31 dezembro, 2019

Elegia do Velho Ano e Ode ao NOVO

ELEGIA, DO VELHO ANO

Caros amigos,
sabendo que está quase chegada a hora
de me ir embora,
aproveito a oportunidade que me é dada
para vos deixar palavras medidas
bem pesadas e reflectidas.
Vou ser acusado de ter sido um mau,
muito mau ano.
Que grande engano…

Nada de mais errado
atribuir ao Tempo
aquilo que está fora das suas competências.
Não sou o causador de vossas rugas,
quem as marca no vosso rosto é a vida.
Não sou o causador das vossas dores,
sois vós próprios,
caras senhoras e caros senhores.
Sois vós próprios e as vossas circunstâncias,
e mesmo estas não me podem ser imputadas.
O tempo, este vosso servo,
apenas é uma referência intangível
a quem nada é exigível.
Ninguém até hoje me tocou.
Ninguém até hoje me fotografou,
me descreveu a rigor ou desenhou.
Contudo existo,
mas apenas marco referências
de cada facto ocorrido,
de cada acto omisso,
de oportunidades tidas ou perdidas.
E logo, quando cada badalada for ouvida,
das doze que serão escutadas,
não esqueçam de juntar aos vossos doze desejos,
palavras minhas, aqui deixadas:
Que cada desejo não entregue ao tempo anseios
que dependem de vossos gestos.
O tempo nunca resolveu nada
que os povos não tenham querido resolver.
Que cada um saiba o que de importante pode e deve fazer.
Que a sabedoria vos ilumine.
São os meus votos

____________________________________________
MINHA ODE AO ANO NOVO

Deixemos ir o velho
Que eu fico e me renovo
Há dez anos que por aqui ando
Na esperança de cada ano
Vir a ser um Ano Novo
Hoje, em dia de aniversário
Quebro o hábito
E desejo-vos  a todos
Um BOM MUNDO NOVO


30 dezembro, 2019

Este ano fui, frequentemente, um não-ausente

Dei por mim sem saber o que fazer. Se seleccionar os meus posts mais lidos, se me justificar por não ter conseguido estar onde, por sentido dever, devia ter estado. Opto por ligar uma coisa a outra, pois foi um poema que trouxe ao meu espaço  o post mais lido, agora é este poema que hoje publico o que melhor espelha a minha não-ausência.
Ser do mesmo poeta não é coincidência...


DA AUSÊNCIA

Da tua ausência e – porque não? – da nossa,
Emana uma aura fosca e baça e crua,
Uma ilusão de luz, como se lua
De um astro em que se fez menina e moça.

Enquanto essa ilusão de nós se apossa
Qual rio que em calmo lago desagua,
A ausência, mais que minha, mais que tua,
É sal que salga a vida e mel que a adoça.

Nessa ausência, que vai ganhando vulto,
Transmuta-se a abstracção em verbo oculto
A que o sonho dá corpo e cristaliza

E tudo o que era ausência é já presença
Que dita o que se sente, o que se pensa,
E cresce enquanto a mente idealiza.

Maria João Brito de Sousa
- 30.12.2019 – 10.15h

29 dezembro, 2019

Dois mil e dezanove, o meu balanço...


Como balanço deste ano prestes a dar o berro, a imagem acima pode parecer pessimista. Não, não é. É um aviso, pois mudar é preciso. E não se mude alguma coisa para que tudo fique na mesma. Há necessidade de mudanças profundas. E cito (mais uma vez) Einstein "Insanidade é estar a fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes". Ou dizendo de outro modo, continuando como até aqui teremos por destino... o buraco.

28 dezembro, 2019

«Isto é Morna. Património da Humanidade.»

Este sorriso largo, 
que nunca largo
 não é só por ter lá estado
é também
pelo muito que temos feito
e pelo reconhecimento
ao que vamos fazendo!
Não sabem a que me refiro?
Tá aqui tudo, contado em vídeo

O meu amigo Sam e a atitude perante a vida


Num destes dias pensei em convidar o Sam para beber um copo e exemplificar-lhe como ajo perante a vida. A minha atitude, perante esta, seria fácil de ilustrar. Pediria que me servissem meio copo e, de seguida, bebia-o num trago.
Na vida é assim que faço pois não contemplo se está meio vazio ou meio cheio. Aproveito o que tenha dentro.
Como não deu para estar com o meu amigo Sam é neste espaço que lhe digo que conheço a Joana, o Jaime e o Pedro. Atravessaram comigo a Serra de Carnaxide, antes de se tornarem personagens do Planeta Azul.
É verdade! Passaram para a ficção, mas são realidade. 


ÚLTIMA HORA: Iniciativa no Parlamento, ASSINE JÁ

NOTA: se não me vêem por aí é por não ser possível com a minha habilidade estar atrás da máquina e aparecer na imagem, meter-me na montagem e...

27 dezembro, 2019

Não é por se estar em período festivo que devo ignorar isto!



