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20 dezembro, 2024

HÁ EXATAMENTE 12 ANOS ATRÁS ESTE MENINO MERECEU 15 COMENTÁRIOS! VEJAMOS HOJE, COMO VAI SER...


- Proquéque...
- Porque é que...
- Porque é que os filhos quando fazem batota com os pais pedem perdão aos pais e os pais quando fazem batota com os filhos não pedem desculpa aos filhos?
Com pouco mais de 3 anos, ele, tendo apenas 20% do meu universo de palavras,  já exprime 80% do meu juízo...
______________
Confirme o título e veja as datas dos comentários. Ah e veja quem comentou e não mais voltou

13 junho, 2023

Santo António, à desgarrada: Há 10 anos atrás, levaram um meu manjerico. Eu, com as quadras fiquei


Aqui, no ano passado
A desgarrada foi brava
Levavam um manjerico
E deixavam uma quadra

e foram tantas, lembram-se?
rosa-branca disse...
Santo António padroeiro
De quem em ti acredita
Dás tudo menos dinheiro
Andas teso e sem guita.

AC disse...
Fui dançar pr'o Santo António
P'lo caminho comi sardinha
É no sentir popular
Que a vida se faz rainha.

Turista disse...
Este ano o Rogério
Não nos dá um manjerico
Qual será então o prémio
se lhe deixar o tal beijito? 
Janita disse... Vou pegar no mote!
Com riscos de naufragar
Remando contra a maré
Somos bons a navegar
Desde a proa até à ré.

rosa-branca disse... Seguindo a Janita...
Desde a proa até à ré
P'ra viajar pelo mundo
Pois este ano a maré
Só nos dá barcos sem fundo.

maiuka disse...
As cantigas dos portugueses
São como os barcos navegando
Naufragaram já mil vezes
E vão sofrendo cantando

Graça Sampaio disse... Pegando no verso da maiuka:
Vamos sofrendo cantando
sem nunca baixar os braços,
peçamos ao nosso bom Santo
p'ra levar daqui o Passos...

Janita disse... Aí vou Rosa-Branca...
Só nos dá barcos sem fundo
Com riscos de naufragar
Cantigas de portugueses
São como barcos no mar.

Fê-blue bird disse... Pegando na Janita :)
São como barcos no mar
Mar português tão esquecido
Cabe a todos nós o salvar
E torná-lo Engrandecido

folha seca disse...
E pronto aqui estou eu
A responder ao desafio
para rimar só é preciso Juntar
o Manjerico e Lisboa
Ao seu lindo rio.

Sandra Subtil disse...
Por terras distantes andámos
Fomos reis e senhores.
Hoje pouco ou nada nos resta
Desse tempo de conquistadores.

Lídia Borges disse... Cá vai:
Isto de ser português
Tem muito que se lhe diga
Ou de fome ou de fartura
A todos dói a barriga

Tite disse...
 Jeito não tenho p'rá rima
E isso já to tinha dito
Só Sto. António me anima
Tanto como tu Rogérito.

Flor de Jasmim disse... Pegando no verso da Tite:
Tanto como tu Rogérito
gosto de comer sardinha
e até de dar ao pézito
estou à rasca é da mãozinha.

Manuela Araújo disse...
No risco de naufragar:
Santo António Casamenteiro!
No risco de não pensar: São Rogério Vinagreiro!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...
Em riscos de naufragar
Estou eu neste momento
Apenas consigo rimar
Coelho com Jumento

Janita disse...
Rimas Coelho com jumento
E rimas tu muito bem
Tão firme como um Rochedo
Lhes cantas como ninguém.

jrd disse...
Bem gostava de comentar
 Mas não estou p'ra aí virado
Porque não sou popular
E a rimar sou "quadrado".

Manuela Araújo disse...
Neste mar de incertezas
Nem os peixes vão escapar,
As cantigas portuguesas
Etéreas, vão flutuar.

Janita disse... Pegando no jrd (salvo seja)
Mesmo a rimar ser "quadrado"
Valeu a pena tentar
Barco que fica no cais
Nunca chega a navegar.

Gisa disse...
Cantigas de portugueses
Espalham mel pelo ar
Mas encantar "o português"
É que me faz delirar.

