24 maio, 2026

EU REFORMADO? (NUNCA TRABALHEI TANTO NA VIDA)


A minha Associação foi convidada por esta outra. E fui em sua representação! E julgam que fiquei sentado, a ouvir extasiado o som maravilhoso que emanava daqueles instrumentos, do violino à guitarra? Nem pensem!
Dei-me ao trabalho!
E vejam o resultado!

22 maio, 2026

ESTE MUNDO, SEM NÓS, TERÁ UM TRISTE DESTINO

Cito, adaptando o que está escrito, "Não guardamos os sonhos só para nós. Atiramos os nossos ao ar... deixamos que o vento os leve e que longe, muito longe, alguém os agarre e possa também sonhar."

Boletim da Desenhando Sonhos que está sendo distribuído em Oeiras

Triste, muito triste mesmo, é dar-nos conta de que neste mundo há quem nos destrua os sonhos que fazemos sonhar! Hora, vejam...


ESTE MUNDO, SEM NÓS, TERÁ UM TRISTE DESTINO



20 maio, 2026

"QUEM PORFIA, MATA CAÇA!"


Sobre o que há três anos atrás se passou com as crianças daquela escola, já disse um dia . Mas nesse dia não disse tudo. Este poema, escrito e dito por duas crianças, além de me tocar fundo, fez-me assumir um compromisso: o de fazer, no resto da minha vida, um caminho preenchido pela escrita.

Obrigado Laura! Obrigado Guilherme! Obrigado por tão ternurenta oferta. Obrigado queridos meninos, por me apontarem o caminho!

Caminho que tenho andado a percorrer e hoje foi um dia que confirma que "Quem porfia, mata caça!" 

Porque o afirmo?
Depois digo!


18 maio, 2026

UMA OBRA COLETIVA QUE FARÁ PERDURAR A MEMÓRIA DAQUELA MADRUGADA QUE TODOS NÓS ESPERÁVAMOS ...

 


"25 de Abril de 1974. Dia já longínquo no plano histórico, próximo no significado"... "Mergulhar na memória desse dia e da sua vivência e fixá-la num breve texto foi o desafio lançado aos associados da Espaço e Memória, Associação Cultural de Oeiras. Os testemunhos recolhidos, agora reunidos em livro, diversos no modo o no sentir, expressam uma evocação colectiva aos 50 anos da Revolução de Abril" 
E assim se pode ler na abertura do livro, lançado do sábado passado (16/5) perante uma assistência bem atenta e participativa.


Se eu estava lá? Claro, podia lá eu faltar! 
Estava na sala e estou no livro... 





17 maio, 2026

ACABOU O CAMPEONATO E... VIVA O BENFICA!


Em tempos idos fui Roger e já tinha sido Mourinho (com alcunha adequada ao meu sangue mouro). Hoje só sei que nada sei e abandonei a cena de dar lições aos netos... 
... mas acho que,
por este andar
a tal cena devia regressar 
pois a lição
permanece como então.

(E viva o Benfica!)
 

16 maio, 2026

FALECEU ABEL MANTA? QUEM DISSE? (OS MEUS MORTOS NÃO MORREM!)

De Abel Manta guardo esta arte, para memória futura:

--
--
PREC - Processo Revolucionário Em Curso - Algo que aconteceu e onde, ingenuamente, muitos acreditaram que tudo ia correr bem
.
-
PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento - Algo que vai acontecendo, de lamento em lamento
. -
-
- Parte do corpo dos humanos que insistem em dar aí o conhecido tiro, nos períodos eleitorais. A estes tudo corre mal
--
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P - Inicial da palavra Pulhas em uso desde o PREC e aos quais tudo corre, ainda hoje, pelo melhor

.
Em 1974, Abel Manta desenhou o puzzle.
Eu vou lendo as siglas, sofrendo-lhe os efeitos

14 maio, 2026

COMO SABEM, NUNCA DESISTO DE UM OBJECTIVO! E VOCÊS SÃO TESTEMUNHAS DISSO! NÉ?

Sim, quando tenho um objetivo, insisto! Não deito a toalha ao chão! Falo agora do tal conto, "O Avião de Papel". Lembram-se? E lembram-se de vos ter falado em alguém, para ilustra-lo? Mas, por várias razões, esse objectivo ficou pelo caminho. 

Mas, como o tema das alterações climáticas está (dramaticamente) na ordem do dia, voltei à luta e já encontrei alguém que vai ser meu parceiro. Para se aperceberem do seu estilo, vejam só como é diverso.