Antunes Varela, ministro da Justiça do Estado Novo, durante 13 anos, entre 1954 e 1967, foi homenageado no Tribunal da Relação de Coimbra, a propósito do centenário do seu nascimento.
«Durante o longo período em que exerceu funções no Ministério da Justiça muitos crimes foram cometidos pelas forças repressivas da ditadura, nomeadamente as polícias, com destaque para a Pide. Muitos combatentes antifascistas foram assassinados e um número infindável de lutadores pela Liberdade foi preso e torturado. Foi durante a permanência de Varela no Ministério da Justiça que o General Humberto Delgado e a sua secretária foram assassinados pela Pide, em Espanha, em condições sobejamente conhecidas.»
Credo! O que se passa, senhora Ministra? 

26 dezembro, 2019

CANTATA DE NATAL (2019)

CANTATA (Para um Jantar de Natal)


Depois de distribuídas as prendas
Beijos e oferendas
De cada a um a cada criança
Pois o Pai de Natal
Não entrou na dança
Os miúdos brincaram
E jogaram, e jogaram
Enquanto... 
Na cozinha, o Luís trabalhou
A Sandra ajudou
O Paulo ajudou a Sandra, que o Luís ajudou
A Dulce o peru cozinhou
E depois o trinchou
A Teresa,
Fez a salada de frutas e a pôs na mesa
A Andreia ajudou a Luísa que ajudou a João
Que ajudou a Teresa a pôr tudo na mesa
Na cozinha e na sala
Ninguém se cala
O Mário, fala com o Pedro, que fala
Com o Luís, que fala com o Paulo
O Fernando também não se dá calado
 E conversa com o Alberto e com o Mário
Num outro lado, a Vanda
Cochicha com a Carla e com Alexandra
Todos falam com todos
Por todo o lado
E ninguém se dá calado
As crianças
Escolhem correrias, andanças
Gargalhadas, meiguices, mimos
Entre irmãos e primos
Uns maiores, outros mais pequeninos
Da Marta à Carolina 
Que é a mais pequenina
E assim foi o jantar de Natal
Entre guloseimas e afectos
De cunhados, filhas, genros,
Primos, sobrinhos e netos

Para acabar
A Maria foi cantar
E a Carolina, traquina
Dançou, dançou até a malta abalar
Para o ano há mais


Rogério Pereira

24 dezembro, 2019

I will stop the cavalry.

Foi assim, ainda me lembro,
que ergui esta canção,
sem ter conseguido chegar a tempo
por mágoa minha
de fazer parar a cavalaria
Mas
eu sei
que um dia a pararei
(mudar o Mundo não custa muito,
leva é tempo*)

*Um amigo pegou naquela minha frase
e me dedicou um bem esgalhado texto
a ele voltarei, em outro momento

23 dezembro, 2019

Canções de Natal. Escolhi esta! Que tal?

As luzes brilhando, sem máscaras de cor...
Os rostos em expressão pálida de sentida dor
 e as vozes sofridas, sabe-se lá saídas de onde
fazem deste cantar, não a mais bela versão
mas a que me causa mais emoção...

21 dezembro, 2019

O Natal e a "cicatriz da vergonha"


A meio da tarde de hoje, a imprensa deu notícia do último trabalho do artista Banksy, revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por uma peça de artilharia. O artista deu-lhe por título "A cicatriz de Belém".

A obra foi apresentada ontem, sexta-feira, e está exposta na entrada do hotel "Walled-Off", que Banksy abriu em 2017 na cidade e cujos quartos dão para o muro construído por Israel e ao qual o artista já tinha dedicado vários postais de Natal.
Neste, uma parte do muro, com as palavras paz e amor grafitadas, serve de pano de fundo a um presépio numa pequena mesa, com presentes ao pé. O impacto do obus no muro provocou um buraco com forma de estrela que fica acima do presépio.
Para Wissam Salsaa, diretor do hotel, "A cicatriz de Belém" simboliza uma "cicatriz da vergonha".
"O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal" da Cisjordânia por Israel desde 1967.
Bansky continua a sua persistente denúncia, agora que a Cisjordânia é objecto de notícia recente. Eu, que desde sempre sigo o artista,  associo-me também à sua luta!
Belém, Territórios palestinos, 21 dez 2019 (AFP) - Uma pequena manjedoura de Natal protegida por pequenos fragmentos de muro atravessados por um tiro de canhão: a obra mais recente do misterioso artista Banksy foi revelada na sexta-feira na simbólica cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada. O artista britânico, que não revela sua identidade, não compareceu à apresentação da obra, que tem como título a "A cicatriz de Belém".... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/12/21/banksy-apresenta-em-belem-uma-obra-de-natal-sombria.htm?cmpid=copiaecola
Belém, Territórios palestinos, 21 dez 2019 (AFP) - Uma pequena manjedoura de Natal protegida por pequenos fragmentos de muro atravessados por um tiro de canhão: a obra mais recente do misterioso artista Banksy foi revelada na sexta-feira na simbólica cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada. O artista britânico, que não revela sua identidade, não compareceu à apresentação da obra, que tem como título a "A cicatriz de Belém".... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/12/21/banksy-apresenta-em-belem-uma-obra-de-natal-sombria.htm?cmpid=copiaecola
Belém, Territórios palestinos, 21 dez 2019 (AFP) - Uma pequena manjedoura de Natal protegida por pequenos fragmentos de muro atravessados por um tiro de canhão: a obra mais recente do misterioso artista Banksy foi revelada na sexta-feira na simbólica cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada. O artista britânico, que não revela sua identidade, não compareceu à apresentação da obra, que tem como título a "A cicatriz de Belém".... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/12/21/banksy-apresenta-em-belem-uma-obra-de-natal-sombria.htm?cmpid=copiaecola

20 dezembro, 2019

De imprevisto, a Rosa me ofereceu o seu livro (...e foi tão bonito...)

