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03 janeiro, 2024

CTT E... UM CASO MENOR, CONSIDERADO ENORME


Hoje toda a imprensa, falada, televisiva e escrita empolou um pequeno caso transformando-o em caso enorme. E apenas uma força política lhe esvaziou a dimensão. Por razões históricas reproduzo um telefonema inesperado...
Minha Alma (atendendo a chamada) - Tá? Quem fala?
Voz (em tom familiar) - Sou eu, a Maria!
Minha Alma (tentando localizar a fala) - Qual Maria?
Voz (em tom de ironia) - A Maria-Vai-Com-As-Outras!
Minha Alma (admirada) - Quê? A Rainha?
Voz (sentida, por ser reconhecida) - Eu mesma! Quero que registes que muito apreço teres assumido a luta que eu enfrentei. Sabes? Foi por meu despacho régio que acabei com a bagunça do serviço postal privado?
Minha Alma (admirada) - Quê?  A... a sério?
Voz (com energia inusitada) - Sim, acabei com a treta do "correio mor" e com a "Carta Régia" de 1520 e, em despacho meu, nacionalizei os serviços postais mais de três séculos depois. Foi em 1797. Os gajos que ganhavam massa com isso, não davam conta do serviço... Quase me deram cabo do juízo...
Minha Alma (admirada) - Caramba, Dona Maria, nem sabe a falta que agora a senhora nos fazia... Sabe o que custa reverter uma Lei estúpida?
Voz (em tom sentencioso) - Depois do desastroso desempenho e do que se vai passando por esse Pais fora, compete-te engrossar fileiras. Ou estás à espera que as almas do outro mundo vos ajudem em tudo? 
(ia a responder, mas a chamada caiu)

26 junho, 2023

COM TANTA CRIANÇA À NOSSA FRENTE, COMO TUDO FOI DIFERENTE (Minha Alma ia-se afogando naquele mar de carinho!)





A Prof.ª Sónia, Directora da EB1Sá de Miranda, tinha há dias me convidado a ir à Escola pois os alunos queriam conhecer o autor. Combinámos a data/hora, antes de findo este ano lectivo, e a sessão aconteceu esta manhã. Porque tínhamos sido avisados de terem os alunos realizado múltiplas actividades, eles reclamavam todo o protagonismo. Assim, e num cenário onde se destacava a exposição dos originais da ilustrações do meu livrinho, da autoria da Sílvia Mota Lopes, a abrir a sessão a Olívia (Presidente da "Desenhando Sonhos") foi breve e passou-me a palavra, pois era a mim que as crianças queriam conhecer. 

E falei da importância dos avós, falando dos meus. Disse-lhe que tudo o que sei na vida foi meu avô que me ensinou, tudo o que aprendi depois disso formam pequenos acréscimos e detalhes que confirmaram o que ele me tinha ensinado. Falei do amor aos contos e á escrita, herança que ele me deixara. Falei dos meus primeiros poemas e do facto de ter obtido o 2º lugar com um poema cujas duas primeiras quadras ainda as tenho na memória (e, nessa altura, recitei-as) e terminei referindo influências de outros contistas apontando que os escaravelho, personagem de um dos meus contos, tinha-o roubado a José Saramago. Nessa altura, perguntei á atenta assistência: "Quem leu já a Maior Flor do Mundo?" e foram ouvidos muitos "Eu" e vistos outros tantos detidos no ar. Nessa altura, disse, "Agora, vá lá, é a vossa vez".

Das duas turmas do 4º ano que estavam presentes,  cerca de 50 crianças, sucederam-se várias participações. Desde leituras de um conto, seguindo o formato jogral até curtas citações das leituras tidas e inscritas em desenhos (e foram muitos) até à leitura de um poema que me foi dedicado. E se o meu ego já vinha crescendo aqui ficou mais que inchado...

A encerrar, vinham-me oferecer todo o seu trabalhando e dar-me um doce e ternurento abraçinho. Foi lindo.

Como observadores, estava uma turma do 3º ano a antever coisa que lhes irá acontecer no próximo ano lectivo, em que lhes será doado a segunda edição do meu livrinho.

Ora vejam as minhas lindas prendas!




24 janeiro, 2022

ONTEM, PARA MEU MAL, NÃO HOUVE HOMILIA DOMINICAL


Ontem, julgava de manhã, ter tempo de tarde, para editar à noite. Contudo, não deu tempo. Não deu tempo, apesar de um dia particularmente longo. Acordar pouco depois das seis, para estar às sete e ficar até cerca das vinte a repetir, como se fosse poema:

Bem-vindo
Senhor
Eleitor
Vai pegar neste boletim de voto, e vota
Dobra o boletim
e mete aqui
no envelope branco
e fecha
Depois mete
no envelope azul
e fecha
Depois trás aqui
para eu pôr
a vinheta
que é uma tranca
uma garantia
que ninguém lá entra!

