06 junho, 2011

"A Maior Flor do Mundo", será reanimada muito, muito lentamente, quando houver mais gente a repetir-nos o acto

Quando há dois meses atrás criei para este blogue um novo visual, escrevi em jeito de editorial quando se avizinhava à pré-campanha para as eleições legislativas:
Durante muitos dias, até 6 de Junho, proponho-vos sair da algazarra do dia-a-dia: sair do tem que ser; sair do este é mau e o outro não é melhor; sair do termos de apoiar este porque com o outro seguinte tudo vai acontecer, como se morrer lentamente fosse diferente de morrer ou se a mentira pudesse ser mais tolerável se for dita de forma mais agradável ou com um pouco de verdade à mistura”.
Foram 11 posts a partir dum conto de Saramago passado num filmezinho animado. Nem me parecia ser possível construir tanta pequena estória dento do conto. Termino hoje com mais uma versão. Talvez a mais verdadeira de toda a narração original inteira. Termino porque terá de ser, porque tenho que voltar ao meu avinagrar. Mas quero que saibam que contos destes levam-nos a uma infindável imaginação e um dia há que parar, porque há outras coisas para dizer e... fazer..


Ainda não estando apurados todos os deputados, mas conhecidos vencedores e derrotados, a família sentiu-se aliviada. Ele, ignorando o estaleiro parado, olha o último modelo do carro desejado. Mentalmente volta ao pensar de sempre: com o novo eleito retirará desse facto o necessário proveito. Tudo, pensa ele, voltará ao que era dantes. Não se produz? Não se trabalha? Não se recebe? Que importa? Saber lá se a sorte não está por detrás da sua porta. Sexta-feira é dia de Euromilhões... Se não for dessa, de outra oportunidade será...

Ela não é diferente da comum gente e ei-la regressada à leitura do prospecto para a compra desejada. O menino voltou a andar perdido não retendo a atenção de um ou de outro. Amam-no? Claro. Quem poderá pensar o contrário? Só que é uma nova forma de amar e sobretudo, amam-se a si próprios mais que tudo. Um novo governo gerou nesta família a tranquilidade que faltava. Pensam, na sua ingenuidade, que tudo voltará à normalidade de continuar a gastar, que tudo o que até aí acontecia era apenas por incompetência do governar...

"A Maior Flor do Mundo", reanimou-se um pouco. Gestos de mãos necessários para que renasça. Gestos do menino e meus também(*) Sem sonhadores... não há sonho. Suponho

(*) Pormenor de foto que me foi tirada pelo João, em pleno acto de eleição