Quando acabei e saí,
pela forma como me olhavam
acho que não foi tão mal, assim
(só soube que podia ir falar
15 minutos antes de o ir fazer...)
Ao desconcerto do mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.
«Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira de uma estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1.200 anos, e uma tartaruga bem pequenininha ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas, dizia eu. E dizia-o muito bem pois elas estão sentadas mesmo. Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia dessa vida?- Formidável - disse a tartaruguinha mais nova 12 depois - vamos fazer um pique-nique?Vinte e cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o pique-nique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerante, elas partiram. Oitenta anos depois chegaram a um lugar mais ou menos aconselhável para um pique-nique.- Ah - disse a tartaruguinha, 8 anos depois - excelente local este!Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão de que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas.- Está bem - concordou a tartaruguinha três anos depois - mas só vou se vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.Passaram-se cinqüenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais 17 anos e nada. Mais 8 anos e nada ainda. Afinal uma das tartaruguinhas murmurou:- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?As outras concordaram, rapidamente, dois anos depois. E esperaram mais 17 anos. Aí outra tartaruga disse:- Já estou com muita fome. Vamos comer só um pedacinho de doce que ela nem notará.As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, 15 anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:- Ora, vamos comer mesmo só uns docinhos enquanto ela não vem.Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:- Ah, murmurou ela - eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora não vou buscar mais o abridor, pronto!Fim (30 anos depois).»
Millôr, no seu melhor
Mais uma vez não confirmei se estaria e fui. Julguei dever estar pois tenho defendido que Caxias devia continuar a merecer ser o que já fora, uma freguesia com identidade. Contudo, a data comemora a elevação de Caxias a Vila que ocorreu em 24 de Julho de 1997 o que, não sendo o mesmo, se presta a que eu assinale, mesmo desconhecendo o protocolo do hastear das bandeiras, que a Bandeira Nacional figura em primeiro lugar relativamente à que ostenta estrelas. Tal facto atenua o outro impacto, o do pano roto que por seu turno retrata a situação das freguesias e o "Estado do Município" como tão bem o retratou, este outro eleito
«Ponha aqui o seu pezinho
devagar devagarinho
se vai à Ribeira Grande
eu tenho uma carta escrita
para ti cara bonita
não tenho por quem a mande»
Cancioneiro, cantado num Centro de Dia
Os fregueses da minha freguesia suportam os custos de exploração do balcão, contribuem assim para os lucro dos privados, e, ainda por cima, permitirão à ANACOM confirmar que estão atingidos os objectivos da entidade privada, por não há quem se queixe de nada.NOTA1: O Secretário de Estado, foi um dos votou não à reversão.
«O balcão dos Correios de Nova Oeiras, sob a gestão da Junta da União das Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, irá previsivelmente registar cerca de 15 mil euros de prejuízo, enquanto os CTT encaixarão um lucro de «apenas» 19 milhões de euros.»
Que cidades teremos em 2030? A crescente urbanização tornou as cidades em ecossistemas sociais complexos onde é imperativo assegurar o desenvolvimento sustentável. Por essa razão, convidamos os investigadores Miguel de Castro Neto e Luís Vicente Baptista para uma reflexão sobre as principais ideias para o futuro a caminho dos ODS “Cidades e Comunidades Sustentáveis” e “Educação de Qualidade”.Assisti e não dei por ter perdido o meu tempo. Primeiro, porque tudo aquilo que no meu conto (reeditado) julgava se ir passar em 2090, Miguel de Castro Neto, na sua douta intervenção, diz que é já para 2030. Sem as competências de um ex-Secretário de Estado do Governo de Passos, tenho, no mínimo, direito a ter errado no meu prognóstico, o prazo.
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| Esta imagem é uma fotomontagem minha, a original anda por ai... |
Sem vivas, nem vaias, fui (como todos os outros) muito aplaudido.«(...) jamais colocaremos as pessoas no centro das discussões que pretendemos vivas e respeitadoras do diálogo democrático.
O que poremos em causa não serão as pessoas.O que poremos em causa, sempre que acharmos nosso dever o fazer, serão a obra que não corresponda ao benefício e aos anseios das populações.O que poremos em causa serão as trapalhadas, acaso ocorram.O que poremos em causa serão as decisões do executivo que não se baseiem em critérios transparentes e aprovados pela Assembleia.O que poremos em causa será a falta de rigor no cumprimento dos procedimentos que a lei determina.O que poremos em causa será a postura subserviente perante a Câmara, ignorando ou fazendo tábua rasa das competências consagradas na lei.O que poremos em causa serão a prepotência ou a tendência para usar uma maioria absoluta contra o diálogo democrático e contra a dignidade da Assembleia e do Poder Local Democrático.
Se lembramos tudo isso, é porque no anterior mandato tudo isso aconteceu e, como diz o nosso bom povo, “mais vale prevenir do que remediar”.
Registem que não nos limitaremos a pôr em causa tudo o que acharmos dever ser porto em causa.
É marca da CDU apoiar todas as propostas, venham de que força política vier, desde que nos pareçam oportunas e adequadas e contribuam para o bem-estar das populações. É igualmente nossa marca ter iniciativas e propostas (...)»
Ocupado a escrever a minha intervenção de tomada de posse, dei com esta crónica, e cá vai disto. Caso gostem, façam o favor de irem saudar o autor.
«O grande auditório do Núcleo Central do Taguspark, em Porto Salvo, foi pequeno para as centenas de pessoas que quiseram assistir à tomada de posse do novo presidente da Câmara de Oeiras, tendo sido colocado um ecrã gigante no exterior para os que não tiveram lugar puderem acompanhar a cerimónia.Este texto, tão curto, contém uma inverdade e um exagero. A inverdade é que eu não fui lá para ver a tomada de posse do novo presidente da Câmara. O exagero é que nem todo o auditório o aplaudiu. Entre muitos que não aplaudiram, um deles fui eu. E quanto ao estar de pé, já estava. É que para recolher a imagem para a produção do vídeo que se segue, sentando, ninguém consegue...
Trinta minutos depois da hora marcada, às 18:30, Isaltino Morais entrou na sala, merecendo um longo aplauso de pé de todo o auditório»