21 agosto, 2019

«A precariedade é má, mas é boa »

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (MRS), decidiu promulgar por três más razões o pacote de medidas supostamente de combate à precariedade no emprego. Essas três más razões são, contudo, aquelas que melhor retratam a sua superficialidade.

O que MRS afirma na sua página, lembra muito aquela famosa cena dos Gato Fedorento:



O seu pensamento pode ser resumido desta forma, mais adaptada a estes momentos:
A precariedade é má? É! Mas ela está prevista na lei? Está! Mas é má? É! Mas o pacote é bom porque atenua a precariedade? Sim! Mas a precariedade é boa porque permite às empresas resistir à recessão? É! Mas isso quer dizer que é a precariedade que torna as empresas mais fortes? Sim! Mas a precariedade é má? É! Mas se ajuda as empresas é boa então? Sim! Mas é má? É! Isso não é um bocadinho inconsistente? Pshiiu!
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publicado no "Ladrão de Bicicletas" 
onde pode ler tudo 
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Vejamos o que se segue, de quem não desiste

20 agosto, 2019

53 anos depois, ela não usa o candeeiro, usa o beijo. Boa?


Houve tempos em que procurei, através das leis da física, razões para a atração e, também, a explicação para a rejeição. Hoje, e porque tais leis não mudam, é também assim. Provados os factos, vejamos como à luz da estatística a coisa tem evoluído: em 1966, data da ocorrência, nem chegava a 1 em 100 os casamentos mal sucedidos. Hoje serão, dados da PORDATA, mais de 60%. 

Porque se trata de coisa intima, fica-me a incerteza de a cena acima se ter tornado moda ou rotina, mas declaro que em 53 anos nunca tal me aconteceu.

Ela em vez de candeeiro, usa o beijo...

19 agosto, 2019

Em Dia Mundial da Fotografia, a minha galeria... melhorada

A LUZ E O MOVIMENTO: Daniel Rodrigues, Sebastião Salgado e Eduardo Gageiro
CLASSES, A CORES: Rui Pascoal, José Ferreira e Hugo Macedo
NAUFRÁGIOS: Fernando Santos (Chana)


Há 5 anos atrás já era esta a minha galeria, agora melhorada. Então, eu escrevia:
As galerias são mais que repositórios de quadros, de fotos e outras formas de arte. Esta minha é de fotos, expondo todos os meus mestres, que mostram para lá do que se vê e me ensinam a ver. Essa a sua maestria: mostrar a paisagem humana, que é (continua a ser) a paisagem do valer a esperança, do valer viver, do valer valer.

Nada de retratos, esses, tiro eu!

- a última foto tem um valor especial
nem é difícil adivinhar qual! -ELE VOA!
NOTA:  O espaço e os títulos agrupados são da exclusiva responsabilidade desta galeria 

FEZ NA SEMANA PASSADA 10 ANOS E CHAMA-SE DIOGO: Luís Azevedo
SIM, VOA MESMO! (Andreia Pereira)

18 agosto, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 30

 

5º Mandamento, meu, inspirado pelas belas frases de Sophia: Nunca despreze uma palavra. Se sobrar, guarde-a
“Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária, as palavras não podiam ser decorativas, não podiam servir só para ganhar tempo até ao fim do decassílabo, as palavras tinham que estar ali porque eram absolutamente indispensáveis. Isso foi uma descoberta.” (disse Sophia)
E se guardar palavras, proteja-as não vá serem pisadas, e lembro Ary:
A cidade é um chão de palavras pisadas

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

José Carlos Ary dos Santos

17 agosto, 2019

Alexandre Soares dos Santos (1935 - 2019) in memoriam


Faleceu um empreendedor de sucesso que era fã do Herman José, do Marcelo, de Ministros ou talvez não seja bem assim e todos esses é que seriam fãs dele. Em tempo enlutado, a minha dúvida não vem ao caso. Era na verdade uma figura ímpar, maior que aquele outro que bem vendia areia no deserto ou outro que tal que fazia desconto na venda de gelo em plena Gronelândia.
Ele conseguiu o feito de vender coentros espanhóis a um gajo com costela alentejana (e a foto não engana)
Era o máximo

Não, não ando sisudo (apesar de tudo...)

 
Não, não ando sisudo*

Com ar sisudo
Não se muda o Mundo
E eu sorrio
Apesar de tudo
Quanto a sorrisos...
Há-os para todos os gostos
Há-os irónicos
Há-os trocistas, os sumptuosos
os envergonhados, os dos vaidosos
Há sorrisos alarves e há os tímidos
Há os sorrisos dos vencedores
e os sorrisos humildes dos vencidos
Há os sorrisos de desdém

E cada um mostra o sorriso que tem
O meu?
O meu é convicto, embora triste
E tu? O teu? Aposto que sorriste!
Rogerito


* este post é uma reedição revista e aumentada como resposta a alguém que me "acusava" de andar azedo e trombudo como se desse modo pudesse mudar o Mundo

15 agosto, 2019

Palavra puxa palavra...