Depois de assegurar que tudo se desenvolveu como era de desenvolver, grito, "outro!", e "outro!", e "outro!"... 13 horas a fio, de grito em grito (com um interregno, ou outro).

A imagem acima? Foi o resto do lanche, sem tempo para o comer todo. É que é coisa feia, falar ao eleitor de boca cheia.

Apenas uma nota final para enaltecer que tudo estava impecavelmente organizado, mas... inscrever 640 eleitores numa só mesa... não lembra ao diabo (o tempo de espera na fila chegou a atingir 2 horas!)

 

30 dezembro, 2021

NA PROXIMIDADE DO FIM DO ANO, ALTURA DE BALANÇO - III

Do que foi o ano que está prestes a findar-se, tenho vindo a fazer balanço.

Não foi um ano fácil. Não é fácil passar ao lado da memória. Não é fácil evitar a solidão, enfrentá-la, enxotá-la ou passar a toda a hora por cima dela. E é aqui que cabe referir a importância do apoio de um colectivo. Desde logo a família. Toda. Da mais distante à mais chegada. Família sem quebras, nem rupturas. Família de afectos de filhas, genros e netos, para apenas referir os mais próximos...

Não foi um ano fácil, e falando de colectivos, não podia ignorar o apoio do meu Partido, onde esse apoio foi até comovente. Apoio, não apenas nos abraços e sentimentos, mas também na compreensão de não ser o tempo para continuar sobre os meus ombros a carga de responsabilidade que sobre eles, voluntariamente, pesava. E diga-se que todas as responsabilidades que passei a dividir com outros camaradas, passaram para gente jovem, muito jovem, com menos de metade da minha idade.

Não foi um ano fácil para o meu corpo, tomado por doença cancerígena que enfrentei e a qual, tudo leva a crer, não me vai deixar sequelas. Tal, graças à minha médica de família e ao profissionalismo (tão humano) do urologista que, por sorte minha, me veio a fazer o que era importante que me fosse feito. 

Feito o balanço, elejo,  a minha família, o meu Partido, o SNS e a classe médica, as figuras do ano.

28 novembro, 2021

HOMILÍAS DOMINICAIS (Citando Saramago) - 109 [a guerrilha pelo poder]

Não está a acontecer, nem as próximas eleições vão ser, uma guerra pelo poder. Não há, nem haverá, exércitos, nem armas, nem tanques na rua. Trata-se, sim, de guerrilha. Guerrilha diferente das formas conhecidas. Nesta, há (haverá) guerrilheiros dos lados em confronto, num confronto em que não se tocam, mas em que se agridem, até que, finda a contenda, o apaziguamento demonstra que ao fim ao cabo, os que mais se agrediram, estão do mesmo lado...

Falando um pouco mais claro e, para ser mais inteligível, reduzamos, a minha proposta de reflexão, à escala de uma organização partidária, pois aí, tal como na organização dos poderes no País, também há guerrilha pela tomada do poder. De um dos lados em confronto se diz do outro o que nem Maomé disse do toucinho, e vice-versa. A escalada agressiva foi subindo de tom até que definida a parte vitoriosa e terminada a guerrilha, soam, não só as trombetas da paz, mas também declarações de reconhecimento e louvor entre vencido e vencedor.

Se Saramago fosse vivo diria de tal guerrilha o que escreveu sobre o palco em que se desenrola a cena, agora convertida em

HOMILIA


 

10 novembro, 2021

AVÔ, OUTRA VEZ... (NÓS NÃO ESCOLHEMOS OS NETOS QUE TEMOS!)

Um dia, enquanto descia, cruzei-me com ele na escada. Sorri-lhe, saudei a mãe e afaguei o cão. Ele olhou-me, sério, com um ar entre o tímido e o curioso. Levantei a mão à altura do ombro dele e pedi-lhe, "Dá-me cinco!"

Ele fixou-me, esperou um momento e, sem alterar a expressão, correspondeu ao pedido esboçando um pequeno sorriso.

Depois seguiram subindo e já no patamar de cima ouvi a sua vozita, com um tom entre o afirmativo e o que interroga, dirigindo-se à mãe: "Vovô?". Fez-se um breve silêncio até que a mãe confirmou, "Sim António, o vizinho é o avô Rogério!"

Revejo o vídeo, que a mãe me enviou, e ocorre-me um texto antigo:

«(...) as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.»

17 setembro, 2021

FICOU AFLITO O JOÃO AO VER, ASSIM, A MINHA MÃO...


Essa mão, aí, é minha. O primeiro penso cobre uma pequena ferida, feita junto ao polegar ao transportar o mupi que com o João montamos em Caxias.

O segundo penso, no indicador direito, resultou de uma ferida mais extensa feita ao tentar evitar que o mupi, que o João em distracção,  me fez cair sobre a cabeça. O João ficou aflito não só pelo intenso sangrento mas também pelo sentimento de culpa.

