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31 agosto, 2021

NOVAS NOTÍCIAS DA NOSSA SONETISTA

A Maria João tinha prometido ligar-me hoje. Enquanto esperava que o fizesse ia recordando as suas múltiplas queixas e pensando o quão dolorosa era a sua inibição de se refugiar na escrita e comentar-nos nos nossos espaços . Toca o telemóvel. Atendo-a. Dá-me a tão ansiada  notícia. Vai ser operada no próximo sábado ao olho onde a cegueira é total. Quinta-feira, levo-a ao Egas Moniz, para teste ao Covid, exigência prévia a qualquer acto médico. Está confiante (e eu também)!

Falar da sonetista e não deixar um seu poema seria imperdoável. Escolhi este, pelo significado:

A FLOR E A ARMA
Dei-vos a flor das armas que não tinha
- ou tinha e quereria nunca usar... -
E a dupla imensidão desta alma minha
Num corpo que a mal sabe resguardar.

Entreguei-vos a espada, sem bainha,
Na baioneta, pronta a disparar,
E ninguém reparou que ela, sozinha,
Se transformava em flor pr`a vos cantar,

Por isso já não sei se arma, ou se flor,
Mas seja ela aquilo que ela for,
Ninguém pode negar-lhe a dupla vida

E, ao entregá-la com tão grande amor,
Com ela disparei, sem mágoa ou dor,
Um verso em flor por pétala caída...

30 agosto, 2021

DIÁLOGO COM A MINHA PRÓSTATA - II

Ela (a próstata) - Então, já tiveste a consulta? Na outra nossa conversa, perguntava como estavas tu, agora pergunto como estou eu?

Eu - Sim, foi de manhã! Pelo telefone ele...

Ela (a próstata) - Pelo telefone? Mas atão que porra é essa? No Estádio da Luz estavam ontem não sei quantos mil e no hospital não entra nem uma centena? Mas conta, conta, não desviemos a conversa! O que disse o urologista sobre o meu estado?

Eu - Disse-me que tu não estavas nem bem nem mal, antes pelo contrário e mandou-me marcar nova consulta, mas... no privado!

Ela (a próstata) - #*+&@!

(sem tradução)

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10 julho, 2021

NOTÍCIAS DA NOSSA SONETISTA

Em finais do mês passado, acenava e sorria. Estava ocupado, mas deu para falarmos um pouco. A Maria João queixava-se de dores aqui e ali mas comentou que já se tinha habituado a lidar com tal desconforto.

Dias depois piorou. Julga que se terá repetido a fractura da córnea. Vê muito pouco e as dores foram intensas, mas melhorou dessa mazela, sem, contudo sair dela. Mas há outras, e não são poucas, não a largam. Foi vista, fez análises e passou a estar medicada (mais do que já estava). Hoje sentia-se um pouco melhor...

Vamos ver se na próxima semana a vamos ter entre nós! A manifestar o desejo que tudo se resolva, volto a deixar o soneto que um dia me foi dedicado.

NÃO HÁ FIM PARA O SONHO. NÃO HÁ FIM...
Não há, neste planeta, mar nem céu,
Estrada longa demais, alta montanha,
Ponte suspensa sobre um medo teu
Que te trave esse sonho e, coisa estranha,

Um pouco desse sonho é também meu,
Um nada dessa chama em mim se entranha
E aonde chegar, chegarei eu,
Pois nisto ninguém perde. Só se ganha.

Não há fim para um sonho construído,
Nem haverá lugar para o vencido
Num sonho desta forma partilhado

Se, quando te pareça estar no fim,
Vês que mal começou dentro de mim
E que outros vão nascendo a nosso lado.
Maria João Brito de Sousa – 02.05.2018

23 junho, 2021

SÃO JOÃO: fornecer sardinhas ou febras em takeaway, parecia-nos tão bem. Só que...

Estava tudo bem gizado. Fiz a proposta que por todos foi bem aceite. Pedi à Carolina que sondasse, informalmente, a Delegada de Saúde. Esta achou a ideia original e não fechou a porta. O Ricardo trataria da logística e cada praceta asseguraria a sardinhada, à imagem do que se viria a passar na noite de Santo António. Sardinhada ao estilo takeaway, parecia-nos tão bem. Só que a situação decorrente da pandemia não o recomendava. E desistimos em cima da hora.

Passei, então, o serão a ver Portugal na televisão...

Só para avaliarem a nossa capacidade em planear, segue o projecto. Era assim:

07 junho, 2021

HOJE FOI UM DIA GIRO...

