17 junho, 2019

16 junho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 21


Sophia e Sena
Talvez?
Não! 
Tenho a certeza
Tenho a certeza
que Sophia o olhava assim
na inquietação da distância
encurtada em cada carta
das tantas que trocaram

Fecho os olhos
e não os olho
Oiço-os, oiço-os
como se estivessem aqui
ao pé de mim
(acreditem ou não, estão!)

15 junho, 2019

...agora está na Escola Náutica...


Está na Escola Náutica Infante D. Henrique, em Paço de Arcos. Quem estiver perto, visite-a até ao fim do mês... A Exposição documenta como era viver antes daquele "dia inicial inteiro e limpo". Os três primeiros painéis, ilustram um texto de Mário de Carvalho. O quarto, fala de como era  penoso ser idoso nos anos sessenta e o último centra-se na Revolução e nos direitos conquistados pelos idosos.

Andámos com a exposição de escola em escola, como o vídeo narra.

14 junho, 2019

O Papa não grama o PAN


Pensei que a imagem fosse de ontem, e não é. Data de 2014, mas é intemporal. Disse Francisco: "não criem gatos e cães, façam filhos". Se tivessem dado atenção a Francisco, o PAN não teria sequer sentido e seria hoje maior a taxa de natalidade...

Escrevo assim porque não gosto, nem de cães, nem de gatos?
Quem disse isso, a mim, que tanto escrevi sobre esse tanto gostar?
_______________________________
PS: Acabei de me lembrar que houve ainda um outro gostar

13 junho, 2019

Para que não digam que não falei do santo, deixando a data em branco!

(reeditado)

Soubesse eu desenhar um só som que fosse
Soubesse eu escrever entre claves de várias partituras
Palavras e quadras (1) alegres, graves, suaves ou duras
Que sob a forma de canção
Te desse deste dia toda a sua dimensão

De arco, balão, vestes antigas e com antigas lembranças
Desceram a avenida com marcação e sorrisos
Da Liberdade de que desceram esquecidos
de antes sonhadas e ansiadas esperanças

Soubesse eu desenhar um só som, que nos fosse querido
E escreveria, à memória dos meus mortos (2) um hino
Que lembrasse, também, um sermão esquecido (3)
Desse, que trás ao colo um menino

Povo tão afastado de si, bem levado se leva
Por quem de alegria mascara a treva 
Rogério Pereira
 ____________________________________________
(1) desgarrada (2) meus mortos (3) sermão esquecido

12 junho, 2019

PAN! PAN! Abaixo as beatas, viva a ecologia!


O meu amigo maceta mandou-me o gif e eu ia aguentá-lo à espera de oportunidade, depois de desfeito o impacto dos impactantes discursos do 10 de Junho. Claro, que junto à imagem, em forma de legenda não perderia transcrever escrita sua, assim, como lá consta. 

Acontece, que, rufando o tambor, o PANdego anuncia proposta legislativa digna de destaque: acabar com as beatas pela força da multa. Porá o trabalho d´Os verdes numa escala, a perder de vista. 
Ou talvez não. Nestas coisas do reconhecimento e da visibilidade os média é que ditam...

11 junho, 2019

Até sempre, Ruben


Surgem de todo o lado. Não os cito, nem comento... Junto a esses este reconhecimento colectivo, daqueles dignos de figurar neste dia. Em pouco mais de um minuto um Homem se define. São homens assim que justificam e ilustram as palavras do poeta:
Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.
Bertolt Brecht 
Até sempre, camarada!

10 junho, 2019

O regresso ao Dia da Raça?

«O Portugal da Mini – um discurso salazarista em Portalegre»

Não resisto, e cito:
«... a arenga de JMT explorou os sentimentos mais baixos das turbas: a resignação, o servilismo hipócrita e a recusa de cada português assumir as suas responsabilidades. Populismo do mais reles. A demagogia do discurso assentou em dois pilares clássicos, já utilizados por Salazar na definição da sua família na capa do livro da 3ª Classe da Escola Primária: os portugueses querem uma vidazinha, uma casinha, os filhos educados, pão e vinho sobre a mesa, um emprego no Estado, uma semana no Algarve, referiu o tribuno, numa concessão pós-moderna. Mais, os portugueses devem abster-se de assumir responsabilidades políticas – a política é uma porca e os políticos uns malandros da pior espécie, disse ele por outras palavras. Só não esclareceu que somos nós, os portugueses, a escolhê-los e a elegê-los, porque isso nos responsabiliza e o discurso da JMT é o da irresponsabilidade. Se os portugueses soubessem o que custa mandar preferiam obedecer, já Salazar sentenciou. (...) O discurso deste 10 de Junho foi um discurso salazarista, com meio século de atraso, que podia ter sido proferido por um antigo graduado da Mocidade Portuguesa. Felizmente Portugal tem muito melhor que este JMT. Infelizmente são estes demagogos sem história que sobem às tribunas da opinião pública. Não é por acaso… e é perigoso…»
Carlos Matos Gomes, Militar de Abril, aqui
Sim, é perigoso e Marcelo sabe quem convida.

