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06 agosto, 2026

A BOMBA SOBRE HIROXIMA MATOU, MATOU, MATOU (EXACTAMENTE NO ANO EM QUE EU VIM AO MUNDO)


 A bomba "Little Boy" ex­plodiu às 8h16­min02s, a 6 de agosto de 1945, hora de Hi­roshima. Qua­renta e três se­gundos após ter sido lan­çada do Enola Gay, a 580 me­tros acima do pátio do Hos­pital Shima, a 168 me­tros a su­do­este do alvo, a ponte Aioi, com uma po­tência equi­va­lente a 12.500 to­ne­ladas de TNT.

"Assim que olhei para o céu, houve um clarão de luz branca e o verde das plantas, sob aquela luz, pa­recia da cor de fo­lhas secas" - Me­nina de cinco anos que vivia nos su­búr­bios.

"Logo de­pois da voz da nossa pro­fes­sora, di­zendo 'Ah, ali está um B!' [B-29], nos fazer olhar para o céu, sen­timos um re­lâm­pago tre­mendo. Num ins­tante, fi­camos cegos e tudo se trans­formou num fre­nesim de de­lírio" - Uma jovem es­tu­dante uni­ver­si­tária.

"Como o calor do clarão chega num in­ter­valo de tempo tão curto, não há tempo para que ocorra qual­quer ar­re­fe­ci­mento, e a tem­pe­ra­tura da pele de uma pessoa pode subir [+50 ºC]... no pri­meiro mi­lis­se­gundo a uma dis­tância de [3,7 km]." – Es­tudo do pro­jecto Ma­nhattan (o pro­jecto de de­sen­vol­vi­mento da bomba ató­mica).

"A tem­pe­ra­tura no local da ex­plosão... atingiu os [3000 ºC]... e foram en­con­tradas le­sões tér­micas pri­má­rias pro­vo­cadas pela bomba ató­mica... na­queles ex­postos até [3,2 km] do hi­po­centro... As quei­ma­duras pri­má­rias são le­sões de na­tu­reza es­pe­cial e não são co­muns no dia-a-dia." - Es­tudo ja­ponês sobre o bom­bar­de­a­mento de Hi­roshima, 1976.

"Não acre­dito que al­guém al­guma vez tenha es­pe­rado ver uma cena como aquela. Onde dois mi­nutos antes víamos uma ci­dade clara, agora já não a con­se­guíamos ver. Po­díamos ver fumo e in­cên­dios a subir pelas en­costas das mon­ta­nhas." - Ro­bert Lewis, tri­pu­lante do B-29 Enola Gay.

"Se quiser des­crevê-la com algo fa­mi­liar, seria como uma pa­nela de óleo preto a ferver..." - Van Kirk, tri­pu­lante do B-29 Enola Gay.

Per­guntei ao Dr. Koyama quais ti­nham sido as suas ob­ser­va­ções em do­entes com le­sões ocu­lares. ‘Aqueles que viram o avião fi­caram com a su­per­fície ocular quei­mada’, res­pondeu. ‘O clarão apa­ren­te­mente atra­vessou as pu­pilas e deixou uma área cega na porção cen­tral do campo vi­sual. A mai­oria das quei­ma­duras na su­per­fície ocular são de ter­ceiro grau, pelo que a ci­ca­tri­zação é im­pos­sível.’" - Re­la­tório do Dr. Ha­chiya.

A luz não queimou aqueles que es­tavam pro­te­gidos dentro dos edi­fí­cios, mas a onda de choque da ex­plosão en­con­trou-os:

"Aquele rapaz es­tava num quarto à beira do rio, a olhar para o rio quando a ex­plosão acon­teceu, e nesse ins­tante, quando a casa de­sabou, foi ati­rado do úl­timo quarto para o outro lado da rua, para a margem do rio, e caiu na rua abaixo. Du­rante esse per­curso, atra­vessou al­gumas ja­nelas da casa e o seu corpo ficou cheio de todos os vi­dros que con­se­guiu reter. É por isso que es­tava com­ple­ta­mente co­berto de sangue."

