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09 novembro, 2024

MESA REDONDA (15) - TEMA: A REVERSÃO DE UMA DECISÃO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar constrangido) - Julgando tardia a convocatória para tratarmos o tema de hoje, começo por vos pedir desculpa por ter tomado a decisão de sair da blogosfera sem vos ouvir e...

Minha Alma (antecipando-se) - Estás desculpado é assunto e oportunidade para ouvires o que temos para dizer, Começo por afirmar que tal decisão é uma traição à genorosidade deste teu espaço. Pois não foi aqui que nasceu a tua inspiração para a escrita?  Não foi aqui que nasceram teus livros? Não foi aqui que teus amigos e seguidores te impulsionaram, animaram e deram confiança para a edição? Ah!, e não venhas de lá com essas tretas de não conseguires imagens ou filmes...

Meu Contrário (fazendo aceno de aprovação) - Sim, é treta! A prova está em que conseguiste a imagem de hoje... eu sei, eu sei! Foste aos arquivos e copiaste do HTML... se fizeres sempre isso... e lembra-te que tens mais de 5000 itens armazenados 

Eu (com cara de espanto) - Mais de 5000 itens armazenados? Porra!, isso dava para relançar este blog e ficar aqui mais dez anos!

Meu Contrário e Minha Alma (em coro) - Então fica! Fica! Fica! Na queda da blogosfera, que já não é aquilo que era, haja quem fique! 

Eu (esticando o polegar direito) - Vamos a isto! 

18 outubro, 2021

MESA REDONDA (14) - TEMA: O ORÇAMENTO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar constrangido) - Não julgando oportuna a convocatória do Meu Contrário, dado o meu estado, ainda assim vamos lá a saber o quem tem ele a dizer. Só espero que ele não acrescente ruído ao ruído que vai por aí.

Minha Alma (antecipando-se) - Eu também tenho uma intervenção preparada. É que...

Eu (impositivo) - Vê se te calas e estás calada. Na altura certa passo-te a palavra. (virando-me para o Meu Contrário) Força, mas não te estendas

Meu Contrário (fazendo aceno de consentimento) - Não pretendo hoje e agora esgotar o tema. Venho tão só e apenas chamar a atenção para coisas que ninguém fala e que poderão ler aqui. Dessa leitura cito Eugénio Rosa: "a proposta apresentada (...) é «dominada pela obsessão em reduzir a dívida pública, já que no ano em que o país procurará sair de uma profunda crise económica e social causada por dois anos de covid, o Governo no lugar de promover e estimular o investimento criador de emprego de riqueza – e fator essencial para a recuperação – quer reduzir a dívida pública em 4,1 pontos percentuais, ou seja, em cerca de 9300 milhões, portanto um valor superior a 26,9% ao investimento público total previsto». 

Eu (com cara de espanto) - 9300 milhões? Porra!, isso dava para relançar este mundo e o outro e ainda dar dignidade a quem vive no limiar da pobreza!... Desculpa, continua!

Meu Contrário (retomando o fio à meada) - É um cenário que, no entender do economista "é agravado tendo em conta o que se tem passado em anos anteriores. «A experiência tem mostrado que quase 30% do investimento previsto nos orçamentos do Estado são sistematicamente não realizados, com o objetivo de reduzir o défice orçamental»." Posso continuar?

Eu (fazendo gesto para parar) - Deixa. É uma boa achega. Vamos ler tudo isso... (virando-se para Minha Alma) Ora diz lá.

Minha Alma (com um sorriso agradecido) - Como não quero dar seca. Trago um vídeo. Posso projectar?

Eu e Meu Contrário (em uníssono) - Força 

Minha Alma, clica no link

12 fevereiro, 2021

Mesa Redonda (13) - Tema: Um novo projecto para esta página

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda é para configurar um novo projecto que oriente o desempenho desta página. Ouvir-vos neste importante passo será decisivo. Há quem tenha páginas temáticas, que optaram pela poesia, ou pela intervenção política, ou pelas questões ambientais e outras causas, que faço? Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (com voz irada): Mais uma vez foste precipitado a fazer pré-anuncio de um novo projecto sem nos teres escutado. Lembra-te, que mais que tu só, somos um colectivo... E depois mudar, em que sentido? Se o mundo é diverso, como podes tu optar por uma única forma, entre prosa e poesia se cada uma só por si, ao estilo que te conhecemos, te vai criar embaraços do Diabo... 