Acho que ele encontrará um "Matias" digno de ser figurante e um "Senhor Inverno" com as brancas barbas bem adequadas às mensagens que dará ao mundo. Vejam bem!






13 maio, 2026

"QUANDO A CABEÇA NÃO TEM JUÍZO... O FUTURO É QUE PAGA" (ontem foi a última representação)

Como estarão lembrados, a estreia foi um espanto. E até ontem, o sucesso foi acumulando. Sucesso indissociável do respeito pelo guião (de que sou autor) por parte de Nuno Loureiro (que foi quem encenou) sem pôr de lado, antes pelo contrário, o desempenho dos actores do Grupo de Teatro Nova Morada. Mas só fará sentido falar em sucesso pela avaliação das crianças medida pelas suas reações, comentários e ovações. Foi tão giro!!!

Que pena não vos poder proporcionar uma visão alargada disso mesmo... fica aqui o que foi possível trazer-vos. 


A MÚSICA É DO ANTÓNIO VARIAÇÕES

A LETRA É MINHA

Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças
Menos do que é preciso
O futuro é que paga
O futuro é que paga
Deixa-o pagar, deixa-o pagar
Se tu estás a gostar

Quando a cabeça não se liberta
Das graçolas, imitações
Toda essa distração, que te alegra
O futuro passa a coisa incerta
Cheia de privações, ilusões

Quando a cabeça passa a ter juízo
E usas o telemóvel só quando é preciso
O futuro é que ganha
O futuro é que ganha
E se esta canção te soa a incentivo
Então diz: vamos a isso
Vamos a isso
Vamos a isso
Pois passas a ter juízo

07 maio, 2026

POEMA, TENDO AINDA AS MULHERES COMO TEMA

 


Acordai
mulheres
que dormis
embaladas
por almas
desalmadas
desenhadas
nas passarelas da vaidade
nas capas das revistas
na ausência da cidade
na omissão dos dias
na mingua dos afectos
no silêncio da fome
que nos consome 

Acordai
almas de vestes finas
de fino recorte 
de lânguida aparência
na transparência
dos gestos ausentes
dos gestos dormentes
dos gestos mansos e quietos
das mulheres que dormem
em teu regaço

Acordai
Filhas, esposas,
mães
avós
  
Acordai
acordemos, todos nós

Rogério Pereira (Maio 2024)


04 maio, 2026

AINDA SOBRE O DIA DA MÃE (ou A dramática redução da natalidade e uma mão cheia de razões para explicar porque anda arredada a cegonha de tantos jovens casais)



Nos últimos tempos, e ainda agora, o tema da redução dramática da natalidade tem andado pelas páginas dos jornais sem que por lá ande, como devia, a reflexão sobre as causas. Proponho-me a isso, mesmo que não creia que as cegonhas sejam uma espécie em extinção, razão que basta para encontrar outras razões, que não essa.

Aqui vai uma mão cheia de razões:

03 maio, 2026

EM DIA DA MÃE, REEDITO O QUE SOOU TÃO BEM!

 
Estou sozinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
O minha mãe minha mãe
O minha mãe minha amada


José Afonso

Por vezes, da alma me sai
Falando a quem quero bem
Sou mais que teu pai
Sou mesmo quase tua mãe

Rogério Pereira

«Quem estava não tinha procurado a praia e fazia o que sempre ali se fazia, conversava. Conversava, de tudo e de nada até que, pela frequência com que passavam flores, o velho engenheiro, comentou o dia e o negócio que proporciona, dissertando pelo consumismo. Depois falámos de mães e de mulheres, de mulheres e de mães, a seguir de nossas filhas e das mães delas. Não falámos de nós a não ser por falarmos delas e percebemos quanto as admirávamos sem lhes endereçar um só adjectivo e ficando os elogios perdidos no que cada um ao outro contava. Antes de irmos, cada um à sua vida, deixámos quase sentenças:

- "Somos a mãe que tivemos", sentenciou ele.
- "Não é boa mãe quem quer, mas quem soube e o pode ser", disse, antes de me despedir.»
reeditado com pequenos acertos, de conversas antigas


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01 maio, 2026

MAIS UM 1º DE MAIO... SE ESTIVE LÁ? PODIA LÁ EU FALTAR!?

Foi em 1962, tinha eu 17 anos e em pleno regime fascista, que soube que o 1º de Maio existia e até o celebrei (como já aqui lembrei).