"A apa­rência das pes­soas era... bem, todas ti­nham a pele ene­gre­cida por quei­ma­duras... Não ti­nham ca­belo porque o ca­belo es­tava quei­mado, e à pri­meira vista não dava para saber se as es­tá­vamos a ver de frente ou de costas... Man­ti­nham os braços [à frente do corpo]... e a pele — não só das mãos, mas também do rosto e do corpo — pendia... Se ti­vesse ha­vido apenas uma ou duas pes­soas assim... talvez eu não ti­vesse tido uma im­pressão tão forte. Mas onde quer que eu an­dasse, en­con­trava essas pes­soas... Muitas delas mor­reram na es­trada — Ainda as con­sigo vi­su­a­lizar na minha mente — como fan­tasmas am­bu­lantes... Não pa­re­ciam pes­soas deste mundo... Ti­nham uma forma muito pe­cu­liar de andar — muito de­vagar... Eu pró­prio era uma delas."

Fi­camos por aqui nos re­latos dos so­bre­vi­ventes. A des­crição do horror e do so­fri­mento das ví­timas, em larga mai­oria civil, está re­gis­tada em inú­meros re­latos e ima­gens, e, em par­ti­cular, no Museu Me­mo­rial da Paz de Hi­roshima.

Dos 255.000 ha­bi­tantes de Hi­roshima à data do ataque, 70.000 foram mortos na ex­plosão ou pouco de­pois. Até ao fim desse ano o nú­mero total de mortos as­cen­derá a 140.000 (55 % da po­pu­lação ini­cial) fruto dos fe­ri­mentos e do de­sen­vol­vi­mento da então des­co­nhe­cida “do­ença das ra­di­a­ções”. A estes há que juntar as ví­timas do ataque a Na­ga­saki, três dias de­pois (no mesmo dia em que as tropas so­vié­ticas in­va­diram a Man­churia e as ilhas Sa­ca­lina), do qual re­sul­taram cerca de 74.000 mortos.

Pela pri­meira vez na his­tória do homem tinha sido usada a arma ató­mica, num bom­bar­de­a­mento in­dis­cri­mi­nado de civis. Tratou-se de mais um crime do exér­cito Ame­ri­cano e uma das pá­ginas mais ne­gras da 2.ª Guerra Mun­dial.

(...)

 in jornal "Avante"- 6/8/2026

18 julho, 2026

POEMA DATADO, MAS... UMA TROVA CADA VEZ MAIS ACTUAL


TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

Manuel Alegre - Praça da Canção/1965

24 junho, 2026

MAIS UM SÃO JOÃO, SEM ALHOS PORROS NA MÃO MAS... COM MARTELINHOS DE IMPORTAÇÃO!


Martelinhos, "made in" China*

Tiram-nos tudo, ó São João
Que fazer desta má sina?
Festejos são ilusão
Com martelinhos vindos da China

Com martelinhos vindos da China
Vem ó santo em meu socorro
Inverte esta má sina
Devolve meu alho-porro

Devolve meu alho-porro
Evita tanta importação
Contribui para nosso aforro
Ó meu rico São João

Rogerito - junho/2018
______________
* Em 2011 a fábrica portuguesa (a "Estrela Paraíso), que criou o "martelinho", passou  a produção de meio milhão de unidades para cerca de 200 mil. A concorrência da China condenou a empresa que acabaria por encerrar no ano seguinte, como o vídeo documenta:

18 maio, 2026

UMA OBRA COLETIVA QUE FARÁ PERDURAR A MEMÓRIA DAQUELA MADRUGADA QUE TODOS NÓS ESPERÁVAMOS ...

 


"25 de Abril de 1974. Dia já longínquo no plano histórico, próximo no significado"... "Mergulhar na memória desse dia e da sua vivência e fixá-la num breve texto foi o desafio lançado aos associados da Espaço e Memória, Associação Cultural de Oeiras. Os testemunhos recolhidos, agora reunidos em livro, diversos no modo o no sentir, expressam uma evocação colectiva aos 50 anos da Revolução de Abril" 
E assim se pode ler na abertura do livro, lançado do sábado passado (16/5) perante uma assistência bem atenta e participativa.


