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18 julho, 2026

POEMA DATADO, MAS... UMA TROVA CADA VEZ MAIS ACTUAL


TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

Manuel Alegre - Praça da Canção/1965

09 junho, 2026

FOI TÃO GIRO, AQUILO... LÁ NA "FEIRA DO LIVRO"


 E no domingo, lá fui à "Feira do Livro" e fui ver o  CORO DE LEITURA EM VOZ ALTA - CLEVA OEIRAS

“O desaparecimento da leitura em voz alta é muito estranho. (…) Já não há o direito de colocar as palavras na boca antes de as meter na cabeça? Já não há ouvidos? Já não há música? Já não há saliva? As palavras já não sabem a nada? O que é que se passa? (…) Venham soprar nos nossos livros! As palavras precisam de corpo! Os nossos livros precisam de ter vida!”
Daniel Pennac in “Como um romance”
Um coro de vozes leitoras. Um coro, não para cantar mas para ler. Lemos livros a várias vozes e construimos novos universos sonoros. Lemos em voz alta em conjunto. Produzimos novos sentidos a partir de um texto utilizando um colectivo de vozes. Acentuamos ou diluímos uma emoção, destacamos ou escondemos um significado, damos um som harmonioso, polifónico, emocionante, às páginas da literatura.
Um coro para todas as idades, um coro para todos

06 junho, 2026

AÍ VEM O NOSSO "PIQUENICÃO"! VENHAM PARTICIPAR! (OU APENAS VENHAM VER COMO É)


Para terem uma ideia, nas edições nacionais do Piquenicão do MURPI - Movimento Unitário de Reformados, pensionistas e Idosos, costumam juntar-se mais de 50 grupos de cantares, corais, música e ginástica provenientes das várias associações de reformados de todo o país. Estima-se que estarão connosco, no Jardim Municipal de Oeiras, mais de 4 000 pessoas vindas de todos os distritos...

Se eu vou lá estar? Claro!, e até faço parte do grupo que está a organizar a coisa...



 

27 maio, 2026

SE ELES ESTÃO COM CUBA, POSSO LÁ EU FICAR DE FORA?!


"A canção usa o sonho com cobras como uma metáfora para os problemas, as opressões ou os inimigos quotidianos que tentam silenciar as transformações sociais. O ponto mais célebre da música é a inclusão de um poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, recitado ou cantado na faixa"
Sacado de um comentário da Ematejoca

01 maio, 2026

MAIS UM 1º DE MAIO... SE ESTIVE LÁ? PODIA LÁ EU FALTAR!?

Foi em 1962, tinha eu 17 anos e em pleno regime fascista, que soube que o 1º de Maio existia e até o celebrei (como já aqui lembrei).

E foi tal memória que me fez "dar corda aos sapatos" e lá ir. Não, não fui ao desfile, pois o "caruncho" me impede de tal. Fui à Fonte Luminosa e fiz bem em tê-lo feito. Minha Alma, sentiu a luta e Eu  cruzei-me com muitos camaradas e amigos. Visitei o stand do MURPI - Movimento Unitário dos Reformados, Pensionistas e Idosos e fiz questão de que nos tirassem esta foto, para memória futura de uma luta.  Plantámos essa luta num vaso. De lá, todos esperamos, nascerá um cravo. Um Cravo de Abril!






29 abril, 2026

CARTA-ABERTA AO MUNDO


CARTA ABERTA AO MUNDO

(autora: Ykay Romay, cubana, 2026)

“À humanidade inteira, às mães do mundo, aos médicos sem fronteiras, aos jornalistas com dignidade, aos governos que ainda acreditam na justiça:

O meu nome é milhões. Não tenho apelidos conhecidos nem acusações relevantes. Sou uma cubana comum. Uma filha, uma irmã, uma patriota. E escrevo isto com a alma rasgada e as mãos a tremer, porque o que o meu povo vive hoje não é uma crise. É um assassinato lento, calculado e friamente executado a partir de Washington.

E o mundo olha para o outro lado.

DENÚNCIA PELOS MEUS AVÓS:

Denuncio que, em Cuba, há idosos que morrem prematuramente porque o bloqueio impede a chegada de medicamentos para o coração, para a tensão arterial, para a diabetes. Não é falta de recursos. É uma proibição deliberada. Empresas que querem vender a Cuba são multadas, perseguidas, ameaçadas. Os seus governos permanecem em silêncio. E, enquanto isso, um avô cubano aperta o peito e espera. A morte não avisa. O bloqueio, sim.

DENÚNCIA PELOS MEUS FILHOS:

Denuncio que há incubadoras em Cuba que tiveram de ser desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos a lutar pela vida enquanto o governo dos EUA decide quais países nos podem vender petróleo e quais não podem. Que há mães cubanas que veem a vida dos seus filhos ameaçada porque uma ordem assinada num escritório em Washington vale mais do que o choro de um bebé a 90 milhas da sua costa.

Onde está a comunidade internacional? Onde estão as organizações que tanto defendem a infância? Ou será que as crianças cubanas não merecem viver?

DENÚNCIA POR FOME INTENCIONAL:

Denuncio que o bloqueio é fome programada. Não é que falte comida — é que nos impedem de a comprar. É que navios com alimentos são perseguidos. As transações bancárias são bloqueadas. As empresas que nos vendem cereais, frango ou leite são sancionadas.

A fome em Cuba não é um acidente. É uma política de Estado do governo dos EUA, refinada ao longo de 60 anos, atualizada por cada administração, reforçada por Donald Trump e executada com zelo por Marco Rubio.

Eles chamam a isto “pressão económica”. Eu chamo-lhe terrorismo pela fome.

