Ela (a próstata) - Olha, desculpa interromper, podemos falar?
Eu - Olá! Sim! Diz lá!
Ela (a próstata) - Depois da biopsia, passados estes três dias sobre os doze tiros com que fui metralhada e depois de ter sido apalpada, queria saber como estavas...
Eu - Acabo de falar com o coração que continua a bater ao ritmo certo, mas recomendou que eu tenha cuidado com as emoções. Queixa-se que o faço bater demasiado. Falei antes com os pulmões, com os dois. Estão zangados comigo e disseram em coro, que ou paro com o cigarro ou eu me apago. Já tinha falado com o fígado e o gajo anda à rasca, embora admita que a cirrose (por enquanto) está fora de hipótese...
Ela (a próstata, interrompendo) - Pára, carago! Eu só queria saber sobre o teu estado! De como estás na compreensão da minha função. Se tens ardor ou dor, se mijas bem, se sangras, se sangras muito...
Eu (a tentar fechar o diálogo) - O meu estado? Isto é uma consulta? Agora deste em urologista?
Ela (a próstata, com voz sentenciosa) - Não brinques. Bem sabes que o equilíbrio do ser humano resulta da capacidade de cada um interpretar os sinais do seu corpo.
Eu (rematando) - Há bocadinho, a urina ainda me saiu com vestígios do teu sangue. É normal! Por tanto... estou ótimo!
PS: A consulta ficou marcada para 30 de agosto. Aguardo calmo.