Coloquei, como sempre faço, o meu anterior post na minha página do facebook e desencadeei lá uma (saudável) discussão sobre o tema.
Palavra puxa palavra veio à baila testemunhos de posições passadas que aqui trago por duas boas razões: a primeira é que a luta é antiga; a segunda é que muita gente pensa que ela tem a idade de um Pardal ...




E diz mais, Bruno Dias - «Ao longo dos anos e das legislaturas, sempre denunciámos a exploração no quotidiano dos motoristas do transporte rodoviário. A nossa luta, a luta dos trabalhadores, foi sempre silenciada nos noticiários. Há quase uma década, quando o Governo PS/Sócrates aprovou – com o PSD e o CDS, claro – novos ataques aos direitos dos motoristas, foi esta mais uma vez a posição do PCP na AR. Não “acordámos” agora, não mudámos de opinião, não vamos atrás das modas nem pactuamos com manipulações nem com interesses obscuros.»

14 agosto, 2019

E agora, Pardal?

No dia 8 de Agosto
Decorreu hoje na sede da ANTRAM nova reunião relativa ao processo negocial, que terminou com as seguintes posições negociais: 

1 - No que respeita ao protocolo de 17 de Maio do corrente ano, falta apenas:

*discutir o valor do subsídio de operações para todos os trabalhadores com formação especifica e que efetivamente manuseiam a respectiva carga (cargas e descargas);
*Publicar a portaria especifica para proibição de transporte de combustíveis em cisterna aos domingos e feriados – (portaria que nesta fase se encontra em discussão pública)

2 – No que respeita à revisão do CCTV em vigor, após a discussão evolui-se para:

* Clausula 48ª (Subsídio Noturno) - autonomização deste subsídio ficando excluído da Cláusula 61ª, no caso dos trabalhadores do nacional haverá lugar ao pagamento de 10% do salário base, ou 25% de acréscimo ao valor hora, consoante o trabalhador faça predominantemente trabalho diurno ou noturno,
* Clausula 57ª (Refeição) – ficou definido que haverá lugar ao pagamento da 2ª refeição após qualquer trabalho realizado depois das 19h30;
* Clausula 61ª (nacional) – Redefinição da forma de cálculo, passando a ser paga no valor de 48% da soma do valor da retribuição base + complemento salarial + diuturnidades.

A ANTRAM ficou de nos responder às matérias de expressão pecuniária relacionadas com as ajudas de custo, onde se inclui as diárias para o Ibérico e Internacional.
Ficou agendada nova reunião para o dia 14 de agosto, pelas 09h30 na sede da ANTRAM.

A Fectrans, filiada na CGTP, não aderiu à greve dos motoristas de mercadorias e matérias perigosas e, esta quarta-feira, vai retomar negociações com a entidade patronal Antram.

(...) a Fectrans recusou juntar-se à paralisação, alegando que “é tempo para a negociação”. Em causa está um protocolo assinado com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) a 17 de maio, que levou à desconvocar a greve dos motoristas em abril.

O protocolo foi assinado entre a Antram e o SNMMP, que era o único sindicato que tinha convocado greve, na altura. Ao abrigo desse protocolo, as duas partes encaminharam-se para negociações e foram chamadas outras estruturas sindicais, como o SIMM e a Fectrans. Após o afastamento do SNMMP e do SIMM e consequente convocação de nova greve, as negociações continuaram em exclusivo com a Fectrans, ainda que, em termos práticos, as reivindicações sindicais sejam idênticas.

José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans, garante que não sente qualquer tipo de pressão, por não ter aderido à paralisação. “Há tempo para a negociação. É o que está previsto na contratação coletiva que assinámos no ano passado, que prevê a sua revisão este ano, quer no protocolo de 17 de maio. É nesse espaço que estamos a fazer a negociação com os pressupostos que foram definidos nesse protocolo”, diz.

Após a prolongada reunião de hoje entre a ANTRAM – Associação dos Transportadores Rodoviários Públicos de Mercadorias e a Fectrans, federação sindical filiada na CGTP, deu mais um passo no sentido do acordo entre as duas partes.

(...)“Chegámos a um documento histórico, que precisa agora de acompanhamento governamental”, disse há minutos André Matias de Almeida.
O representante da ANTRAM adiantou que “conseguimos construir este entendimento após algumas pontes de entendimento”.
Por seu turno, José Manuel Oliveira que “evoluímos num conjunto de matérias”.
“Há coisas que só poderemos referir depois do documento trabalhado”, revelou o coordenador da Fectrans, assegurando que as próximas horas serão de reunião com o Ministério das Infraestruturas.

Ver notícia, aqui

13 agosto, 2019

Em aniversário do Diogo, três apontamentos...


Como gosto da avó, das filhas e netas dela, uso sempre o efeito espelho... parecem mais...


O Diogo, 10 anos e um ar de gozo


Como tenho pouca fotogenia, aqui fica a milha silhueta em vez da fotografia...