E foi tal memória que me fez "dar corda aos sapatos" e lá ir. Não, não fui ao desfile, pois o "caruncho" me impede de tal. Fui à Fonte Luminosa e fiz bem em tê-lo feito. Minha Alma, sentiu a luta e Eu  cruzei-me com muitos camaradas e amigos. Visitei o stand do MURPI - Movimento Unitário dos Reformados, Pensionistas e Idosos e fiz questão de que nos tirassem esta foto, para memória futura de uma luta.  Plantámos essa luta num vaso. De lá, todos esperamos, nascerá um cravo. Um Cravo de Abril!






30 abril, 2026

O MEU LIVRO ESGOTOU? OU SERÁ QUE AINDA HÁ, LÁ ONDE O DEIXEI À VENDA?



Nas Galerias do Alto da Barra, há uma livraria e uma tabacaria. O livro esgotou na livraria e na tabacaria, hoje de manhã, restavam  três exemplares.
Ou vai a correr, amanhã de manhã, e ainda tem oportunidade de agarrar um ou terá que esperar pelas Festas de Oeiras... 
 

29 abril, 2026

CARTA-ABERTA AO MUNDO


CARTA ABERTA AO MUNDO

(autora: Ykay Romay, cubana, 2026)

“À humanidade inteira, às mães do mundo, aos médicos sem fronteiras, aos jornalistas com dignidade, aos governos que ainda acreditam na justiça:

O meu nome é milhões. Não tenho apelidos conhecidos nem acusações relevantes. Sou uma cubana comum. Uma filha, uma irmã, uma patriota. E escrevo isto com a alma rasgada e as mãos a tremer, porque o que o meu povo vive hoje não é uma crise. É um assassinato lento, calculado e friamente executado a partir de Washington.

E o mundo olha para o outro lado.

DENÚNCIA PELOS MEUS AVÓS:

Denuncio que, em Cuba, há idosos que morrem prematuramente porque o bloqueio impede a chegada de medicamentos para o coração, para a tensão arterial, para a diabetes. Não é falta de recursos. É uma proibição deliberada. Empresas que querem vender a Cuba são multadas, perseguidas, ameaçadas. Os seus governos permanecem em silêncio. E, enquanto isso, um avô cubano aperta o peito e espera. A morte não avisa. O bloqueio, sim.

DENÚNCIA PELOS MEUS FILHOS:

Denuncio que há incubadoras em Cuba que tiveram de ser desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos a lutar pela vida enquanto o governo dos EUA decide quais países nos podem vender petróleo e quais não podem. Que há mães cubanas que veem a vida dos seus filhos ameaçada porque uma ordem assinada num escritório em Washington vale mais do que o choro de um bebé a 90 milhas da sua costa.

Onde está a comunidade internacional? Onde estão as organizações que tanto defendem a infância? Ou será que as crianças cubanas não merecem viver?

DENÚNCIA POR FOME INTENCIONAL:

Denuncio que o bloqueio é fome programada. Não é que falte comida — é que nos impedem de a comprar. É que navios com alimentos são perseguidos. As transações bancárias são bloqueadas. As empresas que nos vendem cereais, frango ou leite são sancionadas.

A fome em Cuba não é um acidente. É uma política de Estado do governo dos EUA, refinada ao longo de 60 anos, atualizada por cada administração, reforçada por Donald Trump e executada com zelo por Marco Rubio.

Eles chamam a isto “pressão económica”. Eu chamo-lhe terrorismo pela fome.

DENÚNCIA PELOS MEUS MÉDICOS:

Denuncio que os nossos médicos — os mesmos que salvaram vidas durante a pandemia enquanto o mundo inteiro colapsava — hoje não têm seringas, nem anestesia, nem equipamento de raio-X. Não porque não saibamos produzi-los. Não porque não tenhamos talento. Mas porque o bloqueio nos impede de aceder a insumos, peças e tecnologia.

Os nossos cientistas criaram cinco vacinas contra a COVID-19. Cinco. Sem ajuda de ninguém. Contra tudo e contra todos. Contra o bloqueio e contra a desinformação. E, ainda assim, o império castiga-nos por termos conseguido.

AO MUNDO DIGO:

Cuba não pede esmola.

Cuba não pede soldados.

Cuba não pede que a amem.

Cuba pede justiça. Nada mais. Nada menos.

Peço que deixem de normalizar o sofrimento do meu povo.

Peço que chamem o bloqueio pelo nome: CRIME DE LESA-HUMANIDADE.

Peço-vos que não se deixem enganar pelo discurso do “diálogo” e da “democracia” enquanto nos apertam o pescoço.

Não queremos caridade. Queremos que nos deixem viver.

