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24 fevereiro, 2025

MESA REDONDA 16 - TEMA: O MEU 80º ANIVERSÁRIO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar feliz) - Hoje, atendendo à data, nem seria necessário a convocatória, pois... 

Minha Alma (antecipando-se, cortando a palavra) - Pois é um dia histórico. Passar de septu a octo é passar uma fasquia que só nos pode dar alegria...

Meu Contrário (desafiando Minha Alma) - Cantemos, então!

Meu Contrário e Minha Alma (em coro) - Parabéns a você! / Nesta data querida/ Muitas felicidades/ Muitos anos de vida

Eu (esticando o polegar direito) - Então vamos a isto! Chegar a nona, todos juntos, vai ser com uma perna às costas.

(ao som de fortes aplausos de toda a família, cai o pano)


10 abril, 2024

ARTE... COM OVO A CAVALO


Quando a arte circense 
se junta à arte gastronómica... 
a cena é extraordinariamente 
brilhante, até na vertente cómica


 

09 março, 2022

ESTAMOS À BEIRA DE VER ACORDO ASSINADO (A MENOS QUE "ALGUÉM" SE INTROMETA)

Ontem, estava eu refastelado no meu lugar preferido para os interregnos que de quando em quando ocorrem, quando o noticiário me dá resposta a uma pergunta que há muito me ocupava a mente: as condições da Rússia, para o fim da guerra. 

 

Hoje, pela manhã, o "Expresso Curto", pela pena da jornalista Joana Pereira Bastos, dava conta do que há tanto eu mantinha uma ávida esperança:

«Ao 13º dia de guerra, parece ter começado a esboçar-se uma possibilidade de entendimento entre a Ucrânia e a Rússia. Numa entrevista ao canal norte-americano ABC, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mostrou estar disposto a fazer cedências a Putin, desistindo da adesão do país à NATO e aceitando discutir o estatuto da Crimeia e dos territórios separatistas de Donetsk e Luhansk. “Podemos chegar a um compromisso”, afirmou Zelensky, dando um sinal de abertura às negociações, em vésperas do primeiro encontro entre os ministros dos negócios estrangeiros dos dois países, que terá lugar amanhã na Turquia e que pode vir a ser decisivo.»

Assim, estaremos à beira de ver um acordo assinado (a menos que alguém se intrometa).

02 agosto, 2021

ZECA AFONSO

«Devemos a José Afonso um conjunto de canções e pensamentos que mudaram o curso da música em Portugal. Insatisfeito com as formas e práticas da canção de Coimbra, atento aos contextos sociais e políticos do país real, foi criando uma obra que abriu e alargou horizontes, juntando à criação musical objetivos de luta. Primeiro contra o regime, depois em favor da criação de um modelo de sociedade. Através dos arquivos da rádio e televisão da RTP, entre entrevistas, atuações e reportagens, José Afonso fala-nos de si, das suas canções e de como estas refletiram as suas ideias. Juntando parceiros e nunca perdendo uma noção de rumo este é um percurso central na história da música portuguesa ainda hoje vivo e pungente tanto pelas memórias das gravações do próprio José Afonso como pelas versões que outros continuam a criar a partir da sua obra».

No dia em que Zeca Afonso completaria 92 anos, a RTP transmitiu o documentário inédito «José Afonso: Traz Outro Amigo Também», da autoria de Nuno Galopim e de Miguel Pimenta, seguido de um concerto filmado no Capitólio, «O Cantinho do Zeca», com direção artística de Agir. 

Não perdi, acabou agora mesmo (23h19min)

20 maio, 2019

Manuel Veiga, estive lá!


Obviamente, estive lá. Foi no sábado passado, à mesma hora em que algo acontecia num outro lado. Mas como o futebol é tão só e apenas a coisa mais importante de entre aquelas que não têm importância nenhuma... fui dar-lhe um abraço, comprar-lhe o livro e cobrar-lhe um sorriso. Fica na contracapa o poema, o primeiro a ser lido:
ARGILA DO SONHO...

Neste arfar dos homens um destino mudo.
Suspenso. Como as labaredas de um incêndio.
Pressentido apenas no voo inesperado
Dos insectos. E no delírio do restolho.

Somos o sopro que fecunda o fogo. Elos de um percurso
Que os ventos traçam. E de que os deuses zombam...

E, no entanto, nesta ardência da vontade (que se expande)
Perdura uma febre e uma surda espera.
Como se a Festa de outrora
Mais que festa fosse aurora...