Se eu estava lá? Claro, podia lá eu faltar! 
Estava na sala e estou no livro... 





16 maio, 2026

FALECEU ABEL MANTA? QUEM DISSE? (OS MEUS MORTOS NÃO MORREM!)

De Abel Manta guardo esta arte, para memória futura:

--
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PREC - Processo Revolucionário Em Curso - Algo que aconteceu e onde, ingenuamente, muitos acreditaram que tudo ia correr bem
.
-
PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento - Algo que vai acontecendo, de lamento em lamento
. -
-
- Parte do corpo dos humanos que insistem em dar aí o conhecido tiro, nos períodos eleitorais. A estes tudo corre mal
--
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P - Inicial da palavra Pulhas em uso desde o PREC e aos quais tudo corre, ainda hoje, pelo melhor

.
Em 1974, Abel Manta desenhou o puzzle.
Eu vou lendo as siglas, sofrendo-lhe os efeitos

01 maio, 2026

MAIS UM 1º DE MAIO... SE ESTIVE LÁ? PODIA LÁ EU FALTAR!?

Foi em 1962, tinha eu 17 anos e em pleno regime fascista, que soube que o 1º de Maio existia e até o celebrei (como já aqui lembrei).

E foi tal memória que me fez "dar corda aos sapatos" e lá ir. Não, não fui ao desfile, pois o "caruncho" me impede de tal. Fui à Fonte Luminosa e fiz bem em tê-lo feito. Minha Alma, sentiu a luta e Eu  cruzei-me com muitos camaradas e amigos. Visitei o stand do MURPI - Movimento Unitário dos Reformados, Pensionistas e Idosos e fiz questão de que nos tirassem esta foto, para memória futura de uma luta.  Plantámos essa luta num vaso. De lá, todos esperamos, nascerá um cravo. Um Cravo de Abril!






16 fevereiro, 2026

TERÇA FEIRA DE CARNAVAL!... AH!, QUE SAUDADE...


 Você é um homem?

Bah! Hoje você é palhaço!
Vista sua fantasia,
passe pó vermelho no rosto.
Aqui as pessoas pagam e querem rir.
E se Arlequim (a morte)
lhe roubou sua Colombina,
ria, palhaço, e todos vão aplaudir!
Mude para risos
esses seus espasmos e o choro,
vire o soluço e faça uma cara engraçada
Ah! Corra com a dor
Ria! Ria Palhaço,
no seu amor em pedaços.
Ria da dor que lhe envenena seu coração

 Rogério Pereira - Fevereiro/2024

"I paglacci", letra adaptada

06 fevereiro, 2026

QUE SAUDADE ESTA, DE MAIS UMA VEZ NÃO HAVER O QUE SEMPRE HOUVE...

Logo, ao jantar,
não haverá o que sempre houve,
não haverá à volta da mesa:
a alegria costumada
não cantarás
não cantarei
não cantarão
não cantaremos 
Não haverá velas num bolo,
troca de olhares
e flashes 
(os miúdos não vão poder apagar
as velas, nem também cantar)
Depois,
depois não fará sentido voltar a dizer
Ah, quanto te quero bem...
Ou, saudoso, talvez ainda diga
aquela frase batida
assim
Se não fosses tu
não sei o que seria de mim
 Disse-lhe um dia 
"O melhor de mim, somos nós"
...e assim será, para o resto

da vida que me resta 

Rogério Pereira/6Fev2026

24 dezembro, 2025

NÓS SOMOS OS AMIGOS QUE TEMOS, MAIS OS AMIGOS QUE JÁ TIVEMOS. A TODOS, TODOS, TODOS, DESEJO UM BOM NATAL


Não hesitei e volto à árvore. Chamei-lhe um dia árvore de Natal, e depois árvore dos amigos blogueiros. Hoje dou-lhe outro nome, chamo-lhe árvore genealógica. Reúne a primeira "família" que deu vida a este meu espaço e foi, ao longo do tempo se somando e alargando, mas também se subtraindo, pois muitos se foram e não voltaram. São poucos os que por aí andam e aqui estão. Em certo sentido, a imagem está empolada... contudo, nós não somos os amigos que temos. Nós somos também os amigos que tivemos, mesmo daqueles que me voltaram as costas e que hoje já nem se lembrarão que aqui estiveram, que por aqui andaram...  (a blogosfera já não é aquilo que era!)
eu, de todos eles, não me esqueço. 
eu, é para todos eles que escrevo, desde a primeira árvore, nesta mesma data, em 2010.