Meu Contrário (interrompendo): Isso mesmo, prosa, é cão. Poesia é gato. Ele tanto morde, como logo depressa se roça nas pernas de quem comenta...

Minha Alma (interrompendo): Ora aí está uma coisa que ele devia mudar. Entra no espaço dos outros, ladra e mia e nem um cumprimento à entrada e nem uma saudação à saída. Muda isso! Outra coisa, acaba com o desperdício de espaço mal empregado. Tens no blog informação que ninguém usa, links em que ninguém entra. Em vez de disso, faz conteúdos a partir desses espaços anunciados. De resto, a avaliar do que se diz por aí, o que esperam de ti são os eternos e repetidos interregnos para coisas belas, poemas, textos bucólicos bem construídos e  pejados de alegorias ou metáforas. O que esperam de ti são mais manifestos ou actos apelando à cidadania. Te lembro teu lema "O meu acto de cidadania é um constante (e militante) apelo à resistência...". Já antes disse aqui, que mudar por mudar, é como fechar a janela, é desertar de um projecto. É fechar um diário por acabar. É deixar de resistir...
Meu Contrário (com um sorriso): É mesmo isso! Ele precisa de mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma, no respeito pelos seus valores e princípios.

Eu (concluindo): Posso eu então concluir, pelo que acabei de ouvir, que devo arejar a casa, colocar cada coisa em seu lugar e encontrar um lugar para cada coisa, libertar-me de monos, passar a ser mais bem educado e manter o rumo que dei à barca?

Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo! 

(... e os três saímos dali cheios de ânimo para arrumar a casa!)

21 dezembro, 2020

Mesa Redonda (12) - Tema: A blogosfera, fechar a porta ou mantê-la aberta!

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda decorre daquela outra, realizada em Novembro. Essa, foi considerada decisiva, pois estava colocada a questão de fechar ou não este espaço. Considerava ser pesada a decisão e lembrava ser há mais de pois há 10 anos que mantenho esta janela aberta. Hoje não vos proponho discutir a revisão dessa decisão, mas se devo ou não manter a porta aberta a comentários, atendendo ao que anda por aí... Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (pensativa): Mas... fechares a porta a comentários, terás de abandonar aquilo que tanto gostas, que é deixar comentários nas portas dos outros...

Meu Contrário (interrompendo): Deixa-te de tretas, no Seara de Versos, a Lídia fechou, por razões semelhantes, o espaço de comentários mas não se inibe de os fazer. Com todo o respeito, ela vai deixando, de quando em quando, a sua visão ou opinião...

Minha Alma (gaguejando): Eh pá, sei lá! Acho que tens razão... Na verdade a blogosfera já não é aquilo que era. Cada vez mais se está tornando num universo "facebooquiano".

Eu e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo!

(... e os três fomos juntos fechar a porta e transformá-la numa montra onde tudo se mostra!)


16 novembro, 2020

Mesa Redonda (11) - Tema: A blogosfera, desistir ou continuar nela?

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda é decisiva. Ou fecho esta janela ou continuo nela. A decisão é pesada, nada fácil, pois há 10 anos que ando nisto e estou com a sensação que o tempo gasto nesta, me impede de abrir mais janelas p´ro Mundo. Por isso vos convoquei para que me ajudem na decisão. Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (pensativa): Julgo que foste precipitado a fazer pré-anuncio de fechares este espaço sem nos teres escutado. Lembra-te, que mais que tu só, somos um colectivo...

Meu Contrário (interrompendo): Deixa-te de tretas, ele tem o nosso mandato. Tudo o que disser, assino por baixo. E lembro que ele referiu que anunciou o fecho deste espaço salvaguardando que tal decisão não tinha carácter definitivo certamente porque nos vinha convocar. Passemos aos argumentos.    Diz tu primeiro.