 

Conheci naquele dia a Rosa, e naquele dia a Rosa me conheceu. Hoje o reencontro foi um inesperado momento, no decurso da Festa de Natal do Centro QUALIFICA. A Rosa me ofereceu o seu livro. Chegado a casa, página após página, leio o que há muito não me era dado ler. 
Leiam também.

19 dezembro, 2019

A verdade sobre o Pai de Natal


Essa é a verdade. Já era em 2010, lá no Brasil. Agora generalizou-se, lá e cá. Está por todo o lado, na rua, nas galerias e no supermercado. Não lhe pergunte nada, não corra tal risco...

18 dezembro, 2019

Natal dos Simples


Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Natal dos Simples

Meu avô levantava-se cedo, ainda antes do canto daquele galo que já deu azo a um conto. A sua primeira tarefa era acender a lareira. Lembro as chamas altas, ao inicio e depois o braseiro alimentado o dia inteiro. Lembro os odores de lenhas de azinho, figueira e troncos das cepas velhas à mistura com a suavidade, um pouco acre, do café que ela, minha avó, trazia de Lisboa. De fumos, pouco ou quase nada pois a saída fumava bem... Há idades em que o frio não conta. Agora me lembro que meu avô só não o tinha porque o espaço da chaminé dava para se sentar dentro dela, num maciço tronco que lhe servia de assento, junto ao braseiro. As mãos, secas e mirradas dos anos e das fainas, manejavam com a perícia experimentada em longos serões de inverno, o queijo a côdea e a naifa. Gestos lentos, apenas interrompidos para pegar na malga. O café aquecia-lhe a alma. A minha avó, essa, aquecia com a lida. Não parava. Não havia frio naquela casa, embora fosse pouco o tijolo, a telha fosse vã e o postigo mal encostasse, dado o empeno da madeira... Eram assim as férias de Natal, num encantamento que era prolongado com a euforia da chegada da família. Pai, mãe, irmã, tios e muitos primos. Uma casa cheia de gente, sem presépio nem árvore enfeitada, nada... Na véspera, a ceia era prolongada e terminava com meu avô recitando Aleixo e eu cantando canções do Joselito. Na manhã do dia, por sobre o sapatos deixados junto à cinza da chaminé, os parcos brinquedos eram uma outra chama alvoraçando a nossa imaginação. Do Pai de Natal, nem fala nem sinal. Dizia minha tia que era o Menino Jesus que doava e apenas ela acreditava que nós acreditávamos no que minha tia dizia. Para a minha idade o tempo era lento, mas aquele  dia era curto, passava depressa. Depressa chegava a hora da abalada.
Nunca tive frio naquela casa...

17 dezembro, 2019

Fernando Lopes Graça, faria hoje 113 anos



«Fernando Lopes-Graça (1906-1994) foi um compositor português autor de diversas obras para orquestra e piano. Crítico do Estado Novo e membro do Partido Comunista foi preso diversas vezes e a sua obra proibida de ser tocada.

Começa a tocar piano muito cedo em casa e aos 14 anos já trabalhava no cineteatro de Tomar – cidade onde nasceu – como pianista. A sua formação continua em Lisboa onde frequenta o Curso Superior do Conservatório de Lisboa.
Em 1931 é preso pela primeira vez pela polícia política e outras detenções se seguirão nos anos seguintes. É proibido de concorrer a bolsas de estudo no estrangeiro, de abraçar uma carreira na função pública ou de lecionar. As suas obras são também proibidas de serem tocadas em público e os direitos de autor são-lhe retirados. Estuada no estrangeiro por conta própria.
A sua obra é considerada avançada para a época. Para além das suas orquestrações, Lopes-Graça também se debruçou sobre a música tradicional e foi interveniente em publicações que marcaram a cultura portuguesa da época como a Presença ou a Seara Nova.»
in RTP Ensina/emissão 2006
...e há coisas sobre
Lopes Graça
que talvez você não saiba 


"Ó Meu Menino Jesus" de Fernando Lopes Graça

16 dezembro, 2019

Nós somos os amigos que temos. Mas também somos os amigos que tivemos...


Não hesitei e volto à árvore. Chamei-lhe um dia árvore de Natal, e depois árvore dos amigos. Hoje dou-lhe outro nome, chamo-lhe árvore genealógica. Reúne a primeira família que deu vida a este meu espaço e foi, ao longo do tempo se somando e alargando, mas também se subtraindo, pois muitos se foram e não voltaram. São poucos os que por aí andam e aqui estão. Em certo sentido, a imagem está empolada... contudo, nós não somos os amigos que temos. Nós somos também os amigos que tivemos, mesmo daqueles que me voltaram as costas e que hoje já nem se lembrarão que aqui estiveram, que por aqui andaram... 
eu, de todos eles, não me esqueço. 
eu, é para todos eles que escrevo, desde a primeira árvore, nesta mesma data, em 2010.