12 agosto, 2019

Pardal, "O Radical"


Atento e sabedor do que atraí a atenção de um qualquer jornal este "coiso" descobre uma forma radical. Com recurso à trotinete ele embolsa uma pipa de massa pois o seu Maserati consome como o caraças, aproximadamente dezasseis litros sempre que percorre cem quilómetros... ah! e quanto vale o património que deixou encostado? Fica para tal juízo que na consideração do salário de "um seu" sindicalizado que este levaria uma eternidade a pagá-lo (desde que não tivesse qualquer outra despesa a que fazer face).

11 agosto, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 29

4º Mandamento: Use o ócio, nunca seja um ser ocioso
“O ócio é o atelier em que se escreve. Escrever sem silêncio, sem tempo, sem disponibilidade… não é possível.” (disse Sophia)

Quando em Fevereiro passado era lançado o repto "Uma imagem por um texto", enviei ao desafiante uma imagem (esta) de Sophia com o meu desafio "agora desenrasca-te" e o email lá seguiu. Lembro-me de ter pensado para comigo um mar de coisas, do estilo "tipo ocioso a querer-se livrar da espuma dos dias".

Inesperadamente, quase seis meses volvidos, aparece-me o seu texto agregado à imagem que tinha enviado. E como tinha prometido citá-lo, cumpro o prometido. E não só. Dou-lhe o meu reconhecimento de cumpridor do 4º Mandamento (e que belo é o uso feito do seu ócio).

Para quem por preguiça ou ocupação do tipo "tenho-mais-que-fazer" não vai em links trago a primeiro plano este pedaço da bela prosa do Sam:
«...a andorinha parece não querer partir, os pequenos pardais estão cada vez mais atrevidos e já comem as pequenas migalhas de bolo que espalha em seu redor, esboça um sorriso bondoso e belo, enquanto passa a mão pelo cabelo branco imaculado, para acertar um dos ganchos que parecia querer desprender-se e cita Sophia, “Se tanto me dói que as coisas passem, é porque cada instante em mim foi vivo, na busca de um bem definitivo, em que as coisas  de amor se eternizassem”.
Ana Maria nunca pensou em viver para sempre, a idade causa justos receios, e, no entanto, continua a caminhar pela vida com a mesma determinação, com o mesmo sentir de humanidade, com uma visão muito concreta do bem e do mal, do fosso entre ricos e pobres, a defender um mundo que claramente necessita de mais poesia.»

10 agosto, 2019

O que faz uma comunicação social terrorista.



«Na falta de incêndios espetaculares neste Verão sem jeito para arder, nada melhor que uma greve disparada a preceito para dar assunto aos lelés e lalás das telessanitas no impagável papel de animar o pagode e de caminho, ou caminhão, ajudar a encher ainda mais depressa os "depósitos" bancários das Galps, BPs & Cia. 

É encher vilanagem. É encher !»
Clemente Alves, no facebook dele

09 agosto, 2019

«Luz e sombra num mundo em mudança»



Às cinco e meia da manhã do dia 16 de Julho de 1945 deu-se, neste nosso planeta, a primeira explosão nuclear, acontecimento que a História iria registar como marco do início da chamada Era Atómica. Três semanas depois, a 6 de Agosto, a força aérea americana lançava sobre Hiroshima a bomba que arrasou a cidade e causou a morte da quase totalidade dos seus habitantes. Três dias depois (a 9 de Agosto) outra bomba de potência semelhante destruiu a cidade de Nagasaki.

07 agosto, 2019

Venezuela e o que (não) se diz dela! - XII


A notícia, de que a nossa imprensa não fala, refere «a decisão de um tribunal norte-americano de aprovar o desvio de activos, no valor de 1400 milhões de dólares, da empresa Citgo, filial da Petróleos de Venezuela (PDVSA) nos EUA, para a empresa canadiana Crystallex, como compensação por supostos direitos mineiros perdidos pela Crystallex no país sul-americano quando ali foram nacionalizadas as jazidas de ouro.»

1400 milhões de dólares em activos? 
Vamos ver se o direito internacional funciona. 

06 agosto, 2019

Marcelo, o sindicalista não filiado em nenhum sindicato...


Quando em Janeiro deste ano a imprensa noticiou que Marcelo tinha andado de um para outro lado e que de tanto contacto tinha acontecido o que em Abril aconteceu, supus que Marcelo era um sindicalista, com funções de Presidente:
"... fizemos a experiência de uns cinco quilómetros, antes de almoçarmos com um grupo de colegas dele, para tratarmos daquilo que ele queria que eu percebesse, que são as condições de vida de quem tem a responsabilidade, não apenas de ser camionista, mas de ser camionista mas nestes camiões internacionais, de maior responsabilidade, maior envergadura e, portanto, com horários muito mais complicados e cargas e descargas muito mais complicadas"
Há pouco recebo um telefonema a retirar-me a suspeita. Afinal Marcelo não consta como filiado em nenhum sindicato e que ele é tão só e apenas Presidente da República...