Aos governos cúmplices que se calam:

A história irá julgá-los.

À comunicação social que mente:

A verdade encontra sempre caminho.

Aos que assinam sanções:

O povo cubano não esquece nem perdoa.

Aos que ainda têm humanidade no peito:

Olhem para Cuba. Vejam o que lhe estão a fazer. E perguntem a si próprios: de que lado da história quero estar?

Desta pequena ilha, com uma dignidade gigante,

Uma cubana que se recusa a render-se.

 

SE ESTE TEXTO TE TOCOU, PARTILHA.


 

27 abril, 2026

SE EU UM DIA VOU PARAR? CLARO! NINGUÉM É ETERNO!


A cena reporta-se a mais uma sessão comemorativa do 25 de Abril. Foi ontem, na Quinta da Atalaia e o momento ilustra o meu agradecimento ao GREECAM (que organizou) e ao Coronel Baptista Alves pelo seu bem documentado testemunho de como um golpe militar virou revolução. 

Seremos sempre, a memória que temos!

25 abril, 2026

19 abril, 2026

DIÁLOGOS AO DOMINGO - 1 (uma visita a hora imprópria)

 


Alguém (batendo à porta) - Truz! Truz!

Meu Contrário (em tom de gozo) - Batem leve! Levemente! Como quem chama por mim...

Minha Alma (interrompendo em voz aflita) - Conheço o toque! Não abras! É a solidão a querer invadir-te!

Eu ( em tom tranquilo) - Tenham calma! Vou abrir! Talvez a solidão precise da nossa companhia...

16 abril, 2026

HOJE... ACREDITEM OU NÃO... SINTO-ME LEÃO!


 É verdade! Senti-me Leão! Senti-me o Papa, não por saudar sorrindo aquele povo africano como eu já há muito fiz, mas por deixar isto dito:

"O mundo está a ser devastado por um punhado de tiranos”

Talvez lhe ligue para lhe dizer, citando Einstein:

"O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada" 

 

09 abril, 2026

... E, COM O LANÇAMENTO DO MEU LIVRINHO, TRAGO SURPRESA!

 Começo por lembrar que é já no próximo domingo, dia 12 e à mesma hora. 

A grande novidade é que... ora veja, 


É mais que um prémio!
Não falte e traga 
consigo
também
mais alguém
que me queira bem

Até lá

06 abril, 2026

E FOI MESMO DESTA QUE UM MEU POEMA PASSOU A CANÇÃO!

Lembram-se desta conversa? E sim, foi desta! O Julinho recomendou-me que não a divulgasse já pois ainda havia a fazer ajustes à produção. Dei-a a ouvir às minhas filhas e elas ficaram entusiasmadas. 
Seguindo a recomendação, limito-me a divulgar-lhe o estilo. 



05 abril, 2026

BOA PÁSCOA E NÃO ESQUEÇA...ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE



Tenho, desde sempre e hoje mais uma vez, assinalado este dia pela parte que a muitos esquece. Mas tal insistência, embora já canse, não desisto dela. Cá vai:
Se Israel vai dizimando a população de Gaza impedindo-a visitar Jerusalém mesmo nesta Páscoa,  não ligue a nada.
always look on the bright side of life
Se agora, mesmo sem os EUA, a NATO está em vias de conseguir melhorar a rapidez e a capacidade letal  reforçando a ameaça de poder vir ter a guerra à porta, que importa? 
always look on the bright side of life
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, e ainda assim não tem emprego assegurado, deixá-lo. 
always look on the bright side of life
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga.
always look on the bright side of life
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado.
always look on the bright side of life
Se cada vez mais menos se liga  no Direito Internacional, qual o mal?
always look on the bright side of life
Se há está instalado o medo de tudo e de nada, do pequeno comércio à venda de estrada e você vê reduzir o seu pé-de-meia, esqueça talvez nada aconteça
always look on the bright side of life

Se há milhões de crucificados neste dia...
Diga aquela frase cínica "É a vida"...
... e olhe sempre pelo lado bom que ela tem ainda.