Tranquilizei-o e depois da compra dos pensos e da água oxigenada a conversa foi parar aos meus dotes de curandeiro, de uma Alma que nunca se quis fardada. Aí, quando falei disso e que até tinha escrito um livro. Ele pediu-mo. Disse-lhe estar esgotado. Prometi-lhe enviar em PDF e se quer aproveitar a ocasião aqui está... Boa leitura

Para quem não saiba o que é um mupi, é essa estrutura aí, promovendo os candidatos da CDU (e o João é esse jovem, o primeiro, a contar da esquerda)

28 janeiro, 2021

O Miguel foi-se embora... (mas volta!)

O meu neto, que não há muito tinha chegado, foi-se embora. Impedido de fazer o quer que seja, confinado ao meu espaço, fui levá-lo a Santa Apolónia e voltei a ficar só.
Ele voltará quando for chegado um tempo de melhor acerto.

Esqueceu-se do livro, com uma página marcada. Não lhe perguntarei se era a página aonde chegara, pois prevejo que ele me queria avisar que, no meu livro, o poema está repetido... 

Sou distraído. Ele também.
 

 

DESPERTARES

A alma, o corpo e a razão
sentiram-se abraçados,
docemente,
como há muito não lhe acontecia
Desde então,
ela não mais se afastaria,
como se fizesse parte dele,
sem pressão nem posse.
Seu tronco tornou-se forte
e, na sua frondosa copa,
as folhas assumiram aquele tom
verde de esperanças e de certezas
contrastando com o vermelho
de um fruto amadurecido
Enquanto a seiva lhe fervilhava,
as raízes acordaram resolutas
no seio do húmus da terra

Decidiu então juntar-se à floresta
Assim unidos, assaltaram a cidade


"O Melhor de Mim Somos Nós" 
(E outros poemas) - pág.16

22 abril, 2018

Um conto ao Domingo - XII ("A Maior Flor do Mundo")

Ilustração de  Sílvia Mota Lopes Costa
Era uma vez uma menina pequenina, bonita, que já fora ladina e que agora vivia muito triste e já mal brincava.

Nada a entretinha e nada a fazia sorrir, a ela que sempre andara a saltar e a rir. E era muito esperta, muito atenta, a tudo o que se passava à volta dela. E quando parecia que não se passava nada, ela levantava uma pedra. E era vê-la contente e divertida com tanta vida. Eram  minhocas, formigas, bichos de conta sem conta a fazerem-na divertida. Mas depois, não, nada a animava.

Atenta como era, a menina sofria com as coisas más que ouvia e que toda a gente contava. Conhecia poucos lugares, apenas conhecia o seu quintal e a rua ao fundo, mas já sabia todas as tristezas do mundo.

Era essa a tristeza da menina.
Um dia, estava a menina como sempre estava, sentada e sem alegria, quando um pássaro, sem sequer lhe pedir licença, veio pousar-lhe no alto da sua cabeça. A menina sorriu, e cumprimentou:
"Bom dia senhor pássaro!"
O pássaro viu quebrado o encanto que a natureza lhe tinha dado de não permitir falar e respondeu, ainda admirado de o poder fazer:
"Bom dia linda menina, posso saber a razão do teu sofrer?"
E a menina de pronto lhe contou que do mundo só conhecia gente má e a tanta maldade que era feita. O passarinho deixou a cabeça da menina e esvoaçou, suspenso no ar como um beija-flor, olhando a menina de frente falou com entusiasmo e calor:
"Mas sabes? no mundo há boa gente. Há meninos bons, com gestos belos".
E de seguida contou como é que um menino salvou uma flor que estava condenava  à morte, contou tim tim por tim tim como a salvara de tal sorte e como a flor salva, para se tornar exemplo das coisas belas que os humanos fazem, se tornou a maior flor do mundo. À medida que o passarinho contava o rosto da menina se iluminava:

"E eu posso conhecer esse menino e essa flor?"
"Sim, como tu não tens asas eu pouso em cima da tua cabeça e te indico o caminho", disse o passarinho. E lá foram, a menina e o passarinho pousado na sua cabeça e indicando o caminho para conhecer o outro menino que salvou a flor, a maior flor do mundo. 

Depois de saber e de ver, a menina nunca mais entristeceu e todos os dias o passarinho lhe veio cantar ao beiral, baixinho, como que a lembrar que há gestos que salvam vidas, nem que sejam as de uma flor. 

E foram muitas as outras coisas que a menina viu. 
Veja também aqui e sorria, como ela sorriu

DEDICATÓRIA: Porque se trata (mais uma vez) de uma reposição, volto a dedico este pequeno conto a quem o ilustra e nem sabe porque desenha uma menina com um pássaro na cabeça

22 dezembro, 2016

Natal. Será a Maior Flor do Mundo a Amizade?


