31 dezembro, 2023

ELEGIA DO ANO VELHO, ODE AO NOVO

 

ELEGIA, DO VELHO ANO

Caros amigos,
sabendo que está quase chegada a hora
de me ir embora,
aproveito a oportunidade que me é dada
para vos deixar palavras medidas
bem pesadas e reflectidas.
Vou ser acusado de ter sido um mau,
muito mau ano.
Que grande engano…

Nada de mais errado
atribuir ao Tempo
aquilo que está fora das suas competências.
Não sou o causador de vossas dores,
ansiedades, medos e temores... 
Não sou eu quem semeia a pobreza, nem as guerras que infernizam a terra
sois vós próprios,
Caras senhoras e caros senhores.
Sois vós próprios e as vossas circunstâncias,
e mesmo estas não me podem ser imputadas. 
O tempo, este vosso servo,
apenas é uma referência intangível
a quem nada é exigível.
Ninguém até hoje me tocou.
Ninguém até hoje me fotografou,
me descreveu a rigor ou desenhou.
Contudo existo,
mas apenas marco referências
de cada facto ocorrido,
de cada acto omisso,
de oportunidades tidas ou perdidas. 
E logo, quando cada badalada for ouvida,
das doze que serão escutadas,
não esqueçam de juntar aos vossos doze desejos,
palavras minhas, aqui deixadas:
Que cada desejo não entregue ao tempo anseios
que dependem de vossos gestos.
O tempo nunca resolveu nada
que os povos não tenham querido resolver.
Que cada um saiba o que de importante pode e deve fazer.
Que a sabedoria vos ilumine. 
São os meus votos

____________________________________________
MINHA ODE AO ANO NOVO

Deixemos ir o velho e que fiquem seus desejos
Que eu fico e mesmo em sofrimento me renovo
Há 14 anos que por aqui ando
Na esperança de cada ano
Vir a ser um Ano Novo
Hoje, em dia que se quer solidário
Quebro o hábito
E desejo-vos  a todos  
Um justo MUNDO NOVO


 


30 dezembro, 2023

2023 EM BALANÇO (a nível nacional): O QUE CORREU BEM; O QUE CORREU MAL

Ia eu escrever, em desespero, que não há lugar para balanço pois tudo correu mal... que esta Demo_cracia é mesmo obra do demónio. 
Estava já para aí inclinado e eis que acedo a uma crónica que me fez recuar no intento. Li e reli e percebendo que de bem e de mal, está tudo lá, embora o balanceamento não se faça diretamente... 
Faça o leitor, mentalmente.

Por Carmo Afonso 

Público - 29 Dec 2023

Na sondagem da Intercampus para o Jornal de Negócios, Correio da Manhã e CMTV, há uma nova descida do PCP. Numa sondagem anterior, tinha sido ultrapassado pelo PAN, agora foi a vez do Livre. Sabemos que as sondagens não passam disso e sabemos também que, mais do que prever resultados, elas condicionam o voto. Mas vamos assumir que estes resultados são credíveis.

Tenho visto muitas pessoas genuinamente contentes com a descida do PCP. São anticomunistas; não reconhecem a importância de termos este partido entre nós e com uma representação parlamentar expressiva. A primeira coisa que lhes quero dizer é que estão enganadas. Como afirmou um querido amigo, “Portugal não é grande coisa, mas sem o PCP seria muito pior”. São inúmeras as dívidas de gratidão que temos para com o partido. Inúmeras. Sem o PCP, a grande maioria dos direitos de trabalhadores não estaria consagrada na lei, como está. Ninguém põe em causa a justiça de trabalharmos 11 meses para recebermos 14 salários, mas tempos houve em que isso era uma miragem. O PCP esteve sempre lá.