05 agosto, 2019

Redacções do Rogerito (46) - [O que eu compreendo por cultura]

«A minha stora pediu que eu escolhesse um tema e eu lembrei-me de uma pergunta oportuna e que era o que eu entendia por cultura se era teatro se era literatura se era comício e eu acho que é tudo e muito mais que isso pois há muitas culturas e a que eu procuro é de todas elas saber um pouco e assim ser um miúdo culto capaz de entender o universo do direito e do avesso.
Quando era crescido julgava que só haveria duas culturas agora que sou miúdo julgo que há tantas culturas quantos são os povos do mundo.
Aprendi isso numa quinta onde as culturas aparecem juntas e todas à mistura e ver e sentir isso é mesmo muito bonito.»
Rogerito

04 agosto, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 28


Se bem se lembram, calha hoje o 3º Mandamento: Não seja pato bravo

“Penso que a Cultura da nossa época tende muito a ser uma espécie de reserva cultural. Faz-se um Centro Cultural, chama-se um bom arquitecto, põe-se lá quadros bonitos e coisas bonitas… Depois, à roda, é a construção do pato bravo: é uma caricatura cultural. A Cultura é uma coisa que, ou está na mentalidade e na vida, ou não está em parte nenhuma. Não é um objecto de museu, é qualquer coisa de estrutural na vida humana.” (disse Sophia)
Disse Sophia... mas como pode ser a cultura ser o que dela disse Sophia? Qualquer coisa coisa estrutural da vida humana? Mas como?
Com menos de 1% para a cultura todos estamos condenados à mentalidade de patos bravos... A menos que algo surja daqui...

03 agosto, 2019

«A CENSURA DA UNIÃO EUROPEIA JÁ ESTÁ EM MARCHA»

Federica Mogherini com Mike Pence, Vice-presidente do EU.

Quem ler o “Relatório sobre a elaboração de um plano contra a desinformação” apresentado pela Comissão Europeia em 14 de Junho ficará chocado ao verificar que a criação de uma autoridade de censura à escala da União Europeia já está muito adiantada. 

Segundo o documento, ainda pouco divulgado, a difusão de informações consideradas por Bruxelas como falsas e perigosas passará a ser punida em breve através de sanções como o congelamento de contas e a proibição de viajar.
No documento da Comissão Europeia, pelo qual é igualmente responsável Federica Mogherini, ponta de lança da política externa, a palavra “desinformação” é definida como um processo tendo como objectivo “distrair e dividir, semeando a dúvida através da deformação e a falsificação de factos para criar a confusão e minar a confiança das pessoas nas instituições e nos processos políticos estabelecidos”. Neste caso, não se trata de por o acento nos grandes grupos mediáticos que, dia-após-dia, desviam a atenção dos factos reais e deformam a verdade com o objectivo de estabilizar as relações de poder existentes. Um desinformador a combater é, pelo contrário, alguém que os ponha em causa e revele como funcionam as instituições.

02 agosto, 2019

José Afonso e o silenciamento de um argumento





Ninguém diria que este cantar seria o "Outono" da sua vida. Foi em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu. Quatro anos depois, em 23 de fevereiro de 1987, partia. 
Hoje, a assinalar o que seria o seu 90º aniversário, o Jornal da Tarde encerrava com a notícia da iniciativa da Associação José Afonso e o estranho silenciamento de iniciativa no mesmo sentido, mas com a força de uma decisão aprovada por um órgão de soberania. Perdeu força este argumento por falta de unanimidade do parlamento? Certamente, a abstenção do PS só o enfraquece.  
Ia a escrever ser estranha a omissão, repetida no Telejornal. Mas dado ser de quem foi a iniciativa, nada é de estranhar...

01 agosto, 2019

Francisca e Beatriz, num dia memorável...

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Sim, passou-se a data e até hoje... eu, aqui, nada. Não respondi ao desejo da Janita, que me pedia que contasse como foi.  Calha hoje.
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Durante aquele dia, não me recordo quando a Beatriz procurou a Francisca, nem me lembro quando elas se juntaram.
A Beatriz (com 6 anos) e a Francisca (com 16) deixaram-nos o testemunho mais belo do quanto vale promover a relação entre gente com idade diferente. 
A intergeracionalidade é um "valor" pouco em prática...
A mais nova era quem já disse quem era e o mais idoso tinha 92 anos e havia, de permeio, gente de todas as idades...

Foi o dia em que a Francisca ensinou a Beatriz as primeiras letras?
Não!
Foi sim o dia em que a Beatriz escreveu o que assim ficou tão bem escrito!
«Está a ser bonito.
O mar está calmo.
Eu e a Francisca tirámos fotos juntas. :)
A avó está a conversar.
Um dia muito bem passado com a desenhando sonhos»
Beatriz, bisneta da Adelaide

31 julho, 2019

E, a propósito, "Eles têm medo de que não tenhamos medo"


Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.
MEDO DO MEDO, por "Capicua"

30 julho, 2019

Voam! Juro que voam!

Voam! Juro que voam!
Eu também voo
Ela sai ao pai
Ele sai ao avô
Mas não haveria voo nenhum
Se não fosse a avó
Ah!, como eu gosto de os ver voando...