E toda a aldeia foi ver a "Maior Flor do Mundo"
____________

...resoluto, opto por falar de um sentimento necessário e difícil de explicar. Saramago atreveu-se a tal, mas de maneira tão discreta que pergunto-me se, na vertigem dos dias apressados, alguém terá dado por tal. Reconto o que Saramago contou. Faço-o a partir do vídeo (ver abaixo). O tal escaravelho despertou a curiosidade do menino. A amizade começa normalmente por uma impressão forte causada por o outro. Segue-se o interesse e, logo de seguida, a expressão primária da posse e da exclusividade. O menino, aprisiona o surpreendido escaravelho. Quer-o só para si. Pretende-o só seu. É comum nas amizades, na sua fase inicial e, por vezes prolonga-se por mais do que seria devido e perde-se. Não é conhecida a relação estabelecida entre o besouro e o seu carcereiro, mas é contado que na primeira oportunidade o besouro foge.
A perseguição acontece mas não para aquilo que parece. Dá-se pura e simplesmente um cordial reencontro. Sem falar - pois seria outra a estória se os animais falassem - o besouro indica-lhe a passagem para a outra margem. A margem onde está a flor carente e que se virá a tornar a Maior Flor do Mundo. A verdadeira amizade é assim, quase sempre nos conduz a locais belos e a gestos necessários.
Conta-se depois como menino fez aquilo que fez perante a admiração do povo. No fim, dá-se a despedida e cada um vai à sua vida, com a Maior Flor do Mundo, na imagem ao fundo. O menino vai crescer e o escaravelho vai fazer rodar o sol, fazendo-o rolar pelo firmamento acreditando ambos que um dia esse sol brilhará para todos nós. Tal acontecerá, se a amizade se tornar "A Maior Flor do Mundo"...
(reedição, com alterações)

10 fevereiro, 2016

Diogo, da "Maior Flor do Mundo" ao Polvo


Era ele bem pequenino, íamos sobre as ervas, levantando pedras, mostrando vida escondida que ele nem imaginava que havia. Eram "bichos-de-conta", "formigas-de-asa", "bichos-tesoura", centopeias, aranhas, lagartas e outras espécies, para ele todas raras. Percebi que as tratava com todo o respeito, depois de passar por uma fase em que tal não sucedia.
Pequenos bichos?, matava tudo o que aparecia.
Faço um esforço de memória e vou relembrar o passado. Talvez a mudança tenha acontecido depois de temos feito a pequena digressão das descobertas das pedras e o sentei no meu colo a mostra-lhe o conto "A Maior Flor do Mundo" e comentando, já nem sei com que palavras, a relação de amizade entre o miúdo e o escaravelho e a importância deste insecto... Talvez fosse a partir daí. Talvez...

Hoje, ele domina a natureza. E quando, destro, caça um polvo e a mãe lhe manda restitui-lo ao mar, ele obedece sem hesitar. Embora, lá no fundo, confesse pena enquanto conta:
"Vô, ele era tão giro... Apertava-me o braço... era mesmo meu amigo!" 



30 janeiro, 2015

Um post cuja reposição se justifica: «E se a Maior Flor do Mundo fosse a Democracia? Se para a salvar fosse necessário fazer 20 coisas, que coisa lhe parece que podia fazer por ela?»

(post editado em Abril de 2011)

Leio no texto, que se supõe destinado a crianças, como a coisa de facto aconteceu:

“Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele? Nem a sorte nem a morte, nem as tábuas do destino… Era só uma flor. Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou, de cansado. E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor. Mas que é da água? Ali, no alto, nem pinga. Cá por baixo, só no rio, e esse que longe estava!... Não importa. Desce o menino a montanha, atravessa o mundo todo, chega ao grande rio, com as mãos recolhe quanta de água lá cabia, volta o mundo atravessar, pelo monte se arrasta, três gotas que lá chegaram, bebeu-as a flor com sede. Vinte vezes cá e lá… …Mas a flor aprumada já dava cheiro no ar, e como se fosse uma grande árvore deitava sombra no chão.”

Vinte vezes cá e lá. Vinte certas, diz o escritor, e quero acreditar que sejam precisas tantas. Imagine, caro leitor, que a água não é água, mas sim porções de coisas esforçadas que é necessário fazer para salvar a vida da nossa flor. Pense que, de cada vez que se sobe a montanha, se deposita na Democracia muribunda algo que a faz, lentamente, renascer. Indique uma só, que esteja disposto a fazer ou que ache ser necessário que se faça... Lembre-se que há pequenas coisas, à semelhança das que cabem numa mão pequenina.