E fica, como prenda, a primeira canção de Natal por mim publicada

15 dezembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 7 (A vida, desde que me conheço, começa num jogo)

 
No sermão de hoje, ajustado à quadra,
a Rita discorre como a coisa começa e depois continua pela vida toda
Quem jogou e se viciou, está em melhores condições para não perceber
Quer comprar? Escolha! Há muitos anos que continua à venda!

14 dezembro, 2019

Quem deve mudar os comportamentos? O consumidor ou a Jerónimo Martins e afins?


Ambientalistas, empresas e sindicatos afirmaram esta sexta-feira que a conferência do clima da ONU em Madrid está à beira do “desastre completo”, com países como o Brasil a tentarem “arruinar” o acordo de Paris sobre combate ao aquecimento global.

Em conferência de imprensa (...) a diretora executiva da organização ambientalista Greenpeace, Jennifer Morgan, disse a jornalistas que “neste momento, há países como a Austrália, Brasil e Arábia Saudita que só querem completar as suas agendas e arruinar o acordo de Paris, carregando-o com tantos subterfúgios que não conseguirá ser eficaz”. A Jennifer dá desconto ao que se passa por aqui... se não, vejamos:

403 mil toneladas de laranjas saíram dos pomares portugueses em 2018. Portugal teve, no último ano, a maior produção de laranjas dos últimos 33 anos. Contudo, o aumento da produção trouxe excesso de citrinos ao mercado e fez cair 20% o preço no produtor. Enquanto isso acontece, o Pingo Doce vende laranja importada, e não se importa nada. Quem distraidamente lê o rótulo julga tratar-se de laranja do Algarve, mas em boa verdade, esta laranja chegou de fora, da vizinha Espanha, transportada com elevada pegada ecológica...


Mas não se pense que a coisa fica por aqui. Outro caso. Uma garrafa de água num país onde ainda a vai havendo, não se dando prova de que não haja falta, é importada de... França e percorre inimaginável distância.

Se é verdade que o sector dos transportes continua a ser um dos sectores de actividade com maior consumo de energia ele também é, em consequência, um dos que mais contribui para as emissões de gases com efeito de estufa. 
E não se pense que fui à procura de casos extremos. Eles apenas ilustram duas situações extremas de como as grandes superfícies não só concorrem para agravar as condições da produção nacional não a escoando, como também, com as suas politicas comerciais, concorrem  para o aquecimento global. 

Se a COP25 está à beira "do desastre completo"? Quem esperava outra coisa nunca olhou para as prateleiras  de um supermercado com olhos de ver.


13 dezembro, 2019

O Brexit e a gestão do medo...


"O medo é essencial à estratégia de governação do euro. Aliás, é o medo que sustenta a UE." podemos ouvir esta afirmação do Jorge Bateira, produzida ainda antes de conhecidos os resultados eleitorais no Reino Unido.
Assim, não nos devemos surpreender que venham agora, como sempre têm vindo, tecer-nos quadros horrendos, de martírio e catastrofismo. 

Acalmem-se. No Canal Parlamento, ocorreu em 26 de Fevereiro passado a audição pública, pela Comissão dos Assuntos Europeus, sobre o Brexit. São duas horas de intervenções, depoimentos, análises, perguntas... e, a páginas tantas, isto é, ao fim de quase uma hora (58 min), Jorge Pisco, Presidente da Confederação Portuguesas das Micro, Pequenas e Média Empresas, CPPME, (da qual sou também dirigente) esvazia o balão do dramatismo, e diz, com a voz calma e firme que lhe reconheço:
«Haverá certamente impactos negativos com o Brexit, mas com o que se vai escrevendo e dizendo, destilando receios e catastrofismo, até parece que a Inglaterra e Portugal só têm relações comerciais e diplomáticas há 3 décadas, aquando da adesão do nosso país à CEE/EU.

O Instituto Nacional de Estatística (INE), a propósito do Brexit, assinala que apesar de ter vindo a perder peso relativo no comércio com Portugal desde a adesão à Comunidade Económica Europeia, o Reino Unido continuou ao longo dos anos a ser um parceiro comercial relevante.

Agora há quem afirme que com o Brexit, os dados podem alterar-se.

Segundo dados do INE, em 2016, de entre as 46.364 empresas exportadoras de bens, somente 2.758 o fizeram para o Reino Unido. Destas, apenas 32 (1,2%) exportaram exclusivamente para o Reino Unido, tendo sido responsáveis por 1,2% do valor exportado, enquanto 8,2% dessas empresas, ou seja 227, registaram uma concentração das suas exportações superior a 50% nesse mercado correspondente a 15,7% do valor exportado.