29 julho, 2019

O Zeca, as palavras deixadas e a declaração de voto do PS



Aprovada a resolução, sem um não. Tentando esclarecer o "nim" pode-se ler assim:
(Eu já li. Já li quatrocentas e oitenta e sete vezes, e não entendo):
"A valorização da obra e do legado de José Afonso é fator de consenso e gerador de unanimidade entre as várias forças representadas na Assembleia da República, traduzindo um sentimento generalizado na sociedade civil e entre todos os agentes culturais perante uma figura marcante do século XX português, no... plano artístico e musical e em particular na resistência à Ditadura.
Perante a apreciação da concreta iniciativa do Partido Comunista Português em análise, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista entende não ser a mesma capaz de gerar o consenso jurídico quanto às opções a tomar para a realização deste desiderato em relação a todas as medidas propostas.
Por um lado, sendo rigoroso na aplicabilidade da legislação sobre a matéria, só é possível enquadrar alguns dos bens referidos no texto como património material (nunca património imaterial), visto que se tratam de bens móveis, cujo respetivo paradeiro cumpre apurar com segurança, o que tem dificultado a definição de uma estratégia segura, que produza resultados. A situação jurídica de outros bens gera igualmente dificuldades que uma opção pela classificação à cabeça, sem a prévia e detalhada operação e inventariação poderia até prejudicar, conduzindo a um resultado contraproducente.
Finalmente, nos trabalhos a desenvolver importará igualmente assegurar o respeito pela vontade do artista, expressamente manifestada ou tutelada pelos seus herdeiros, algo que o texto sob votação não acautela de forma tão adequada como seria entendimento deste Grupo Parlamentar.
Cientes de que decorre trabalho especializado e atento por parte do Governo e das instituições na área ministerial da Cultura, o Grupo Parlamentar do PS espera que as mesmas decorram com sucesso e que permitam, com certeza adicional, cumprir o objetivo por todos partilhado, de proteção, divulgação e valorização da obra de José Afonso."
DECLARAÇÃO DE VOTO DA ABSTENÇÃO DO PS 
NA VOTAÇÃO DO PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 2262/XIII,
 QUE RECOMENDA A CLASSIFICAÇÃO DA
 OBRA DE JOSÉ AFONSO 
COMO DE INTERESSE NACIONAL

28 julho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 27


Naquele dia descobri um sitio onde alguém se aventurou a avançar com as "Dez das melhores frases de Sophia de Mello Breyner Andersen". Disse então não saber se seriam ou não, mas de pronto avancei inspirado e produzi os melhores mandamentos que jamais produziria se não fossem as frases de Sophia. Desses, já dei conta do primeiro, este segundo transforma em mandamento o que Sophia tomava por regra.

2º Mandamento: Produza beleza, a fealdade custa os olhos da cara
“A regra a seguir é esta: uma casa para todos e beleza para todos. E a beleza não é cara. É geralmente menos cara do que a fealdade que quase sempre se chama luxo, monumentalismo, pretensão. A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro.” (disse Sophia)
Exemplo de "simplicidade, verdade, proporção"? Logo me veio à ideia esta obra da Olívia Marques.


... e também esta, que embora não assinado é também dela!



27 julho, 2019

O (im)previsível Marcelo - II


Marcelo é tudo menos um catavento. Se olharem bem, embora não pareça, ele está sempre virado para o mesmo lado. O seu percurso explica tudo. Por isso não se espere surpresas. 
A CGTP fez o que devia ser feito. Marcelo decidirá como lhe der mais jeito, sem consultar irmandades
Marcelo é previsível na sua aparente imprevisibilidade.

26 julho, 2019

TVI: O protesto e a resposta dada agora...


A propósito de um muito badalado programa de Ana Leal, na TVI, escrevia-se aqui que
«A mentira leva sempre dianteira relativamente a quem desmente e é mais eficaz a mentira que o desmentido. Não só porque a mentira chega primeiro, como também foi preparada cuidadosamente para entrar na mente.
Gobbels sabia da poda e a sua cartilha não só está disponível como pode ser seguida e melhorada. A tecnologia o permite e permite-o também a segurança e impunidade a quem promove violações grosseiras de critérios e princípios deontológicos a que os jornalistas estão (deviam estar) obrigados.»
Vinha isto a propósito do protesto enviado pelo PCP à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) do qual surge agora a resposta, em termos de deliberação. O texto da ERC já foi referido por um jornal (AbrilAbril), do qual não perco pitada e quem me lê também não deve perder. O titulo é sugestivo:

ERC: «É notório o enviesamento e a falta de isenção da TVI»

Sobre a questão central - o procedimento por ajuste direto - teve a Assembleia Municipal de Loures que deliberar sobre um relatório que acabaria de ser votado por unanimidade. O vídeo tem também a virtude de tornar clara a posição das várias forças políticas. A do PSD, não espanta. A do Bloco, é chocante pois vai buscar... argumentos da tal Ana Leal.

