10 fevereiro, 2016

Diogo, da "Maior Flor do Mundo" ao Polvo


Era ele bem pequenino, íamos sobre as ervas, levantando pedras, mostrando vida escondida que ele nem imaginava que havia. Eram "bichos-de-conta", "formigas-de-asa", "bichos-tesoura", centopeias, aranhas, lagartas e outras espécies, para ele todas raras. Percebi que as tratava com todo o respeito, depois de passar por uma fase em que tal não sucedia.
Pequenos bichos?, matava tudo o que aparecia.
Faço um esforço de memória e vou relembrar o passado. Talvez a mudança tenha acontecido depois de temos feito a pequena digressão das descobertas das pedras e o sentei no meu colo a mostra-lhe o conto "A Maior Flor do Mundo" e comentando, já nem sei com que palavras, a relação de amizade entre o miúdo e o escaravelho e a importância deste insecto... Talvez fosse a partir daí. Talvez...

Hoje, ele domina a natureza. E quando, destro, caça um polvo e a mãe lhe manda restitui-lo ao mar, ele obedece sem hesitar. Embora, lá no fundo, confesse pena enquanto conta:
"Vô, ele era tão giro... Apertava-me o braço... era mesmo meu amigo!"