Mas isto não é apenas sobre gratidão pelo passado. É também sobre acautelar o futuro. A presença do PCP garante uma rede de estruturas, como as sindicais, de apoio efetivo aos trabalhadores. O desaparecimento, ou o simples enfraquecimento, dessas estruturas fará diferença na vida da maioria dos portugueses, mesmo daqueles que pouco se importam com o tema desta crónica. Sobretudo, o PCP costuma estar ao lado das boas causas. Alguns dir-me-ão: “E a guerra da Ucrânia?” A esses respondo que a posição do PCP foi um pretexto para o que já tinham, há muito, vontade de fazer: excluir o partido. O PCP defendeu, e ainda defende, uma paz negociada para a Ucrânia. Os militantes foram insultados por isso. Mas reparem que agora, em relação à guerra no Médio Oriente e estando do lado da Palestina, o PCP continua a defender uma paz negociada. Não falou em enviar armamento ou em dar qualquer espécie de apoio militar à Palestina. Consistência é isto. A paz, o primeiro valor do 25 de Abril, continua atual no PCP. Ainda bem.


No mesmo dia em que soubemos dos resultados da sondagem, morreu Odete Santos. À esquerda e à direita, ouvimos palavras sentidas de apreço e reconhecimento pelas qualidades de Odete Santos e pelas lutas que travou. Tudo foi pouco. Era uma mulher autêntica. Nada na Odete Santos — salvo a honrosa exceção do seu cabelo — era artificializado. Defendia apenas aquilo em que acreditava, e acreditava em coisas boas, como os direitos das mulheres e a causa dos trabalhadores. Não tinha medo do ridículo nem do espalhafato. Isto é a definição do oposto de uma pessoa chata. Ninguém poderia aborrecer-se a ouvir ou a olhar para Odete Santos. Para quem não me conhece, ou seja, quase todos vós, esclareço: não me ocorre melhor qualidade. De pessoas chatas, está o mundo cheio.

Foi triste saber que a Odete Santos deixou de existir. Foi metafórico ter acontecido no mesmo dia em que as perspectivas eleitorais do PCP não se revelaram grande coisa. A Odete Santos representa o melhor do PCP, mas o PCP representa também o melhor da Odete Santos. É belo ver os vídeos em que se entregou à defesa dos seus pontos de vista. Mas não era só a forma que era boa, o conteúdo também era. O conteúdo que ela apregoava é a matéria de que é feito o PCP e que podemos resumir como sendo a abolição de quaisquer relações de domínio.

Comunista é um substantivo, mas cresci a ouvir a palavra ser usada como adjetivo e não num sentido elogioso. Existe um sentimento anticomunista profundamente enraizado em Portugal. Assimilámos os preconceitos da Guerra Fria e diabolizamos pessoas que são provavelmente as melhores entre nós.

Ser comunista não é apenas meter uma cruz no quadrado do PCP. Calma que também não é um voto de pobreza como muitos pretendem. Deixemos isso para as ordens religiosas. Mas significa acreditar no partido e num mundo melhor. “As causas perdidas são exatamente aquelas que poderiam ter salvado o mundo”, escreveu Gilbert Keith Chesterton, cheio de razão. Não sei se o comunismo integra a categoria das causas perdidas, mas admito que, à distância a que estamos de uma sociedade comunista, tivessem de rolar cabeças para a instituir. Por mim, não acontecerá. Afeiçoei-me à vida da social-democracia europeia. Digo-vos isto para que percebam que não é o sonho comunista que me move. Mas insisto que precisamos de um PCP forte para termos uma social-democracia saudável.

E junto-me ao grupo dos que sentirão falta da camarada Odete Santos. Foi cedo e deixou um lugar impossível de preencher. 


29 dezembro, 2023

2023 EM BALANÇO(no plano pessoal): O QUE CORREU BEM; O QUE CORREU MAL

O ano que está prestes a terminar foi, no plano pessoal, intenso e diversificado. Intenso, porque, em tudo em que me empenhei, entreguei-me todo. Diversificado, porque, de tudo que me podia acontecer,  tudo me aconteceu. 