09 junho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 20


Com ar sério, Camões pressente...
Entretanto, não é a primeira vez que, também aqui, escrevi sobre a data de 10 de Junho. Nessa, lembrei a primeira celebração depois do 25 de Abril, com discursos (pérolas) de Vergilio Ferreira e Jorge de Sena. Foi em 1977, e de Sena transcrevia parte remetendo o texto restante para um sítio, que entretanto se perdeu. Recupero, do "Noticias do Bloqueio" essa parte perdida. Contudo, antes de o fazer fui confirmar o programa oficial das celebrações e dei com a esperada omissão. Sobre Camões, nada. E no ano que assinalam os dois centenários, o de Sophia e Jorge de Sena, nada. Diria que o sentido "10 de Junho" foi comemorado, em finais do mês passado, em Sevilha.
Isso, em Sevilha!

Prosseguindo esta liturgia, cito Sophia:
Camões e a tença
Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.
Em tua perdição se conjuraram Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.
E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.
Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.
Este país te mata lentamente.

Sophia de Mello Breyner Andersen
E Sophia nada se importa que aqui traga outra palavra:
"Porque os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha, e por isso disfarçam a sua insegurança adulta sob a máscara da paixão cega, da obediência partidária não menos cega, ou do cinismo mais oportunista, quando se vêem confrontados, como é o caso desde Abril de 1974, com a experiência da liberdade. Isto não sucedeu só agora, e não é senão repetição de outros momentos da nossa história sempre repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam, as liberdades dos outros, tão respeitáveis como as de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido ou D. Sebastião. (...)
Um país não é só a terra  com que se identifica e a gente que vive nela e nasce nela, porque um país é isso mais a irradiação secular da humanidade que exportou. E poucos países do mundo, ao longo dos tempos, terão exportado proporcionalmente, tanta gente como este".
Jorge de Sena, 10 de Junho de 1977
É um bom exercício ler um e outro, neste dia que tende cada vez mais a ser comemorado como o "Dia da Raça".
(Portugal, ganha a taça. Camões ficou com ar sério... pressente)

08 junho, 2019

O Marxismo-Leninismo já passou à história?


Ontem, em torno de um enredo que metia gelado e medo, insinuava alguém que o Marxismo-Leninismo tinha acabado, jazia morto e enterrado e fazia-o observando que tinha passado à história. 
Aqui se demonstra o contrário. Está mais presente que nunca:

«Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável»- Marx, citado por mim

«A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também (...) a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.» - Marx, citado pelo "Castendo"

«Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.» - Karl Marx, in "Salário, Preço e Lucro"
«Chama-se compromisso em política ao abandono de certas exigências, à renúncia a uma parte das reivindicações próprias, em virtude de um acordo com outro partido (...) A tarefa de um partido verdadeiramente revolucionário não consiste em proclamar impossível a renúncia a quaisquer compromissos, mas em saber permanecer fiel, através de todos os compromissos, na medida em que eles são inevitáveis, aos seus princípios, à sua classe (...) »
Lénine, «Sobre os compromissos»

05 junho, 2019

Futebol é liiindo, mas... é tudo tão excessivo...


É publico que o treinador é crente. Que seja e que pratique. Não está em causa a sua crença, mas a forma como a pratica. Benzer-se antes do jogo é pretender colocar Deus do seu lado. Ou dizendo de outro modo, que Deus não esteja do outro.

Portugal ganhou, se perdesse dir-se-ia ter sido obra do Diabo. 
Ganhou e já se diz que o verdadeiro Deus é... Ronaldo.

Se disserem que este post é sobre religião, nego. É mesmo sobre futebol... onde tudo é ou tende a ser (cada vez mais) excessivo.