E fica, como prenda, a primeira canção de Natal por mim publicada

23 dezembro, 2025

Á MINHA AVÓ, CONHECEM-NA "DE GINGEIRA"... QUANTO À MENINA AMÉLIA... NÃO SEI SE LEMBRAM DELA!


A menina Amélia? Quem era? Escrevia eu, há quatro anos atrás, que "em meados da década de sessenta, tinha a menina Amélia cerca de 15 anitos, quando entrou naquela casa e passou ela a lavar a louça.

Mas, como indicador significativo, a quantidade de louça a lavar também reflecte o nível económico da família, pois numa família pobre, a louça é pouca. Aquela família, da classe média, usava os pratos todos e era significativo o número de talheres que a menina Amélia tinha que levantar da mesa. Exactamente seis: o casal, o Manuel e a Judite; o pai desta, o avô Garcia; três filhos, o Alberto, a Teresa e a Paula, a mais nova, que a menina Amélia sempre tratou por Paulinha.

A casa, uma moradia de dois pisos, quatro quartos e duas salas, davam trabalho na proporção e não era pouco. Sempre a somar, importa falar do quintal, onde, ao lado do galinheiro, numa pequena casa onde num tradicional tanque era lavada roupa, que os bons preceitos de higiene, determinava que fosse muita. Essa era também tarefa da menina Amélia, talvez aquela em que perdesse mais tempo pois a Paulinha gostava de dar à língua e a menina Amélia partilhava esse mesmo gosto, perante a aceitação paciente da Judite, a dona da casa.

Mais ou menos por essa altura, o Alberto frequentava a Academia Militar mas a folga da menina Amélia, decorrente dessa ausência, foi sol de pouca dura. É que, talvez uns três meses depois, entrei eu em cena. Ao casar com a Teresa, passei a habitar a casa e uns meses mais tarde, não muitos, nasceu a nossa filha João. E poucos anos depois, nasceu a Sandra. A menina Amélia manteve-se ao serviço, este mais aligeirado pela racional distribuição de tarefas e também por a menina Amélia não se sentir a criada para todo o serviço. Ela fazia parte da família e como tal, assim era tratada. Todos partilhavam com ela os seus sorrisos e as mulheres até cumplicidades. Mulheres, já não meninas. Menina, menina, só a Amélia.

Os anos foram passando. Primeiro o avô Garcia, depois o dono da casa. A menina Amélia partilhou connosco as suas silenciosas lágrimas. Com a morte do Manuel, a Judite veio viver para Oeiras e a menina Amélia por cá aparecia, não como mera visita, mas para ajudar num mundo de coisas, nomeadamente lavar a louça.

Falecida a Judite, a Teresa manteve-a. Falecida a sua (nossa) Teresinha, eu mantive-a e partilhámos juntos a dor de tão sentida partida.

O acordo é vir dar a volta à casa, deixando-a limpa e arrumada, de quinze e em quinze dias. Na semana passada esteve cá. Troca de roupas de cama, aspirar, passar a ferro, lavar chão e janelas, uma formiguinha ágil e trabalhadeira numa azáfama que não pára até à despedida.

Sexta-feira, ligou-me consternada: "Senhor Rogério, fiz o teste ao Covid e deu positivo". Falámos mais um pouco para detalhe do como terá acontecido e depois disso temos vindo a ligar um ao outro."

Hoje, visitei-a e falámos sobre as memórias que tínhamos. Estávamos nós nessa conversa, quando a nossa Poeta me ligou a comunicar que tivera alta. E lá fui de Benfica a Belém e, de pronto, leva-la a casa.

