Na tarde de sábado, na Festa do Livro, fizemos uma viagem «do fungagá ao materialismo dialéctico» e eu, claro, fui um atento passageiro.
Na conversa, moderada por Anabela Fino, falou-se de memória, do presente e, sobretudo, do futuro. Com o humor que lhe está na alma, Barata Moura usa o termo «feituro» explicitando que, afinal, somos nós que o fazemos.
A dada altura ele, com a empatia própria de um génio, refere que a memória mais importante que podemos ter na vida é sobre aquilo que não chegou a ser feito...
Enquanto decorria a sessão, ao meu lado, um jovem casal inquiriu-me se sabia se ele iria ali lançar um livro. Com o meu sentido oportunista, respondi não saber mas que, se gostam muito de ler, podem levar dali (e apontei a tenda de venda) um livro meu. Ficaram curiosos. Perguntaram-me o nome da obra e o meu e logo de seguida dalí saíram deixando alguns haveres a guardar lugar.
Passados uns largos minutos, regressaram. Ele com um livro do Barata Moura. Ela com o meu "O Melhor de Mim Somos Nós" e pediram-me que o autografasse. Nenhum de nós tinha caneta, mas ela de pronto me foi estendida por um camarada que não via há muito. E lá escrevi uma dedicatória à Beatriz...
E tudo terminou com abraços e beijos ao som da enorme ovação que dava por encerrada a sessão.
Mentalmente agradeci ao Barata Moura tão inesperado patrocínio e, também, levando na Minha Alma tudo o que, ali, ouvira dele.
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