As imagens são do video . O texto é do livro de Saramago "A Maior Flor do Mundo"

04 setembro, 2012

A menina guiada pelo pássaro, que em sua cabeça tinha pousado, foi conhecer "A Maior Flor do Mundo"

Ilustração de  Sílvia Mota Lopes Costa
Era uma vez uma menina pequenina, bonita e ladina, que vivia muito triste e já mal brincava. Nada a entretinha e nada a fazia sorrir, a ela que sempre andara a saltar e a rir. E era muito esperta, muito atenta, a tudo o que se passava à volta dela. E quando parecia que não se passava nada, ela levantava uma pedra. E era vê-la contente e divertida com tanta vida. Eram  minhocas, formigas, bichos de conta sem conta a fazerem-na divertida. Mas depois não, nada a animava. Atenta como era, a menina sofria com as coisas más que ouvia e que toda a gente contava. Conhecia poucos lugares, apenas conhecia o seu quintal e a rua ao fundo, mas já sabia todas as tristezas do mundo. Era essa a tristeza da menina.
Um dia, estava a menina como sempre estava, sentada e sem alegria, quando um pássaro, sem sequer lhe pedir licença, veio pousar-lhe no alto da sua cabeça. A menina sorriu, e cumprimentou: "Bom dia senhor pássaro". O pássaro viu quebrado o encanto que a natureza lhe tinha dado de não permitir falar e respondeu, ainda admirado de o poder fazer: "Bom dia linda menina, posso saber a razão do teu sofrer?" E a menina de pronto lhe contou que do mundo só conhecia gente má e a tanta maldade que era feita. O passarinho deixou a cabeça da menina e esvoaçou, suspenso no ar como um beija-flor, olhando a menina de frente falou com entusiasmo e calor: "Mas sabes? no mundo há boa gente. Há meninos bons, com gestos belos". E de seguida contou como é que um menino salvou uma flor que estava condenava  à morte, contou tim tim por tim tim como a salvara de tal sorte e como a flor salva, para se tornar exemplo das coisas belas que os humanos fazem, se tornou a maior flor do mundo. À medida que o passarinho contava o rosto da menina se iluminava: "E eu posso conhecer esse menino e essa flor?" - "Sim, como tu não tens asas eu pouso em cima da tua cabeça e te indico o caminho", disse o passarinho. E lá foram, a menina e o passarinho pousado na sua cabeça e indicando o caminho para conhecer o outro menino que salvou a flor, a maior flor do mundo. 
Depois de saber e de ver, a menina nunca mais entristeceu e todos os dias o passarinho lhe veio cantar ao beiral, baixinho, como que a lembrar que há gestos que salvam vidas, nem que sejam as de uma flor. 

E foram muitas as outras coisas que a menina viu. 
Veja também aqui e sorria, como ela sorriu

DEDICATÓRIA: Dedico este pequeno conto a quem o ilustra e nem sabe porque desenha uma menina com um pássaro na cabeça

06 junho, 2011

"A Maior Flor do Mundo", será reanimada muito, muito lentamente, quando houver mais gente a repetir-nos o acto

Quando há dois meses atrás criei para este blogue um novo visual, escrevi em jeito de editorial quando se avizinhava à pré-campanha para as eleições legislativas:
“Durante muitos dias, até 6 de Junho, proponho-vos sair da algazarra do dia-a-dia: sair do tem que ser; sair do este é mau e o outro não é melhor; sair do termos de apoiar este porque com o outro seguinte tudo vai acontecer, como se morrer lentamente fosse diferente de morrer ou se a mentira pudesse ser mais tolerável se for dita de forma mais agradável ou com um pouco de verdade à mistura”.
Foram 11 posts a partir dum conto de Saramago passado num filmezinho animado. Nem me parecia ser possível construir tanta pequena estória dento do conto. Termino hoje com mais uma versão. Talvez a mais verdadeira de toda a narração original inteira. Termino porque terá de ser, porque tenho que voltar ao meu avinagrar. Mas quero que saibam que contos destes levam-nos a uma infindável imaginação e um dia há que parar, porque há outras coisas para dizer e... fazer..


Ainda não estando apurados todos os deputados, mas conhecidos vencedores e derrotados, a família sentiu-se aliviada. Ele, ignorando o estaleiro parado, olha o último modelo do carro desejado. Mentalmente volta ao pensar de sempre: com o novo eleito retirará desse facto o necessário proveito. Tudo, pensa ele, voltará ao que era dantes. Não se produz? Não se trabalha? Não se recebe? Que importa? Saber lá se a sorte não está por detrás da sua porta. Sexta-feira é dia de Euromilhões... Se não for dessa, de outra oportunidade será...

Ela não é diferente da comum gente e ei-la regressada à leitura do prospecto para a compra desejada. O menino voltou a andar perdido não retendo a atenção de um ou de outro. Amam-no? Claro. Quem poderá pensar o contrário? Só que é uma nova forma de amar e sobretudo, amam-se a si próprios mais que tudo. Um novo governo gerou nesta família a tranquilidade que faltava. Pensam, na sua ingenuidade, que tudo voltará à normalidade de continuar a gastar, que tudo o que até aí acontecia era apenas por incompetência do governar...

