07 fevereiro, 2016

As opções orçamentais, as exigências de Bruxelas e os comentadores.


Foi enquanto eu trabalhava na Coopers & Lybrand, muito antes da fusão mundial desta firma com a Price (em 1998) e consequente criação da PricewaterhouseCoopers (hoje PWC), que conheci Jaime Esteves. A nossa relação era esporádica e nem sequer era profissional pois eram muito distintas e sem afinidades as nossas áreas. Contudo, ambos reconhecíamos, cada um no outro, o valor profissional e ligava-nos esse reconhecimento nunca aprofundado numa amizade que a distância (eu em Lisboa, ele no Porto) estava longe de favorecer. 

Tudo isto a propósito das cada vez mais frequentes intervenções do Jaime Esteves na imprensa, emprestando a sua competência técnica a opiniões a que a PWC, através dele, tem vindo a ser solicitada. 

Hoje, reajo. Lendo o Público não calo o desgosto em o ver produzir afirmações desmentidas no próprio jornal, e no mesmo dia. Enquanto Jaime Esteves atribui a carga fiscal a opções do Governo, parece-nos claro que estas terão sido impostas por Bruxelas:

"Os Orçamentos são feitos de opções e este opta por uma difícil quadratura do círculo (...) O crescimento da carga fiscal nunca é positivo, nem para famílias, nem para empresas, nem para a economia em geral. Pelo contrário, o País precisa urgentemente de um desagravamento fiscal significativo, tornando-se um País amigo do investimento, para atrair capitais que lhe permitam crescer e criar emprego (...)"

"(...)Ao negociar com Bruxelas, já no último dia de discussões (...) foram introduzidos impostos sobre o consumo que, de forma indirecta, afectam o poder de compra das famílias. É o caso dos combustíveis, das compras de veículos, do tabaco ou do acesso ao crédito ao consumo (...)"
Nuno Ferreira Santos, hoje também, e no mesmo jornal