03 junho, 2019

Agustina Bessa Luís - In memoriam

 «...Eu acho que não há inteligência sem coração. A inteligência é um dom, é-nos concedida, mas o coração tem que a suportar humildemente, senão é perfeitamente votado às trevas.»
Agustina Bessa Luís 

É uma bela frase. A obra de Agustina estará impregnada por muitas, não sei. Nunca consegui ler completamente qualquer obra sua. Não li, porque nunca consegui, repito. Humildemente confesso essa minha incapacidade. Especialistas de tradução, em Inglaterra, também desistiram de... a traduzir. Quiseram, sem conseguir. Já na Alemanha ultrapassaram a dificuldade, alterando-lho o texto original.

Verdade, segundo li, «numa comunicação intitulada [Kann der Ubersetzer den Autor lcorrigierenh (Poderá o tradutor corrigir o autor?)], proferida em Outubro de 1987, Georg Rudolf Lind, um romanista alemão de renome, com muitos méritos na divulgação da literatura portuguesa na Alemanha e não só, explica de uma forma aparentemente objectiva as razões que o levaram a corrigir o texto de Agustina Bessa Luís (...). Leva esta posição ao extremo, quando explica que tentou proteger o leitor alemão das reflexões enigmáticas do texto Português que provavelmente não teriam significado algum

Este apontamento não retira um grama ao mérito dela, apenas dá toneladas de demérito à minha capacidade. Digo-o com toda a humildade, antes que meu coração seja votado às trevas.

O dela, deixou de bater. Que descanse em paz!

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02 junho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 19


Dei-me ao trabalho de procurar exemplos indiciadores da prática democrática nas escolas, local onde se ensina a cidadania. E encontrei. Logo que vi e li, pensei nesta liturgia. Diz o texto:
Os miúdos do Agrupamento de Escolas de Mortágua estiveram tão empenhados no projeto «Miúdos a Votos», que até houve entreajuda entre "rivais"

Durante a campanha, os alunos do Agrupamento de Escolas de Mortágua, em Viseu, estiveram bastante ativos durante a campanha eleitoral: divulgaram as obras preferidas através da elaboração de cartazes, marcadores, crachás e desdobráveis e com apresentações de excertos dos livros aos colegas.

«Os alunos têm trabalhado entusiasticamente e com muita criatividade. Destaco o grupo que faz campanha pelo livro A Fada Oriana, de Sophia de Mello Breyner Andresen, cujos elementos se vestiram de Fada Oriana para dar vida ao seu cartaz», conta-nos a professora Ludovina Ferreira, professora bibliotecária. «É de realçar ainda o espírito de entreajuda colocado na execução das diferentes tarefas, observando-se a ajuda de alunos que tinham os trabalhos mais avançados aos que estavam mais atrasados. Foi bonito de ver!»
Vestir a pele de quem se quer fazer eleger, deve ser uma lição para o eleitor!

01 junho, 2019

Razões para uma tão elevada abstenção - IV (Os políticos são mesmo todos iguais?)



Quando, recentemente, o PCP foi alvo de abertura de todos os telejornais, o propósito era claro. Para além do ataque cerrado, fazer passar a mensagem "os políticos são todos iguais". E, assim sendo, votar é um acto escusado pois inconsequente. Faz-se passar a mensagem do "venha o Diabo e escolha".

A campanha anticomunista acumulou 3h08minutos de insistentes indesmentíveis mentiras e produziu efeitos... Contudo é altura de reafirmar o que sinto, mas faço-o por voz insuspeita:
«Os congressos do PCP são congressos diferentes. Esta apreciação não é fruto de uma ligeira apreciação voyeurista da política, nem está imbuída de preconceitos anticomunistas primários. É fruto de observação do que é a realidade política portuguesa e essa permite afirmá-lo. Os congressos do PCP são diferentes, não só porque o que se passa na sala é importante, nem apenas porque os discursos são verdadeiramente políticos e programáticos, mas também porque o PCP é um partido diferente.

31 maio, 2019

Razões para uma tão elevada abstenção - III (O 4º poder corrói os pilares da Democracia?)


Primeiro que nada a resposta à pergunta em título:
O 4º poder corrói os pilares da Democracia?
Corrói sim!

Para quem não esteja sintonizado com esta linguagem e até porque a própria comunicação social a marginaliza, diga-se que ela é mesmo poder. Um poder, o 4º, por vezes superior a todos os outros. A chamada Entidade Reguladora para a Comunicação Social mais parece regulada que reguladora, impotente para intervir ela e todos os outros poderes para limitar a concentração de media em grupos editoriais. Esta concentração compromete o pluralismo.

