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20 setembro, 2020

Eis senão quando, alguém acende uma luzinha...

Centro de Canoagem de Alvega

Dei conta ontem de um passeio triste, passando por paisagem que fora bela, que agora a desfeava os múltiplos sinais de abandono, a desertificação, as ruínas por onde passei e que, tendo descido à beira Tejo, falei com as águas e, por acaso, com um jovem que por ali estava e cuja conversa guardei para a ela voltar um dia, quando calhasse.

Calhou hoje. Por detrás do edifício do Centro de Canoagem de Alvega, sem sinais de uso, o referido jovem começou por ser um vulto indistinto até me aperceber ser gente. À medida que me ia aproximando percebi não ser pescador. Já próximo, ele deu por mim, e perguntei que fazia ele ali com água pelo joelho, fato adequado para entrar Tejo dentro. Ele foi dizendo quem era e o que estava fazendo. Que era aluno da Faculdade de  Ciências, que estava ali em estudo, que o estudo se inseria numa investigação relacionada com a sua tese de mestrado, que estava ali em Alvega, como já tinha estado na Barragem de Fratel e noutros pontos, a colher dados de qualidade da água. Depois referiu fases seguintes da investigação, sem grande detalhe, mas que deu para perceber que ele acreditava na ressurreição do rio, e do regresso de muitas espécies, desde que, e que...

À medida que ia falando, ia eu pensando que ele era uma luzinha de esperança...

À despedida, perguntou se eu era lá da terra. Eu disse quem era e o que fazia ali.  Ele comoveu-se e eu também.

02 fevereiro, 2017

E se o Governo de Costa encosta? Sem darmos por isso, o modelo vai para o "galheiro"

Eu sei que tenho gente amiga que preferiria que aqui viesse colocar assunto ou tema mais adequado a estados de alma e que lhes a elevasse. Faço frequentemente isso. Chamo-lhes "Interregnos para coisa belas" e tenho, nessas iniciativas frequentes, audiências razoáveis e elevados comentários. Outras rubricas que vão na mesma onda, estilo "rogérito" ou "Poesia (uma por dia)", tem tido frequências que me preenchem o ego e me incentivam à escrita.
Acontece que por vezes recorro a assunto sério e hoje ocorreu-me (pela agenda da imprensa), vir falar de coisa de que "ninguém" fala: REGIONALIZAÇÃO. 
Isto porque recuperei um blogue que seguia, porque a municipalização de uma data de coisas (transportes, florestas, educação, saúde, cultura, segurança social) passaram à ordem do dia e porque toda esta treta está inquinada e comprometida por uma lei de Passos, promulgada por Cavaco e que redefine o modelo de Democracia.
Se o Governo de Costa encosta, sem darmos por isso vai o modelo constitucional encostar. Vai ao ar. Reverter isso? 
Nem vos digo!
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Para quem se querer dar ao trabalho de aprofundar, eis um texto a preceito

12 abril, 2016

"O último ano do Tua" - história de uma luta e de quem lhe provocou a derrota

A luta é filha legítima da esperança. É por isso que dizemos, e por vezes gritamos, a luta continua, mesmo se pelo caminho fiquem batalhas perdidas. E será por isso que o Grupo Parlamentar do PCP terminou a sua jornada sem uma palavra sobre o Tua... é que a luta continua e não há tempo a perder para mexer em feridas recentes. Haja memória.
Haja memória, quer através do excelente trabalho da Manuela Araújo (recomendo todos os vídeos), quer pelo detalhado reporte das diferentes fases da luta, quer pelas palavras de quem recriminou o desfecho. Crime? Sim, foi um acto criminoso a destruição de tão importante e belo património.

11 abril, 2016

"O último ano do Tua", que talvez não seja...

Os deputados do PCP vão amanhã andar por aqui...

Disse o que disse sobre os jornais, e nem uma notícia como esta contraria numa só linha o texto anterior. É que a promoção da imagem (e só da imagem) do pluralismo obriga a que, de quando em quando, passe uma notícia. Refiro-me às jornadas do Grupo Parlamentar do PCP anunciadas, hoje, no Público. Ao ler onde os deputados vão estar, ocorreu-me um post do "Sustentabilidade é acção" e uma promessa minha, por lá deixada.
Com este excelente trabalho, promessa paga!
Esperemos agora o resultado do trabalho dos deputados...

07 abril, 2015

As vendas, em saldo, contrariam as minhas "melhores" previsões...

Em Junho de 2010, baseado num mapa bem esgalhado (à esquerda) eu traçava a minha previsão do que seria a regionalização (à direita). E escrevia o que lá está escrito para depois eu próprio comentar nos comentários: "Portugal está à venda Mas ainda não foi comprado".
Meu Deus, como eu estava enganado, agora está em saldo: o coração do Al Garve vendido por um terço do seu valor.

03 janeiro, 2014

"Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa." (Torga)


O miúdo aproximou-se, mais curioso que a medo, daquela figura coberta de negro. Ela caminhava, lenta mas certa, direita. Era baixa e segurava um bordão. O miúdo, por detrás, acompanhou-lhe o passo até que, decidido, lançou-lhe um olá metediço. Ela parou, e com um olhar vivo mas inexpressivo respondeu-lhe ao cumprimento. Encorajado, o miúdo perguntou o que perguntava a toda a gente com quem se metia, "Como te chamas?" -"Resignação!", respondeu ela prontamente. "Só tens esse nome?" Ela ficou um tempo imenso a olhar o ar como se esperasse ler o seu apelido entre as nuvens perdido... "Chama-me Resignação, o resto já não conta!" e continuou o caminho, agora mais apressada como se tivesse coisa importante para fazer. O miúdo ficou a olhá-la até a ver desaparecer na primeira curva do caminho que a levava à aldeia, para se juntar aos outros, também chamados resignados.