Vejamos o que correu bem:


Muitas e diversas foram as coisas que correram pelo melhor, mas concentro-me no que decorre da minha atividade com a escrita. Primeiro, com o lançamento da 2ª edição do meu livrinho (o dos "Contos"). A sessão, dirigida a directores das Escolas Básicas de Oeiras, deu inicio à distribuição de mais de 500 ex. a 10 escolas. Depois as diligências para a 2ª edição do meu primeiro livro, a qual está praticamente assegurada e a Associação 25 de Abril será a editora. Mas a cereja em cima do bolo foi a aceitação, por parte do Grupo de Teatro Nova Morada, em levar à cena a peça de teatro que escrevi (a imagem foi uma sugestão de cenário).

E o que correu mal?

Tinha, e deixei de ter, lugares de coordenação de movimentos de
intervenção cívica junto da minha comunidade, de posições em órgãos dirigentes de associações e, também, de responsabilidade de direcção na organização do meu Partido. Por força da minha saúde (ou falta dela) deixei quase tudo isso, sem abandonar totalmente a actividade... (na imagem, intervindo numa sessão de esclarecimento).


 

28 dezembro, 2023

AINDA ODETE SANTOS... AGORA E SEMPRE!

"Uma comunista tem de ser maior que a televisão para que a televisão dê notícia da sua morte. Da minha pequenez, direi apenas que Odete Santos foi grande até eu lhe perder a vista. E tenho a certeza que aqueles que a veem pequena é apenas devido às cataratas do preconceito anticomunista.

A primeira vez que senti Odete Santos em despedida foi em abril, abril de 2007 e registei:

Dela, guardarei as últimas palavras que disse no hemiciclo:

"Enquanto houver estrada para andar eu vou continuar!"

Não acredito que tenha sido pensada a frase ( duma canção de Jorge Palma com a merecida alteração do "eu" de ocasião em vez do "a gente") e ver Odete Santos citar Jorge Palma no Parlamento é para mim um sinal de esperança em Novos Tempos!

Agora não me vou despedir outra vez, era o que faltava! Nós vamos continuar, "subindo e descendo a calçada, as escadarias dos edifícios do poder e a avenida", enfrentando, como eu a vi um dia, o humor pequeno e inteligente do Araújo Pereira rendido à lagosta da burguesia, ocupando a tribuna da república para prostar pelo verbo a voz da mediocridade dos adoradores dos microfones da era da eletrónica, com um verbo de cada um mas com a razão coletiva.

Obrigado camarada Odete! Haja alguém que te atire uma pedra!"

Roubado ao Rei dos Leittões


 

27 dezembro, 2023

26 dezembro, 2023

CANTATA DE NATAL 2023

CANTATA 
(Que ano a ano tende a ser diferente)

À entrada são distribuídas as prendas
Beijos e oferendas
De cada a um a cada qual
Passando por ser
O Pai de Natal
Os miúdos poucos brincaram
Mas jogaram, e jogaram, e jogaram 
Enquanto...  
Na cozinha, o Luís trabalhou
A Sandra ajudou
O Paulo ajudou a Sandra, que o Luís ajudou
A Dulce o peru não cozinhou 
Pois desta vez tal acepipe faltou
Mas em compensação, que beleza
Veio de sonhos aviada e os colocou na mesa.
A Andreia ajudou a Luísa que ajudou a João
A servir a refeição 
Na cozinha e na sala
Ninguém se cala
O Mário, fala com o Pedro, que fala
Com o Luís, que fala com o Paulo
O Fernando também não se dá calado 
 E conversa com o Alberto e com o  outro Mário
Num outro lado, a Vanda
Cochicha com a Carla e com a Sandra
Todos falam com todos
Por todo o lado
E ninguém se dá calado
As poucas crianças
Escolhem correrias, andanças
Gargalhadas, meiguices, mimos
Entre irmãos e primos todos mais crescidos
Quase todos maiores, e já poucos pequeninos
Da Marta à Carolina 
Que é a mais pequenina
E assim foi o jantar de Natal
Entre guloseimas e afectos
De cunhados, filhas, genros,
Primos, sobrinhos e netos

