08 maio, 2014

Poesia (uma por dia) - 63


Acordemos!
Acordai
mulheres
que dormis
embaladas
por almas
desalmadas
desenhadas
nas passarelas da vaidade
nas capas das revistas
na ausência da cidade
na omissão dos dias
na mingua dos afectos
no silêncio da fome
que nos consome

Acordai
almas de vestes finas
de fino recorte
de lânguida aparência
na transparência
dos gestos ausentes
dos gestos dormentes
dos gestos mansos e quietos
das mulheres que dormem
em teu regaço

Acordai
Filhas, esposas,
mães
avós
 
Acordai
acordemos, todos nós

Rogério Pereira

10 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

Um poema fortíssimo, Rogério!!!

Abraço tão forte quanto ele!

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Há tanta necessidade de acordar e de se recomporem...
Um tempo carregado de mentira e promessas. Vestidos de ilusão.

São disse...

Excelente!

ESperemos que se saia - finalmente ! _ desta letargia, que já não é sem tempo!!

Bom final de semana

Rosa dos Ventos disse...

Acordemos todos nós que embalamos a dor...ou mesmo o amor!

Mar Arável disse...

Para lá de todos os azuis

Abraço amigo

heretico disse...

Abraço, meu caro Rogério

forte!

com apelo e razão dos sias claros.

Cristina Cebola disse...

Olá Rogério!

Primeiro que tudo, gostei muito do poema!

Só há uma coisa que me apetece dizer: eu propunha, não um acordar, mas um renascer...

Abraço e bom fim de semana...:)

jrd disse...

Quando as mulheres acordarem embaladas, os homens irão enfim despertar.

Agostinho disse...

Belo poema, Rogério, para "acordar a flor que dorme na raiz".

Teresa Almeida disse...

A palavra como gérmen de mudança. Gosto.
Porque será que é tão difícil enxergarmos para lá das nuvens?
Beijo.