03 setembro, 2026

A PITY DEDICOU-ME UM POEMA. DEPOIS DE O LER, MINHA ALMA LEVANTOU VOO


 «Vou-me juntar ao bando.

Preciso dizer-lhes que há pelo menos um homem

que, como nós, sabe voar.»

Autor : Rogério G.V. Pereira

 

Talvez tenha sido uma gaivota

que um dia me disse isto ao ouvido,

quando o mar ainda guardava

o último azul da tarde.

 

Encontrei um homem.

Não tinha asas.

Mas quando abriu as mãos,

o mundo pareceu caber nelas.

 

Não o vi subir.

Vi-o permanecer de pé

quando o vento

mandava que baixasse a cabeça.

 

Vi-o caminhar

sem medo da distância,

sem mapa, sem perguntar

onde começava o céu.

 

Há perguntas

que nos prendem à terra

antes de encontrarmos

a resposta certa.

 

Foi então que compreendi:

voar não é fugir.

É permanecer

quando o vento nos empurra.

 

É confiar no caminho

mesmo quando o horizonte

ainda não se deixa alcançar.

É abrir as mãos

sem saber o que nelas pousará.

 

E guardar dentro de nós

aquilo que amamos

sem deixar de abrir espaço

para o mundo.

 

Por isso, se um dia

me virem caminhando junto ao mar,

não pensem que estou perdido.

 

Talvez esteja apenas à espera

de que alguma gaivota reconheça,

nas minhas mãos vazias,

o desenho de duas asas.

 

Talvez então eu compreenda

que o céu nunca esteve

tão longe como pensei.

 

E, quando o vento chamar,

sem medo de não saber para onde,

hei de me juntar ao bando.

 

©Piedade Araújo Sol 2026-08-27

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