Minha Alma (gaguejando): Eh pá, sei lá! É verdade que a blogosfera já não é aquilo que era. Que parece que de ti esperam eternos e repetidos interregnos para coisas belas, poemas, textos bucólicos bem construídos e  pejados de alegorias ou metáforas, e nada de actos apelando à cidadania. Mas se teu lema era "O meu acto de cidadania é um constante (e militante) apelo à resistência...", fechar esta janela é desertar de um projecto. É fechar um diário por acabar. É deixar de resistir...
Eu e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo!

(... e os três saímos dali cheios de ânimo para continuar!)

28 agosto, 2020

Mesa Redonda (10) - Tema: O Ânimo

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala meio vazia): Esta Mesa Redonda foi-nos imposta não só pelo momento que estamos vivendo como também pela necessidade de criar entre nós os três a sintonia que nos tem faltado. Dou primeiro a palavra a Minha Alma: 

Minha Alma (apanhada desprevenida): Para a próxima, marca a nossa discussão com agenda do dia, para que possa estar preparada. Quanto à falta de sintonia a culpa é dele (e aponta o Meu Contrário). A mim, não me tem faltado as manifestações de esperança e confiança.
Meu Contrário (olhando Minha Alma fixamente): Bem sabes, que tais sentimentos são passivos. A esperança é um esperar acontecer. A confiança, remete para outros o tudo o que possa ser feito. Precisamos de tudo isso, mas a palavra de ordem deve ser "ânimo". É com ânimo que animamos. Animamo-nos a nós e aos outros... 
Minha Alma (interrompendo): E se estivermos perante uma saída impossível?
Eu e Meu Contrário (em coro): Ânimo! O impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu...

(... e os três saímos dali cheios de ânimo!)

01 setembro, 2019

Dominical liturgia [citando Sophia] - 32

Este mandamento, o sétimo, é, dos dez, o único onde pareço entrar em contradição com o que disse Sophia. Atente:

7º Mandamento: Aceite-se sempre, mesmo se em perda (disse Eu)

“Com o tempo perdem-se as coisas. Eu acho que isso acontece às mulheres e aos homens. Depois vamo-nos perdendo a nós próprios, já não se tem a mesma imagem, já não se tem a mesma ligeireza, já não se tem a mesma leveza, já não se tem…” (disse Sophia)

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma
Acudido por incertezas fiz o que sempre faço, convoquei Minha Alma e Meu Contrário. Iniciei mais uma "mesa redonda", inquirindo primeiro Minha Alma
Eu - Diz-me Minha Alma, chegará o dia em que nos vamos perdendo a nós próprios?
Minha Alma - Sim... Por exemplo, no teu caso, sempre me mantive coerente... e assim não percas tu a coerência com que sempre te assessorei teus afectos, angústias e medos. Acho que Sophia se referia à mente, ao juízo, à memória...
Meu Contrário (intervindo, irritado) - Qual quê!? Sophia se referia ao corpo. Esse, e não seu juízo. Esse, e não sua alma. 
Eu (a pôr calma) - Pronto! Pronto! Tudo esclarecido. Sophia referia-se ao envelhecimento do corpo. Mas sendo assim, faz sentido manter o meu 7º Mandamento?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Claro!

31 outubro, 2017

Seca severa (transcrição de uma mesa redonda já antiga mas onde entra uma visita)

(reedição de uma mesa-redonda publicada em 2012)


Eu, Meu Contrário e Minha Alma, reunidos. Pensativos. 

Eu (dissertando sobre o foto) - Se ninguém faz nada, isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com voz horrorizada) - Mas isso é.... a Terra martirizada... nem sei porque procuram Marte... se aqui a desertificação se espalha por toda a parte!
Minha Alma (com um humor deslocado) - Julguei que era a foto de um pormenor da pele de um elefante gigante...  
Eu (irritado) - Um deixa-se abalar, a outra goza. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Fazer humor é  pior que olhar para o lado... Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Minha Alma (atrapalhada por ser repreendida) - Tens razão, não nos deixemos abalar. Mas que fazer?, a solução só pode ser... fazer chover. O Homem pode fazer chover?
Meu Contrário (pensativo) - O Homem pode é criar condições para reduzir a seca, mas faz exactamente o contrário.
Minha Alma (pensativa) - Florestando?  Evitando incêndios?... 
Meu Contrário (completando) - ...Controlando o abate criminoso de árvores... utilizando racionalmente a água e fazendo-a chegar onde for necessário regar...
Minha Alma (sem humor, mas com ironia) - O relvado de um campo de golfe bem regado, certamente que não chega... devia ser pecado e punir-se o pecador.