Verifica-se assim não ser expressivo o numero de empresas que registam uma dependência grande do Reino Unido, concentrando naquele mercado uma percentagem significativa das suas exportações.»

12 dezembro, 2019

Não se falou disto em Madrid, mas falou-se disto por aqui... será que o PS vai chutar para canto?

Ontem, em Madrid, o discurso de Greta entrou numa nova faceta, como aliás referi, mas não chegou a pôr os nomes aos bois. Não que não saiba mas, porque sabe lá Deus por quê, não o acrescentou àquilo que disse.

E do que falo? Disso, do consumismo e da obsolescência programada. E o que é lá isso? Está tudo explicado no primeiro vídeo.

E se em Madrid não se falou disso, foi na Assembleia da República que disso se falou. E depois do que tanto se falou, temo que o PS chute para canto

  _____________

11 dezembro, 2019

COP25 e a nova faceta do discurso de Greta


Esta imagem inicial fixa Luisa Neubauer, talvez gravando o vídeo para fazer dele sabe Deus o quê. Não sei quem é Luísa, nem quero saber. Em boa verdade, não sei quem é Greta, nem quero saber. O que registo é que da sua intervenção, hoje dia 11, ela dá um salto que a aproxima da realidade, aquela de que ela até aqui não falava.

E reparem, Greta discursa e mal olha o papel...
Contudo não nos iludamos, as cem empresas que ela refere têm o Mundo na mão. Esse Mundo onde se move Greta.

(veja aqui o discurso, na integra)

10 dezembro, 2019

Foi no ano passado que a "CARTA UNIVERSAL DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES DAS PESSOAS" foi lida pela primeira vez em português...



No ano passado assinalou-se o 70º Aniversário da tal "Declaração" houve mil uma iniciativas e nós, "desenhadores de sonhos", participámos numa (ver vídeo acima). 
Foi uma iniciativa memorável.
Fomos lá lembrar que:
«A proliferação dos direitos atribuídos deu origem a uma interpretação errónea por parte dos cidadãos. Muitas pessoas entenderam que, no usufruto desses direitos, não estão implícitos obrigações e deveres. É como se se acreditasse que os indivíduos adquirem o direito a crescer e a desenvolver-se sem assumir responsabilidade alguma para consigo próprios, para com o seu semelhante, para com o meio ambiente que os rodeia ou para com o Estado. É absolutamente essencial pensar-se o mundo dos direitos em sintonia com o mundo dos deveres e em mútua correspondência.»
O texto transcrito faz parte de um extenso documento, apresentado ao Secretário Geral das Nações Unidas em Abril de 2018.

André Levy, leu parte dele, como se um poema fosse:

09 dezembro, 2019

Claro, clarinho, clarinho!


Claro, clarinho, clarinho! 

Numa entrevista, todas as perguntas são legitimas. Até mesmo as artilhadas, as preconceituosas,  as deslocadas e as maldosas.




08 dezembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 6 (A consciência de classe...)


Cada vez é mais difícil ter-se consciência de classe o que não significa que não haja quem se esforce para para sair da classe a que pertence. Prova? A loucura da raspadinha.

E a loucura tem peso. Os que enjeitam a classe a que pertencem  gastaram mais de três mil milhões de euros em jogos da Santa Casa da Misericórdia em 2018, o que se traduz em cerca de 8,5 milhões de euros por dia.

Mas consciência? de classe? O que é que isso significa?
Neste sermão a Rita explica

07 dezembro, 2019

Olhando o PISA resta dar à escola pública o que a escola pública precisa!

 

O quadro acima tem muito mais que se lhe diga. Para já fica dito que «a tese, há muito em voga, da suposta supremacia do ensino privado face à escola pública parece ter sofrido, com o PISA de 2018, um novo e forte abalo.»

Atendendo a este PISA, agora há que dar à escola pública aquilo que a escola pública precisa, né?

06 dezembro, 2019

Redacções do Rogerito (47) - [Greta, tu em Madrid e eu aqui...]

Querida amiga Greta volto a escrever-te uma carta e esta também é aberta pois se não fosse aberta ninguém poderia lê-la e aquilo que eu quero escrever é para toda a gente ler pois são coisas a que a imprensa não liga nenhuma.
Que pena essa manifestação lá em Madrid e eu a ter de ficar aqui chateado de não te teres manifestado à porta de uma grande superfície ou de um supermercado como então te tinha recomendado.
Para a próxima manifestação faz mesmo isso e depois entra e apontas a prateleira das garrafas de água em todos aqueles formatos não sendo preciso tudo aquilo bastando um garrafão e ter em casa um jarro de vidro ou mesmo não ter nada disso e exigir aos SMAS lá do sítio que faça chegar a cada casa boa água canalizada. De seguida mostra as centenas de produtos em que a embalagem não serve para nada a não ser termos o trabalho de a deitarmos no lixo o que é não só um desperdício mas também uma monumental agressão ambiental. Depois percorre todas zonas do centro comercial e aproveita o Natal para explicares alguma regras do consumismo a começar pela obsolescência  programada. Ah, não sabes o que isso é?, então leva esse vídeo e vê-o com a tua família na noite da consoada...
Me assino
Rogerito

05 dezembro, 2019

Ao qu´isto chegou...