04 abril, 2012

Existe, sim. Seu nome? - Alvega. Se estou de acordo com o que lá se está a passar? - Não, não posso estar!

Ver mapa maior
Ontem editei um lugar, tem alcaide que sabe para onde vai. Hoje edito este outro, onde me encontro. Já teve outra vida. Teve gente. Teve farmácia. Médico. Escola. Perdeu tudo isso em menos de cinco anos. Talvez, como muitas outras vilas e lugares do nosso país, não tenha outra opção do que esperar que definhe...
Comentou-me ontem, sabiamente, muita gente. Alguém escreveu a propósito da população de Marinaleda: "Voltar as costas ao mundo é uma tentação. Até que ponto possível, hoje, é que eu não sei." Julgo que são pertinentes as duvidas quanto a ser possível ou não. O "sistema" prefere ser ele a ter a iniciativa, no que se refere ao voltar de costas... Por cá, se estas pequenas povoações não voltarem as costas ao mundo, elas irão ver, como eu estou agora vendo, o "mundo" fazer-lhes isso. 
Que pena nos faltarem presidentes de junta copiando alcaides.... 

31 março, 2012

Causas do buraco, o tal que estamos pagando e que se vai alargando - 2


Tenho por certa a ideia que o grande buraco (que, ameaçadoramente, mantenho aí ao lado) resulta, além do que foi dito, de se ter metido na tal gaveta a regionalização e, a par com outras medidas conhecidas, se ter assegurado a  desertificação do país...
Em 23 de Junho de 2010, era este meu espaço uma ainda uma imberbe criança, mas já atrevida e a entrar na dança interveniente nos temas que, mais tarde, tanto iriam doer à gente, quando publiquei esse mapa aí ao lado. Chamei a esse post "Regionalização, a evolução registada". Desde essa data muito se passou sem que se passasse mais nada além da confirmação, com pequenos acertos, do mapa então desenhado... Como sempre, o pessoal, o povo, reage tarde. Enquanto a coisa ia acontecendo, em tempo lento, paulatinamente, passo a passo, a caminho da desertificação, fechando isto e mais aquilo e depois outra coisa, para depois se acabar com outra ainda, as populações iam refilando, mobilizando-se pontualmente, num caso ou outro, mais organizadamente. O grande buraco foi sendo mais e mais cavado.
Foi preciso pôr preto no branco (no tal livro que por acaso é verde) que se iam acabar com mais que muitas freguesias e que os municípios vinham a seguir, para se reagir. Pois é, vai ter que ser e eu quero ir ver. Hoje, depois de almoço, espera-se alvoroço. Não, ainda não será contra tudo isso que tem vindo a acontecer. Ou será? Vá-se lá saber...

Se quiser saber mais sobre o que aqui digo. Força, vá lá saber!
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Foi assim:






(Reedição deste post às 22 e 15 h)

02 março, 2011

Regionalizar, sim claro. Mais tarde, com menos riscos... Até lá, Baptista Bastos diz que vai para a gaveta do costume...

Quadro de Salvador Dali, retirado do net quando eu tive um pesadelo, que agora se repete

REGIONALIZAÇÃO, NA GAVETA

"A perplexidade advém da mera circunstância de as sucessivas direcções do PS terem suspendido tanta coisa, que mais esta suspensão não deveria suscitar alvoroço. Mário Soares suspendeu o próprio PS ao colocar o "socialismo na gaveta", a fim de o resguardar de tentações libidinosas. O PS, cuja origem "socialista" sempre deu que pensar, estava fragmentado à nascença, quando um destemido grupo de advogados e afins, o "fundou", numa recôndita cidade alemã. Era preciso, segundo o siso de alguns estadistas europeus, criar uma organização política, estruturada e com apoios financeiros, que se opusesse à hegemonia do PCP."
Baptista Bastos, hoje no DN

23 junho, 2010

Regionalização, a evolução registada



Existem evoluções significativas entre os mapas. O primeiro da esquerda, editado por um (in)suportável blogue, tem data de Maio de 2007. Aí já se dizia algo como isto: " ... em vez de lutar contra as tendências tradicionais lusas da migração para as zonas litorais e para as cidades, desistiu de o fazer e cedeu de vez à inevitabilidade da desertificação do interior e da concentração populacional nas cidades, especialmente do litoral. A única excepção é a existência de um par de SCUT’s que se destinam a poder levar alguns protagonistas a um par de oásis situados no interior beirão (que se assinalam de forma pouco criativa no mapa original a distribuir pelas escolas), onde existem diversas hipóteses de negócio e que funcionam como zonas de refúgio para amigos, familiares, professores e amigos de alguém." O meu mapa, já mostra evoluções recentes: O Litoral Alentejano foi integrado no deserto o qual se fundiu (leu bem, escrevi fundiu) com a designada Zona Desactivada para dar lugar a uma Região a Alienar em conjunto. Na aquisição do todo oferecem-se boas praias, um CD com a canção "Porto Covo" e mais os referidos Oásis. Oferece-se ainda a garantia de quem comprar não vai ser importunado por malta do pé-descalço. O preço das portagens, nas tais SCUTS, serão forte garantia disso mesmo, como se prova pelo entendimento entre o Governo e o PSD....



NOTA FINAL: O novo mapa, contrariamente ao que aconteceu com o primeiro, não será distribuído nas escolas, pela simples razão de em 2013 estas já não existirem...