02 maio, 2014

Diário de um eleito - (6)


Entre uma data e outra, meteu-se esta: 29 de Abril, a testemunhar que se deve à primeira o feito de ocorrer uma Assembleia de Freguesia com comunistas eleitos. Dois, em vinte e um. Uma minoria, mas que dá para influenciar quem, connosco, se puser do lado certo. Das iniciativas que consideramos certas, também não enjeitamos apoio. Aconteceu com uma iniciativa do PS. Um texto bem desenhado a saudar Abril, que subscrevemos. Aliás, foi subscrito por todos. Para espanto nosso, as forças políticas que suportam o governo, subscrevem um texto que se insurge  contra o desvario que por aí vai e contra o neoliberalismo desenfreado. Se não é incoerência ou mera distração é louvável pronuncio de rupturas esperadas, quem sabe?
Também apresentámos uma saudação, com um texto quase integrando o que ouvimos de outra gente, dias antes, na Sessão Solene realizada na manhã de 25. O texto saudava os militares de Abril, os constituintes e o Poder Local Democrático. Aqui, aconteceu outro espanto, quem votou na constituinte contra a Constituição estaria disposto agora a votar tal saudação. Tal "apenas" não aconteceu porque os pressupostos estavam... desajustados.

Quando chegou a altura de votar as contas do exercício passado, votámos contra. Aproveitando a opinião do Presidente editada num jornal local, fiz ironia.

«Não é uma mega freguesia, é uma mini Câmara Municipal... com um micro orçamento»

... e terminava assim a declaração de voto:
«Dê o executivo, futuramente, prova de vontade politica em romper com esta penúria de recursos financeiros, com este esvaziamento de competências, e a CDU inverterá o sentido do seu voto. Entendam, por isso, os colegas de outras bancadas, que esta posição é, antes de mais, um apelo à mudança.»