«Nem os britânicos, 
chefiados por uma aberração 
chamada Boris Johnson,
permitiram...»
«Já é degradante para o prestígio interno e internacional de um país acolher na sua capital uma reunião conspirativa de dois sociopatas mundiais como são o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado norte-americano da Administração Trump, Michael Pompeo. O facto de o primeiro-ministro, António Costa, receber ambos os fora-de-lei transforma o caso numa situação trágica, porque expõe directamente o país às consequências do previsível agravamento da instabilidade global decorrente destes encontros. Afinal o espírito belicista da Cimeira das Lages – que afundou o Médio Oriente na crise de guerras sucessivas em que se encontra – continua bem vivo nos governantes portugueses. Depois de Barroso, cabe aos socialistas interpretar a segunda temporada.
Nem os britânicos, chefiados por uma aberração chamada Boris Johnson, permitiram que o encontro entre Netanyahu e Pompeo decorresse nas suas ilhas, simplesmente por não estarem disponíveis para acolher o chefe do governo israelita. Ao contrário do trabalhista Blair, em 1993, o conservador Johnson eximiu-se agora do complot.
Costa não.

04 dezembro, 2019

Voltámos aos lugares onde já estivemos...

Estão a ver ali... aquele... o engravatado...
com o logotipo ARTV estampado
mesmo em cima do nariz?
Pois é, sou eu!

Ah, e não viu o tempo de antena?  Pois perdeu!
E porque é que eu digo que perdeu? Porque não vendo,
não faz a mínima ideia do que estamos fazendo

Esta tarde voltámos a ser ouvidos
em gabinetes onde já estivemos
repisando coisas
que já antes dissemos

Verdade se diga
uma ou outra coisa (então) foi ouvida

02 dezembro, 2019

Amanhã a Greta estará por cá...

Não sei se a Greta falará disto

Amanhã a Greta estará por cá.
Para festejar o facto
fui ao supermercado
e comprei uma garrafa de marca.
Não essa, a da imagem
mas outra,
mais em conta,
mais barata,
mas também com caixa.

Ao pagá-la disse à menina da caixa,
que ficasse com a caixa
pois a embalagem não me servia para nada.
E a menina da caixa,
com um sorriso,
destruiu a caixa e depositou-a no lixo.

Não creio que a Greta beba.
Mas a propósito de sorriso,
talvez use um dentífrico
em que a caixa
não lhe serve p´ra nada

Não sei se a Greta fala disso
mas lá que devia...
devia

01 dezembro, 2019

30 novembro, 2019

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (20)

Esta semana não deixa saudades, mas deixa marcas;
Na segunda, surge um grito de alerta; na terça, o ensurdecedor silêncio do Estado português; na quarta, o "apagão mediático"; na quinta, outro alerta indispensável perante uma insistente campanha global; na sexta, mostra-se uma imprensa de sargeta. 
Hoje, sábado, coube a Maria deixar cor numa semana negra.
A Maria ofereceu à avó um quadro bonito, prenda antecipada, trabalho com a marca do seu atelier inaugurado há uns anitos atrás.
Se pensarmos que tal oferenda
é uma mensagem de esperança,
que faremos nós em troca? 

Maria Pereira Lopes, 30 de Novembro de 2019

29 novembro, 2019

Estudantes lutaram em Lisboa contra as alterações climáticas


Leio a notícia
Perto de um milhar de estudantes manifestaram-se esta sexta-feira em Lisboa com o objectivo de reivindicar ao Governo uma verdadeira política de defesa ambiental e de combate às alterações climáticas.
(ler aqui toda ela)
E logo me ocorreu uma minha "carta aberta aos cientistas". A acompanhá-la seguia um vídeo que, a propósito, merece ser revisto.

28 novembro, 2019

As compras de Natal e o comércio local...

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Três pisos, 175 lojas, 28 restaurantes e seis salas de cinema. São estes os números do novo Oeiras Parque, que foi renovado 21 anos após a sua inauguração. Resultado: o shopping da linha está ainda mais bonito.
Ou dizendo de outro modo: o eucalipto da linha está ainda mais sequioso, pronto a secar tudo à volta a começar pelos centros históricos de Oeiras e Paço de Arcos, cujo pequeno comércio já definha.
Para os micro e pequenos empresários, o período do Natal, reconhecidamente "uma tábua de salvação" em tempos idos, tem os dias contados. Não sou eu que o digo mas a Marktest num artigo com um sentencioso titulo "Compras de Natal serão feitas nos Centros Comerciais".
Há 10 anos atrás, ri deste vídeo.
Hoje, ao revê-lo, tive medo.
É que a dimensão gozada
é responsável por mais de 65% do emprego




26 novembro, 2019

Como o sistema canibaliza o SNS


Ontem dei atenção à televisão. Ia ser discutido "Um prognóstico Reservado" e eu ouvi tudo e de tudo, porque assim, porque assado. Em vozes distintas, as exaltadas, as acomodadas e as calmas. Gosto particularmente daquilo que é dito com tino, em tom calmo e com um sorriso. Temos ao 41º minuto um exemplo disso.