Formas de comprometer o pluralismo? Há pelo menos duas: uma baseada na "confiança" das chefias de redações onde predominam obedientes jornalistas precários (veja-se o último congresso dos jornalistas); outra, nos critérios bem selectivos de contratação de comentadores, politólogos, na sua grande parte defensores do "centrão"...

Mas não é apenas a percepção da ausência de pluralismo que empurra para a descrença  e, assim, para a abstenção. Deva-se referir o papel alienante, como bem aqui se anota
«Agora com mais calma. Não querendo ser abusivo. Peço o favor de considerarem friamente. Ligo a televisão e sob um debate político correm em rodapé notícias sobre futebol. No rescaldo das eleições, as televisões oferecem debates do mundo futebolista sobre fulano que não cumprimentou Beltrano. O jogo da bola, omnipresente, foi promovido a primeiro plano do interesse nacional.» Mário de Carvalho, aqui
Se antes a televisão manipulava pelas imagens, hoje distorce a realidade pela narrativa... e o "euísmo" substituiu a "achismo", né?

30 maio, 2019

Razões para uma tão elevada abstenção - II (Falha a educação para a cidadania?)

O texto acima é um print screen de parte da acta da Assembleia de Freguesia da minha União de Freguesias. Saudava eu, então (Janeiro de 2017), a presença de cerca de duas dezenas de jovens sentados no espaço destinado ao público.

Aquela presença de jovens do ensino secundário, nunca antes tinha acontecido... e não voltou a acontecer...

Resolvi sondar todos os meus camaradas com assento nas Assembleias das 5 freguesias do concelho, a resposta foi, resumidamente, "nunca!". E é um nunca extensivo a 4 mandatos. Isto é, em 12 anos x 5 freguesias, apenas uma única vez aquilo que devia ser rotina.

Conclusão: Os pilares da democracia, a composição e correspondente distribuição de poderes do Estado e o funcionamento dos órgãos não são explicados nas escolas. 
Assim, grassa a ignorância e...
quem ignora não estima. 
Fui espreitar o programa curricular, na área da cidadania, do ensino secundário. Está tudo explicado! Tá lá tudo, tanto que, por demasiado, só se pode esperar como resultado... 
...o que se vem registando!

    29 maio, 2019

    Razões para uma tão elevada abstenção - I


    Diz um comentador-analista encartado, depois de ter situado que Portugal figura no top 4 dos países abstencionistas, que a explicação para a altíssima abstenção de hoje é pouco dignificante, mas relativamente fácil de identificar: falta de civismo e cultura de desresponsabilização individual. 

    Admitindo que tenha razão, terá dito o óbvio que é aquilo que os comentadores-analistas encartados sabem dizer quando são chamados a dizer qualquer coisa. Teria sido útil se tivesse alertado para a tendência e aberto a discussão questionando: a que se deve a falta de civismo expresso pela alienação do uso da cidadania? Porquê a crescente tendência para a desresponsabilização do cidadão?

    Posts seguintes:
    - Falha a educação para a cidadania?
    - O 4º poder corrói os pilares da Democracia?
    - Os políticos são mesmo todos iguais? 

    28 maio, 2019

    SÉRGIO MORO NOVAMENTE EM LISBOA

    Protestos contra a presença de Sérgio Moro/Foto da LUSA
    Enquanto juiz, foi Sérgio Moro quem mandou prender o candidato que seguia à frente nas sondagens, Lula da Silva, o que facilitou, e muito, a vitória da extrema-direita. O mesmo juiz que interrompeu férias para evitar a libertação de Lula, o mesmo que, na última semana da primeira volta das eleições, decidiu libertar as declarações da delação premiada do ex-ministro petista Antonio Palocci, que claramente afectavam a candidatura de Fernando Haddad.

    Em Novembro de 2018 aceitou integrar o Governo do recém-eleito Jair Bolsonaro para liderar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

    Hoje, no curto espaço de um mês, Sérgio Moro está novamente em Portugal desta vez para participar na 10.ª edição das Conferências do Estoril, as quais contam com o alto patrocínio do Presidente da República Portuguesa.

    Sobre tudo isto escreve José Manuel Correia Pinto, no seu POLITEIA:
    A presença de Sérgio Moro em Portugal é um insulto à democracia portuguesa, é um ataque ao Estado de Direito democrático e uma ofensa gratuita e desnecessária ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva.
    Se é óbvio pela história destas conferências que os seus o organizadores sempre privilegiaram nos convites formulados o que de mais reaccionário havia no mundo ocidental, apresentado com vestes de grande modernidade, não deixa de ser espantoso que Sua Excelência o Presidente da República que, por palavras, se diz tão preocupado com o “populismo” empreste o seu nome e o seu alto cargo à pregação desse mesmo populismo sobre um tema que, dada a sua complexidade e o clima emocional que gera, é, num país como Portugal, o que mais, ou porventura o único, se presta à propagação desse mesmo populismo.