Malu Machado disse...
Foi em um 12 de junho
Que a Santo Antônio eu pedi
Para me deixar bem pertinho
De quem eu quero carinho

Sonhadora disse...
Uma quadra singela vou deixar
Num simples pedacinho de papel
Um mangerico verdinho vou levar
Para perfumar a minha pele

Fatima Valeria disse...
Santo Antonio queridinho,
Vou te dar um presentinho,
Também para teu menino,
Se me trouxeres um amorzinho
Para morar neste meu coraçãozinho

Jorge Castro (OrCa) disse...
se cão que morde não ladra
se navegar é preciso
venha a quadra que se enquadra
entre a mordida e o riso

Filoxera disse...
Deixo quadras na Conversa
E tu ofereces-me um manjerico
Já nada mais me interessa
O meu dia ficou mais rico

ematejoca disse...
Ó meu rico Santo Antoninho!
Se Portugal perder esta noite
contra a Dinamarca em Lemberg
Levas no focinho!!!

intemporal . disse...
Santo António casamenteiro
De Deus trazes-nos a união
Traz-nos também algum dinheiro
E já agora um mealheiro
Para que o futuro não seja em vão

Ana Martins disse...
"Está na hora do namorico"
Que Stº António abençoa
E já na janela o manjerico
Perfuma a nossa Lisboa.

nacasadorau disse...
Neste país de todos- os - Santos
Dança um Povo que por mais pobre
Pretende esconder os seus prantos
Seus anseios mais justos e nobres.

Barbara disse...
Cá onde o manjerico é manjericão
E cujo dono é São João
No Sto Antônio fui ouvir sermão
Igreja missa e em meu coração
A alegria de manter tradição
De festejos vindos do seu rincão
Rogério - depois da missa sua amiga
Foi à quermesse forrar a barriga
Com baiana comida
Sem culpa pela gula ou pela pimenta
Porque um contentamento a gente tenta!

02 junho, 2023

ONTEM, DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, NA APRESENTAÇÃO DO MEU LIVRINHO NÃO HOUVE A ESPERADA FESTA TERNURENTA...

 É verdade, não houve a tal festa ternurenta. Pais e avós foram entrando, foram chegando... e crianças... apenas uma menina, muito pequenininha, tímida e envergonhada! 

Pensando bem, tinha uma expectativa "fora da caixa", ignorando o que não devia ser ignorado. É que, não longe dali, no Jardim Municipal, dava-se inicio, nesse dia, às Festas de Oeiras e nessa mesma hora estava marcada, no palco principal, a actuação de Nina Toc-Toc. E como se tal não bastasse, também não longe dali, a EB Manuel Beça Múrias, tinha mobilizado todas as crianças para iniciativas a celebrar o dia.

Á hora aprazada deu o Daniel inicio à sessão a quem estava, seguiu-se o Jorge lendo o conto de que mais gosta (O Caracol Mole e o Senhor Escaravelho Seu Conselheiro) e eu fecharia, introduzido pelo Daniel. No vídeo abaixo, mostra-me de cenho carregado com o peso do desgosto com a ausência de crianças. Enquanto ele falava, com palavras dirigidas à Minha Alma, altura em que esta me segreda "he pá! porta-te à altura, pois todos os avós têm uma criança alojada dentro da sua alma" e foi com esse empurrão que minha cara se converteu em sorriso, e passei a desfilar palavras:

Falei de ter sido o meu avô, lá na quintinha, a inspirar-me pelos contos que me contava. Falei da minha infância e de como Raul Machado, com o seu "Charlas Linguisticas" me despertara para a oralidade das palavras. Falei da minha escola preparatória (Nuno Gonçalves) e de como esta escola punha a prática da escrita e da leitura no primeiro plano da aprendizagem. Falei da minha participação nos Jogos Florais, concurso literário envolvendo todos os alunos, e onde fui agraciado com o 2º prémio de poesia relembrando as duas primeiras quadras do poema, que ainda hoje tenho presente. Falei da importância dos avós e pais contarem contos e incentivarem à escrita.

Já dizia Saramago "Todos nós somos escritores, uns escrevem outros não!" e os que escrevem foram incentivados e preparados para isso. E por falar em Saramago, se lá estivessem as crianças que estavam noutros lados não deixaria de referir como é que o seu belo conto (A Maior Flor do Mundo) mexeu comigo.

Mas passemos ao pequeno apontamento, em vídeo:

04 julho, 2022

RELEMBRANDO A RÃ...

A "minha-mai-nova" convidou-me para jantar. E fui. À conversa falámos sobre tudo... e o Diogo trouxe-nos à memória aquela estória já contada... quando a minha filhota lembrou que também retinha uma fotografia. 

Pedi-a. E ei-la 


 Quanto à estória seria digna de figurar no meu livrinho...

30 julho, 2019

Voam! Juro que voam!

Voam! Juro que voam!
Eu também voo
Ela sai ao pai
Ele sai ao avô
Mas não haveria voo nenhum
Se não fosse a avó
Ah!, como eu gosto de os ver voando...