Na foto, o Padre Vitor Melícias, interpretando a figura de John Keynes, explica o mecanismo da inflação, tal como o definiu nos anos 30, em resposta a uma pergunta de Guilherme Tell esse herói lendário do início do século XIV, tão bem interpretado por historiador Elísio Summavielle. Antes, Maria do Céu Guerra, no papel de Inessa Armand, tinha descrito de como em 1920 criou a Primeira Conferência Internacional das Mulheres Comunistas.

Mais que um entretenimento, foi um ENCONTRO IMAGINÁRIO entre figuras marcantes de um processo histórico, que passam em revista de como se passou do feudalismo ao neoliberalismo, passando pela experiência da Revolução Soviética e da derrota das teorias de Keynes. A conversa teve a moderação de Hélder Costa.

Foi bom ter estado.    


 


13 maio, 2021

15 abril, 2021

PERANTE A AUSÊNCIA DE RESPOSTA, AVANCEI EU COM O TRABALHO... E QUASE NÃO DAVA CONTA DO RECADO...

Começava assim a missiva que ficou sem resposta:

Exmo Senhor Dr. (segue-se o nome dele)

Venho, em nome das entidades organizadoras do evento "Não! Nunca! A vida e a poesia não se confinam!" que ontem decorreu na net com o uso do Zoom, solicitar que receba , na sua melhor oportunidade, uma delegação nossa a fim de podermos acertar ideias sobre os passos seguintes, na perspectiva de se poder vir a contar com o patrocínio da Oeiras Valley em relação a algumas ideias que temos em mente para poder levar mais longe a memória do que consideramos ter sido uma sessão memorável. 

E a escrita se estendia por aí fora. 

Sem patrocínio da Câmara, dei-me eu, amador, ao trabalho. Dizem que não ficou nada mal e que até parece trabalho de profissional. 

E como é longo e sou vaidoso, vejam a partir do ponto em que eu  entro em cena... (ou vejam todo)

10 abril, 2021

CADA VEZ ESTOU MAIS ESPANTADO COM O RUMO QUE A BARCA LEVA...


O Parlamento votou uma proposta que dizia qualquer coisa como isto:
«Tendo em conta a necessidade de garantir provisões para investimentos futuros que serão necessários para enfrentar a crise, propomos a proibição da distribuição de dividendos nas grandes empresas, permitindo que sejam distribuídos lucros apenas nas micro, pequenas e médias empresas, ainda que com limitações» e a proposta pretendia ainda proibir os dividendos, também na banca e nos grupos económicos, «até ao final do ano em que cessem as medidas excepcionais e temporárias de resposta à epidemia SARS-CoV-2», assegurando «que a banca se limita a ser um agente de um serviço público, de apoio à economia e às famílias». 
E não é que a proposta foi chumbada!...
(Veja aqui os detalhes disto)

02 abril, 2021

BOA PÁSCOA E NÃO ESQUEÇA... ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE!



Tenho, desde sempre e hoje mais uma vez, assinalado este dia pela parte que a muitos esquece. Mas tal insistência, embora já canse, não desisto dela. Cá vai:
Se Israel condiciona a população de Gaza a visitar Jerusalém durante as comemorações da Páscoa,  não ligue a nada.
always look on the bright side of life
Se agora, tal como já aconteceu, a NATO está em vias de «melhorar a rapidez e a capacidade letal das forças norte-americanas na Europa» e isso significa ter a guerra à porta, que importa? 
always look on the bright side of life
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, e ainda assim não tem emprego assegurado, deixá-lo. 
always look on the bright side of life
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga.
always look on the bright side of life
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado.
always look on the bright side of life
Se cada vez mais menos se liga  no Direito Internacional, qual o mal?
always look on the bright side of life
Se há está instalado o medo de tudo e de nada, do pequeno comércio à venda de estrada e você vê reduzir o seu pé-de-meia, esqueça talvez nada aconteça
always look on the bright side of life

Se há milhões de crucificados neste dia...
Diga aquela frase cínica "É a vida"...
... e olhe sempre pelo lado bom que ela tem ainda.

Rogério Pereira

22 março, 2021

NO MESMO LOCAL ONDE ACONTECEU DIÁLOGO, OCORREU HÁ POUCO UM OUTRO

 
 
Depois da sessão de trabalho para ultimar preparativos a fim de assegurar a sessão de amanhã, fui repetir o passeio que dera ontem. O mesmo destino, o mesmo trajecto e o mesmo sol a acompanhar-me os passos. Quer à ida, quer à volta, do melro nem um pio. E eu sorri, à lembrança do nosso diálogo primaveril. 
 
