Segunda-feira (e durante a semana inteira) - Lembrando um poema "
Até que o Sol nos apareça"
Até que o Sol nos apareça
Uns dizem palavras de desalento
Outros que esperam ter esperança em Maio
A maior parte, não fala e quando saio
Oiço queixas veementes de tão mau tempo
Resguardo-me dos estados de alma
E do silêncio resignado e mudo
Avanço chuva adentro, que não se acalma
Sem esperar que lave os males deste mundo
Meu irmão falou-me de relâmpagos, na escarpa
A nuvem falou-me de trovões e do vento
Um raio que parta tudo isto, ouvi neste momento
Desabafo da impotência que daquela voz se escapa
Avancemos, chuva adentro
Chuva adentro
Até que o Sol nos apareça, e brilhe
como se fosse Abril
Rogério Pereira
Terça-feira
Como se fosse Abril de novo, naquela noite de 4 de Outubro, fez-se a esperança. Tinha, o segundo mais votado, posto a esperança de lado. O terceiro festejava por ter obtido farta votação sem retirar, do todo, a conclusão. Veio pela voz "inesperada" a esperança: "O PS só não será Governo se não quiser".
E quis. Seguiram-se negociações, compromissos, pressões. E o desfecho aconteceu, histórico. Sabe a pouco? Mas neste caso o pouco é tanto!
Quarta-feira
Foi um dia em que o sol espreitou e a família apareceu, embora nem toda pois parte querida está distante. Aqui, neste espaço, tal foi festejado e ofereceram-me Ary. Seu poema começava assim:
«Meu Camarada e Amigo
Revejo tudo e redigo
meu camarada e amigo.
Meu irmão suando pão
sem casa mas com razão.
Revejo e redigo
meu camarada e amigo»
De pé, senti-me grande e com alma de menino.
Quinta-feira
"Já cá tô" foi o sms que lhe enviei. Dali a pouco chegava ela. Percebera que fazia o esforço de chegar e que desde o último nosso encontro era visível que a vida se lhe tinha tornado um constante desafio, um apelo à sobrevivência. Sentou-nos e falámos sobre tudo o que nos ocorria até falarmos do que ali me trazia. Estendeu-me a pen e fez-me algumas veementes recomendações. Em casa, li todos os sonetos e fiquei com uma certeza...
Sexta-feira
Com textos diversos (e alguns avessos) os jornais falavam do Congresso. Um pelo referido deixava prever o desfecho.
Escrevia:
«“Na generalidade acho que [Arménio Carlos] respondeu bem”, resume
Carlos Trindade, porta-voz da tendência socialista, acrescentando que o
mandato do líder da central ficou marcado por um momento político que
exigia “muita união e expressão pública”. (...) Também
Francisco Alves, dirigente sindical com ligações ao Bloco de Esquerda,
realça que, nos últimos quatro anos, o trabalho “foi muito exigente”,
mas a CGTP e o seu líder “esteve à altura do desafio”.»
Sábado - É hoje e amanhã é o primeiro dia do resto das nossas vidas!