26 maio, 2014

O macacão

O macacão é um bicho bem sucedido, e não esconde isso. Serve-se do wrestling político e dos que acrescentam ruído ao ruído, inundando o espaço televisivo. Faz ainda mais: omite quem quer, nesse espaço e nos jornais; inspira discursos quase iguais; dá recados às redacções. A razão da sua satisfação é imensa: consegue essa obra de arte de colocar uma pequena quadrilha, quase sem expressão eleitoral, a influenciar todos os governos, os que tivemos e o que temos. Mas a grande, grande satisfação do macacão é diabólica e, também, resulta de sua obra: colocar o poder nas mãos daqueles que nem se expõem ao voto e conduzir um caminho que desde que foi iniciado nunca foi votado. Ele é o verdadeiro dono desta democracia apoucada. Ele é o verdadeiro dono da conduta da abstenção. Acho mesmo que o macacão se confunde com a própria abstenção. Há quem diga que ele é filho dela, só existe porque a abstenção o permite. Sou mais da opinião que a abstenção é obra do macacão. 
Que fazer?