24 julho, 2019

Celebrando Caxias (antes, as bandeiras estavam inteiras)

Mais uma vez não confirmei se estaria e fui. Julguei dever estar pois tenho defendido que Caxias devia continuar a merecer ser o que já fora, uma freguesia com identidade. Contudo, a data comemora a elevação de Caxias a Vila que ocorreu em 24 de Julho de 1997 o que, não sendo o mesmo, se presta a que eu assinale, mesmo desconhecendo o protocolo do hastear das bandeiras, que a Bandeira Nacional figura em primeiro lugar relativamente à que ostenta estrelas. Tal facto atenua o outro impacto, o do pano roto que por seu turno retrata a situação das freguesias e o "Estado do Município" como tão bem o retratou, este outro eleito 

23 julho, 2019

Europa: daqui a nada anda tudo à porrada (p´ra variar)

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  • O José Goulão diz que "Duas mulheres foram escolhidas para cargos de grande destaque no gigantesco aparelho burocrático neoliberal que é a União Europeia. Ao cabo de um opaco processo de tráfico de influências, a alemã Ursula von der Leyen emergiu como escolha final para a presidência da Comissão Europeia; e a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, foi designada presidente do Banco Central Europeu."
  • Eu digo que Um gajo despenteado vai, no Reino Unido, resolver o que ainda não foi resolvido... e toda Europa se apronta para que não se resolva...
  • Toda a gente diz que A Espanha anda, desandando, a braços com uma situação que ninguém percebe porque não quer perceber...
Para variar, não tarda nada, anda tudo à porrada!

22 julho, 2019

Venezuela e o que (não) se diz dela! - XI

«A Declaração de Caracas foi assinada por representantes dos 120 países que participaram, este fim-de-semana, na reunião ministerial do Gabinete de Coordenação do MPNA, preparatória da XVIII Cimeira do Movimento, que deve ter lugar em Outubro no Azerbaijão, altura em que a Venezuela deixa a presidência da organização.»
120 países? MPNA? Qué qué isso? Quem disto ouviu falar, ponha o dedo no ar!

21 julho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 26

Na passada liturgia produzi os melhores mandamentos que jamais produziria se não fossem as frases de Sophia. Reproduzo o primeiro: Escreva um poema, salve o que julgue ser sua alma
“A poesia é das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade. A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma – quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza”. (disse Sophia)
E a Maria João como se respondesse a Sophia assim escrevia:
(I)LIMITES & PARADOXOS

Entre vivos e mortos levantamos
Montanhas de aço vivo e de vontade
Contra as quais esbarrarão os grandes amos
Dos medos, quais torpedos de ansiedade,

Mas se no espanto imenso em que nos damos
Abstrusa, a novilíngua nos invade,
À nossa antiga concha retornamos,
Pela libertação da liberdade.

E mudamos. Ó céus!, como mudamos
Quer queiramos mudar, quer não queiramos,
Sem dúvida em excessiva velocidade,

Ultrapassando mesmo a ubiquidade...
Porém, na rapidez com que avançamos,
Quem mede o estado ao estado a que chegamos?

Maria João Brito de Sousa – 06.01.2019

18 julho, 2019

Estamos em 2019, a caminho de eleições


«Quando, a 4 de Outubro de 2015, contrariámos o ambiente geral de resignação que dava como inevitável a continuação do governo PSD/CDS, demos a primeira de tantas contribuições para cada avanço, cada conquista, cada reversão de medidas negativas, para a defesa de cada direito, não desperdiçando nenhuma oportunidade para defender, repor e conquistar direitos. 
Hoje podemos dizer que não há nenhuma medida positiva para os trabalhadores e para o povo que não tenha tido a intervenção ou o voto decisivo do Partido Comunista Português.»
Jerónimo de Sousa, 
na apresentação do Programa Eleitoral do PCP
Os sete compromissos assumidos pelo PCP:

17 julho, 2019

"Estávamos em 2015 a caminho de eleições."


Ontem foi mesmo um lufa-lufa, uma corrida. Contudo cheguei sempre a tempo e neste caso a pontualidade foi premiada por abraços e sorrisos prévios. Depois começou. Agostinho Lopes antecedeu o que me fez correr. Ah, o que eu perderia se o tivesse perdido. E a sua intervenção começou com a frase que destaco em título.

16 julho, 2019

Uffa! Que ganda lufa, lufa!


Esse aí não é Minha Alma, nem Meu Contrário. Sou Eu, na missão polivalente de militante-repórter-com-partido. Sendo isso tudo, não espanta que não tenha descansado  um segundo. Hoje estive num sítio onde não fui preciso. Estavam lá todos, os nossos e os outros.
Entretanto, eu tinha de promover o que era compromisso ter de ser promovido... trabalho simples... divertido.
Sobre o outro, a luta, fica o mote. Falarei disso. Agora, passo ao "interregno para coisas belas" e o convite a uma visita...

14 julho, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 25


Descobri um sitio onde alguém se aventurou a avançar com as "Dez das melhores frases de Sophia de Mello Breyner Andersen". Não sei se são ou não, mas não tenho dúvida que me inspiraram a produzir os melhores mandamentos que jamais produziria se não fossem as frases de Sophia.