Quanto ao diagnóstico, formei-o rápido:
  • acorrem às urgências quem devia ser atendido nos SAP(1)? Já não há disso? Então Senhora Ministra, espera o quê?
  • a um médico custa a formá-lo uma pipa de massa(2),  e uma enfermeira também não é de graça(3)? Depois de aptos pisgam-se para os privados? Senhora Ministra, faça como na Marinha(4)!
Notas:
(1) Os SAP, Serviço de Atendimento Permanente, foram desaparecendo lentamente, sem deixar rasto... eu sei que Bruxelas tem o olho em cima da despesa... mas é o SNS que está em risco. E a Senhora Ministra sabe disso...
(2) A formação de um médico, custa ao Estado 115 mil euros
(3) A formação de um enfermeiro, custava (em 2013) ao Estado 21 mil euros
(4) Enquanto, na generalidade, médicos e enfermeiros depois de aptos para o exercício podem cavar para o privado, os médicos formados  pela Marinha são obrigados a ficar por lá uns anos...

25 novembro, 2019

O 25 de Novembro contado com todo o descaramento...

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Já ambos bateram a bota, mas deixaram semente. Na semana passada a saudação do CDS sobre 25 de Novembro de 1975 foi aprovada com a abstenção e apoio de sete deputados do PS
Votação esta quase igual àquela outra, o ano passado, quando com votos do CDS, do PS e do PSD, a Assembleia da República expressou o seu profundo pesar pela morte do Embaixador Frank C. Carlucci e recordou a sua intervenção política naquilo que o texto do CDS considerava a "consolidação democrática do regime".

Fica, para que não se perca a memória,
o descaramento
patente neste momento...

24 novembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 4 (...de quantos pobres preciso para produzir um rico?)


Este sermão é mesmo inconveniente!
Sobretudo para quem despende um tempo imenso na bicha (leia fila) para a raspadinha,
ou gastando uma pipa de massa a jogar na lotaria,
ou gastando todo o salário no euromilhões,
pensando ter, num só dia, a sensação de ser um bilionário.

Este sermão também não vai cair bem a quem se esteja nas tintas para as desigualdades sociais...  e mais...
...quem ache legitimo o enriquecimento ilícito

23 novembro, 2019

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (19)


A semana, tal como a outra e aquela antes dela, foi de lástima. Este Mundo, não tendo emenda, não se recomenda. Mas vá lá, registe-se uma notícia de esperança, esta:  
A cimeira dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – realizada em Brasília revelou que o grupo está vivo, apesar das mudanças no Brasil e do enfeudamento total do país aos Estados Unidos. O pragmatismo russo e chinês, aproveitando as oportunidades para continuar a abrir espaços económicos onde a crise neoliberal deixa o seu rasto, sobrepõe-se à desafinação política e consegue convergências de interesses aparentemente improváveis. (ler tudo n´O Lado Oculto)
 De resto...

22 novembro, 2019

José Mário Branco, a homenagem pelo traço do Fernando


Não embarco na ideia do fim da História. Nos anos 80 e 90, o pós-modernismo foi a versão cultural do neoliberalismo. Nós aprendemos a criar em cima de um tripé: a estética (a busca da beleza), a técnica (a oficina da arte, o saber fazer) e a ética (não há criação fora de um contexto comunitário). Se faltar um dos pés, o tripé cai. O que realiza fisicamente uma obra é a sua partilha. O que o pós-modernismo nos vem dizer é que essa parte da ética não interessa para nada, não há compromisso. Que, na arte, pode haver neutralidade, pode não haver relação com uma comunidade. É mentira. Há sempre um compromisso. Mesmo que o compromisso seja afixar um não-compromisso.  
José Mário Branco
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transcrição integral do trabalho de Fernando Campos,
publicado no "Sítio dos Desenhos"

21 novembro, 2019

Dia comemorado, fora de prazo...

 

Tenho, de entre muitas frases-feitas, uma máxima que de vez em quando repito: "se todos os dias são dias de qualquer coisa, façamos qualquer coisa todos os dias". Passei o dia de ontem sem me ter apercebido de alguma coisa ter acontecido. 

Em Junho passado, talvez no dia certo, ouvi algo muito acertado sobre o direito das crianças serem felizes...

Aproveito introduzir este filmezinho, sobre um direito das crianças a terem um amigo para a vida inteira... até como forma de fugir à sua institucionalização.

E façam o favor de sorrir...

20 novembro, 2019

"Tio Vânia" o último trabalho de Armando Caldas


Isto de ser desenhador de sonhos dá trabalho. Mas como todo o trabalho tem retorno, cumpro um sonho: levar um numeroso grupo a ver a última peça encenada pelo Armando Caldas. Faleceu em Março e aqui, como sempre faço aos imortais, rendi-lhe a devida homenagem. Hoje renovo-a e sexta-feira também o farei, em colectivo.

E aqui deixo imagens e palavras de quem lhe queria (quer) bem...

19 novembro, 2019

José Mário Branco - "A minha vida? Não há!"

