16 fevereiro, 2016

Poesia (uma por dia) - 84

 foto de Pedro Pinto
ANOITECER
"A luz desmaia num fulgor d`aurora",
Qual chama que se apaga humildemente,
Como se tivesse alma e fosse gente
Que percebesse que é chegada a hora...

"Não sei o que em mim ri, o que em mim chora"
No pouco que esta vida me consente,
Só sei que a luz me abraça mansamente
Quando se esbate, suave e sedutora...

"Horas tristes que são o meu rosário",
Mas que, às vezes, cobertas de ternura,
Mostram ser, da tristeza, o seu contrário

"E, a esta hora, tudo em mim revive:"
Ah, quanta lassidão!... mas pouco dura...
Apagar-se-me-á mal me cative...

Maria João Brito de Sousa - 28.01.2016 - 15.06h
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Nota: A autora do soneto ficará surpreendida por lhe ter omitido o poema primitivo (que ela glosa), e  por ter alterado a imagem que o ilustra, mas esse meu comportamento é a mensagem da necessidade de uma outra luz...