31 dezembro, 2017

Elegia ao ano velho. Ode ao Novo (em dia de aniversário)

Elegia ao ano velho. Ode ao Novo

Meu bom ano velho, que te vais
Cansado, trôpego, descomposto
Que não me fiquem teus ais
Leva para bem longe teu desgosto
E que ele não me apoquente mais

Sabes, velho tonto?
Em quantas das tuas 365 madrugadas
eu construía um sonho?
Em quantas das tuas 365 alvoradas
se me iluminava o rosto?

Sabes, velho refunfelho e travesso?
Sabes a esperança que te tinha, eras tu novo?
Sabes que lutei desde o teu promissor começo?
E o que sobra?, nem te conto
O que desse passado de esperança
eu não me esqueço
Sabes, velho safado?
Foste pouco novo
Mas esse pouco
Mesmo pequeno já foi tanto!

Vai,
Que eu fico e me renovo
Nesta outra mensagem em que me revejo
E que a todos endosso
BOM ANO NOVO! 
__________________________

Este blogue faz hoje oito anos. A data foi escolhida para que a comemoração se faça quer queira, quer não queira ou até nem se lembre dela.

17 setembro, 2017

Os dias de aniversário são para serem respeitados


Sobre a minha já sentida ausência, em dia próximo, virei explicar. Hoje apareço para vos dizer que os dias de aniversário são para serem respeitados e ontem foi um. Respeitados não por obrigação, mas como um valor. São uma forma de dar coesão à família.
E foram assim, sete anitos. Bonitos ___________________________________

Pronto, a pedido da Janita:

04 julho, 2017

Título honorífico atribuído a Maria João Brito de Sousa

Na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Oeiras, Paço de Arcos e Caxias foi atribuído, por unanimidade, o titulo honorífico de mérito na classe "Arte e Cultura" à Maria João*. Pedi-lhe, ao dar-lhe a notícia, que ela escolhesse um poema seu para que assinalasse, neste meu espaço, tal acontecimento. Por "maldade" mandou-me um meia-dúzia-deles e... teve que ser minha a escolha.

SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO
(Em decassílabo heróico)
Eu, que injectei nas veias das cidades
Sentinelas de pedra e de aço puro,
Que conquistei a pulso as liberdades,
Que asfaltei com suor cada futuro,

Eu, que paguei com sangue as veleidades
Registadas na pedra, em cada muro
E sigo em frente e moldo eternidades
A partir do que engendro e não descuro,

Não mais hei-de evocar forças ausentes!
Liberto o grito preso entre os meus dentes
Que irrompe deste barro em que me sou

E arrancarei de mim quantas correntes
Me prendam à mentira, ó prepotentes
Donos do que julgais que vos não dou!

_____________________________
*Foram ainda distinguidos: na classe ARTE E CULTURA, o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles; na CIDADANIA E SOLIDARIEDADE, a Associação Pombal XXI – Associação dos Moradores Bairros Pombal/ Bento de Jesus Caraça, a Associação Coração Amarelo (Delegação de Oeiras) e Edson Moreira - Projecto “MoreiraTeam Kickboxing”; na de DESPORTO, Mário Wilson

13 junho, 2017

O 13 de Junho de 1654 e uma dedicatória, para nossa memória

(REEDIÇÃO)
«Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.»-"
Sermão de Santo António aos Peixes", Padre António Vieira, pregado na cidade de São Luís do Maranhão em 1654(*)
gravura de Pieter Bruegel, 1557
Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!

12 junho, 2017

26 abril, 2017

O 25 de Abril. As comemorações em Oeiras - I


Referi eu ontem que o meu 25 de Abril começara no sábado passado, numa iniciativa digna. Referia-me a esta, promovida pela parceria entre a Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras  e a A25A - Associação 25 de Abril. Por mil e uma razões a ambas as associações estou particularmente grato.  Estendo essa gratidão a duas razões de alguma forma egoístas. Primeira, foi ter a EMACO concedido a honra de editar aquele livrinho de que alguns estarão lembrados. A segunda, foi por a A25A nos ter acolhido, na sua sede, a apresentá-lo.