Ou uma palavra nova. A despontar no léxico
E na gramática do Mundo...
Manuel Veiga, in Perfil dos Dias

12 setembro, 2018

Não me perdoo, perdi a conversa com Mia Couto...


Não me perdoo perder essa conversa entre Zeferino Coelho e Mia Couto. Mas... pensando bem no que foi a Festa era mesmo impossível estar em todo lado. Vendo uma espécie de balanço fotográfico... (fotos de Egídio Santos) teria de ter perdido outra coisa e não me teria perdoado a essa não ter ido.

Se lá foste, conta-me um pouco do que terá dito Mia Couto...

Imperdoável, imperdoável, a ausência da imprensa!

05 junho, 2018

Há muitas Marias... mas quantas mais poderia haver?

Agora tenho um trabalho a que me vou dedicar: 
  1. Saber, investigar sobre o estado da arte no desporto escolar e no associativismo. 
  2. Perceber porque nenhum clube ou associação de Oeiras não esteve presente, se por lá anda e vive tanta (miúda) gente. 
  3. Saber e investigar se algo de semelhante foi feito no meu concelho que, sendo um concelho de muitos velhos, é uma terra de muitas Marias...

18 março, 2018

Um conto ao Domingo - VII (tirado de "Histórias com mar ao fundo")

Troco o meu pano azul por um chá de menta, disse o viajante. Sacudiu a água das sandálias, passou os dedos pelos cabelos e sentou-se no primeiro degrau da escada. Era um ser pequenino, talvez uns doze centímetros de altura, moreno do sol, o véu azul e a túnica branca. Eu andava por ali a apanhar chuva e apesar de não ser muito habitual uma proposta destas, não estranhei. Na minha rua, os cães conhecem-nos pelo nome, os gaios roubam-nos os frutos e os melros conversam connosco de manhã. O carteiro não entrega as cartas, os jardineiros conduzem comboios pela noite dentro e aparecem estremunhados quando faz sol. O mar sobe uns metros a cada maré alta, mas desertos nunca vi.

Tens os pés molhados, disse eu estupidamente e acrescentei, posso fazer-te um chá preto ou de limão ou de erva-príncipe. Ele olhou-me de baixo para cima e eu senti-me envergonhada e alta, que é um sentimento que me acompanha quase todos os dias. Peguei nele, meti-o no bolso com a cabeça e os braços de fora e andei pelos canteiros até encontrar os pés de hortelã.

Convidei-o a entrar. Na cozinha fervemos água e por esta ordem, ele exigiu um bule de prata com um bico longo, açúcar mascavado em abundância, um copo de vidro e dez folhas de menta. Admirei-lhe a perícia e enquanto ele bebia o seu chá, eu bebia o meu, preto e sem açúcar. Coloquei mais lenha na lareira e ele sentou-se no chão sobre o tapete, as sandálias e o pano azul a secar e assim aquecido e confortável, soltou-se e começou a falar. Dos ventos quentes do deserto, das tempestades de areia, do azul-índigo dos panos e de como, sem ele saber porquê, uma corrente contrária o tinha envolvido, enrolado e feito perder.

E saberás regressar? perguntei. Claro, respondeu, logo que tiver os pés quentes e a roupa seca, encontro o caminho de volta. Deixo-te o pano azul, acrescentou.
Não quero o teu pano azul, faz-te falta para tapar o rosto, respondi. Porque és tão pequeno? acrescentei. Porque és tão grande? respondeu.
E deitando a cabeça sobre o braço direito, adormeceu. Silenciosamente fui buscar um lápis e um bloco e esbocei o viajante, o pano, as sandálias e a túnica. A monotonia da chuva, o calor da lareira e o ligeiro roncar daquele ser magnífico fizeram-me adormecer também.

Uns minutos ou muitas horas depois, acordei, e ele tinha partido. Sobre as folhas de hortelã, um anel de prata.
Nunca mais o vi e lembro-me dele quando chove e quando faz vento, quando sacudo a areia das botas e quando o céu se azula ao amanhecer. Não lamento não o ter fotografado, porque qualquer imagem não lhe faria justiça, como as linhas que tracei dele.