Porque quem se estima
Também se esmurra
Fui andando e fui esmurrando
Até que a Carla tal regra fura
Para o ano será ainda mais diferente


Rogério Pereira


Eís-nos: "todos, todos, todos"
 

24 dezembro, 2023

CEIA NATALÍCIA (ESTA MINHA PANCREATITE É UMA CHATICE)


 Quando olhei a mesa, com doces e guloseimas bem atrativas, Meu Pâncreas remexeu-se e segredou-me "vê lá bem... nada de asneiras" e de repente a mesa ganhou recreativa vida e retorqui-lhe "Esquece! Vou-me fixar no espectáculo!"

22 dezembro, 2023

CRIANÇADA, EM ANIMADA BATUCADA EM TEMA NATALÍCIO


Como é sabido, gosto de crianças. Como é sabido, tenho parte da minha alma (aquela que não se deu fardada) em África. Uma coisa e outra estão espelhadas em obra escrita. Assim, quando vi e ouvi, não resisti. Ora vejam e oiçam:


Agradeço a Domingos Lobo a cedência do vídeo

21 dezembro, 2023

NATAL DOS SIMPLES

(reeditado, com alterações)


Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Meu avô levantava-se cedo, ainda antes do canto daquele galo que já deu azo a um conto. A sua primeira tarefa era acender a lareira. Lembro as chamas altas, ao inicio e depois o braseiro alimentado o dia inteiro. Lembro os odores de lenhas de azinho, figueira e troncos das cepas velhas à mistura com a suavidade, um pouco acre, do café que ela, minha avó, trazia de Lisboa. De fumos, pouco ou quase nada pois a saída fumava bem... Há idades em que o frio não conta. Agora me lembro que meu avô só não o tinha porque o espaço da chaminé dava para se sentar dentro dela, num maciço tronco que lhe servia de assento, junto ao braseiro. As mãos, secas e mirradas dos anos e das fainas, manejavam com a perícia experimentada em longos serões de inverno, o queijo a côdea e a naifa. Gestos lentos, apenas interrompidos para pegar na malga. O café aquecia-lhe a alma. A minha avó, essa, aquecia com a lida. Não parava. Não havia frio naquela casa, embora fosse pouco o tijolo, a telha fosse vã e o postigo mal encostasse, dado o empeno da madeira... Eram assim as férias de Natal, num encantamento que era prolongado com a euforia da chegada da família. Pai, mãe, irmã, tios e muitos primos. Uma casa cheia de gente, sem presépio nem árvore enfeitada, nada... Na véspera, a ceia, de mesa cheia de sonhos e rabanadas, era prolongada e terminava com meu avô recitando Aleixo e eu cantando canções do Joselito. Na manhã do dia, por sobre o sapatos deixados junto à cinza da chaminé, os parcos brinquedos eram uma outra chama alvoraçando a nossa imaginação. Do Pai de Natal, nem fala nem sinal. Dizia minha tia que eram reis e o Menino Jesus que doavam e apenas ela acreditava que nós acreditávamos no que minha tia dizia. Para a minha idade o tempo era lento, mas aquele  dia era curto, passava depressa. Depressa chegava a hora da abalada.
Nunca tive frio naquela casa...

19 dezembro, 2023

ESTE MEU CÉU PASSOU A TER MAIS UMA ESTRELA...


Este meu céu tem outro céu acima dele. Estrelas, vejo-as. Por vezes conto-as, mas perco-lhes a conta... No outro dia julguei perder uma que contei... chegou-me hoje pelo correio e jamais a esquecerei...

Obrigado caro Luis Rodrigues, 
era esta a estrela que faltava ao meu Natal

17 dezembro, 2023

SORRIA, APROXIMA-SE O NATAL!


Desejo-lhe Boas Festas
e, apesar de tudo, sorria !
--
É Natal, ninguém lhe pode levar a mal...
Nos dias que vão correndo torna-se necessário 
regressar às coisas simples
e, se possível, reaprender a sorrir lembrando quem nos deixou, num dia de Natal...