"A Maior Flor do Mundo", reanimou-se um pouco. Gestos de mãos necessários para que renasça. Gestos do menino e meus também(*) Sem sonhadores... não há sonho. Suponho

(*) Pormenor de foto que me foi tirada pelo João, em pleno acto de eleição

20 abril, 2011

Os gestos para salvar a flor, tornando-a maior - III

Para fazer renascer a flor, muitos mais de vinte se mobilizaram.
Mas uns terão derramado ao lado outros nem a flor encontraram

Em posts anteriores contei a correria de muitos amigos, em resposta ao meu apelo, dispostos a salvar a flor, na suposição de esta ser a Democracia. Mas se todos se mobilizaram nem esses tantos terão produzido coisas claramente em acerto com o pedido (se assim não foi que me perdoem o mal-entendido). Por exemplo: Sandra disse como resposta "A primeira coisa assim que me lembro é NÃO VOTAR SÓCRATES...", subentendendo ela que desse homem só, dependerá toda a tristeza que por cá reina Disse o que não faria mas não nos disse o que é necessário que se faça. Se deitou a sua água ao lado e não na raiz é uma desgraça. A flor continuará murcha à mingua da sua água. Exemplo diferente, e de certo modo convincente, é o da Isa GT que parece, pura e simplesmente, não ter encontrado a flor. A explicação ela nos deu e a mim quase me convenceu: "isto de salvar a flor, saiu das mãos dos nossos Partidos e passou para as mãos da Europa, a única que pode salvar ou matar a flor." Ao assim falar, ela admite não encontrar a Democracia aquela que há bem pouco havia, embora desfacelida e quase sem vida. Talvez por a terem lido, este e aquele partido se tenham recusado a falar com quem se prepara para se apropriar da flor...
Mas falemos de quem não deixou dúvidas na água que à flor levou. Falemos do folha seca e do que disse e que importa: "Fazer de Abril um grande demonstração daquilo que pensa e quer o Povo." Talvez por lá encontre a Sandra e a Isa. Talvez lá encontre os meus poetas, sempre de palavras tão certas:

Falemos da Lídia Borges ("coisas que cabem numa mão pequenina"... Gotas que, persistentes, salvaram a Flor... Foi preciso, apenas, que o menino acreditasse); Falemos do O Puma (Guardadas que estão as sementes da nossa flor viva um dia serão de novo caminhos de sonho nas mãos de outras crianças); Falemos da vontade imensa do jrd (Levantava o mundo do chão); da Mel de Carvalho que a uma imagem de sonho lhe junta a sua (... sem pão, não há liberdade... nem democracia que valha...) Por fim falemos do heretico, cujas palavras destaco, a finalizar: Há sempre no fundo da terra um húmus insuspeito...... Há sempre o vermelho e o trigo...Sabe-se lá quando explode uma flor!

19 abril, 2011

Os gestos para salvar a flor, tornando-a maior - II

Será o esforço do menino (e de todos nós) premiado
se a flor se mantiver dentro do paradigma do quadrado?