1º Mandamento: Escreva um poema, salve o que julgue ser sua alma
“A poesia é das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade. A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma – quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza”. (disse Sophia)
2º Mandamento: Produza beleza, a fealdade custa os olhos da cara
“A regra a seguir é esta: uma casa para todos e beleza para todos. E a beleza não é cara. É geralmente menos cara do que a fealdade que quase sempre se chama luxo, monumentalismo, pretensão. A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro.” (disse Sophia)
3º Mandamento: Não seja pato bravo
“Penso que a Cultura da nossa época tende muito a ser uma espécie de reserva cultural. Faz-se um Centro Cultural, chama-se um bom arquitecto, põe-se lá quadros bonitos e coisas bonitas… Depois, à roda, é a construção do pato bravo: é uma caricatura cultural. A Cultura é uma coisa que, ou está na mentalidade e na vida, ou não está em parte nenhuma. Não é um objecto de museu, é qualquer coisa de estrutural na vida humana.” (disse Sophia)
4º Mandamento: Use o ócio, nunca seja um ser ocioso
“O ócio é o atelier em que se escreve. Escrever sem silêncio, sem tempo, sem disponibilidade… não é possível.” (disse Sophia)
5º Mandamento: Nunca despreze uma palavra. Se sobrar, guarde-a
“Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária, as palavras não podiam ser decorativas, não podiam servir só para ganhar tempo até ao fim do decassílabo, as palavras tinham que estar ali porque eram absolutamente indispensáveis. Isso foi uma descoberta.” (disse Sophia)
6º Mandamento: Ensine uma criança a dizer um poema, antes que cresça  
“Se as crianças aprendessem poemas de cor em pequenas, se fosse uma parte integrante do ensino e até, se elas tivessem de dizer um poema de cor para serem admitidas a qualquer universidade, as pessoas passavam a falar melhor. Porque falar é próprio de todas as pessoas, não é só do médico, do engenheiro e onde se aprende a falar realmente é na poesia.” (disse Sophia)
7º Mandamento: Aceite-se sempre, mesmo se em perda
“Com o tempo perdem-se as coisas. Eu acho que isso acontece às mulheres e aos homens. Depois vamo-nos perdendo a nós próprios, já não se tem a mesma imagem, já não se tem a mesma ligeireza, já não se tem a mesma leveza, já não se tem…” (disse Sophia)
8º Mandamento: Ponha sempre alguma racionalidade na sua crença
“Sou muito angustiada com as coisas: a criança que se queima, que cai à piscina, que é atropelada, nas outras coisas tenho uma certa entrega, acho que Deus se justificará a si próprio, eu não consegui justificá-lo. Não consigo perceber porque razão há morte, sofrimento, o mal, as tentações, mas tenho consciência que talvez não tenha capacidade para isso. Eu também não tenho capacidade para compreender matemática, quanto mais… os desígnios de Deus.” (disse Sophia)
9º Mandamento: Lembre-se sempre que sem prática a teoria vale nada
“Eu penso que há uma diferença entre o homem e a mulher, e os feminismos não podem… Para mim o machismo não é considerar que há uma diferença entre o homem e a mulher, o machismo é tentar fazer um negócio dessa diferença… Os feminismos são teorias. Eu acho que a teoria na nossa época tem desempenhado um papel terrível na política, tem desempenhado um papel terrível na arte, e também na vida… A vida tem sido muito sacrificada à teoria…” (disse Sophia)
10º Mandamento: Nunca se esqueça da existência do universo
“Penso que nós procuramos sobretudo o que nos dá felicidade, não acha? Procuramos o que nos cria uma certa libertação íntima que é necessária à liberdade. Procuramos ser um com o universo.” (disse Sophia)

13 julho, 2019

SNS salvo, "por uma unha negra"?...


"Por uma unha negra" é uma expressão que significa qualquer coisa próxima de "à última hora". Mas atenção, está em interrogação (embora a notícia seja positiva).
«Deverá ter chegado ao fim o processo negocial em torno da nova Lei de Bases da Saúde, após a solução encontrada no decurso das últimas negociações entre o PCP e o Governo e que, por um lado, permitirá inscrever na nova Lei o princípio da gestão pública dos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, por outro, revoga a legislação sobre o regime de parcerias público privadas (PPP).
Nesse sentido, a nova Lei de Bases da Saúde deverá consagrar o carácter público, universal e geral do SNS e a gestão pública dos respectivos serviços e estabelecimentos, uma questão que para o PCP era essencial.
Recorde-se que, face à oposição do PSD e do CDS, a posição do PCP era decisiva para viabilizar a nova Lei.
Com a solução a que chegaram, os comunistas garantem também a fixação do princípio de que o Estado só deverá recorrer aos sectores privado e social de forma supletiva e temporária, enquanto o SNS não tiver capacidade de resposta.»

12 julho, 2019

"na televisão, a direita vence a esquerda" e o PCP é fruto de um apagão...