E nos dias cinzentos, ponho o anel de prata no dedo médio da mão esquerda para que os deuses não me abandonem.
Manuela Baptista 

06 janeiro, 2018

Uma estória de reis





os três mantos do rei

Veio o vento forte, quebrou as portas e as janelas, roubou dos armários as roupas e as tigelas e a chuva a zunir, alagou os tapetes, arrastou as cadeiras, os espelhos estalaram e os peixes vermelhos nadaram nas banheiras e o rei gritou, ai quem me acode num dia assim.

O rei era muito pequenino, mas tinha um coração grande e, tantas eram as vezes, não lhe cabia no peito. Não sei porque sou assim, gritava o reizinho, ai quem me acode e me faz um manto que me esconda do vento, da chuva e do desalento e me deixe o coração de fora para espreitar os pássaros e os peixes vermelhos que nadam nas banheiras.

Faço eu! respondeu o alfaiate. E costurou-lhe um manto de veludo bordado e tal era o peso do veludo e do bordado, que o rei encolheu cinco centímetros e chorou duas lágrimas de sal.

Não, não, sou eu que o farei, disse o joalheiro. E coseu-lhe um manto de jóias brilhantes e tal era o brilho, que o rei deixou de ver durante cinco dias e cinco noites e chorou quatro lágrimas de sal.
A cozinheira também tentou e fez-lhe um manto de claras em castelo, leve como o ar e o reizinho voou e só o agarraram dois dias depois. O rei soluçou de tanto se rir.

Então decidiu fazer ele próprio os seus mantos. Quando a chuva parou e o vento se aquietou, foi ao jardim e escolheu três flores aveludadas, luminosas, leves, singulares e com elas se vestia quando se sentia ensolarado, rodado ou esperançado. O coração grande acompanhava-o sempre, porque agora cabia em qualquer lugar.
A minha foto
 Manuela Baptista

04 setembro, 2017

AVANTE! Três momentos altos e uma ameaça


Falar da Festa..."Só" falta estendê-la cidade a cidade e alargá-la do Minho ao Algarve. Mas o impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu
Valeu? E cabe aqui a tal minha frase batida:
mudar o mundo não custa muito, leva é tempo...
Quanto ao meu plano, ele foi cumprido e alargado. Do todo, falemos então dos pontos altos, com fotos a ilustrá-los:


Excelente, no sábado (Avanteatro). Excelente (pelo texto e encenação) e impressionante (pelo desempenho, hora e meia em palco num irrepreensível monólogo, é obra).


António Zambujo não estava no meu plano. Ocorreu-me quando estava num outro ponto alto, saboreando um bom prato alentejano a que os menos conhecedores da nossa gastronomia insistem em chamar gaspacho.


Ponto alto, que deve ser (integralmente) lido... 
Estes foram os momentos mais altos.
E qual é a ameaça? Depois vos digo!

23 novembro, 2016

Mesa Redonda (9) - Tema: conto escusado, embora bem comentado

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para o Meu Contrário): Esta Mesa Redonda foi convocada por ti, meu juízo. Diz lá, por por que ajuízas ser o meu conto escusado?
Meu Contrário (muito sério e calmo): Tudo o que serve para pouco, podendo servir para muito, é um desperdício! (após um pequeno silêncio, prosseguiu). A ideia do conto é interessante, mas, mesmo tratando-se de ficção cientifica, não me parece que prenda alguém à leitura…
Eu (pensativo): És capaz de ter razão. Muitos foram os que vieram ler a sinopse e não voltaram. Houve quem voltasse para dizer ser um texto previsível...
Meu Contrário (como que encorajado): Pois! A narrativa das partes iniciais parece ter sido criada  para justificar o final. Usas e abusas dos links obrigando a ir ver a outro lado o que devia ser integrado no que está a ser lido...
Minha Alma (interrompendo nesse preciso momento): De facto, se tivesses caracterizado logo que a classe dos "deprimidos" resulta da evolução da actual precarização do trabalho, tudo seria mais claro... e a passagem escondida é forte, vejam bem: «61,5% dos jovens trabalhadores têm vínculos precários. Este nível de precariedade, instabilidade e insegurança pressiona os salários para baixo.130 mil dos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego não têm acesso a nenhuma prestação de desemprego, sendo os mais afectados pelos cortes nestas prestações. 2/3 dos jovens dos 18 aos 34 anos vivem em casa dos pais, consequência visível da perda de direitos, dos contratos a prazo, salários de miséria e desemprego».
Meu Contrário: Falas em "Oficio" sem explicar o que é isso...
Eu: Mas se escrevesse sobre tudo isso, escrevia um livro.
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Então escreve!