04 maio, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 61 (seremos a mãe que tivemos)

(ler conversa anterior) 
Estou sózinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
O minha mãe minha mãe
O minha mãe minha amada

José Afonso (ouvir)

Por vezes, da alma me sai  
Falando a quem quero bem
Sou mais que teu pai
Sou quase tua mãe
Rogério Pereira

Quem estava não tinha procurado a praia e fazia o que sempre ali se fazia, conversava. Conversava, de tudo e de nada até que, pela frequência com que passavam flores, o velho engenheiro, comentou o dia e o negócio que proporciona, dissertando pelo consumismo. Depois falámos de mães e de mulheres, de mulheres e de mães, a seguir de nossas filhas e das mães delas. Não falámos de nós a não ser por falarmos delas e percebemos quanto as admirávamos sem lhes endereçar um só adjectivo e ficando os elogios perdidos no que cada um ao outro contava. Antes de irmos, cada um à sua vida, deixámos quase sentenças:
- "Somos a mãe que tivemos", sentenciou ele.
- "Não é mãe quem quer, mas quem soube ser", disse, antes de me despedir.