Mas regressando à evocação de Abril (o meu amigo Jorge de Castro faz no seu espaço mais desenvolvida reportagem) assinalo aqui alguns aspectos:

Primeiro, a intervenção do meu camarada José Pós-de-Mina (o primeiro da esquerda na imagem acima) em dois aspectos que irão marcar decisivamente o futuro do poder local: um aspecto, tem a ver com a descentralização das competências no Poder Local se traduzir num descartar de responsabilidades do Governo Central nas autarquias em domínios de elevado peso orçamental (saúde e educação, mas também em outros) ficando assim à mercê de politicas restritivas e dos consequentes cortes orçamentais. Outro aspecto, os riscos de a alteração da Lei das Finanças Locais virem a limitar os recursos financeiros das autarquias à colecta de impostos, taxas e derramas, deixando as autarquias do interior e as de menor capacidade financeira entregues a si próprias, cada vez mais empobrecidas e agravado a capacidade de prestar os serviços públicos a que as populações, por dever constitucional, têm direito.

Segundo, o elevado nível atingido pelos momentos culturais (no inicio e no fim), de que sobressaem nomes (e rostos) que, quem não conheça, convirá registar.

O Duo Lavoisier  (Patrícia e Roberto); Raquel Cambournac; João Paulo Oliveira e Jorge Castro
Terceiro, a alocução de Simões Teles, em representação da Associação 25 de Abril, assim (quase na integra):
«As primeiras palavras são de agradecimento à Câmara Municipal de Oeiras pela cedência deste auditório municipal e pela adesão a esta iniciativa.
Não é por o Presidente da Câmara a ter ignorado que a A25A deixa de existir. Estamos vivos! E o mesmo facto também nos pode sugerir que as suas palavras sobre o 25 de Abril terão sido de circunstância.

25 abril, 2017

O meu 25 de Abril que começou a 22


É verdade, o meu 25 de Abril, começou a 22. Sábado passado, numa iniciativa digna, passou-se algo que merece ser assinalado. Tenho um texto, mas faltam-me imagens alusivas ao acto. Para não ficarem assim, a olharem para nada, adianto que das intervenções havidas, houve uma que vaticinava existir o risco da evocação de Abril cair em rotina. E antecipo isto, pois as imagens acima afastam esse risco (obrigado Eduardo). A avenida, hoje, encheu-se de juventude e quando a juventude pega, já não larga.

Voltarei a tal evento quando tiver acesso a imagens que ilustrem o que registei.

Hoje, foi assim, embora não desfilasse.


E não desfilei porque andei por outros lados. Por onde? Fica outra promessa adiada, pois o registo do que vale a pena registar, nos lados por onde andei, também carecem do que ainda não está disponível. Talvez amanhã...

21 fevereiro, 2017

Os opressores, os deprimidos e a tal revolução pré-anunciada


Andava há muito com um conto metido na cabeça e um dia resolvi escreve-lo. Registei então que a sinopse mereceria mais atenção que todo o resto do texto. 
Não retorno a edita-lo por outra razão que não seja dar resposta às inquietações manifestadas hoje por uma senhora-editora-executiva-adjunta que cita, de Bill Gates, este alerta: "daqui a 20 anos, trabalhos de armazém, condução de veículos ou serviços de limpeza serão assegurados por robôs".
E depois conclui a referida senhora, descobrindo a pólvora:
«A revolução está aí e os políticos fazem de conta que é ficção científica. Os outros, Bill Gates incluído, não encontram alternativa à taxação. A multidão que dará o seu emprego a uma máquina terá de sobreviver. E uma maneira de evitar a convulsão social é seguir o conselho do investigador Pedro Lima: criar um rendimento básico social para que os robôs trabalhem e as pessoas continuem a ter condições de viver. Pois só faz sentido as máquinas tomarem o lugar do homem para o libertar.»
Desengane-se ela, o tal Gates e o Pedro Lima. A revolução será outra. A data? Em Abril. A senha? "Conversa Avinagrada"!
Tal como o texto do meu conto pré-anuncia...

08 dezembro, 2016

Hoje, em Paço de Arcos, uma bonita homenagem à memória de José de Castro...


Eram algumas dezenas de pessoas, poucas, as que rodeavam a estátua-memória do actor José de Casto (1931/1977). A convocação da memória acontecera na véspera. Entre gente bonita e outra ali reunida estavam eleitos do meu partido, outros (poucos) de outros partidos, o Presidente da Junta de Freguesia,  familiares de actor falecido e a vereadora Marlene Rodrigues. Depois de discurso enquadrado (Voz de Paço de Arcos), a vereadora, nada intimidada pela presença de Eunice Muñoz e Fernando Tavares Marques, pegou num papel que levara, projectou a voz e nela a sua própria alma. E disse um poema:

O ACTOR

O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor pôe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.

Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.

O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.

Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.

Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.

O actor em estado geral de graça.

Herberto Hélder
NOTA: Há imagens. Quando as tiver, edito-as