15 dezembro, 2023

... E COMO NÃO PÁRO, ONTEM FOI DADO MAIS UM PASSO...

Numa ampla sala, uma assistência atenta... todos avós
 a quem foram oferecidos
"Contos Para Serem Contados"... aos netos!

De entre a assistência, esta imagem foca gente mais amiga 
José Marreiro (Voz de Paço de Arcos)
Manuel B. da Cunha (Clube Alto da Barra)
 e Maria João Brito de Souza (a nossa sonetista)

Patrocínio Costa (atriz amadora), lendo o seu conto preferido
 com uma oralidade que só ela...


A encerrar a tertúlia, duas dezenas de dedicatórias... 

Também presentes, as ilustrações da autoria da Sílvia Mota Lopes



13 dezembro, 2023

SEMPRE FUI UM GAJO UTÓPICO... MESMO QUANDO NÃO SABIA QUE O ERA

 

Em resposta a um anterior comentário, algo desafiante ao deixar escrito que a "utopia não dá de comer a quem tem fome, nem amor a quem vive esquecido e só...Pense, escute, olhe, e espelhe isso, nesta sua pré-campanha eleitoral." 
Lembrei-me então de Galeano. Lembrei-me depois de um poema:

Pelo sonho é que vamos

Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
Ao que desconhecemos
E ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama - 1953

12 dezembro, 2023

A VERDADEIRA VISÃO DAS COISAS


A verdadeira visão não transforma em grandes, as coisas menores. Nem reduz as enormes coisas a pequenas, insignificantes ou desprezíveis coisas. 
A verdadeira visão espelha a real dimensão de tudo onde pousa o olhar.
 

11 dezembro, 2023

E COMEÇO HOJE (E AQUI) A MINHA PARTICIPAÇÃO NA PRÉ-CAMPANHA ELEITORAL


 Isto dizia um antigo. Modernamente eu digo o mesmo que esse antigo disse. Mas faço uma declaração de interesses: eu olho e não paro!

10 dezembro, 2023

ONDE PARAM OS DIREITOS HUMANOS? CELEBRAR A "DECLARAÇÃO" É MERA... NEM SEI O QUE DIZER!

O Dia dos Direitos Humanos celebra-se todos os anos, no dia 10 de Dezembro, (...) Se foi importante o reconhecimento dos direitos, mais importante é cumpri-los, mas há ainda muito por fazer.

Foi neste sentido que o Movimento Erradicar a Pobreza, emitiu um documento para assinalar e lembrar a data. O documento em questão tem um conjunto de dados que demonstram que erradicar a pobreza é um desafio longe de estar concluído e a realidade confirma-o.

No documento pode ler-se que «a crua realidade da situação da pobreza surge-nos como um filme quando lemos a informação do Instituto Nacional de Estatística e as notícias que nos trazem os jornais» e dá um conjunto de dados que sustentam a afirmação. 

  • Em 2022, 2.006 milhares de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social; 

  • Em 2020, existiam 49.694 reformados a receberam pensões até 111,52€; 217.533 a receberem pensões entre 111,53 euros e 275,29 euros; 1.101.218 a receberem pensões entre 275,30 euros e 438,81 euros; 

  • Sem-abrigo aumentaram 78% em quatro anos;

  • Seis em cada 10 pessoas têm dificuldade em pagar casa;

  • O número de jovens com casa própria cai para metade. Numa década, proprietários entre os 24 e os 34 anos recua de 300 mil para 150 mil. Baixos salários e dificuldades em obter crédito impedem acesso a habitação;

  • Dispara desemprego entre jovens e 50% do emprego é precário;

  • 42% da riqueza concentrada em 5% da população;

  •  Dados de 2022 revelam recrudescimento de fluxos para offshores. Portugueses enviam 7.400 milhões de euros;

  • 11 milhões de euros por dia. Foi este o lucro dos grandes bancos na primeira metade do ano;

Assim, para o movimento, esta situação contrasta com a Declaração Universal dos Direitos Humanos que assume a pobreza como uma das violações desses mesmos direitos. 