Se nada de conversa com melro, outro diálogo aconteceu. Ele não me conhecia e dei-me a conhecer explicando-lhe as razões que me impeliram a meter conversa. E falei-lhe do nosso bairro, da proximidade da data em que o bairro irá assinalar o seu 50º Aniversário, de como é importante manter a sua identidade como factor de agregação. Depois falámos da importância disso e eu ilustrei o feito, prometendo enviar-lhe os vídeos. No fim, disse que sim, que participaria e apontámos os passos seguintes, até Maio.
 
Chegado a casa  mandei-lhe este vídeo e também este. Já me respondeu...

18 março, 2021

POLITIQUICES, DESENVOLVIMENTO DAS NAÇÕES, COMPORTAMENTOS SOCIAIS E... A PANDEMIA

O adjectivo começa por ter uma aplicação útil, porque de denúncia, mas depois passa a aplicar-se indiscriminadamente a tudo o que tenha a ver com a actividade politica. Hoje usa-se o termo "politiquice" em justaposição com a expressão "não me meto em política" e coincidente com um maior afastamento a essa prática de cidadania. Não é o seu crescimento, traduzido pelo absentismo e pela ausência de participação politica, característica específica das sociedades subdesenvolvidas mas é nestas que grassa a menor confiança nas instituições e no Estado.   

O desenvolvimento dos povos é medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e resulta de uma estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos em nível nacional.

Os comportamentos sociais são muito determinados pelas condições de vida, pelo acesso à educação, pela estabilidade de emprego e também pela esperança ou pela falta dela. Nos comportamentos marginais acontece a coexistência de situações limite de todos ou de alguns daqueles factores.

Em Portugal, com a chegada da pandemia teme-se que se agravem vários daqueles aspectos, nomeadamente o desemprego e os indicadores associados aos padrões de vida, mas a confiança nas instituições, a existência de um Serviço Nacional de Saúde e a estabilidade politica, embora em risco, permite ter a esperança de se vir a ultrapassar este momento dramático que tantos estragos vêm fazendo.

Vem tudo isto a propósito do post de ontem... e, não tendo falado uma vez sequer do Brasil, desafio-os a entender o que lá se passa (já vão no 4º Ministro da Saúde) e a fazer a leitura do gráfico abaixo. 

Bora lá (este link ajuda)



03 março, 2021

DESCONFINEMOS O LIVRO!

«Ambas as fotos se relacionam com acontecimentos recentes. A primeira, o inspirado logótipo da Associação POMBAL XXI - Ass. de Moradores dos Bairros do Pombal e Bento de Jesus Caraça, criado em Fevereiro, deste ano. A segunda, ilustra a doação de mais de uma centena de livros àquela Associação o que lhe permitirá passar a dispor de uma biblioteca aberta à população daqueles dois bairros sociais. Para a sua dinamização, pode a POMBAL XXI contar connosco.

Na foto, da esquerda para a direita: Adalberto Monteiro e Maria Joaquim, respectivamente Presidente e Secretária da Direcção da POMBAL XXI. Depois, Olívia Matos e Rogério Pereira, Presidente e Secretário da Direcção da nossa Associação, a "Desenhando Sonhos"»

Este o texto que ontem enviei para ser integrado no próximo número do "A VOZ DE PAÇO DE ARCOS".

Como podem ver, nós não paramos!

27 fevereiro, 2021

SIM, CLARO! EU NÃO PARO! DESTA VEZ FOI EM FARO... (OU, "VÁ PARA FORA, CÁ DENTRO!")

Só será  novidade, isto que ando fazendo, para quem ande muito distraído. Não há muito, foi em Beja. Desta feita, foi em Faro. Contrariamente ao que se passou no Alentejo, hoje no Algarve entrei mudo e saí calado pois alinho com aquela atitude de saber ouvir ser virtude. Foram mais de duas horas a tomar notas...

E faço um apelo: quando houver razão, condições e dinheiro, para gozar férias, mais que nunca,

"vá para fora, cá dentro!"

(a explicação está no vídeo, onde consto)


17 fevereiro, 2021

CONFINAMENTO E (DES)EQUÍBRO EMOCIONAL

Você viu o "É ou NÃO É"?
Não? Então veja!
Sim? Então reveja.
Mas não precisa de ver tudo, pois é longo. Clique neste link e ponha o cursor do tempo na marca de 55 min. e 20 seg. após inicio.  

Vem esta recomendação dar suporte credenciado à tese expressa no vídeo que é uma excelente caricatura da realidade emocional muito antes da pandemia (o vídeo é de 2012).