José Mário Branco - Mudar de Vida

Hesitei se havia de escrever esta canção,
porque a vida não se pode resumir numa canção.
Mudar de vida?
Mudar de vida é uma questão que ainda não está resolvida.
Mas o que é a minha vida, se não a própria vida que está contida em toda a força perdida, em toda a vida perdida, consumida, passada, repassada, ultrapassada como se não fosse vida...
A minha vida? Não há!

18 novembro, 2019

E se um dia destes, a água...


A cada vez maior interpenetração entre o governo da Suíça, a Nestlé e outras grandes multinacionais e a estratégia helvética de cooperação para o desenvolvimento representam uma ameaça cada vez mais premente sobre os recursos aquíferos de todo o planeta. A ganância privatizadora da água que move as maiores empresas globais do sector alimentar encontra em Genebra uma poderosa alavanca que mina o acesso universal à água como um direito humano fundamental.
Franklin Frederick, Jornal GGN/O Lado Oculto

17 novembro, 2019

Sermão dominical, palavra da Rita - 3 (...a palavra esperança é reaccionária)

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Não sei quantas as milhentas vezes que usei  a palavra esperança até perceber a paciência que é preciso ter para esperar com fé que alguma coisa aconteça.
A Rita fala disso, e vai mais longe. Fala e canta a sobrevivência depois de ter soletrado outra canção.
Esta, oiço-a muitas vezes, em várias versões. 
Escolha, entre tantas, a sua.

16 novembro, 2019

José de Castro e a minha promessa

Lembram-se da minha promessa?
Claro que o que prometo cumpro! Embora não fosse lá apenas por ter prometido. Competia-me a mim o que a mim próprio me tenho vindo a impor: registar


...e, é assim, quem regista não fica registado...


...e acrescento, mais este texto (também da minha lavra)

15 novembro, 2019

José de Castro e o desconcerto do mundo


Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.
São palavras ditas por José de Castro em 1972, retiradas de uma edição do Ministério da Educação Nacional - Instituto de Meios Audio-Visuais de Educação, e que pode ouvir na totalidade aqui.

José de Castro nasce em Paço de Arcos, no dia 16 de Novembro de 1931 e Morre no dia 6 de Outubro de 1977, com 46 anos de idade. Militante do PCP é, desde a sua morte, lembrado em romagem ao seu memorial, na vila que o viu nascer. 
Amanhã lá estarei, não apenas para o homenagear mas para me juntar ao protesto. 

14 novembro, 2019

Lições sul-americanas (2)

«Enganou-se quem julgava que, com Trump e Bolsonaro, a vitória das direitas americanas era irreversível. O regresso em força dos movimentos sociais, persistentes e corajosos como em poucos lugares do mundo, no Equador e no Chile (onde a democratização não tocou no neoliberalismo económico herdado da ditadura), o esvaziamento de Guaidó na Venezuela e o regresso do kirchnerismo dão razão a Álvaro García Linera, o vice-presidente boloviano que agora se exilou no México: “Lutar, vencer, cair. Levantarmo-nos, lutar, vencer, cair, levantarmo-nos. Até que se nos acabe a vida.”»
Manuel Loff, in Público, 14/11/2019 

13 novembro, 2019

O salário mínimo que vai ser, embora já sendo


Na imagem, militares no activo e na reforma manifestaram-se em Lisboa, num desfile que terminou junto à Assembleia da República e que visava alertar para a «dramática realidade» da «família militar» na sequência dos cortes nos rendimentos.
Não, não foi hoje mas sim em Março de 2014...

Hoje, é notícia outra coisa, que em breve poderá vir a ser comunicado oficial, e diz assim:
"Sabendo-se que em 2019 está em vigor um Salário Mínimo Nacional (SMN) de 600 euros, sendo que na Administração Pública esse Salário Mínimo é de 635,07 (tudo valores que vigoram desde 1 de Janeiro de 2019), fica a questão fundamental de saber se é intenção do Governo não alterar o Salário Mínimo na Administração Pública?

Ou será que dentro de horas/dias serão finalmente anunciados os aumentos (inexistentes há DEZ anos) para a Administração Pública, estipulando-se então a partir de agora um SMN global (Administração Pública e Privados) nos 635 euros?

A AOFA recorda que o maior problema (aliás sobejamente identificado e reconhecido pelo próprio MDN) quer de recrutamento quer de retenção de Efectivos nas Forças Armadas reside na cada vez menor atractividade das Forças Armadas precisamente por via dos reduzidíssimos rendimentos que auferem os Militares, como aliás o Senhor Presidente da República publicamente fez referência há poucos meses no ato de promulgação dos elevados aumentos de rendimentos verificados na área da Justiça.

Aguardemos pois pelas próximas horas para que de forma mais sustentada possa a AOFA tomar posição oficial. As expectativas são, naturalmente, muito elevadas em relação ao que se possa estar a preparar para a Administração Publica e de forma muito particular para os Militares das Forças Armadas, sob pena de 2020, além de ser mais um ano profundamente negativo poder mesmo ser, como já alertámos por diversas vezes o ano do início da ruptura das FAs!"
Texto extraído da mensagem
Presidente da AOFA