    27 maio, 2019

    As eleições, a apropriação do trabalho e o resultado


    Ontem, domingo, foi, como sempre acontece, uma lufa-lufa, uma corrida, um estar em todo o lado para onde era chamado. 
    Primeiro, levantar cedinho para chegar a tempo. Depois participar na preparação da Mesa e a pedido do presidente (um PSD que me considerou mais experiente) esclarecer  um ponto ou outro e alguns avisos à navegação, a que foi dada devida atenção. De seguida acudir a Mesa da frente que já perto da abertura da Assembleia de Voto não tinha ainda Presidente e estavam todos (responsavelmente) assustados pela reconhecida inexperiência. "Estamos todos aqui pela primeira vez" dizia a Suplente da função ausente com ar quase desesperado. 
    De pronto ensaiei uma simulação, esclarecendo as funções básicas, repetindo as dicas e alertas que já antes tinha dado à Mesa, no outro lado. Aos funcionários da Câmara e da Junta comuniquei que se não houvesse alguém para avançar a cobrir a falta eu lhes daria um nome. E dei. Depois liguei à camarada e de pronto confirmou poder estar no posto, o que aconteceu "em menos de um fósforo".
    O dia correu como era necessário que corresse. Entre sorrisos e muita entreajuda. De quando em quando repetia que no fim os cadernos terão de bater certos, e os escrutinadores iam acautelando isso.
    À hora aprazada, fechada a sala, as operações de contagem, escrituração das actas, embalados e lacrados tudo em separado como manda a lei. Tudo acabado certo e arrumado, ainda não eram oito.
    À saída, estava a eleita da Junta a saudar-nos:
    "Parabéns, foram os primeiros a acabar! Ou não fosse o José Luís o Presidente!"
    Meu Contrário fez um oh entre o espanto e a raiva e Minha Alma segredou-me calma: 
    "Uns trabalham outros agregam os louros. O reconhecimento imerecido da ignorância é filho
    ...e os votos apurados rimam com isso"


    26 maio, 2019

    Face aos resultados... ouvimos dizer que estás cansado. Ouvimos dizer que estás cansada. Que a raiva e a desilução vos secou por dentro, que não vos apetece fazer nada...



    Ouvimos dizer que estás cansado
    «Ouvimos dizer que estás arrasado.
    Que já não podes andar de cá para lá.
    Que estás muito cansado.
    Que já não és capaz de aprender.
    Que estás liquidado.
    Não se pode exigir de ti que faças mais.

    Pois fica sabendo: nós exigimo-lo.
    Se estiveres cansado e adormeceres
    ninguém te acordará,
    nem dirá:
    levanta-te, está aqui a comida.
    Porque é que a comida havia de estar ali?

    Se não podes andar de cá para lá, ficarás estendido.
    Ninguém te irá buscar e dizer:
    houve uma Revolução. As fábricas esperam por ti.
    Porque é que havia de haver uma revolução?
    Quando estiveres morto virão
    enterrar-te, quer tu sejas ou não culpado
    da tua morte.

    Tu dizes: que já lutaste muito tempo
    que já não podes lutar mais.
    Se já não podes lutar mais, serás
    destruído.

    Dizes tu: que esperaste muito tempo.
    Que já não podes ter esperanças.
    Que esperavas tu? Que a luta fosse fácil?
    Não é esse o caso: a nossa situação é pior que tu julgavas.

    É assim: se não levarmos a cabo o sobre-humano,
    estamos perdidos.
    Se não podermos fazer o que ninguém de nós pode
    exigir, afundar-nos-emos.
    Os nossos inimigos só esperam que nós nos cansemos.
    Quando a luta é mais encarniçada é que os lutadores
    estão mais cansados.
    Os lutadores que estão cansados de mais,
    perdem a batalha.»

    Bertold Brecht

    25 maio, 2019

    Leve a sua reflexão até à boca da urna!


    ...parafraseando o citado apetece lembrar:
    é insanidade a maioria continuar votando do mesmo modo
    e esperar que a realidade mude

    24 maio, 2019

    Porque voto em quem voto? Tudo explicado pela Ana Margarida de Carvalho e... por um gráfico

    A Ana* explica (aqui) tudo, e o gráfico ilustra, complementa, reforça...