Quem chegar agora para me ler tem de saber o que está a acontecer. Tem de ter condições para participar na reflexão... Vejamos então: Há dias atrás solicitei, como pedido, que cada um colocasse uma acção que salvasse a flor, sendo que essa imagem seria a da Democradia, definhando murcha por maus tratamentos infligidos. A ressposta não se fez esperar e os contributos foram muitos mais do que os vinte pedidos. Mas, antes, tinha também dado conta que ou o Zé Povinho pensava fora do paradigma ou as coisas irião de mal a pior.
O paradigma por mim desenhado, é um quadrado: Um lado, definido pela pressão do capital financeiro que todos reconhecem especulativo mas inevitável face à situação de endividamento; Outro lado, a pressão da Comunidade Europeia, que todos reconhecem ser coisa feia mas sem alternativa pois a Europa foi o passo necessário e ninguém deve pensar o contrário; O terceiro lado, o do poder em alternancia dos ratões democráticamente eleitos pelos ratitos, sendo que aos não gatões é reconhecida a impossibilidade de ser poder por um milhão de razões que ninguém compreende mas que aceitam como regra do jogo Democrático; O quarto e último lado, o que faz a defeza do quadrado, sustenta a inevitabilidade das pressões e do poder dos gatões. Todo assim desenhado fica o Zé Povinho preocupado entre a opção de ter de continuar a trabalhar para a pressão ou saltar fora do paradigma e incorrer sabe-se lá em quê. Não posso deixar de saudar quem como a Fê-blue bird e a minha Fada do Bosque (incansável, nas vezes que veio de mão-cheia a dar de beber à flor) veio denúnciar o papel da imprensa. Imprensa e não só, vejam só o que me disseram: «Muitas das coisas mais importantes do mundo foram conseguidas por pessoas que continuaram tentando quando parecia não haver mais nenhuma esperança de sucesso.». Isto é pensar fora do quadrado. Mas neste domínio cito o que considero arrojado, contributo da Eva Gonçalves que nos diz: "pretende ideias (ideias é que é preciso, realmente e daí eu ter invocado a sua ideia de pensar fora do quadrado!), a ideia, vem na sequência da ideia do meu conto, mas refere-se à exigência por parte da sociedade civil de uma transparente e mais eficaz ou mais justa regulamentação dos mercados financeiros. Não podemos ser ingénuos pois as instituições bancárias são precisas mas não podem ter rédea soltam lucros imorais sem controle ou exigência de contribuição para o bem social comum! Se as economias se baseiam no pressuposto que os mercados funcionam per si, o que não é verdade... e as injustiças estão aí...então é preciso fazer essa revolução , não são as mudanças dos governos nacionais que vai resolver este problema, pois continuaremos reféns de instituições que nos cotam e manipulam a imagem e pressionam os mercados, a exigència tem de ser a nível global para regulamentar o funcionamento de todo mundo fnanceiro, para além de contrapartidas de uma percentagem desse lucro (autêntica agiotagem...), distribuíndo-o em projectos de desnvolvimento social. E pronto, foi uma ideia." Respondo a esta ideia (sem a colocar de parte) o que diz a minha tambèm incansável , mas por vezes descrente, Janita: "Essa coisa pequenina que cabe na mãozinha de uma criança e pode fazer da nossa Democracia, a Maior Flor do Mundo, será a cruzinha no local certo?...Sim?"


A minha resposta à Janita é sim, e só isso seria a Revolução de que fala a Eva


NOTA: Comentarei em posts seguintes outros contributos

18 abril, 2011

Os gestos para salvar a flor, tornando-a maior - I

Pode o combate à corrupção ser a água de que a Democracia precisa?

A Manuela Araújo, respondendo ao meu apelo, assim pensa: "A minha sugestão para ajudar a democracia é não pactuar com a corrupção, por mais "pequena" e "socialmente aceite" que seja. Nesse sentido, deixo aqui os parabéns ao Micael Sousa pelo seu projecto contra a corrupção. Acho que a corrupção é a pior doença da nossa democracia, e sem a combatermos a sério, a democracia não tem salvação."

Não tenho dúvidas. Só me pergunto qual o percurso mais curto para o menino "levar essa água" à flor carente. Michael de Sousa é generoso, tanto quanto a Manuela, e eu gosto de gente generosa. No seu projecto, ele propõe coisas concretas, nomeadamente que se assine esta petição, mas receio que apenas a generosidade seja água insuficiente. É que eu conheço (apenas uma parte) de como esse flagelo se instalou e como grassa moendo a seiva da Democracia. Sei como a minha deusa Thémis chora lágrimas de sangue por tal tormento e pela impotência em se fazer sentir e intervir. Ela sabe que sem leis justas não há justiça. E sem justiça, num Estado que se pretende de ser "Estado de Direito", nada feito. A corrupção anda a par com a injustiça. Por isso olho para as tentativas de o nosso Parlamento produzir a legislação adequada e dos porquês de terem dado em nada. Porquê as iniciativas do ex-ministro Cravinho ficaram pelo caminho? Porque não passaram as outras antes e depois desta, que se lhe seguiram? As maiorias parlamentares protegem a corrupção. É excessivo afirmar isto? Acho que não!

José, dá contributo importante para que a acção resulte e a flor se salve: "eu tentaria arrancar todas as ervas daninhas, à sua volta, que lhe sugam até a vida." Cortemos então as silvas, votando em gente honesta e não na que, por provas dadas, não presta.

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Não sou muito de oferecer selos e coisas assim, mas se quiser levar a minha Thémis para o seu canto, talvez isso lhe amenize o pranto

17 abril, 2011

Homilias dominicais (citando Saramago) - 36

Descobre-se Saramago, respeitosamente, perante a Maior Flor do Mundo...

No conto assim acontece. Descobriu-se o escritor, não sei se à flor se ao gesto esforçado do menino. Admitindo que a flor seja a Democracia Avançada, tiro eu, também, o meu chapéu a quem correspondeu ao apelo que fiz. 20 sugestões pedi. 20 sugestões (ou mais) apareceram. Se houvesse que dar destaque eu não hesito, por isto assim dito: "Guardadas que estão as sementes/ da nossa flor/ viva/ um dia serão de novo caminhos de sonho/nas mãos de outras crianças".