Amanhã direi do seu estado. Combinado? 


25 novembro, 2025

SE SALGUEIRO MAIA FOI HOMENAGEADO? SE SIM, NÃO DEI POR ISSO!


Transcrição da carta:
“Santarém, 14-12-75
Cara amiga
É impossível descrever por carta o que foi o “golpe 25 Nov”, e é incontestável que de lá saiu um reforço da direita; face a isso há toda a necessidadae de formar frente socialista para combater a direita e podermos atingir a tal sociedade mais justa. Para que isto aconteça é necessário não haver aventureirismos, pois pode voltar a acontecer outro 25 Nov, mas esse com muito sangue e se for perdido voltamos 50 anos ao fascismo. Quem não tem interesses a defender, económicos é claro, nunca defende a burguesia. As revoluções não surgem por acaso, constrooem-se não com gestos idealistas, mas com factos estudados e concretizados numa situação definida.
Com amizade e admiração
Salgueiro Maia”
(assinatura)

24 novembro, 2025

O 25 DE NOVEMBRO E COISAS DE QUE "NINGUÉM" FALA


Não quer ir ler no face book? Então leia aqui:

Conta o volume, com dados documentais concretos, o que foi a perseguição perpetrada contra quantos, a maior parte das vezes sob o mero pretexto de serem comunistas, foram presos, mesmo tendo ativamente participado na Revolução de Abril. O lado negro do pós-revolução aqui posto a nu, consubstanciado no confronto entre os  que «procuravam acentuar as vertentes democráticas da cultura naval e os defensores da continuação do autoritarismo militar».

Merece a obra uma leitura muito atenta, mormente porque nela se transcrevem textos não especificadamente datados, mas onde se usa o presente do indicativo. É o caso da referência ao «Grupo dos 80», identificado como «grupo de pressão político-partidário, organizado, que vem exercendo de facto poder na Armada durante os mandatos dos Almirantes Augusto Souto Silva Cruz e António Egídio de Sousa Leitão» (pág. 91), cuja acção, especifica-se, «se tem desenvolvido nos seguintes campos: orientação e condicionamento das decisões da Administração; ocupação, actualmente quase total, dos principais cargos da Armada, incluindo os de ligação à NATO; combate radical, desde sempre, à Constituição em vigor; perseguição aos militares democratas da Armada».

Acrescenta-se: «Foi particularmente notado o à-vontade com que, no seio da Armada, propagandearam a candidatura do General Soares Carneiro e, ‘na certeza’ da sua vitória, deixaram entender que após esta se seguiria a grande eliminação dos oficiais, sargentos e praças constitucionalistas e democratas. Em contrapartida, fomentaram abertamente acções de hostilidade em relação ao General Ramalho Eanes, o qual ainda hoje e apesar de eleito é combatido por este grupo».

Por isso, conclui-se nessa mesma página 91, que «trazer à luz do dia» o dossiê dos abusos de poder documentados tem manifesta oportunidade, por justificar as razões do «crescente descontentamento que reina no seio da Armada».


22 novembro, 2025

O 25 DE NOVEMBRO, O SEU CONTEXTO E ALGUMAS DAS SUAS CONSEQUÊNCIAS

Da contra-revolução ao resgate...

As celebrações do 25 de Novembro estão na ordem do dia, nestes dias próximos da data. E não faltam, por aí, intervenções opinativas e até artigos e livros. Contudo são focados em lutas entre militares e, nem marginalmente, se refere a analisa nem o contexto nem o efeito.

E como há imagens que falam melhor que mil palavras deixo estes desafios, imagem a imagem:
  • Foto 1: Frank Carlucci e Mário Soares, que terão dito um ao outro? E, depois desse dito, qual teria sido o compromisso?
  • Foto 2: PPD em tempos idos, sustentou sua posição até à confusão render frutos e isso aconteceu quando?
  • Foto 3: Será que a assinatura de adesão à CEE (hoje UE) cilindrou, de vez, o terceiro "D" do MFA, condicionando o desenvolvimento da economia?
  • Foto 3: Será que a "troika" foi mesmo embora ou terá deixado marcas irreversíveis da sua presença?
Como não sou de intrigas, investigue!