Rogério Pereira

E a finalizar, tope os "comentadeiros" televisivos como alegremente comentam tal

04 abril, 2026

PARA JÁ, LEIAM O PREFÁCIO (da autoria da "madrinha" da minha escrita)

PREFÁCIO

Nesta Antologia, o autor coloca-nos diante da sua visão do

mundo, marcada por um forte sentido crítico relativamente às

maiores questões que hoje se colocam ao homem, numa ótica

da falta de consciencialização, ética e ação, face às mesmas. É

um conjunto de textos que resulta da experiência vivencial, ob-

servação e interpretação pessoal do mundo com o qual, o poe-

ta se sente em desalinho. É a expressão maturada do encontro

consigo mesmo, provocado pelo exercício de liberdade poéti-

ca que pretende reafirmar, perante familiares e amigos. Mas é

também o desejo/intenção de homenagear a sua companheira

de vida. É para ela, a quem carinhosamente trata por menina, o

primeiro poema (que dá título ao livro). O texto em causa ter-

mina com o verso - Falar de mim é falar de nós, deixando pairar

no ar a ideia de que o sujeito, por si só, não será capaz de rea-

lizar os sonhos e alcançar a felicidade. O pronome nós, não se

limita ao eu e tu do casal, claramente, mas a um universo bem

mais amplo e complexo. Esta é uma constatação patente, desde

logo, na epígrafe/dedicatória que se vai tomando mais visível, à

medida que se avança na leitura.

Há, no trabalho em presença, uma nítida tendência para a

objetividade, com raízes no neorrealismo (reconhecida e assu-

mida pelo autor) uma intenção declarada de eleger o coletivo

em detrimento do individual, conforme se intui no poema “Au-

to-Retrato” onde se lê: Diz nada decidir / sem convocar o coletivo

seu Eu,/ sua Alma e seu Contrário/ ao qual apelida de Juízo, porém

não deixa de revelar, a individualidade (o Eu é a voz da maioria

dos textos) e a impulsividade a que a Arte não se pode furtar.

À conceção da escrita comprometida, o autor parece querer

associar a ideia de um humanismo outro, capaz de minorar ou

até solucionar os muitos conflitos que, por todos os cantos do

mundo, assolam os povos. Puramente utópico - dirão muitos

de nós, leitores. A isso responderá Rogério Pereira com uma

afirmação que costuma repetir frequentemente e surge inscri-

ta no poema acima citado - Diz ser fácil mudar o mundo/só que

leva é tempo.

Uma genuína preocupação relativamente aos problemas de

carácter político-social transparece dos textos e julgo ser essa

mesma preocupação a despertar no autor a pulsão da escrita, a

necessidade de grafar o seu entendimento das coisas do mun-

do e da vida e a partilhá-lo com outros.

De registar, aqui e ali, um pendor acentuadamente irónico

relativo àquilo que, na perspetiva do autor, é frivolidade, desin-

teresse e dispersão e como tal, merece ser criticado, parecendo

querer tomar a seu cargo a função de orientador/mestre.

Vejamos, no poema “Crisálida” ... entregou ao silêncio/ as for-

ças resignadas/ e sentou-se, ansiosa/ à espera/ da hora/ da telenovela.

Ou em “Pele” - A pele, escrita/ A pele, poema/ A pele, prosa/ A

pele,/ a pele,/ a pele/ E ela? /Apenas uma mensagem: /”…porque

noutros lados// também há flores e barcos … e uma vida/ que é

muito mais a minha!”

Ou ainda em – “A primavera das mulheres pueris”. Na última

estrofe pode ler-se:[ ...] Então um ser que não olha o céu, / que não

tem assunto/ que não liga ao mundo/ que virada a cada momento/

só para dentro/ […]

Ah, mulheres/ temos que um dia falar/ olhos nos olhos...

Um reparo, apenas, no sentido de que a frivolidade não

pode ser entendida como apanágio de género. Ela existe, sim,

mas não diz respeito exclusivamente às mulheres. A frivolida-

de, por mais que possa parecer ridícula, a alguns, é transversal

a toda a sociedade, podendo ser encontrada onde menos se

espera. Contudo, não apenas de ironia e crítica social se faz

este livro, faz-se também:

  • de Sonho - O impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu;
  • de Utopia - Quem antes via apenas a árvore / pode agora ver / através de mim / a floresta;
  • de Esperança - Havemos de emendar o rumo errado.

E, então, a Poesia…


Lídia Borges (*)

2025/08/09


(*) Lídia Borges é o pseudónimo literário de Olívia Maria Bar-

bosa Guimarães Marques, natural de Braga. Professora do Ensino

Básico, sempre teve a Literatura como suporte imprescindível à

compreensão do Mundo e do Homem. Possui o grau de mestra-

do em Teoria da Literatura, na área de especialização de Estudos

Lusófonos, pela Universidade do Minho.

Tem obra publicada nos géneros de conto, crónica e poesia. Assina

vários títulos, alguns dos quais distinguidos em Prémios Literários.

É membro da Associação Portuguesa de Escritores.