outro Outono... ou as bacoradas minhas em resposta a boas patadas...


Num post bem ao seu estilo, escreve ele, numa boa patada, a começar por um irrepreensível título:

PRINCÍPIO DO UTILIZADOR-PAGADOR
«Num banco artificial do jardim artificial, em frente ao lago artificial, está um velho natural sentado naturalmente à espera do Outono.
É um reformado. Vive às minhas custas, portanto!...
E, no entanto, o velho não paga nada por ali estar. Mas devia pagar! Não pensem que se trata de um daqueles bancos antigos de tábuas horizontais, pintadas de vermelho e com perfil de ésse invertido!
Não! É um banco de design moderno e sem encosto, tipo banca de matança de porco, todo fundo europeu!... Para estes bancos, deviam existir banquímetros para dar cobro ao inquestionável pensamento do utilizador-pagador.
Não pensem que o velho está ali a fazer alguma coisa. Está só a pensar.
Eu penso que nunca me irei sentar naquele banco. Porque obra de fundo com participação nacional o hei-de estar a pagar?!
Eu penso nas folhas a cair. Devia de me ser descontado o tempo em que da janela do meu emprego eu vejo as folhas cair.
E era só, vou perguntar ao velho se tem nome e se sabe quando vem o Outono.»
Não me faço rogado, e lhe respondo (como sempre faço)

O nome do velho?
É Rogério

O Outono?
Já cá está,
só que o Verão
não o larga da mão

13 outubro, 2019

Ora vamos lá, então, falar da... abstenção - (2)

___
Falei disto não há muito. Para a Igreja vir a falar do assunto é porque o caso é mesmo sério.
Eu, desde há tempos, ainda nem tinha acontecido a percentagem que à Igreja fez saltar a tampa, já eu fervia.

E escrevi tanto, mas com tão pouco acolhimento que estive prestes a considerar, no limite, que nada havia a fazer.
Mas fiz, foi coisa pouca, mas o facto de ter tido  a unanimidade da Assembleia deu-me alento.  
E o que foi? Foi em 19 de Junho e está tudo na acta! Leia aqui, na página 23 , por aí... vá lá!
Dá muito trabalho? Então não vá, eu transcrevo:

12 outubro, 2019

É verdade, escrevi um conto para crianças...

___
Tinha um conto na ideia. E o conto ia por lá ficando até que decidi que deveria sair de lá. 

Não há muito, passei-o a escrito. Depois disso tudo aconteceu muito depressa, da oportunidade de ser contado até ao dia de o ouvir contar de modo encenado. De permeio colhi dicas da Lídia, porque isto de escrever para crianças deve-se ouvir quem as conhece bem. 

A encenação foi uma surpresa. Surpreenda-se também vendo o vídeo acima.
No fim perguntar-me o Gonçalo, orgulhoso do seu desempenho:
«Senhor autor, gostou  dos meus improvisos?»

11 outubro, 2019

Abril de Novo Magazine... leituras obrigatórias


Posted: 10 Oct 2019 09:33 AM PDT
  Olga contra o conservadorismo do governo polaco Peter um afirmado anti-NATO E TAMBÉM DISTINGUIDOS COM O PRÉMIO NOBEL DE LITERATURA Via: voar fora da asa http://bit.ly/2pdfHKl

O jornalismo escumalha
Posted: 10 Oct 2019 01:24 PM PDT
“Morreu a primeira vaca clonada no mundo, aos 21 anos” DN 10-10-2019   MAS, No Equador o Povo revolta-se e sai à rua contra um governo criminoso que prende e assassina, não respeitando os mais...

Posted: 10 Oct 2019 11:59 AM PDT
 Lavo daí as minhas mãos PSD parece “a gaiola das malucas”. E se Rio sair “esfrangalha-se” Via: as palavras são armas http://bit.ly/2M6S6Eu

Posted: 10 Oct 2019 10:40 AM PDT
http://cecilia-zamudio.blogspot.com/?m=1    Em castelhano e francês El Maquillaje Verde del Capitalismo no cambia su esencia depredadora: la Fábula Greta y sus limitaciones Por Cecilia...

Posted: 10 Oct 2019 09:35 AM PDT
A solução política encontrada em 2015, com um contributo determinante do PCP, permitiu a criação de condições para a entrada em funções de um governo minoritário do PS e abriu caminho a importantes...

Posted: 10 Oct 2019 09:27 AM PDT
Análise de Arménio Carlos, Secretário-geral da CGTP-IN na SIC Notícias – Edição da Noite.   Via: CGTP-IN – CGTP-IN http://bit.ly/2p5xaEP

Posted: 10 Oct 2019 09:18 AM PDT
…então oiçam. Oiçam tudo. Tudinho, de fio-a-pavio Quanto a Conceição Lima, a radialista, já lhe liguei a dar-lhe os parabéns pelo seu excelente trabalho! Via: CONVERSA AVINAGRADA...

Posted: 10 Oct 2019 08:07 AM PDT
A CGTP-IN considera inadmissível o novo aumento substancial dos custos de produtos e serviços bancários agora anunciado pela Caixa Geral de Depósitos, que vai atingir sobretudo os reformados e...

Posted: 10 Oct 2019 06:39 AM PDT
Sim, não nos rendemos Via: o tempo das cerejas 2 http://bit.ly/33ftZJa