    * Ana Margarida Carvalho, mandatária da candidatura da CDU, é uma escritora e jornalista portuguesa. Única a receber sucessivamente o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores por cada uma das suas três obras de ficção (dois romances e um livro de contos).

    23 maio, 2019

    Porque voto em quem voto? Explico tudo, em menos de um minuto...



    Ou, então, tudo mais explicado em formato 
    um pouco
    mais alongado
    ... e ainda, num frente-a-frente, 
    que tenho bem presente

    Chico, da Guerra Colonial ao Fado Tropical


    «123 – Novas amizades. – Era já noite e ninguém nas ruas. Caminhava batendo os passos para sentir-me em companhia de mim próprio. Ia de não sei onde para lado nenhum, fardado com a farda do Exército português, com a boina de cavalaria a ocupar-me as mãos. Passeava apenas, adiando o sono. Atravessei um denso jardim e, ao longe, oiço o dedilhar de uma guitarra em acordes indecisos. Fui andando nesse sentido. À medida que avançava a melodia se ia construindo e o som ganhava nitidez. Mesmo antes de a voz aparecer, reconheci a composição de Chico Buarque. Depois a voz deu-me a canção que quase sempre trazia no coração e que frequentemente me vinha à mente em dias em que acordava com canções dentro de mim.
    Aproximei-me sem qualquer cuidado em reservar sinais da minha presença e fiquei surpreso à paragem brusca do cantar. Reagi retomando o verso interrompido:
    «Esperando, esperando, esperando, esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem…»
    Sorri para o grupo. O que cantava, mulato muito claro estendeu-me a mão sorridente e julgo que aliviado. Os outros dois, um negro, o outro branco, acolheram-me assim também dessa maneira. Não falámos e o mulato claro retomou a canção até todas as vozes que ali estavam se juntarem num coro com o sotaque devido:

    Esperando, esperando,
    esperando, esperando o sol
    Esperando o trem,
    esperando aumento para o mês que vem
    Esperando um filho p´ra esperar também
    Esperando a festa, esperando a sorte,
    esperando a morte, esperando o Norte
    Esperando o dia de esperar ninguém,
    esperando enfim, nada mais além
    Da esperança aflita,
    bendita,
    infinita do apito de um trem
    Pedro pedreiro pedreiro esperando
    Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
    Que já vem...
    Que já vem
    Que já vem
    Que já vem.
     (…)

    O resto foram mais canções e prolongada cavaqueira sobre a cultura brasileira, a negritude, a miscigenação, a guerra colonial, a escravidão, a alma deles e a minha. Falámos da minha alma lusa, do meu coração celta e do meu sangue mouro.
    Foi nessa noite, onde as canções romperam as couraças que protegem o pensamento perseguido e a filosofia proscrita, que se geraram laços de amizade e cumplicidade que me iriam abrir a porta a outras relações, entrando na intimidade da cidade.»

    CAPÍTULO VII

    EM NOVA LISBOA (HUAMBO)

    21 maio, 2019

    A minha sondagem, depois do último debate...

    A Católica é reputada em estudos de... mercado. O mercado da opinião não lhe é excepção. A imprensa é cliente importante e atenta. Quando determinada tendência cresce, pimba!, a imprensa encomenda. Encomenda para saber orientar o que deve meter em primeira página, como deve criar sobressaltos e casos ou produzir omissões. É assim que tem acontecido. E tem assim funcionado.
    Desde cedo percebi que tinha que concorrer com as minhas sondagens e fui-as fazendo utilizando sempre a mesma base e o mesmo modelo de dimensionamento das classes sociais que a Marktest segue e, assim, fui a correr para a rua a saber qual o sentido de voto, depois do debate de ontem...
    I
    Vejamos os resultados e a sua análise:
    1. As classes A e B, cerca de 17,5% do eleitorado, estão mais radiantes que antes. Confiam piamente na capacidade dos politólogos, comentadores e outros estupores.
    2. A classe C (C1, 24,9% + C2, 31%) andam numa roda vida e, tal como nas sondagens anteriores, a coisa anda distribuída entre os mesmos de sempre. Lêem programas, declarações, insultos, promessas e sermões e não perdem uma só cena do wrestling que passa nas televisões. Passam o tempo em aritmética, não na da economia nacional nem sequer na caseira. Embora tivessem abanado com o desafio do João Ferreira
    3. A classe D, 26,7% continua à rasca mas é firme em não aceitar esta situação. Uns até falam na necessidade do tal susto de que falava Saramago... mas bem podiam ir votar na CDU

    20 maio, 2019

    Manuel Veiga, estive lá!