 

09 dezembro, 2023

REDACÇÕES DO ROGÉRITO - 56 (esta minha escola vai-me ficar na memória)

Tema da redacção: o tema de hoje foi-me inspirado pelo Noah

A minha mãezinha quando saio de casa a caminho da escola faz sempre a mesma recomendação de não ir pelo meio da rua e obedientemente não vou pelo meio mas sim com um pé no passeio e outro na estrada só interrompendo essa passada quando tropeço numa pedra e passo aos chutos a ela como se fosse bola o que dá cabo da biqueira e da sola.

Saio cedo de casa pois no caminho vou-me distraindo e quando podia levar poucos minutos quase sempre levo meia-hora até porque me pesa a sacola com todos os livros tabuada e cadernos e no inverno o frio é de rachar e eu por causa de tal peso preciso de ir devagar.

Quando chego a turma já lá está quase toda sentada e à minha chegada eu digo bom dia e quase todos me respondem em coro excepto um ou outro e até parece que perderam a língua mas dá-se o caso de serem filhos de gente rica que não liga a malta maltrapilha.

Por ser pequeno estou sentado na primeira carteira ao lado de um puto da Curraleira e à frente de dois um da Picheleira outro da comunidade de Chelas e são todos meus amigos e me ensinam coisas que até o senhor professor aprende embora ele se veja às aranhas para nos manter sossegados e atentos.

Quando for crescido quero manter viva a memória da minha escola das conversas com os meus colegas e das lições do meu professor!

Rogérito



08 dezembro, 2023

TERESA SILVA CARVALHO, DEIXOU-NOS


Diz-me o que cantaste, dir-te-ei quem foste. 
Tenho presente a sua voz e o seu canto. Selecionei a canção que me trás a lembrança de correr em minhas veias o sangue mouro e as imagens belas das planícies do "meu" Alentejo. 

Partiu ontem, mas deixou-nos o perfume da sua doce voz... 

07 dezembro, 2023

ARY, FARIA HOJE 86 ANOS...



Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.

Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.

E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.

Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.

Ary dos Santos 

06 dezembro, 2023

UM POEMA ROUBADO...

Monia Melro

 TUDO É BREVE

A cada pulsação
perdura a inicial certeza 
de que tudo é breve.

Se trocarmos os pés 
a deriva será o único caminho 
porque sabemos de aves cegas 
que trazem no voo 
o mapa incerto dos ventos. 

Por isso alinhamos os dias 
com a respiração. 
E escolhemos o silêncio 
para nomear as flores 
e partilhar o enigma branco 
das boninas no hora do crepúsculo. 

E deixamos deslizar a meia-luz 
no ângulo do olhar tão subornado 
pela trama dos momentos 
que nos legitimam a existência. 

Graça Pires 
De O improviso de viver, 2023, p. 20


05 dezembro, 2023

UM TRABALHO DE CRIANÇAS QUE HUMANIZA A ÉPOCA NATALÍCIA


 Liguei para a escola, no inicio da semana passada, a solicitar reunião com a diretora. Passada que lhe foi a chamada solicitei-lhe urgência numa conversa. Pediu-me imensa desculpa, mas estava muito ocupada com outras professoras a montar uma exposição de Natal. Depois de lhe dizer o tema, marcou-me para ontem e ontem lá estive.

Ao entrar no amplo espaço de acesso a todos os corredores e escadas, dei com a exposição. E que surpresa: nem Pai de Natal, nem trenó, nem renas, nem prendas... o que ali estava patente eram aldeias e casas e quase tudo aquilo que preenche o estar das comunidades... percebe-se que há trabalho a duas mãos, mas é patente a presença das mãos pequeninas...

Se fosse criança gostaria de frequentar aquela escola!

04 dezembro, 2023

UMA TRISTE NOTÍCIA: FALECEU UM HOMEM BOM!