01 novembro, 2025

MAIS UM "SERÃO EM FAMÍLIA" PONDO A MEMÓRIA EM DIA

A iniciativa parte da Paróquia (Escuteiros) e envolve a gente idosa da Medrosa (o meu bairro). Na última sexta-feira de cada mês reune-se quem puder aparecer. À gente idosa juntam-se familiares, vizinhos, amigos e muitos, muitos jovens

Ontem, aconteceu mais um serão. Se estive lá? Podia lá eu faltar. A dada altura celebrou-se o aniversário de um não-ausente e a memória levou-nos a tempos idos...  e foram passados em revista o muito que deu condições de vida e alma à comunidade. Como houve imprecisão das datas, prometi-lhes passar-lhes um vídeo. Este: 


23 outubro, 2025

AS MEMÓRIAS SÃO COMO AS CEREJAS.... APANHAMOS UMA E, LOGO, MUITAS VEEM ATRÁS


 A "tertúlia" foi no Centro de Apoio Social de Oeiras (CASO) - Instituto de Ação Social das Forças Armadas onde se juntaram oficiais na reserva e alguns familiares. 



Na mesa estavam, o coronel Barão da Cunha, que abriu a sessão) e nos apresentou: Pedro Cunha (esteve em1965 na Guiné e, como foto-jornalista do «Público», em Guiné/1995 e Moçambique/2001); a mim, (que estive em Angola, como enfermeiro militar, em 1969/71 e voltei em 1992; e, também, na Guiné/1990 e Moçambique/1983 e 2000) e o editor Daniel Gouveia, que apoiou na projeção de imagens...


Foi comovente o dito e o apresentado por Pedro Cunha: fotos sobre as comunidades locais de Moçambique e da Guiné, com foco mais que justificado nas crianças e jovens... 


A encerrar as apresentações iniciais, falei eu. A minha expressiva imagem (na foto) resumia tudo o que a memória me ia inspirando. E como posso aqui resumir o que foi uma longa exposição? Talvez assim dizendo:
"As economias dos países que visitei em trabalho, na qualidade de consultor industrial, de há muito perderam a sua sua independência"
E lá deixei o testemunho de tal conclusão, falando dos Caminhos de Ferro de Moçambique, da Companhia de Diamantes de Angola, da Fábrica de Cerveja da Guiné e, por fim, da Barragem de Cahora Bassa.
(e aqui fica o que já reproduzi no ano 2000 e, depois, em 2001)








14 setembro, 2025

FOI HÁ CINCO ANOS QUE PARTIU... MAS PARA SEMPRE ESTARÁ PRESENTE


 
 Fui lá e percorri todos os espaços que são memória de um "nós" que nem a morte separa. Findo o percurso, fixei longamente aquele mar enquanto as ondas sussurravam mensagens sem fim. O vento parou para que ouvisse também as pedras e as nuvens se afastaram para que o sol me beijasse. Fiquei por ali tempos sem fim...

Já regressei e à chegada a emoção abraçou minha alma resignada e ambas contiveram uma lágrima. Só eu não contive a minha... 

Não, não é dor! É saudade!


20 agosto, 2025

SE NÃO TIVESSE PARTIDO... HOJE A NOSSA UNIÃO FARIA 59 ANOS



«...sempre fiz profundas reflexões em torno das atracções entre almas. Nos meus laboratórios das almas e da física sempre tenho pesquisado e encontrado o mesmo tipo de resultado: Almas de sinal diferente é que se atraem. Um, sem muito procurar, encontrava no outro coisas de espantar. A surpresa e o pequeno segredo revelado eram de mútuo agrado. O que uma alma não fazia, fazia a outra e vice-versa. Completavam-se. A atracção era permanente e a relação duradoira, pela vida fora. Discutiam, discutiam, discutiam. Quase sempre não havia acordo mas aceitam-se um ao outro (respeitavam-se, sendo o respeito uma regra básica e exterior à própria física das almas)»

Fomos tão felizes... Hoje resta a memória de tal felicidade!