E os três continuaram a falar, sobre o tema, sobre o desaproveitamento do Alqueva, sobre para que serve uma maior consciência ecológica se os povos permanecem amorfos... e sobre a incerteza de a fome os despertar. Estavam eles nessa, quando ela entro em cena.

Manuela Araújo (que tinha acompanhado tudo) - Julgo que ainda não se percebe, de forma generalizada, quanto a água caminha para a escassez. Tanta coisa a fazer, por cada um e por todos, e tanta coisa mal feita (ou não feita) pelos que têm o poder!

Quanto ao Alqueva, estive a semana passada no Baixo Alentejo, na zona de Serpa: fiquei espantada! Julguei que estava no Minho, com tanto milho a ser cultivado, pois é uma cultura que precisa de bastante água. E o número de novos olivais, irrigados, espantou-me igualmente. E vi campos de cebolas! Perguntei... e soube que pagam a água para irrigação (do Alqueva) a 8 cêntimos o m3, mais uma taxa de manutenção de 50 euros por hectare; e que o milho (espiga) se destina a farinha para rações e para outras indústrias transformadoras, e o resto da planta para alimentar gado; e que as cebolas são liofilizadas e vendidas à McDonalds.

Afinal, parece que já alguns agricultores estão a tirar partido do Alqueva, assim como a Syngenta e outras corporações da biotecnologia, não faltavam lá placas junto ao milho e também aos girassóis... serão transgénicos? não sei...

Pelo menos estão a produzir algo.
Se as terras vão ficar menos secas? com este sistema de cultivo (junta-se água, adubos e herbicidas e fabricam-se monoculturas de produtos destinados à indústria alimentar) o que vai acontecer é que o solo cada vez vai ser mais pobre e cada vez mais poluído...; primeiro virão uns anos de fartura... depois... Disseram-me também que a Andaluzia já está a reduzir fortemente a produção agrícola...

Na minha opinião, o Alqueva devia servir em primeiro lugar para uma agricultura biodiversa e que permitisse a auto-suficiência alimentar das comunidades locais e do país, para muitos agricultores e não apenas alguns latifundiários, num modo de cultivo que permita que o solo enriqueça e melhore com os anos, retendo a água e a matéria orgânica.

Uma agricultura ecológia ajudaria a reter a água no solo e a prevenir a desertificação e fome de amanhã.

Deste modo que vi, alguns vão enriquecer mas o solo vai empobrecer... e a água vai acabar por desaparecer... as alterações climáticas ajudam!

Eu, Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Apoiado!

23 novembro, 2016

Mesa Redonda (9) - Tema: conto escusado, embora bem comentado

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para o Meu Contrário): Esta Mesa Redonda foi convocada por ti, meu juízo. Diz lá, por por que ajuízas ser o meu conto escusado?
Meu Contrário (muito sério e calmo): Tudo o que serve para pouco, podendo servir para muito, é um desperdício! (após um pequeno silêncio, prosseguiu). A ideia do conto é interessante, mas, mesmo tratando-se de ficção cientifica, não me parece que prenda alguém à leitura…
Eu (pensativo): És capaz de ter razão. Muitos foram os que vieram ler a sinopse e não voltaram. Houve quem voltasse para dizer ser um texto previsível...
Meu Contrário (como que encorajado): Pois! A narrativa das partes iniciais parece ter sido criada  para justificar o final. Usas e abusas dos links obrigando a ir ver a outro lado o que devia ser integrado no que está a ser lido...
Minha Alma (interrompendo nesse preciso momento): De facto, se tivesses caracterizado logo que a classe dos "deprimidos" resulta da evolução da actual precarização do trabalho, tudo seria mais claro... e a passagem escondida é forte, vejam bem: «61,5% dos jovens trabalhadores têm vínculos precários. Este nível de precariedade, instabilidade e insegurança pressiona os salários para baixo.130 mil dos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego não têm acesso a nenhuma prestação de desemprego, sendo os mais afectados pelos cortes nestas prestações. 2/3 dos jovens dos 18 aos 34 anos vivem em casa dos pais, consequência visível da perda de direitos, dos contratos a prazo, salários de miséria e desemprego».
Meu Contrário: Falas em "Oficio" sem explicar o que é isso...
Eu: Mas se escrevesse sobre tudo isso, escrevia um livro.
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Então escreve!