DENÚNCIA PELOS MEUS MÉDICOS:

Denuncio que os nossos médicos — os mesmos que salvaram vidas durante a pandemia enquanto o mundo inteiro colapsava — hoje não têm seringas, nem anestesia, nem equipamento de raio-X. Não porque não saibamos produzi-los. Não porque não tenhamos talento. Mas porque o bloqueio nos impede de aceder a insumos, peças e tecnologia.

Os nossos cientistas criaram cinco vacinas contra a COVID-19. Cinco. Sem ajuda de ninguém. Contra tudo e contra todos. Contra o bloqueio e contra a desinformação. E, ainda assim, o império castiga-nos por termos conseguido.

AO MUNDO DIGO:

Cuba não pede esmola.

Cuba não pede soldados.

Cuba não pede que a amem.

Cuba pede justiça. Nada mais. Nada menos.

Peço que deixem de normalizar o sofrimento do meu povo.

Peço que chamem o bloqueio pelo nome: CRIME DE LESA-HUMANIDADE.

Peço-vos que não se deixem enganar pelo discurso do “diálogo” e da “democracia” enquanto nos apertam o pescoço.

Não queremos caridade. Queremos que nos deixem viver.

Aos governos cúmplices que se calam:

A história irá julgá-los.

À comunicação social que mente:

A verdade encontra sempre caminho.

Aos que assinam sanções:

O povo cubano não esquece nem perdoa.

Aos que ainda têm humanidade no peito:

Olhem para Cuba. Vejam o que lhe estão a fazer. E perguntem a si próprios: de que lado da história quero estar?

Desta pequena ilha, com uma dignidade gigante,

Uma cubana que se recusa a render-se.

 

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27 abril, 2026

SE EU UM DIA VOU PARAR? CLARO! NINGUÉM É ETERNO!


A cena reporta-se a mais uma sessão comemorativa do 25 de Abril. Foi ontem, na Quinta da Atalaia e o momento ilustra o meu agradecimento ao GREECAM (que organizou) e ao Coronel Baptista Alves pelo seu bem documentado testemunho de como um golpe militar virou revolução. 

Seremos sempre, a memória que temos!

25 abril, 2026

16 abril, 2026

HOJE... ACREDITEM OU NÃO... SINTO-ME LEÃO!


 É verdade! Senti-me Leão! Senti-me o Papa, não por saudar sorrindo aquele povo africano como eu já há muito fiz, mas por deixar isto dito:

"O mundo está a ser devastado por um punhado de tiranos”

Talvez lhe ligue para lhe dizer, citando Einstein:

"O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada" 

 

05 abril, 2026

BOA PÁSCOA E NÃO ESQUEÇA...ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE



Tenho, desde sempre e hoje mais uma vez, assinalado este dia pela parte que a muitos esquece. Mas tal insistência, embora já canse, não desisto dela. Cá vai:
Se Israel vai dizimando a população de Gaza impedindo-a visitar Jerusalém mesmo nesta Páscoa,  não ligue a nada.
always look on the bright side of life
Se agora, mesmo sem os EUA, a NATO está em vias de conseguir melhorar a rapidez e a capacidade letal  reforçando a ameaça de poder vir ter a guerra à porta, que importa? 
always look on the bright side of life
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, e ainda assim não tem emprego assegurado, deixá-lo. 
always look on the bright side of life
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga.
always look on the bright side of life
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado.
always look on the bright side of life
Se cada vez mais menos se liga  no Direito Internacional, qual o mal?
always look on the bright side of life
Se há está instalado o medo de tudo e de nada, do pequeno comércio à venda de estrada e você vê reduzir o seu pé-de-meia, esqueça talvez nada aconteça
always look on the bright side of life

Se há milhões de crucificados neste dia...
Diga aquela frase cínica "É a vida"...
... e olhe sempre pelo lado bom que ela tem ainda.

Rogério Pereira

E a finalizar, tope os "comentadeiros" televisivos como alegremente comentam tal

28 março, 2026

"PROVA DE FOGO PARA A CÂMARA DE OEIRAS - O CASO FUNDIÇÃO"

Imagem da sessão de apresentação do Projecto, a cargo dos serviços técnicos da Câmara 

As comunidades locais andam arrepiadas com a ameaça de uma nova urbanização, que trará consequências tremendas nas condições da vida, na mobilidade e com preocupantes impactos nos serviços públicos.

À megalómana dimensão de tal urbanização, dedicou o Arq.º José Manuel Fernandes a sua esclarecida atenção, escrevendo um artigo no "OBSERVADOR". Escreveu ele, ao que titulou ser "Prova de fogo para a Câmara de Oeiras - O caso Fundição". Leia aqui, caso possa.

Caso não, subscreva a petição!


20 fevereiro, 2026

HOJE VOLTEI A SENTIR-ME RUSSELL


«A vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias.» ou “O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido.”

Bertrand Russel, dixit 


15 fevereiro, 2026

MAIS UM DOMINGO GORDO EM QUE VOLTEI A SER PALHAÇO! PALHAÇO, POIS! QUE PENSAM VOÇÊS QUE SOIS?

PROVOCAÇÃO
 
Levantei-me
Barbei-me 
E fiz o que sempre faço
Mascarei-me de palhaço

Desci à rua
Andei
Depois atravessei
Segui em frente
Passando por muita gente

Gente
Passando indiferente

Subi a rua
Andei
Regressei
Tanta, tanta gente
Passando indiferente

Só então reparei
Tinham todos a mesma máscara
Fazemos parte 
da mesma palhaçada

Ah, o que teria rido
Fosse eu, palhaço rico

Rogério Pereira, reeditado (c/alterações)