10 junho, 2011

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Mantendo-se, certamente no seu subconsciente, livrou-se da expressão "Dia da Raça", estando esta, contudo, sempre presente. No dia em que Portugal sobe para o terceiro lugar no risco de bancarrota, o Presidente frisou que as Forças Armadas são um investimento e que"mesmo em tempo de crise, "não [são] um desperdício de recursos" mas "um investimento de futuro", que permite ao Estado a "afirmação de uma vontade política própria". Mais tarde, depois do discurso de António Barreto, o Ministro da Agricultura que iniciou a ordem nos campos, o Presidente disse que era preciso aos campos regressar se nos queremos salvar. Contradição, não. Apenas a já habitual encenação. Camões? Camões desolado por seu nome dado ao dia ser pura fantasia, veio-me segredar um poema seu, que assim dizia:

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

Luis Vaz de Camões-Desconcerto do Mundo

16 comentários:

Manuela disse...

Amigo Rogério, este zarolhito, escreveu isto há uns séculos atrás, verdade? Mas se o escrevesse hoje, estaria actualíssimo...

Sandra disse...

Camões quase tão visionário como Eça...
Saudações patrióticas

Fê-blue bird disse...

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

Ai Portugal, Portugal!!!

Bjos

Rosa dos Ventos disse...

Muito bem escolhido o poeta do 1o de Junho e o poema absolutamente adequado aos tempos que se vivem!

Abraço

Fada do bosque disse...

Mas... esperava-se o quê de um dos maiores carrascos de Portugal?! Isto é o que se possa chamar o Vendilhão-mor! Quando precisávamos de uma agricultura forte, de uma indústria competitiva, de um sector marítimo coeso, forte e desenvolvido, este safado vem falar de investir no exército?! Só se for para um dia mais tarde e depois dele ter destruído por completo a qualidade de vida dos portugueses ao ponto de gerar uma revolta, o poder virar contra o seu Povo! Não espero mais nada desse carrasco. Mas também sem que os traidores do bloco central, assinaram o acordo da Tróica, em que nos devem esfolar vivos para que uma d+ivida seja paga, com sangue suor e lágrimas, para no fim as forças do exército nos possam eliminar por qualquer rebelião ou protesto. Caminhamos a passos largos para uma guerra que esses senhores continuam a alimentar... contra o seu próprio POVO!! Cães de fila do eixo franco alemão. Traidores da Pátria!
Não foi à toa que ouvi as pessoas do programa da TSF "o fim da rua", a dizer que seriam necessários muitos "Salazares"!... estes pobres desgraçados, nem chegaram a saber o que é uma Democracia!!! Nunca o saberemos!
Parabéns pela escolha do seu poema e pelo seu pensamento tão acertado.
Espero que não leve a mal a minha forma contundente de falar... é um desabafo.
Um abraço sentido, Rogério.

acácia rubra disse...

Talvez que, um dia, ouçamos cada um deles dizer: "Fui mau, mas fui castigado".

Eu ainda acredito numa espécie de juízo final, já que o intermédio não tem resultado.

O mundo anda/continua mesmo concertado para a maioria dos portugueses!!!

Por isso, Rogério, gostei tanto de o ver como Viriato, Homem de um tempo em que ainda não éramos o que somos, Homem que se não deixava vergar.

Beijo

jrd disse...

Eram tantos os "maus" que lá nadavam...

Ana Teresa disse...

A ser tão actual este poema, só significa uma coisa: não houve, de facto, grande evolução. É só aparente.
Por um lado, parece-me que se anda menos distraído, por outro, tudo continua igual.

"São tantos os maus que cá nadam"

carol disse...

Boa escolha! A do poema, claro! Quanto ao resto... é apenas (mais) uma constatação do PR que "temos"... de gramar.

Gisa disse...

O homem e a atualidade dos seus pensamentos. A data é um detalhe.
Um grande bj querido amigo

O Puma disse...

Boa malha num texto lúcido

Sam. disse...

Há versos que lemos e pela data que foram escritas, nos parecem mais a profecias...

Gênio de uma pátria, por ele Camões, Florbela, Saramago, Sophia de Mello e tantos outros, eternos ou dessa atualidade, é que o mundo deve tanto a Portugal e com isso, apesar dos pesares, temos muito a que comemorar essa nação!

Um beijo!
Bom final de semana!

Cacarol disse...

Camões sempre actual*

folha seca disse...

Rogério
Acho que não nos resta só o Hino e a Bandeira. Basta vir aqui.

Lídia Borges disse...

Camões sabia bem do que falava...


L.B.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Como o homem foi o grande responsável pelo fim das pescas e da agricultura e agora vem reclamar que se façam fortes apostas nesse sector para salvar o país; como destruiu centenas de quilómetros de linhas férreas mas agora vem dizere que adora andar de comboio, é natural que ainda venha a alterar a sua posição sobre o investimento nas FA