03 setembro, 2026

A PITY DEDICOU-ME UM POEMA. DEPOIS DE O LER, MINHA ALMA LEVANTOU VOO


 «Vou-me juntar ao bando.

Preciso dizer-lhes que há pelo menos um homem

que, como nós, sabe voar.»

Autor : Rogério G.V. Pereira

 

Talvez tenha sido uma gaivota

que um dia me disse isto ao ouvido,

quando o mar ainda guardava

o último azul da tarde.

 

Encontrei um homem.

Não tinha asas.

Mas quando abriu as mãos,

o mundo pareceu caber nelas.

 

Não o vi subir.

Vi-o permanecer de pé

quando o vento

mandava que baixasse a cabeça.

 

Vi-o caminhar

sem medo da distância,

sem mapa, sem perguntar

onde começava o céu.

 

Há perguntas

que nos prendem à terra

antes de encontrarmos

a resposta certa.

 

Foi então que compreendi:

voar não é fugir.

É permanecer

quando o vento nos empurra.

 

É confiar no caminho

mesmo quando o horizonte

ainda não se deixa alcançar.

É abrir as mãos

sem saber o que nelas pousará.

 

E guardar dentro de nós

aquilo que amamos

sem deixar de abrir espaço

para o mundo.

 

Por isso, se um dia

me virem caminhando junto ao mar,

não pensem que estou perdido.

 

Talvez esteja apenas à espera

de que alguma gaivota reconheça,

nas minhas mãos vazias,

o desenho de duas asas.

 

Talvez então eu compreenda

que o céu nunca esteve

tão longe como pensei.

 

E, quando o vento chamar,

sem medo de não saber para onde,

hei de me juntar ao bando.

 

©Piedade Araújo Sol 2026-08-27

11 comentários:

  1. Não mereces só um poema!
    Te ter como amigo e leitor de tantos anos é uma benção.
    A tua generosidade é algo que não se encontra todos os dias.
    Obrigada!
    Bom fim-de-semana.
    :)

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    1. HÁ tantos anos?
      Fui procurar há quantos
      Não encontrei
      Mas tropecei neste
      POEMA A DUAS MÃOS
      (Semear no mar, colher em terra)

      O som das gaivotas desfiando a tarde
      O fundo do horizonte a rendilhar
      A névoa que se avista
      O delírio do mar em convulsões de marés
      O desvario da imaginação
      O sonho que os olhos do poeta pintam
      Sonho sem o ser?
      Vá se lá saber...se nem ele sabe.

      Sabes, poeta?
      Ainda te espero, a declamar
      Versos resgatados das areias e
      levantados do chão.

      Rogério Pereira / Piedade Araújo Sol
      (sobre um comentário semeado em "Esta noite" )

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    2. Esqueci de colocar a data 11 de Novembro de 2012
      https://conversavinagrada.blogspot.com/2012/11/poesia-uma-por-dia-4.html

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    3. foi escrito a 4 mãos, eu sempre gostei de parcerias...
      não sei há quantos anos, mas deve ser desde o início do blogue..
      obrigada e boa semana.
      :)

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  2. Ego arrebentou,
    de tanta satisfação,
    Alma levantou.

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    1. Sabes bem
      que.isto se passa
      contigo também

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    2. Comigo não se passa, Rogério.
      Ninguém me dedica poemas.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. Passa sim!
      Para além da poesia
      Há outras dimensões que estreitam uma relação,
      E já te considero da minha família

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