08 outubro, 2015

Mesa Redonda (8) - Tema: a necessidade da escrita

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala meio vazia): Esta Mesa Redonda foi-nos imposta por Minha Alma, dada a sua insistência e os termos da convocatória. Aceitámos e cá estamos. Começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: É sobre a necessidade da escrita...
Meu Contrário (olhando Minha Alma fixamente): Bem sabes, como temos andado ocupados... Muitos escrevem, escrevem, mas não se  lhe reconhece a alma no que escrevem. Fazem exercício de estilo...
Minha Alma (interrompendo): Também é necessário!
Meu Contrário: Nestes tempos mais falta faz o juízo que o estilo!
Minha Alma: Os dois! Os dois! Nem que seja uma metáfora!
O Meu Contrário: Como essa "Pequenina Luz"?
Eu: Como "Uma pequena luz / que vacila exacta / que bruxuleia firme / que não ilumina apenas brilha"?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Isso! Essa é a escrita necessária!

31 julho, 2015

Mesa Redonda (6) - Tema: "... o que não muda..."


Eu (abrindo a sessão) - Hoje o tema é a "mudança". Vamos falar como mudar...
Meu Contrário (contrariado) - Preferia falar sobre o que não muda
Minha Alma (admirada) - E não é a mesma coisa?
Meu Contrário (sentencioso, entre o sério e o gozo) - Não, não é! Se percebermos bem o que não muda, estamos mais habilitados a perceber o que é necessário mudar...
Minha Alma (interessada) - Não percebo!, podes exemplificar?
Meu Contrário (persuasivo) - Se seguiste o alarido em torno do que se passou naquele partido... percebes que agora nada gira em torno do que há a fazer mas sim à volta de quem é melhor para o fazer?...
Minha Alma (completando a ideia) - ... e todos esquecem discutir o que deve ser feito...
Meu Contrário (afirmativo) - Isso mesmo. Tal como tem vindo sempre a acontecer... os militantes são confrontados com pessoas... porque são as pessoas que operam as mudanças, mas não discutem o que é necessário mudar...
Eu (que até aqui tinha ficado calado) - A melhor maneira de não mudar coisa nenhuma é ir mudando... pessoas. O resto vai ficando igual... mudará só o estilo e a intensidade desse fazer ...
Minha Alma (desanimada) - ...não poderemos esperar resultados diferentes... Então, só podemos esperar pessoas diferentes para fazerem coisas... iguais!
Eu e Meu Contrário (em coro) - Nem mais!
reeditado, com pequenos ajustamentos
 - original em 30 jan, 2013

30 janeiro, 2013

Mesa Redonda (6) - Tema: "... o que não muda..."