Se ela precisasse do que precisava, ele lá estava.
Se ela tinha de ir ao Centro de Saúde ou ao Hospital, ele a levava.
Se ela necessitasse de adquirir medicamentos, ele ia à farmácia.
Se ela tinha de se abastecer, ele ia com ela ao super e ajudava.
Se ela via chegada a hora de receber, ele ia ao Banco e levantava.

Quem é ela? A Maria João, a nossa sonetista!
Quem era ele? O Manuel Rui, um homem bom e solidário!


A Maria João credita nos anjos sem asas porque teve o enorme privilégio de conhecer e ser incondicionalmente apoiada por um deles. Infelizmente, os anjos também morrem e este acaba de partir.
 
Repousa em paz, meu querido amigo. Até sempre. Palavras dela (de que me apropriei)





 

03 dezembro, 2023

SE PRECISO DO "GARRETT"? NÃO! QUANDO CHEGAR O MOMENTO, DISPENSO!


 A imagem está datada, corria o tempo da pandemia (2020) e ocorria a campanha solidária da Desenhando Sonhos com os artistas e com todos os trabalhadores que se entregavam (e entregam) à nobre arte teatral. Tratava-se de incentivar a ir ao Teatro e a apelar ao reforço de bilheteira pois, por razões de protecção sanitária, a venda de bilheteira incidia apenas sobre 1/3 da lotação da sala. A campanha provocou um reforço. Este reforço fez-se mediante a aquisição, por parte do público de um simpático peluche - um "Garrett" - o que correspondia a mais um lugar... 

Como referido tenho uma peça pronta de guião e texto, falta encontrar quem a encene e interprete e é aqui que cabe lembrar que, pelo menos três teatros têm uma dívida de gratidão que espero poder ser paga com o trabalho de montagem do espectáculo... amanhã vou almoçar com o Teatro Nova Morada... vamos ver...

Se, para encher a sala, preciso de um Garrett? Não! Quando chegar o momento, dispenso!

02 dezembro, 2023

ESCREVI UM TEATRINHO (PARA AS CRIANÇAS DAS ESCOLAS)

Daqui, só copiei o cenário...

O tema não é original, mas o meu texto e guião saíram-me da inspirada inspiração, sem pitada de plágio. Como o segredo é a alma do espectacular desvendo só a canção... podem cantar ( e como o António Variações o fazia bem)

I


Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças
Menos do que é preciso
O futuro é que paga
O futuro é que paga
Deixa-o pagar, deixa-o pagar
Se tu estás a gostar

 

Quando a cabeça não se liberta
Das graçolas, imitações
Toda essa distração, que te alegra
O futuro passa a coisa incerta
Cheia de privações, ilusões

 

II 

Quando a cabeça está convencida
De que ela é a oitava maravilha
O futuro é que sofre
O destino é que sofre
Deixa sofrer, deixa sofrer
Se agora isso te deu prazer

 

III

Quando a cabeça está nessa confusão
Estás sem saber que hás de fazer
E usas todo o teclado que te vem à mão
O corpo é que fica parado
Sem vontade de ir a qualquer lado

 

Quando o jogo toma conta do tino
E teu teclado é pequenino
A unha é que paga
A unha é que paga
Não paras de roer
Nem que esteja a doer

   

IV

Quando a cabeça não tem juízo
E te empenhas, menos do que é preciso
O futuro é que paga
O futuro é que paga
Deixa pagar, deixa pagar
Se tu estavas a gostar
Irás sofrer, deixa sofrer
Se isso te deu prazer

 

V

A ser cantado com toda a plateia


Quando a cabeça mostra ter juízo

E usa o telemóvel só quando é preciso

O futuro é que ganha

O futuro é que ganha

E se esta canção te soa a incentivo

Queres ser escritor: vamos a isso

Vamos a isso

Vamos a isso

Pois mostras já ter juízo 

_________________________________________

 

  Letra adaptada do original de António Variações