 
« (...) Um estudo recente, aqui já escalpelizado por Nuno Serra, confirmou que o comentário político televisivo está enviesado para a política de direita no nosso país. Para lá disso, confirma-se o que já tínhamos aqui defendido: comunista praticamente não entra, não comenta. De facto, o PCP é o partido mais discriminado no comentário político televisivo. Eu já ouvi gente do meio dizer que é porque os comunistas são previsíveis, dizem sempre as mesmas coisas anacrónicas e tal. E eu digo que previsível é o preconceito anti-comunista.

Os comunistas são a força onde é mais acentuada a discrepância entre o acerto de muitas posições, tantas vezes bem argumentadas, e a forma como essas posições são televisivamente desconsideradas. Para lá das eventuais questões de comunicação, há aqui um evidente preconceito ideológico, de classe. E nem vou falar desta vez das questões europeias, onde acertaram bem mais do que os europeísmos mais ou menos insanos que nos levaram aqui e que são absolutamente dominantes na televisão.

Dou um exemplo mais circunscrito, mas igualmente importante para uma sociedade civilizada: a ferrovia. Se há partido que tem cabalmente denunciado os resultados da política de desinvestimento na, e de desmantelamento da, CP é o PCP, como se atesta lendo uma análise sobre este assunto. Por isso, o PCP está agora em boa posição para avaliar o significado de um primeiro gesto governamental que vai ao encontro do que sempre defendeu: a reintegração da EMEF na CP.

É claro que no comentário político ninguém falará sobre isto a milhões na televisão. Afinal de contas, comunista não entra mesmo. Creio que nenhum leninista ficará surpreendido. A situação está tão má, dentro e fora da televisão, que esta grelha marxista tem hoje uma capacidade explicativa relativamente superior ao que passa por sabedoria convencional na televisão e até fora dela.»
João Rodrigues, in "Ladrão de Bicicletas"

11 julho, 2019

Paulo Henrique Amorim: 1942-2019 (in memoriam)



Triste notícia. Não é novidade que ele, para mim, foi (e continuará a ser) uma referência pois foram tantas as vezes que o trouxe a este meu "Conversa Avinagrada". Deixo-vos a minha comoção. Deixo-vos as homenagens expressas pelos movimentos sociais do Brasil e deixo-vos este apontamento sobre uma intervenção sua sobre o que mais tarde ou mais cedo acontecerá à nossa imprensa (se é que não está já acontecendo)

Até sempre, caro Paulo Henrique Amorim!



10 julho, 2019

Estado da Nação: que País temos entre os que discutem e os que lutam?


O Estado da Nação esteve em discussão.  Faço link para algo que deve ser lido e de onde transcrevo apenas a parte final:
«Os instrumentos de que o País precisa para se desenvolver de uma forma soberana continuam, no entanto, nas mãos de privados, apesar da actual solução ter travado ou revertido a privatização de algumas empresas.
Pese embora as limitações evidenciadas, sobressai a intervenção das forças à esquerda do PS, que desde o dia 5 de Outubro de 2015 colocaram a tónica na necessidade de travar a política de direita, sendo este o elemento novo da legislatura. Evidenciando-se que é o número de deputados de cada grupo parlamentar que determina a política nacional, ao contrário da tão propalada ideia de que se vota em «candidatos a primeiros-ministros».
Na rua, a luta continua, e foi (é) assim!

08 julho, 2019

O Syriza, que chegou a ser cunhado como «esquerda radical» e andou anos a servir o capital como melhor pôde, deixa o governo.

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Em 2015, o Syriza ganhou as eleições com um programa eleitoral que viria a não aplicar. E quando, em referendo, o povo grego disse maioritariamente «não» ao terceiro resgate, o seu líder, Alexis Tsipras, acabou por assiná-lo.

Por isso, a PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores) lançou fortes críticas ao Syriza, que «faz melhor o trabalho de liquidador dos direitos d os trabalhadores que a Nova Democracia [direita]».

Não só as questões do trabalho afastaram o Syrisa do seu discurso de promessas. Um ano depois, em 2016, na remodelação do governo grego não é por acaso que o responsável pela privatização de várias empresas públicas é nomeado  secretário de Estado da Economia. Para ministro entra um economista que era presidente de um centro de estudos económicos norte-americano, o Levy Economics Institute.

Hoje, a Grécia tem um governo e uma maioria absoluta de direita.

«Esta manhã não faltavam comentários sobre o regresso da «direita de sempre» ao governo na Grécia, a lembrar a «estrondosa derrota» de Alexis Tsipras ou as ilusões que a vitória do seu partido, em 2015, gerou – na Grécia e fora dela.
O engano, para alguns, durou pouco. Às vitórias de tal «esquerda» em Janeiro e Setembro de 2015, seguiram-se greves gerais sucessivas e manifestações com dezenas de milhares nas ruas de Atenas e Salónica. É que as infra-estruturas (portos, aeroportos) estavam a ser privatizadas e as reformas legislativas que afectaram, trabalhadores, pensionistas e a população grega em geral seguiam-se ao ritmo das exigências da troika do capital.»
Ler em AbrilAbril
Como nota final, fica o apontamento de como partidos que se consideravam irmãos e se envolveram em campanhas eleitorais e , tinham (e mantém) linguagem igual…