    Obviamente, estive lá. Foi no sábado passado, à mesma hora em que algo acontecia num outro lado. Mas como o futebol é tão só e apenas a coisa mais importante de entre aquelas que não têm importância nenhuma... fui dar-lhe um abraço, comprar-lhe o livro e cobrar-lhe um sorriso. Fica na contracapa o poema, o primeiro a ser lido:
    ARGILA DO SONHO...

    Neste arfar dos homens um destino mudo.
    Suspenso. Como as labaredas de um incêndio.
    Pressentido apenas no voo inesperado
    Dos insectos. E no delírio do restolho.

    Somos o sopro que fecunda o fogo. Elos de um percurso
    Que os ventos traçam. E de que os deuses zombam...

    E, no entanto, nesta ardência da vontade (que se expande)
    Perdura uma febre e uma surda espera.
    Como se a Festa de outrora
    Mais que festa fosse aurora...

    Ou uma palavra nova. A despontar no léxico
    E na gramática do Mundo...
    Manuel Veiga, in Perfil dos Dias

    19 maio, 2019

    Dominical liturgia [citando Sophia] - 18

     

    Quando numa viagem, ao contá-la, falamos em encruzilhadas é mais que certo estarmos a fazer uma metáfora. A viagem, pode ser a vida e as encruzilhadas podem ser os pontos (situações e os contextos em que ocorrem) onde fazemos opções. Nesse sentido, e porque teremos de fazer opções no próximo Domingo, ocorre-me o conto "A Viagem", de Sophia. Devem lê-lo. Primeiro, porque é belo. Segundo por lhe dá orientação de voto.
    E cito:
    «Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas, as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse.
    Surgiu uma encruzilhada. Aí viraram à direita. E seguiram.
    - Devemos estar a chegar - disse o homem.
    E continuaram.
    Árvores, campos, casas, pontes, serras, rios, fugiam para trás, escorregavam para longe. A mulher olhou inquieta em sua volta e disse:
    - Devemos estar enganados. Devemos ter vindo por um caminho errado.
    - Deve ter sido na encruzilhada - disse o homem, parando o carro...» E mais adiante, escreve Sophia:
    - Estamos a perder-nos cada vez mais - disse a mulher.
    - Mas onde há outro caminho? - perguntou o homem.
    E parou o carro.
    À esquerda havia uma grande planície vazia; à direita uma colina coberta de árvores.
    - Vamos subir ao alto da colina - disse o homem. ­
    De lá devem avistar-se todos os caminhos em redor.
    Subiram ao alto da colina e não avistaram estradas...
    Não sei quantos parágrafos depois
    - Vamos depressa - disse o homem. - Vem aí noite e ainda não encontrámos o caminho.
    E foram quase correndo.
    Entre as sombras do crepúsculo ouviram de repente vozes.
    - Gente! - exclamou o homem. - Estamos salvos! - Salvos? - perguntou a mulher.
    E de novo se ouviram vozes:
    - Estão para aquele lado - disse a mulher, apontando para a esquerda.
    - Não, estão para além - disse o homem, apontando para a direita.
    O homem agarrou a mão da mulher e correram os dois para a direita.
    Mas à medida que iam correndo, as vozes iam-se tornando-se mais distantes.
    - Vão mais depressa do que nós! - queixou-se a mulher.
    - Mas - respondeu o homem - se conseguirmos ao menos seguir a direcção que levam estaremos salvos. Assim foram, escutando e correndo, enquanto as sombras do crepúsculo cresciam. Até que as vozes deixaram de se ouvir e a noite caiu espessa e cerrada.
    E, perto do fim do conto
    Cheios de esperança, avançaram para o espaço descoberto, mas, saindo do arvoredo, encontraram à sua frente um abismo.
    Debruçados espreitaram. Porém, à luz das estrelas nada viam diante de si senão um poço de escuridão, enquanto um frio de mármore lhes tocava a cara.
    - É um precipício - disse o homem. - A terra está separada em nossa frente. Não podemos dar nem sequer mais um passo.
    - Olha! - respondeu a mulher.
    E apontou um estreito carreiro que seguia rente ao abismo. Tinha à esquerda uma alta arriba de pedra e à direita o vazio.
    O conto termina em angustiado chamamento...
    depois de um quadro claro
    de um lado, o esquerdo, uma arriba de difícil escalada
    do outro, o direito, o vazio que é menos que nada

    18 maio, 2019

    Gaza-Visão


    Os palestinos fizeram "festival alternativo" (decorre a votação sobre a Euro-Visão) enquanto José Goulão, escreveu isto:
    O que está em curso há mais de setenta anos contra o povo palestiniano é um genocídio. Bárbaro. Impune. Ignorado. Branqueado por uma “comunidade internacional” que repudia o próprio direito pelo qual deveria guiar-se; e por uma comunicação social vesga e totalitária que tomou conscientemente o partido dos genocidas, pelo que chega ao comportamento perverso de acusar as vítimas de práticas terroristas.