Eu (abrindo a sessão) - Hoje o tema é a "mudança". Vamos falar como mudar...
Meu Contrário (contrariado) - Preferia falar sobre o que não muda
Minha Alma (admirada) - E não é a mesma coisa?
Meu Contrário (sentencioso, entre o sério e o gozo) - Não, não é! Se percebermos bem o que não muda, estamos mais habilitados a perceber o que é necessário mudar...
Minha Alma (interessada) - Não percebo!, podes exemplificar?
Meu Contrário (persuasivo) - Se tens seguido o alarido em torno do que se passa naquele partido... percebes que nada gira em torno do que há a fazer mas sim à volta de quem é melhor para o fazer?...
Minha Alma (completando a ideia) - ... e todos esquecem discutir o que deve ser feito...
Meu Contrário (afirmativo) - Isso mesmo. Tal como tem vindo sempre a acontecer... os militantes são confrontados com pessoas... porque são as pessoas que operam as mudanças, mas não discutem o que é necessário mudar... 
Eu (que até aqui tinha ficado calado) - A melhor maneira de não mudar coisa nenhuma é ir mudando... pessoas. O resto vai ficando igual... mudará só o estilo e a intensidade desse fazer ...
Minha Alma (desanimada) - ...não poderemos esperar resultados diferentes... Então, só podemos esperar pessoas diferentes para fazerem coisas... iguais!
Eu e Meu Contrário (em coro) - Nem mais!

07 outubro, 2012

Mesa Redonda (5) - Tema: "A Unidade Necessária"

Nem Eu sou uma unidade perfeita... (estátua de Rodin, imagem retirada da net)

Eu (comentando o que aconteceu) - O 5 de Outubro foi um dia em cheio... Foi um dia de torpeza, de maltratar a Res Pública, de amesquinhar o povo e de lhe retirar grandeza... Mas também foi um dia de sinais muito belos e necessários. Foi um dia...
Minha Alma (interrompendo, com ar de censurar) - Devias era estar calado. Se falas desse Congresso, devias era lá ter estado...
Meu Contrário (filosofando, como o faz, de vez em quando) - Há muitas formas de estar, mesmo não estando...
Minha Alma (veemente) - Desculpas... a unidade é hoje mais que nunca  necessária. E não se faz unidade ficando à margem daquela oportunidade.
Meu Contrário - A unidade não acontece num momento. A unidade é um processo, não um acontecimento. Por vezes é preciso saber não estar. Por vezes é preciso saber esperar que o consenso aconteça entre aqueles que sabem poder contar connosco...   
Eu  (provocando o consenso naquilo que eu próprio penso) - O Congresso teve um encerramento saramaguiano... e há pouca diferença entre o que ouvi num outro lado e o texto que lá foi votado! (*)
Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Apoiado!

(*) O texto linkado ainda não é o definitivo 

21 agosto, 2012

Mesa Redonda (4) - Tema: Martirizada terra.


Eu, Meu Contrário e Minha Alma, reunidos. Pensativos. 

Eu (dissertando sobre o foto) - Se ninguém faz nada, isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com voz horrorizada) - Mas isso é.... a Terra martirizada... nem sei porque procuram Marte... se aqui a desertificação se espalha por toda a parte!
Minha Alma (com um humor deslocado) - Julguei que era a foto de um pormenor da pele de um elefante gigante...  
Eu (irritado) - Um deixa-se abalar, a outra goza. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Fazer humor é  pior que olhar para o lado... Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Minha Alma (atrapalhada por ser repreendida) - Tens razão, não nos deixemos abalar. Mas que fazer?, a solução só pode ser... fazer chover. O Homem pode fazer chover?
Meu Contrário (pensativo) - O Homem pode é criar condições para reduzir a seca, mas faz exactamente o contrário.
Minha Alma (pensativa) - Florestando?  Evitando incêndios?... 
Meu Contrário (completando) - ...Controlando o abate criminoso de árvores... utilizando racionalmente a água e fazendo-a chegar onde for necessário regar...
Minha Alma (sem humor, mas com ironia) - O relvado de um campo de golfe bem regado, certamente que não chega... devia ser pecado e punir-se o pecador.

E os três continuaram a falar, sobre o tema, sobre o desaproveitamento do Alqueva, sobre para que serve uma maior consciência ecológica se os povos permanecem amorfos... e sobre a incerteza de a fome os despertar.