Assim, acabam os meus amigos de cometer um gesto que espero que se converta em acto politico:

HOMILIA DE HOJE

"Quando dizemos que é um resultado importante o viver em democracia, dizemos também que é um resultado mínimo, porque a partir daí começa a crescer o que verdadeiramente falta, que é a capacidade de intervenção do cidadão em todas as circunstâncias da vida pública. Ou seja, fazer de cada cidadão um político. A liberdade de imprensa, a liberdade de organização política é o mínimo que podemos ter, porque a partir daí começa a riqueza espiritual e cívica do cidadão autêntico."


José Saramago. Una mirada triste y lúcida, Algaba Ediciones, Madrid, 2007In José Saramago nas Suas Palavras

AVISO: Pela riqueza de alguns dos comentários (que pode ver aqui), farei na próxima semana posts alusivos

15 abril, 2011

E se a Maior Flor do Mundo fosse a Democracia? Se para a salvar fosse necessário fazer 20 coisas, que coisa lhe parece que podia fazer por ela?

Leio no texto, que se supõe destinado a crianças, como a coisa de facto aconteceu:

“Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele? Nem a sorte nem a morte, nem as tábuas do destino… Era só uma flor. Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou, de cansado. E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor. Mas que é da água? Ali, no alto, nem pinga. Cá por baixo, só no rio, e esse que longe estava!... Não importa. Desce o menino a montanha, atravessa o mundo todo, chega ao grande rio, com as mãos recolhe quanta de água lá cabia, volta o mundo atravessar, pelo monte se arrasta, três gotas que lá chegaram, bebeu-as a flor com sede. Vinte vezes cá e lá… …Mas a flor aprumada já dava cheiro no ar, e como se fosse uma grande árvore deitava sombra no chão.”

Vinte vezes cá e lá. Vinte certas, diz o escritor, e quero acreditar que sejam precisas tantas. Imagine, caro leitor, que a água não é água, mas sim porções de coisas esforçadas que é necessário fazer para salvar a vida da nossa flor. Pense que, de cada vez que se sobe a montanha, se deposita na Democracia muribunda algo que a faz, lentamente, renascer. Indique uma só, que esteja disposto a fazer ou que ache ser necessário que se faça... Lembre-se que há pequenas coisas, à semelhança das que cabem numa mão pequenina.

As imagens são do video . O texto é do livro de Saramago "A Maior Flor do Mundo"

14 abril, 2011

Será o trabalho para todos, uma flor? A Maior Flor do Mundo?

Continuo a faina que me apraz, lembrar o livro por aquilo que diz o filmezito premiado. Revejo a estória por um outro lado. O lado da pobreza e a abundância como margens do rio que tem uma e outra de cada lado e retiro a primeira conclusão: Não há clima e natureza que façam tal maldade, de forma tão desenhada. De um lado o verde luxuriante, do outro a secura extrema. Só pode ser obra de homens, mas não dos que juntam o suor àquilo que fazem. Só pode ser obra dos homens mandantes, mandando mal. As imagens seguintes, também do filme que ilustra o conto do meu nobelizado, não são ambíguas. Cruel a ruína das fábricas, desolador o abandono dos estaleiros. Nem vivalma se vê. O letreiro avisando o perigo arrasta consigo a ironia de o perigo agora ser outro. Sem terra agricultada e com toda a actividade parada que vai ser deste povo e do país? Que está acontecendo agora? Que aconteceu antes de agora, em tempos idos, para se chegar a este ponto chegado? Levanto as palavras para verificar, se por baixo delas, existe resposta. Sem sucesso pois as palavras, de todos os lados, são o que são e mais o que o leitor acha o que possam ser, dentro dos limites razoáveis desse entender. Escreveu Saramago sobre o menino: "Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho. Dali para diante começava o "planeta Marte". Para mim, leitor, por baixo e por detrás de tais palavras só poderia haver o entendimento de ser, aquele outro mundo, obra de marcianos. Riquezas de um outro mundo e não daquele que avistava da sua aldeia.

-- Disseram-me, ainda ontem, que o escritor não planeia as respostas, por isso não vale a pena procurá-las no livro. Nele ou a partir dele só saberemos exprimir perguntas ou simplesmente insinuá-las. Por isso procurei nas estatísticas o que me faltou saber no conto. E pronto. Cá estão os números que explicam a aridez. Por tantos postos de trabalho perdidos, como ver diferente a paisagem? Se a construção tem limites de necessidades e a industria não, porquê a inversão? Agora com a construção parada e a industria desactivada, que outra coisa pode ser o sonho de Saramago? Que representa afinal a "Maior Flor do Mundo"?


PS: Este texto enferma de um pecado quase original de tentar colocar os amantes das palavras a entender os frios gráficos e, ao invés, pôr os sisudos adoradores de números a encontrar a magia das palavras. Prometo não voltar a fazer o sacrilégio...


As imagens são retiradas do video e os dados da Pordata