    17 maio, 2019

    Poesia (uma por dia) - 96

    COISA

    Havia um linguista consagrado,
    na rua onde morava,
    que abominava a palavra “coisa”.
    Dizia cada coisa da palavra coisa!
    Dizia, por exemplo, que “coisa”
    designa substância e como tal tem nome:
    pedra, nuvem, árvore…
    Logo a pedra, revoltada…
    que, também ela, tem nome:
    granito, xisto, ardósia…
    e logo o granito ameaçador:
    pois que seu apelido, 
    e nomes próprios:
    amarelo capri, giallo antico, arabesco…
    e a nuvem… cirro, cúmulos, nimbus...
    e a árvore…

    E tão convincente foi a argumentação
    que nunca mais a coisa foi coisa,
    e passou a ser, quase sempre,
    a nomeação exata
    do inominável.
    Que coisa!...
    Lídia Borges

    16 maio, 2019

    A noticia do dia: ainda há jornalistas assim!

    Roubei o palhaço ao "The Braganza Mothers"
    A noticia do dia: ainda há jornalistas assim:
    «Um exército de comentadores, jornalistas, economistas e políticos rasga as vestes pela falta de respeito de Joe Berardo, pela desfaçatez de Joe Berardo, pela petulância de Joe Berardo, pelo riso alarve de Joe Berardo.

    E o que é que Joe Berardo, tal como Ricardo Salgado, tal como Zeinal Bava, tal como tantos outros que passaram pelas várias comissões de inquérito que já escalpelizaram os vários escândalos financeiros do país, acabaram por tornar claro nas declarações que fizeram aos deputados da Nação? É que aquilo que agora lhes é apontado como condenável e criticável foi, simplesmente, a normalidade do funcionamento do regime: foi a normalidade do regime político/jornalístico, foi a normalidade do regime económico/financeiro e foi a normalidade do regime jurídico/legislativo.

    Quando Joe Berardo responde “perguntem aos bancos…” à questão sobre como conseguiu receber milhões de euros em créditos sem ter de entregar garantias, está a explicar aos deputados como era a normalidade do funcionamento do regime económico/financeiro.

    Quando Ricardo Salgado justificou com um parecer de três reputados juristas a legalidade do recebimento de 14 milhões de euros a título de “liberalidade” de um empresário agradecido, estava a demonstrar ao país como era a normalidade do funcionamento do regime jurídico/legislativo.
    Quando Ramalho Eanes e Jorge Sampaio condecoraram Joe Berardo; quando Cavaco Silva condecorou Zeinal Bava; quando a maioria dos políticos e tantos jornalistas portugueses de economia e política, com bravas exceções (que as houve e, a alguns, prejudicou-lhes mesmo as carreiras) disseram e escreveram, anos e anos a fio, toneladas de elogios a estas pessoas; quando competiram num frenesim de bajulice a estas pessoas; quando esconderam as notícias negativas, mesmo as mais insignificantes, sobre estas pessoas; estava a decorrer em velocidade de cruzeiro a normalidade do funcionamento do regime político/jornalístico.
    A direita adora dizer que são filhos dos desmandos do antigo primeiro-ministro, suspeito de corrupção, José Sócrates, os escândalos que levaram Joe Berardo a ir pavonear graçolas ao parlamento, Ricardo Salgado a altivar-se ofendido pelas suspeitas dos deputados e Zeinal Bava a magicar graves falhas de memória durante o interrogatório da comissão de inquérito. É mentira.

    15 maio, 2019

    Sondagens e o destino dos indecisos

     
    São poucas as sondagens que separam os indecisos dos que não quiseram responder. 
    Mas há (pelo) uma  que o faz, e são XX%. 
    "Alto aí", diz-me Minha Alma, e continua: "supõe tu que a grande parte destas indecisões são ténues desencontros de pássaros? Nesse caso é ainda muito incerto o resultado, e tudo pode acontecer!"

    Não respondi a Minha Alma, limitei-me a mandar as sondagens à merda
    E que bem que fiz...