O que o Diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental Miguel Xavier vem dizendo, desde há dois anos, dá para entender o vídeo.

Resumindo: 

A saúde mental antes de ser doença, é um desequilíbrio.
E numa sociedade como aquela em que vivemos é difícil ter juízo!

13 fevereiro, 2021

DESNORTE (com o povo ao fundo)

"Rosa dos Ventos" - Sagres (imagem da net)
Os tempos
Apagaram as Rosas dos Ventos
Destruíram mapas dos mares
Sextantes antigos, modernos radares
E outros apetrechos mareantes
Hoje, e esse hoje tem muitos ontens,
Diz-se haver um só caminho
E que fora dele o desastre é certo
Como se não fosse certo o desastre dentro dele

Com a mesma certeza com que se dizia haver
Um só caminho (a defesa do Império) a percorrer
A nossa  presença na Europa não se discute, como um dia
A nossa presença em África não se discutia
Negociar com os credores, soa a fuga à honra
Negociar com os os movimentos de libertação
Soava a rendição...

Na história
Há afinidades sem glória

O estranho é que seja a Rosa dos Ventos
A interrogar se outras direcções são possíveis
Talvez esquecida, como os demais
Dos seus próprios pontos cardeais

Rogério Pereira/17Out2012(reeditado)

07 fevereiro, 2021

QUANDO AS ARTES SE CONJUGAM, ACONTECE OBRA PRIMA - III

Quando as artes bem se conjugam, resulta assim, como pode ver aqui.

Ficar-me por adjectivos, é pouco dado ao que me proponho. Se não reparem: o quanto foi apurado o trabalho do carpinteiro de palco; o quanto foi eficaz a mão que tratou do som, da luz; o quanto foi apurada a encenação; o quão tão intenso terá sido o ensaio e treino. A obra, essa é antiga, e o instrumental há muito rodado terá tido um desempenho a preceito, com a presença sempre dedicada do maestro...

Nos dias que correm, que estará acontecendo a gente nossa, a quem tem por profissão a mesma ocupação? Isto, onde (aqui) sempre a cultura foi tratada como enteada... e todo o reclamado apoio tarda.

"Quando a arte e a cultura forem rio abaixo,
a humanidade segue o mesmo desastroso percurso..."
Maria João B. de Sousa

04 fevereiro, 2021

QUANDO AS ARTES SE CONJUGAM, ACONTECE OBRA PRIMA - II

Eu nunca disse, em toda a minha vida
"Agora você é apenas alguém que eu conhecia"

_____________________________________

Ocorreu-me este vídeo para vos falar da situação que vive o teatro. O vídeo é um bom exemplo do "espectáculo total" que caracteriza a representação teatral. Falta-lhe o palco mas acrescenta os efeitos que o uso da tecnologia permite. Nada que eu, se fosse encenador, não ultrapassaria acrescentando ao par, uns quantos anjos pintando as cores... (não enjeitaria sentir um anjo a colorir-me o corpo).

Quanto à situação por que passa o teatro, no inicio da pandemia ajudámos como podíamos... mas foi tão pouco face ao que por aí vai!

02 fevereiro, 2021

Não há desmentido... estou mesmo como disse que estava!

"Ó pai, então foste dizer que estavas de quarentena? Agora vão pensar que foste contaminado!", censurou-me a minha-mai-nova e eu, admitindo o erro, preparava-me para vir aqui fazer um desmentido. Fui saber qual a diferença entre "quarentena" e "isolamento profilático". São a mesma coisa! Contive-me a tempo.

Mas o saldo disto tudo, a menos que me aconteça o que não desejamos (está no plural, topam?) e venha a ter qualquer sintoma é que estou bem e a vizinha do 2º andar faz tudo, tudinho, a satisfazer o meu paladar (o bacalhau, estava um regalo).

Na imagem, em baixo, estou pálido? Nada que minha inabilidade como técnico de iluminação não explique... e não tem a ver com qualquer sintoma!

A imagem refere-se a uma vídeo-conferência que teve a minha presença a convite do Rotary Club de Oeiras em representação de... (já sabem de quem).

 

17 outubro, 2020

Enquanto voo...

 
 
 Enquanto vou voando e poisando, voando e poisando, repetidamente, vou pensando em nova letra para esta canção que acompanha este voar, tão parecido com o meu. 
 
Ainda ando a coleccionar as palavras, para depois escolher as que melhor servem. Não está a ser fácil, mas já eliminei algumas, tais como preso, chorar, balas, fugir. 
Entretanto, já guardei a palavra alegria. Estou certo que me fará falta!