03 maio, 2011

Mesa Redonda (3) - A morte de Bin Laden

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para quem me visita): Esta Mesa Redonda foi sugerida pela Minha Alma, em euforia pela morte matada da besta. De pronto e também contente aceitei e começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Faz sentido a euforia?, qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: Sabes?, nos dias que vão correndo seria bom que todos os terroristas fossem morrendo, que os ditadores batessem a bota ou que a justiça lhes batesse à porta...
Meu Contrário (interrompendo): … pois, a ingenuidade é tua característica mais esquisita. Sabes, por acaso, que a besta que pariu essa desumanidade se passeia por aí, em grande impunidade? Há gente que pensa que sou sempre do contra, por alertar para a origem das coisas em vez de me fixar apenas nelas...
Eu: Não tens razão de queixa pois oiço-te sempre. És a minha consciência!
Minha Alma: Haja paciência. Em vez de dar vivas e urras, ele põe-se com estas ambiguidades, até parece entristecido pelo Bin Laden ter morrido, o Obama ganhar merecido prestigio, a bolsa ter disparado, a segurança ter melhorado e o preço do petróleo ter descido um bom bocado...,
Meu Contrário: O petróleo ter descido efeito de esse gajo ter morrido? A quanto está? Se o preço está acima dos três dígitos e se por aí se mantiver, isso é que vai doer. Isso e o terrorismo de estado, tão pouco falado... O FMI...
Eu: Alto, alto. Alto aí, estávamos a falar do monstro e já vamos no FMI. Estamos contentes ou não?, qual é a conclusão?
Minha Alma: Eu?... Eu estou radiante!
O Meu Contrário: Eu não sou louco, essa morte sabe-me a quase nada ou a muito pouco!
Eu: Só quero saber, se vamos festejar a valer.
Minha Alma: Por mim, sim!
Meu Contrário (contrariado): Por meu lado, não. Enquanto houver guerras por todo o oriente, acho não ser comportamento decente. E depois o FMI...
EU (pensativo): Não há volta a dar, nem consenso possível. A minha consciência está com um comportamento terrível e eu estou contente mas dividido

19 janeiro, 2011

Mesa Redonda (2) - Tema: O Futuro

Esta é a imagem clara da dissertação inicial sobre o futuro

Eu (dissertando sobre o futuro): Isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com ar horrorizado): Mas isso é.... Mais isso é... muito negro.
Minha Alma (desanuviando e imitando o falar alentejano): "Óh, mãi! Óh mâi! Traga de lá a candea cu burro dê um coice na sê se foi em mim se foi na paredi"
Meu Contrário (irritado): Uma goza, outro deixa-se abalar. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Eu: Tens razão, não nos deixemos abalar. Domingo iremos votar!

12 janeiro, 2011

Mesa Redonda (1)

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para quem me visita): Esta Mesa Redonda foi sugerida pela Minha Alma. De pronto aceitei e começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: Sabes?, nos dias que vão correndo ninguém questiona a sua alma sobre os seus actos, o seu passado e como pensa que poderá influenciar o futuro. Era bom que o fizessemos nós...
Meu Contrário (interrompendo): … mais do que questionar a alma, poucos se olham nos olhos. Olhar para si próprios é ouvir o seu contrário, a sua consciência… Há gente que pensa que nós só somos do contra…
Eu: Não tens razão de queixa pois oiço-te quase sempre. Julgam que sou lento a reagir, mas no fundo estou-te a ouvir, caro Meu Contrário!
Minha Alma: Dás-lhe demasiada atenção e, assim, acabo por ter mais que fazer. Em vez de me entregar ao poema, à contemplação e ao devaneio tenho que gerir conflitos entre ti e o teu contrário mesmo parecendo desnecessário…
Meu Contrário: Pois, mas és uma alma musculada. Há almas por aí que não moderam nada. Passam a vida a poemar, a contemplar e entregues a um ostensivo devaneio, Quando precisam de decidir sobre coisas importantes, ficam angustiadas e stressadas. Chegam até a ficar deprimidas por ausência de motivos para a depressão. Animam-se com a depressão…
Eu: Chega em bater nas almas deste mundo! Qual vai ser o tema destas Mesas Redondas?
Minha Alma: O teu passado!
O Meu Contrário: O nosso futuro!
Eu: Para falar do passado já basta o livro… Que seja então o futuro, tendo em conta o que no passado nos aconteceu. Todas as quartas-feiras, valeu?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Valeu!